I'm Aquarius

17 Imperador Turner


Notas iniciais
Espero que gostem!

As conversas não conseguiam sobrepor o volume da música. As pessoas já estavam na pista, algumas outras no bar e ainda tinham aquelas que só ficavam nos bastidores, observando. O sol se punha por de trás dos prédios altos do colégio, deixando o céu cada vez mais escuro e propício para que a festa se tornasse ainda melhor.

– Bettany, peça para os garotos entrarem com as tintas. Já é uma boa hora. – instruiu uma Megan que possuía certo brilho nos olhos. Dessa vez ela tinha certeza que nada daria errado, porque tudo fora tão bem planejado que não havia nada que pudesse lhe atrapalhar. Ela olhou para a amiga que estava ao seu lado e ainda não havia se movido. – O que você está esperando, garota? Vai!

– Eu não acho uma boa ideia, Meg. – falou Betty em voz mais alta, tentando vencer o barulho que havia dentro da tenda. A loira lhe lançou um olhar perigoso e inspirou e expirou algumas vezes, tentando controlar a raiva.

– Não é uma Neon Party se não tiver a tinta para enfeitar, Bettany.

– Vem comigo. Preciso te mostrar uma coisa. – a morena pegou na mão da Rainha Loira e puxou-a até onde tinham as tintas. Pegou um graveto no chão, abriu um dos barris e mergulho-o no líquido. Quando retirou o graveto, ele não brilhava ou qualquer coisa semelhante. Megan franziu as sobrancelhas e olhou para a tinta de cor verde que parecia ser extremamente comum.

– O que aconteceu, Bettany? Por que as tintas não estão funcionando? O QUE ACONTECEU? – Megan gritou, jogando a tampa do barril para longe. Inspirou e expirou algumas vezes novamente, tentando se acalmar.

– Tenho quase certeza que foi obra da Squarre. Eu ouvi uma conversa estranha daquela amiguinha dela, Ashley? Enfim, vim conferir há alguns minutos e já estava assim. – a Herveaux disse tudo muito rápido, como se quisesse se livrar de uma vez daquela situação. Ela sabia que aquela tinta só estava ali por culpa dela, mas agora se arrependia. Foi usada como uma ferramenta nas mãos de Corinne, algo descartável, e não gostava disso. Sentia-se magoada o suficiente para entrega-la à Megan.

– Bem, peça para os garotos entrarem com a tinta reserva. Felizmente, eu pensei que isso poderia acontecer. – falou Megan enquanto retomava a sua expressão de felicidade e vitória. Nariz empinando, queixo erguido, cabelos devidamente arrumados caindo pelas costas e um vestido branco justo ao corpo. – Tenho uma festa para coordenar.

E assim fora feito. A tinta neon foi trazida e todos gritaram de prazer ao se verem brilhando em meio as luzes e a música. Megan sorria satisfeita, principalmente depois que viu a expressão em choque de Corinne que havia acabado de chegar na festa. Quando seus olhares se cruzarem, a Rainha Loira piscou para a morena que teve de se conter para não quebrar a primeira coisa que estava na sua frente.

Enquanto isso no fundo da tenda Turner fazia alguns últimos reparos nos cabos. Certificou-se de que todas as televisões estavam conectadas com seu notebook, se as imagens estavam todas ali e depois saiu em direção aos disjuntores responsáveis por tudo o que estava ligado no local. Em um momento todas as pessoas riam, dançavam, bebiam e se divertiam ao som da música alta e de tudo mais, mas em outro momento elas gritavam assustadas porque tudo havia parado de funcionar. As luzes se apagaram, a música se silenciou.

– O que aconteceu, NERD? – vociferou Megan no meio das vozes que discutiam o que havia acontecido. – Calma, pessoal, tenho certeza que foi uma queda rápida de energia e já vamos voltar. – ela falou o mais docilmente que conseguiu e saiu na direção do fundo da tenda. Procurou lá Turner, mas ele já havia sumido.

– Boa noite! – o garoto cumprimentou-os em voz alta. Uma única luz se ligou e deixou o jovem em foco. Ele estava em cima de uma caixa de som, para deixa-lo mais visível a todos. – Creio que a maioria aqui não me conhece, mas tenho certeza que depois de hoje eu me tornarei... – ele abriu os braços, deixou que um sorriso maníaco tomasse sua face e olhou para todas as cabeças que estavam abaixo de si. — ... uma lenda.

