Ilusões
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Sakura
No dia seguinte, a Kurenai me ligou curta, seca e grossa, dizendo que eu não poderia ver o Sasuke hoje, por causa de algum incidente que aconteceu. E que, na verdade, achava que iriam ter que cancelar toda essa parada de promoção. Tentei perguntar o que houve, exatamente, mas a vaca simplesmente desligou o telefone na minha cara. Isso me deixou muito preocupada. Preocupada ao quadrado.
O idiota deixou os óculos e um boné aqui! Portanto, eu já não sabia mais sobre o que isso tudo se tratava. Se tinha algo a ver com meu passado, ou com o que aconteceu ontem aqui. Eu estava mais apreensiva com a questão da minha mãe. Sendo filha dela, eles, com toda certeza, iriam cortar minhas asinhas fora, por achar que estaria me aproveitando da situação, partindo do princípio que eu poderia conhecer qualquer pessoa quando quisesse, graças aos contatos que minha mãe tinha. Mas eu não ligava para nenhum nos amigos dela. Até mesmo porque ela tinha poucos. E esses poucos já não eram muito chegados a ela, pelo forte temperamento que tinha.
Meu relógio marcava onze horas. Peguei uma jaqueta, e resolvi ir atrás de informação.
Peguei um taxi direto para o apartamento do cocada. No caminho, ia pensando sobre as coisas que o Naruto me dissera. Aquela história dele dizer aquela frase da minha mãe estava me dando nos nervos.
Chegando ao prédio do Sasuke, o recepcionista maldito não me deixou passar.
— Quero falar com o Sasuke! — lhe disse.
— Sim, queridinha, todos nós queremos! — err.
— Você poderia fazer a gentileza de ligar para ele, e dizer que a Sakura está aqui! — sorri, tentando me controlar para não morder aquele narigão.
Ele concordou, e ligou para o interfone do apartamento dele. Enquanto ele se distraía, corri até o elevador, que abria a porta para algumas pessoas que o aguardavam. Me senti meio que como uma dessas fãs idiotas que invadem o camarim do artista, mas azar! Eu precisava saber o que tinha acontecido com Naruto. Eu poderia ligar para o celular dele, e perguntar, mas fiquei com receio de fazer isso. Achei mais seguro apenas falar com o intrometido do Sasuke! Afinal, o que diabos ele estava fazendo lá?
Quando o elevador abriu no andar dele, saltei para fora às pressas. Bati incessantemente na porta. Mas ninguém atendeu. No entanto, a vizinha da frente abriu sua porta, sorrindo para mim.
— Ele está bem escondidinho aqui! — ela tinha um cigarro na boca, e vestia um roupão. Pelo tamanho do decote, dava para ver que ela estava sem tecido algum por baixo.
Desta vez eu senti invejinha. Err. E raiva. O que ele estava fazendo com ela, depois de ter ido banca o herói no meu quarto?
Entrei em seu apartamento; era tão amplo quanto o do Sasuke. Ela foi rebolando pelo corredor, e entrou em uma porta. Engoli a seco, e fui atrás dela. Sasuke estava sem camisa, de boxer apenas, largado numa cama. Mas estava com o rosto completamente inchado e roxo, com um curativo no nariz gigante.
Tipo, eca! Muito nojento!
— Sua vaca louca! O que foi que você fez com ele? — perguntei! Ela tinha cara de louca mesmo! — Pobre esmilinguido, tão indefeso! Você se aproveitou de que ele estava bêbado, não foi? — eu vi que ele estava bêbado, ao me aproximar. O cheiro era muito forte.
— Tsc! Ele já estava assim...
— Como assim?
— O encontrei caído pelo corredor, bêbado, essa madrugada. Já estava todo inchado, de nariz atado... — ela diz, cuspindo a fumaça do cigarro para o alto, bem despreocupada — O joguei na banheira.
— Oex aem uio auoo! — de repente, ele resmunga. Só não sei se porque tinha recém acordado, ou se por causa do enorme lábio. Me aproximei dele para tentar entender melhor o que dizia.
— O que disse?
— Oxex axem uito aulhooo. — hum. Tentei decodificar aquilo.
— Você quer dar um mergulho? — ele me deu um cascudo na cabeça. Err — Mergulhos fazem bem para o pulmão, ora bolas! — ele revirou o olho. Hehe.
A ruiva saiu do quarto, dizendo que ia buscar gelo. E eu me sentei ao seu lado, empurrando-o para o outro lado da cama, de modo que ficasse de barriga para cima. Para me sentir menos constrangida ainda, achei melhor puxar o cobertor até sua cintura. Err. Mas de novo, me peguei olhando para aquele tronco incrível. E o idiota, então, cobre os mamilos com as mãos. Err.
Tirei seus óculos e boné da bolsa, e os atirei cima dele.
— Você esqueceu isso, seu idiota.
— Ops!
