Ilusões

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Mais um. Boa leitura! :)

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Sasuke

Ela, definitivamente, é louca! Agora não tenho mais dúvidas disso! Por um breve momento, devo confessar, que ela quase me enganou, sabe? Naquele momento, quando começou a falar do meu terceiro filme mesmo. Ela parecia tão concentrada falando tudo aquilo, que realmente me convenceu de que, finalmente, eu havia encontrado o tipo de fã ideal. Eu realmente achei que ela fosse a fã perfeita. Aquela que não diz que gostou do meu personagem porque eu estava bonito, e porque sou ótimo ator. Todas elas dizem que sou ótimo ator, sem realmente prestar atenção em minhas encenações. Isso me irrita tão profundamente que nem sei. Porque, a cada estréia em que vou me ver, tenho certeza de que poderia ter me saído muito melhor. Afinal, se eu fosse tão bom assim, eu já teria ganhado o Oscar, não? Mas não! Nem uma mísera indicação, sequer, recebi ainda. Kakashi diz que estou ainda no início de carreira, e blah-blah-blah; isso não acontece assim, tão facilmente. Que seja! Se não ocorre, é porque ainda não sou bom o bastante.

Enfim. E então, ela me vem com a história da mãe dela, pondo todas as minhas ilusões por água abaixo. Kurenai me garantiu de que as informações eram seguras. Ela é louca! É isso. Ela é uma louca varrida. Não há mais o que contestar. Fim de papo!

Quando aquela noite ridícula, finalmente, acabou, fui direto para casa. Karin, aquela vizinha gostosa que morava em frente, também estava chegando do trabalho. A encontrei no corredor, sendo engolida pela montanha de papéis que carregava. Naturalmente, a ajudei a abrir a porta de seu apartamento. Mas somente porque me sentia na obrigação de ajudá-la em algo, já que ela nunca abrira a boca para falar qualquer bobagem para a mídia. Como vizinha, ela poderia ter inventado um monte de bobagens. Mas não. Pelo menos, ela era discreta com relação à isso.

Pus os papéis sobre sua mesa, enquanto ela trazia o restante que havia deixado em suas mãos.

— Ual. Você realmente tem bastante dever de casa, não? — comentei, olhando todos aqueles processos. Ela era advogada de uma grande companhia londrina.

— Sabe que não precisa ir embora agora, Sah! — ah, sim! Ela ouviu meu agente me chamando assim, certa vez, e resolveu por si mesma que também tinha esse direito. Err.

— Por mais tentador que sua proposta seja, vou ter que negar, mais uma vez, Karin. — lhe disse, educadamente. Eu tentava não criar confusões entre os outros inquilinos do prédio, para que não dissessem que, só porque estou na mídia, eu tentava obter mais privilégios do que já tinha. Mas ela, entre outros, às vezes, não tornavam essa tarefa muito prática.

Saí de seu apartamento, a deixando para trás. Por mais educada e requintada que fosse, ela não era muito diferente das outras.

Não consegui dormir mais do que três horas. Insônia caminha de mãos dadas com o estresse. Além disso, às seis da manhã, Kakashi me liga para me lembrar de que eu tinha uma seção de fotos com os outros atores do meu último filme às oito horas. E, às dez, eu teria outra seção de fotos, mas com a maluca dos cabelos cor de rosa. Para mais tarde, então, almoçarmos juntos, dando continuidade à maratona de palhaçada.

A seção com meus colegas foi tranqüila. As fotos com a maluca, contudo, nem tanto! Ela simplesmente não me deixava respirar, me agarrando daquele jeito. E o pior era que ela estava sendo exagerada. O que diabos que ela queria, se pendurando em mim daquele jeito?Poses exóticas?Ou me fazer perder a paciência? Eu já não estava lá no meu melhor humor aquele dia, graças à noite mal dormida. Mas o olhar irritante do Kakashi não me deixava em paz. Eu tinha que sorrir, e fazer de conta que estava saltitando na mina de ouro dos sete anões. Paciência é uma virtude, e eu já disse que tenho ela! Mas aquela garota era capaz de abalar, até mesmo, a paciência divina. E um ser supremo e superior, é algo que, com toda certeza, eu não era. Não passava de um maldito ser humano mortal, como outro qualquer!!! Porque ninguém conseguia ver isso? Por acaso da natureza, eu brilhava no escuro sem que eu soubesse?