– Nerd, o que você está fazendo? – perguntou uma Megan totalmente descontrolada. Ele olhou-a com certo desdém e depois se voltou para o público.

– Por muito tempo eu fui como vocês, um fantasma. Uma pessoa que só ficava em segundo plano, sem receber nada de bom. Mas isso, pelo menos, me mostrou que chegada a hora certa eu teria minha vingança. Que eu não seria mais um capacho! – a última palavra ele falou olhando diretamente para a Rainha Loira, que parecia completamente desesperada com aquela situação fora de seu controle. – E hoje, depois de tanto observar e observar, chegou a minha hora.

As pessoas se entreolhavam curiosas, especulavam com murmúrios sobre o estaria acontecendo naquele momento e sobre o que aconteceria no futuro. Muitos olhavam para Megan e soltavam algumas risadinhas, comentando que aquela festa estava sendo tão ruim quanto a outra.

– T-t-turner, acho que precisamos conversar. – a loira disse tão baixo que o garoto quase não a escutou. Quase.

– Cala a boca, Megan. – ele abaixou-se para apertar alguma tecla do notebook que estava ao seu lado, em cima da caixa, e todas as TV’s se ligaram de uma única vez. Logo uma imagem da loira surgia na tela em um de seus dias normais de aula. – É interessante você perceber que até as pessoas mais influentes podem ser uma farsa.

Os sussurros começaram a ficar mais altos, principalmente depois da palavra “farsa”. Megan engoliu em seco, sorrindo amarelo para aqueles que a encaravam. Ela lançou um olhar desesperado para Betty, mas a outra só tinha olhos para o irmão.

– Turner, por favor...

– Vocês sabiam que a nossa querida Megan Lohnhoff tem um segredo? Quer dizer, Lohnhoff é mesmo o seu sobrenome? – Turner virou-se para fitar Megan que parecia estar prestes a desmaiar. Ela nada disse, então o garoto sorriu solidário. – Tudo bem, se você não quiser falar, eu falo.

“Megan Smith, é esse o seu verdadeiro nome. Não soa muito bem, não é? Mas o engraçado é que o sobrenome nem é tanto o problema. Em um dia desses, quando eu estava em uma das minhas muitas caminhadas pelo prédio, eu ouvi Megs conversando com alguém muito peculiar. Sabe quem era essa pessoa? A responsável pelo nosso lanche da manhã, almoço, lanche da tarde e janta. A cozinheira! Tanya Smith! E, só para acabar com todas as minhas suspeitas, Megan a chamou de... mãe. Acho que todos já fizeram a relação, não é mesmo?

Megan Lohnhoff, quer dizer, Smith, não passa de uma garota iludida. Uma pobre que quer ter o que nós temos, o que temos de direito, e mente até sobre sua verdadeira identidade para conseguir isso. É claro que, e não vou negar, sua beleza ajuda muito. Quantas vezes você já deu para o diretor, querida? Para os nossos colegas estudantes ricos? Tudo isso para que conseguisse alguns presentinhos e se mantivesse com a panca de ‘eu sou a melhor, eu sou a superior, eu mando em vocês’. Isso mesmo, ela é uma farsa, tudo o que ela diz é uma farsa e todos nós fomos tolos o suficiente para acreditar.”

A próxima foto era uma em que ela estava sentada no colo do diretor em pleno ato sexual. As pessoas olhavam da imagem para a Rainha Loira em choque. Ela própria estava estática, com os olhos esbugalhados e a boca aberta em forma de “o”.

– Eu não acredito que comi uma pobre! – gritou Matthew, de algum lugar. As pessoas riram, não só dele como de Megan. Ela permaneceu parada, assustada, sem qualquer reação.

– Matthew, Matthew, Matthew, Matthew. O cara desejado pelas meninas, até pelos meninos, e o maior idiota que já conheci. – Turner abriu um sorriso seco e mudou a imagem que aparecia nas televisões, mostrando agora Matthew com seu típico topete e o sorriso torto. – Sabe, eu fiquei chocado quando descobri que você tinha um hobby nas horas livres. Qual o nome que eles dão a isso mesmo? – o garoto perguntou, como se realmente não soubesse a palavra. Mas então ele olhou para o rapaz que tinha a feição voltada para o desgosto e sorriu. – Prostituição.

