Notas iniciais
Espero que gostem!

TEEN IDLE (ACOUSTIC) — MARINA AND THE DIAMONDS

– Todas sabem o porquê de estarem aqui, eu espero. – disse Corinne. Pernas cruzadas, cabelos soltos, sorriso de canto. Impecável. As garotas ao redor da morena confirmaram com acenos de cabeça ou simples “sim”. Em seus olhares havia certa ansiedade e curiosidade, mas já haviam imposto para si mesmas que iriam fazer o que fosse necessário para acabar com Megan. – Muito bem, Ashley. O que você tem a nos dizer?

A garota se levantou de sua cadeira, contornando a mesa até alcançar um notebook que estava em sua mochila. Elas estavam no refeitório que, por incrível que pareça, estava vazio. As garotas tinham dúvida de como aquilo era possível, mas quando Corinne lhes lançou um olhar de “não agora” todas abaixaram a cabeça.

Implacável.

– Megan planeja uma neon party. Ela está um tanto preocupada com essa festa, porque a última não deu muito certo. – disse a tal de Ashley tudo muito rápido. A garota mostrou algumas fotos para as outras sobre o que era uma neon party. Muitas ficaram animadas (como não poderiam saber o que era uma neon party?) porque gostaram de todas as cores e de toda a agitação.

– Ahhh!, Corin. Não podemos destruir uma festa dessas! – comentou uma delas sem pensar muito a respeito. Squarre ergueu ambas sobrancelhas e descruzou as pernas, inclinando-se sobre a mesa na direção da que havia tomado a palavra.

– O que disse, querida? – perguntou amavelmente.

– Ahn... N-nada.

– Bom. Achei que tinha ouvido você dizer que queria que Megan continuasse com a ideia.

– Jamais, Corinne.

A morena sorriu friamente para a outra, voltando a encostar nas costas de sua cadeira. Ela pegou de sua bolsa que estava sobre a mesa uma lixa e começou a embelezar suas unhas. Era visível que estava no tédio, como se já soubesse de tudo aquilo e quisesse passar para o próximo nível.

– Mas... temos um problema. – continuou Ashley como se não tivesse sido interrompida. – O diretor está a par de tudo. E está dando totais força para que a festa aconteça, não sei como iss... – e a jovem foi bruscamente interrompida.

– Eu sei exatamente como isso está acontecendo. – A Squarre se levantou com um sorriso perverso. Pegou sua bolsa pela alça e já começou a andar em direção à saída do refeitório, sua mente explodindo de agitação. – Ashley, continue explicando o que faremos. Deixo nas suas mãos para que saia tudo perfeito. Me entendeu? – continuou a falar sem ao menos se importar em virar.

– C-c-claro, Corin.

E os passos da morena eram firmes sobre o piso do corredor. Ela mantinha o sorriso perverso como se soubesse de alguma coisa, ou melhor, como se já tivesse vivenciado tudo isso. Seu olhar passava pelos rostos das pessoas que cruzavam o seu caminho; quando alguém tentava fita-la a garota resistia até que o outro se desviasse. Não se importava em pedir desculpas se esbarrasse em algum aluno, não se importava se eles a olhassem feio.

Ela era incontrolável.

– Onde você se esconde, ratinho? – perguntou para si mesma com certo nojo na voz. Lembrou-se da face da pessoa que procurava e sacudiu a cabeça sem acreditar. Precisava logo da ajuda dele.

[...]

Tic-tac.

Era o barulho que relógio fazia enquanto eu olhava fixamente para ele.

Tic-tac.

Foi exatamente assim que eu havia acabado com o primeiro, tão rápido quanto um tic-tac.

Tic-tac.

Foram o que as vozes me disseram se eu demorasse um pouco mais para concluir o que me era imposto. E me ameaçaram, depois, também com o mesmo tic-tac.

Tic-tac.

Foi o tempo que levou para que a última deles gritasse em desespero, pedisse com a voz cheia de desespero, de piedade. Suplicava pela vida, mas as vozes suplicavam por essa vida também. Quem eu deveria ter ouvido?

Tic-tac.

Foi o tempo necessário para que eu enfiasse a faca no coração da garota que perdeu a voz em meio a um grito de horror.

Tic-tac.

Foi o tempo que meus pais levaram para me encontrar no quintal dos vizinhos coberto pelo vermelho. Um vermelho tão bonito.

Tic-tac.

Foi necessário apenas esse tic-tac para que meus pais ligassem para o sanatório da mesma forma as vozes disseram que eles fariam. Eles não confiavam em mim. Por que não confiavam em mim?

Tic-tac.

Foi o tempo que levou para que eu caísse em sono profundo com a anestesia que me deram.

Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac.

Era o martelar produzido em minha mente. Lágrimas escorriam pela minha face. Eu estava angustiado. Por que o tic-tac não parava? Pare, por favor! Mas ele não parava. Abracei-me no canto daquele quarto olhando diretamente para o relógio que havia sob a porta, meus olhos esbugalhados, aterrorizados. Por favor! Eu lhe imploro. Pare!

Tic-tac.

Eu precisava sair dali. Eu precisava sair da minha mente, daquelas vezes, de mim.

– Hey, Lis! Já cheguei na cidade. Acho que meus pais logo, logo me deixarão te ver, mas ainda não sei. E também não tente vir aqui, você sabe exatamente o que eles acham sobre visita. Além disso, teremos todo o tempo do mundo para conversar. Eles provavelmente me matricularão no colégio. Estou ansioso!

Tic-tac.

Você nunca conseguirá escapar de nós, Benjamin”, disseram as vozes.

[...]

Corinne estava prestes a bater na porta do quarto quando o viu passar. O homem olhava para os lados, como se não quisesse ser visto, e tinha os passos rápidos. Segurava algo em suas mãos que a morena não conseguiu identificar, mas ela imediatamente virou-se para seguir o homem.

Era o mesmo que havia saído de seu quarto no dia da festa.

Notas finais
Well, até o próximo!