— E pare de beber, antes que seja tarde demais, Sasuke! — ele não respondeu — Eu tenho uma dúvida! Por que você me pediu para ficar com você, naquele dia em que dormi no seu apartamento? — ele inflou o peito, e sentou na cama. Era engraçado olhar para ele, porque eu não sabia se ele estava fazendo careta ou não. Ele parecia estar fazendo cara feia, constantemente.
— Eu queria me sentir normal, com uma estranha por perto. É assim que me sinto, quando estou com você... Até quando você vai ficar se segurando para não rir da minha cara? Esmilinguida aqui é você! — ele diz. Bom, aí, eu tive que soltar a risada.
— Aaiuhaiuahauiahiahi! Você já se olhou no espelho falando? Esse beiço aí, pulando para cima e para baixo, é muito sexy mesmo! Uiahaiuahuaihauiahai. — ele passou a mão no cabelo, daquele modo que só ele sabia fazer. Esnobe, empinado o nariz. Meu Deus, e que nariz! Naquele ângulo o negócio era ainda pior! — Aauhauahuahuahauahuahu!
— Tá, tá, tá! Há-há! Cai fora!
— Não, não! Eu juro que paro! Depois que eu descarregar tudo, eu paro! Aiuhaiuahuihaiuhai!
— Filha da puta! — ele diz, revirando os olhos. Aí, ele pegou um travesseiro, e me nocauteou, me fazendo deitar sobre suas pernas. Mas eu ainda ria da situação. Dele!
Ele não gostou, e veio pra cima de mim, fazendo cócegas em minhas costelas. Tentei afastá-lo, mas não consegui. As risadas me deixaram ainda mais fraca do que eu já era. Até que, então, ele parou, me olhando seriamente nos olhos. Eu poderia ter perdido o fôlego com aquele olhar sedutor, ainda mais tendo-o ali, completamente deitado sobre mim, apenas de cueca... Mas o problema é que ele tinha apenas um olho, agora! Hehehe.
— Por favor... Não beije! Aiuhauiauiahauihui. — ele tentou sorrir, mas acho que estava com o lábio cortado.
— OHHHHH! Filho da puta! — ele resmunga, saindo de cima de mim, levando a mão à boca.
Me sentei na cama.
— Me diga que você, pelo menos, conseguiu acertar o Naruto!
— Tá brincando? Se você acha isso feio, precisa ver a cara dele! Filho da mãe saiu todo desfigurado, rastejando pelo chão! É. E ainda quebrei um braço dele. Torci os pés dele, e a cabeça. Ele vai senti muita dor quando acordar sim! Torci até os olhos dele! Arranquei a língua, e os dedos, depois de arrancado unha por unha. E ainda o deixei careca! Arranquei todos os frios daquela cabeça e das axilas! — mas hein?
— Você não tocou no Naruto?
— Um soco na boca! E eu que saí rastejando... — ele confessa, revirando os olhos — Eu estava bêbado! — err — Você acha que ele vai voltar a te importunar?
— Quem sabe? — dei de ombros — Eu acho que ele estava com a minha mãe. — lhe confessei, também.
— É, eu fiquei sabendo que a sua mãe é sim, aquela atriz. Eu sinto muito...
— Não, você não sente. Você não a conhecia... Não gosto quando as pessoas me dizem isso. Soa falso.
— Não estou dizendo que sinto pela sua mãe... Eu sinto por você. — hum. Enxuguei aquela lágrima solitária que caia do canto do olho.
Ficamos um tempo em silêncio, até que a ruiva resolve entrar no quarto.
— A seção melodrama já acabou? Trouxe gelo, Sah. — ela diz, jogando um saco com cubos de gelo sobre a cama — Seu agente acabou de entrar no seu apartamento, com aquela outra mulherzinha. — e então, ela sai do quarto rebolando. Vi que ele ficou olhando para ela. Err.
— Sério? — lhe indago, sarcasticamente, olhando-o de cima a baixo. Ele não estava em condições de sair flertando com ninguém!
Ele deu de ombros, pegou o saco, e passou no olho, levantando-se da cama.
— Você ainda está bravo comigo? — perguntei.
— Naah. Eu ainda não lembro o que aconteceu aquela noite, mas o que foi feito, já está feito.
— Eu não estou grávida.
— Hein?
— Não estou grávida! — dei de ombros — Eu usei um preservativo feminino, que tinha na bolsa.
— E PORQUE DIABOS VOCÊ NÃO ME DISSE ISSO? HMMMMM — ele geme, pondo a mão na boca.
— Você não me deixou falar! Ficou me acusando de todas aquelas asneiras o tempo todo! O que queria que eu fizesse?
— EU PERGUNTEI SE VOCÊ USAVA ALGUM ANTICONCEPCIONAL! E QUALQUER PRESERVATIVO É ANTICONCEPCIONAL!
— Hum? Oi? Ah, eu não me lembro disso não, moço! — ahém.
Ele revirou os olhos, indo atrás de suas roupas. O ajudei a procurar pelos sapatos, enquanto ele vestia a calça e a camisa.
— Kakashi vai cancelar esse negócio de promoção. — de repente, ele diz.
Eu não deveria me importar com isso, mas eu não gostei.
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