As pessoas olharam de Turner para Matthew confusas, sem saber o que realmente entender daquilo.

– Vamos lá, Matt, pode dizer a todos que nas horas vagas você é um belo de um gigolô. – o público riu, como se aquilo fosse uma piada. – Vocês acham que eu estou brincando? Ok. Vejam por si só. – o jovem Herveaux começou a passar uma sequência de imagens onde Matthew se encontrava na esquina do quarteirão que ficava próximo à escola. Uma foto mostrava ele conversando com alguém em um carro, a próxima era ele dentro do carro. Foram pelo menos vinte imagens dessas.

– Isso não prova nada! – berrou Matthew, mas dava para ver que sua voz havia saído um pouco esganiçada. Turner riu cinicamente, mas deu de ombros.

– É claro que não prova, mas quem sabe isso não sane as suas dúvidas? – e agora as imagens era dele entrando para algum motel, sempre acompanhado de um velho rico. Em uma delas um dos homens apalpava sem qualquer pudor a bunda do rapaz. As pessoas começaram a rir, olhando da imagem para Matthew que parecia que poderia se enfiar num buraco agora e ficar lá para sempre. – É verdade que seu próprio pai te vende para os sócios?

Dessa vez não houve risadas, só silêncio. O jovem, vermelho de vergonha, saiu correndo da tenda. Enquanto isso Bettany se aproximava no irmão, tentando fazê-lo descer dali.

– Hey, Tur, vamos. Pare com isso. – disse a morena em voz baixa. Turner olhou para ela de forma venenosa e depois sacudiu a cabeça.

– É triste saber que até minha própria irmã esconde alguns segredos... – suspiro dramático – Hey, cara! – o garoto gritou, apontando para um rapaz alto que estava próximo. Aquele era o namorado de Betty, todos sabiam, e sabiam também que ele era o melhor jogador que havia naquele colégio. – Sabia que você deve ser o aluno mais chifrudo daqui?

Bettany olhou para o irmão de forma amedrontada, Sebastian, seu namorado, olhou para ela enraivecido e Turner olhou para o público com um sorriso de prazer. A próxima imagem mostrava sua irmã com um sorriso safado no rosto, mas não mostrava quem era a pessoa para quem ela dirigia aquele sorriso.

– E sabe o que é ainda mais engraçado? Minha irmão traindo o pobre Sebs com uma garota! – as pessoas fizeram sons de surpresa quando a imagem ficou completa, revelando Bettany com um garota em seu quarto do colégio. Depois ele passou as imagens, mostrando outras garotas, e enquanto isso as pessoas se chocavam cada vez mais. – Irmãzinha, tem certeza que você gosta da fruta que o Sebastian tem?

As pessoas começaram a rir depois daquilo, porque realmente fazia sentido. Turner deixou que eles extravasassem um pouco, mas logo pediu a atenção de todos. Um olhar vitorioso começou a surgir em sua face, como se ele tivesse guardado melhor para o final. E era verdade.

– E querem saber quem mais foi alvo de Betty? – todos acenaram com a cabeça, desesperado para mais informações sobre aquelas pessoas que sempre eram tidas como reis e rainhas. – Corinne! – o jovem praticamente gritou o nome, mostrando uma imagem onde Corinne e Bettany se beijavam. As pessoas não souberam como reagir àquilo, principalmente quando Turner fez questão de voltar a luz para uma Squarre sem cor.

– Isso é montagem! – gritou Betty entre o desespero e a vergonha. O irmão riu, mas sequer olhou para ela.

– Vamos lá, Corinne, se aproxime mais. Agora é a sua vez. – os estudantes olhavam com expectativa para Turner, que nunca havia recebido tanta atenção como naquele momento. Sentia-se glorioso, como se nada pudesse acabar com ele naquele momento. Nem mesmo Deus. – Mas devo dizer para vocês, pessoal, que o que estão prestes a descobrir não será nada engraçado.

A imagem que surgiu foi de Corinne com toda a sua beleza e sua falsa superioridade. O silêncio que se instaurou foi tremendo, dava-se para ouvir a respiração da pessoa que estava ao seu lado. A próxima foto, entretanto, fizeram com que todos arfassem assim que terminassem de ler a notícia. A manchete, tão visível a todos, chamava logo a atenção:

“FILHA DA SOCIALITE MADDISON SQUARRE É SUSPEITA DE MATAR PAI E FILHO”

– Deixo que vocês tirem suas próprias conclusões. – Turner falou, focando a luz novamente em Corinne. Ela estava pálida, seus olhos marejados de lágrimas e suas mãos tremiam. Os estudantes julgavam-na com o olhar, xingavam-na baixinho, acusavam-na sem quaisquer modos. A morena, que era conhecida por não aguentar bem as suas humilhações, saiu correndo da tenda.

Turner Herveaux esperou alguns segundos para retomar o seu discurso, apontando os segredos de alguns outros alunos que não eram tão importantes o quanto os anteriores, mas ainda assim provocavam choque em todos os outros. Já Corinne corria às cegas pelo jardim da escola, sem saber o que fazer com aquela culpa, aquela vergonha e aquela tristeza que assolava o seu coração.

E enquanto seguia o caminho sem prestar qualquer atenção, uma pessoa se materializava em meio as sombras. A Squarre bateu diretamente contra o seu corpo, sem perceber que havia alguém ali, mas quando a garota estava prestes a cair com o impacto, o homem a segurou. Daros Brudvig olhava-a com feições preocupadas, visto que o rosto da jovem estavam completamente encharcado pelas lágrimas.

– Ei, ei. O que aconteceu? – ele perguntou em voz baixa, tirando do bolso de seu paletó um lenço para limpar o rosto de Corinne. Ela fungou, sacudindo a cabeça em negativa e chorando. O professor suspirou profundamente e a abraçou, como se aquilo fosse resolver alguma coisa. – Venha, vamos até o meu quarto. Um chá pode lhe fazer bem. – saíram os dois. Ele amparava a garota, e ela só fungava e chorava aos quatro ventos.

[...]

– Seu pai quer vê-lo. – disse a coordenadora para Jimmy. Ele largou-se na poltrona da recepção, tirando um cigarro do maço e colocando-o nos lábios. Acendeu-o enquanto se perdia em suposições sobre o que o seu velho iria querer com ele daquela vez. Tinha certeza que seria algo em relação à corrida em que participara mais cedo, mas se fosse isso o garoto ia simplesmente rir na cara do homem. Quantas vezes ele precisava repetir que não pararia de correr?

O homem, por fim, entrou na sala. Ele possuía uma expressão rígida na maioria das vezes, mas agora havia ali uma mescla de tristeza. Cruzou os braços, franziu as sobrancelhas para o cigarro que o filho fumava, e depois sacudiu a cabeça.

– James...

– É Jimmy.

– Por favor, eu só quero conversar. – disse o pai, em voz baixa.

– Anda logo, velho. Tenho mais o que fazer, tipo mijar nos arbustos. – Jimmy respondeu, soltando a fumaça em espirais para cima. O homem engoliu em seco e uma lágrima escapuliu de seus olhos, que foi quando o jovem percebeu que algo sério havia acontecido. – Aconteceu alguma coisa?

– Sua mãe... Ela, bem, ela morreu. – o homem falou com dificuldade. O choro estava preso em sua garganta, mas ele tinha que se manter forte ou não passaria a imagem do grande empresário que era. A verdade é que a Sra. Parsley já estava a algum tempo acamada. Quer dizer, praticamente durante toda a adolescência de seu filho. Jimmy, por esse motivo principalmente, começou a se tornar imprudente. Aprendeu a fumar, a beber, e toda vez que seu pai lhe falava algo ele simplesmente dava uma má resposta, pegava o seu Dodge e saia.

– O que? – o garoto perguntou, tirando o cigarro da boca. Ele olhou para os lados, como um olhar descrente, e começou a rir. É claro que aquilo era tudo uma brincadeira, ele tinha certeza. – Arthur, de todas as coisas que você já tentou fazer para me impedir de ser quem sou, essa foi a pior.

– James, acredite em mi...

– É JIMMY, PORRA. JIMMY! – o rapaz berrou, jogando o cigarro que estava em sua mão na direção do pai. O homem nem se moveu, apenas as lágrimas começaram a cair sem qualquer impedimento pela sua face. Ele tirou um papel do bolso e mostrou ao filho. No início Jimmy se recusou a ler, mas a curiosidade o venceu.

Depois, não havia mais nada a se dizer. Aquele era o atestado de óbito de Sarah Lö Parsley.

[...]

– Vamos, Lisbeth! Você tem que me mostrar o resto da escola. – falou Bejamin enquanto arrastava a amiga pelos corredores do prédio. A garota revirou os olhos e se soltou do aperto de Ben, cruzando os braços.

– Eu estou com preguiça, cara. Não vou andar por aí!

– Ah!, você vai sim. Ou não ganha pizza depois. – ele disse, tentando conter o riso. Lisbeth ergueu as sobrancelhas, como se não pudesse acreditar no que ele havia dito.

– Não se ameaça com pizza, Benjamin! – ela disse exasperada, como se realmente estivesse magoada com o que ele havia dito. Depois começou a rir, erguendo os braços como se estivesse rendida. – Ok, ok. Só porque faz tempo que não te vejo. Mas vem, vou te mostrar o prédio onde os professores, coordenadores e resto ficam. É bem foda.

E assim eles seguiram, brincando e conversando como se estivessem alheios a tudo que estava acontecendo no restante da escola. Aquilo era bom para Benjamin, na verdade. Já fazia algum tempo que não se divertia assim, principalmente depois do que havia feito há alguns anos atrás. Eles foram chegando mais perto de uma estrutura magnífica, mas pararam quando ouviram o som próximo de choro.

– Espera. Eu conheço esse barulho. – Lisbeth sussurrou e puxou Benjamin para de trás de uma das árvores que havia se erguido ao redor do prédio. Ela tinha quase certeza que aquele choro pertencia à Corinne, o que era uma verdade, porque assim que a garota surgiu no seu campo de visão a loira revirou os olhos. – Ah, ela deve ter sido humilhada de novo. Vamos embora.

– Não, pera aí. – pediu Benjamin, olhando fixamente para a imagem da garota sendo amparada pelo professor. – Qual o nome daquele cara?

– Ahhh. É o professor de filosofia, Darus Brudvig. Ele é brilhante. – Lisbeth respondeu, olhando para os dois a distância e tentando descobrir qual era o motivo de interesse do amigo. Ela suspirou profundamente, olhando para o relógio no pulso do garoto e verificando as horas. – Por favor, podemos ir agora?

– Espera aí, coisa. – o garoto disse, olhando fixamente para o homem. Ele o conhecia de algum lugar, tinha certeza. Mas de onde? – Eu conheço ele, o tal do Darus.

– Como assim conhece? Você esteve meio que ocupado nos últimos cinco anos, Ben. – respondeu Lisbeth, já impaciente. Seu estômago roncou e ela pôs a mão sobre ele. – Viu, até meu estômago concorda comigo. Vamos embora!

Mas Benjamin havia se lembrado. No primeiro ano em que passara no hospício presenciou um dos momentos mais temidos por todos os médicos que ali viviam: uma fuga dos pacientes. Tinha certeza que Darus Brudvig havia participado dela, lembraria de seu rosto em qualquer lugar. Do seu rosto e do rosto assustador da mulher que o acompanhava, porque durante um tempo eles foram os motivos de seus pesadelos. As histórias que corriam sobre ele, sobre ela, eram assustadoras. Diziam que tudo o que a mulher queria era voltar para o seu marido e para o seu filho. Diziam que tudo o que o homem queria era beber o sangue de suas vítimas no jantar.

– Lis, é melhor pedirmos ajuda. – falou praticamente em um murmúrio.

– Sim, vamos chamar os bombeiros. Minha fome precisa ser sanada! – Lisbeth disse, contorcendo a face em desgosto, mas quando viu o terror estampado no rosto de Benjamin ela se assustou. – O que foi, Ben?

– Acho que ele vai matar aquela garota.

Notas finais
Bem, algumas coisas foram reveladas aí e acho que, grande parte, graças ao Benjamin. Bem, o próximo capítulo será o último. E espero que tenham gostado desse!