As fotos seriam publicadas numa revista de fofocas no dia seguinte mesmo. Uma delas, inclusive, seria a capa. Eu sequer quis ver, e ela também não pareceu lá muito interessada nisso. Ela é uma fã muito fajuta mesmo, viu? Nem disfarçar direito, ela conseguia. Mas tudo bem. Eu ainda ia conseguir fazer com que ela desembuchasse de vez qual era seu plano maligno. Alguma coisa, ela queria sim.

Enfim, ao meio dia, fomos comer em um restaurante japonês. Uma das coisas mais interessantes de Londres, era o fato de facilmente encontrar qualquer culinária do mundo por aqui. Em qualquer esquina, se encontrava um restaurante com comidas típicas de algum lugar.

Eu havia reparado que, durante a janta, ela não havia sequer mencionado nada sobre a comida. Achei estranho para alguém que parecia gostar de esbanjar e comer bastante. E hoje não foi diferente. Ela serviu-se menos do que qual quer um de nós havíamos nos servido. Não que eu estivesse reparando nela. Eu estava apenas observando-a! Eu queria achar alguma brecha nela que me desse alguma vantagem contra ela. Mas fora isso, até então, não havia conseguido realmente nada. Apenas seus olhares insinuantes. Err.

Para a reportagem que sairia na revista, o repórter contratado, para ficar em nossa cola, teria de fazer algumas perguntas à nós. Uma mini entrevista. Depois que almoçamos, fomos para uma pequena cafeteria localizada em frente à Kensington Gardens park, um dos parques reais. Enquanto nos dirigíamos para lá, eu ia lhe explicando que, no passando, havia oito parques na cidade que pertenciam à monarquia real, mas que, com a urbanização, aos poucos, eles foram liberados para o público em geral. Eu gosto de história, mas a garota, no entanto, parecia entediada. Tinha mais interesse em tirar fotos dos lugares. Outra coisa que percebi, é que ela sempre mexia no celular, durante alguns bons segundos, antes de guardá-lo, cuidadosamente, dentro de sua bolsa. E fazia isso SEMPRE! Hum.

Sentamos em uma pequena mesa redonda de três acentos. Eu, ela e o jornalista. O fotógrafo ficou o tempo inteiro rondando a mesa, tirando fotos e mais fotos. Percebi que ela batia, impacientemente, as pontas dos dedos no tampo da mesa.

— Diga-me, senhorita Haruno, como foi descobrir-se vencedora do grande prêmio. — o jornalista lhe perguntou.

— Ai, foi a maior emoção da minha vida! Juro que chorei rios de lágrimas. A princípio eu fiquei chocada, né? Tipo assim, eu não conseguia acreditar no que meus olhinhos estavam vendo, quando abri o tíquete. Tipo assim, eu já estava completamente abalada com o filme que tinha esperado por tanto tempo para que estreasse! Não consegui nem dormir aquela noite, de tanta ansiedade para ver o filme, sabe? E quando aquela moça me deu o tíquete, então, te juro! Eu pude sentir que aquele era meu dia de sorte. Meu corpo todo estremecia. Intuição feminina é algo divino mesmo! E foi então que, esses meus olhinhos, que a terra ainda há de comer, viram o grande prêmio! Ah, eu chorei muito mesmo. Gritei e pulei feito louca pelas ruas. Foi a maior emoção da minha vida. O... O... — ela estralava os dedos, tentando lembrar-se de algo — O... O Sasuke é o amor da minha vida! — err. Eu mereço! E ela ainda me olhava, forçando lágrimas nos olhos! Argh! Mas era impressão minha, ou ela soava completamente diferente de quando a encontrei pela primeira vez? Digo, não quando estava bêbada, mas no dia seguinte, já sóbria. Ela não soava tão infantil, ou retardada. Não mesmo.

Isso está me dando nos nervos.

— Uhum. — o repórter ia anotando tudo — E me diga, qual a maior loucura que você faria para conseguir esse prêmio, se ele fosse dado de outra maneira? — ele lhe pergunta.

—Ah... — ela sorriu para mim, pensativa — Eu tatuaria o nome dele bem grande em minhas costas.

— É mesmo? — tanto eu, quando o repórter lhe perguntamos.

— Uhum. Tatuaria sim. — ela diz, despreocupadamente, tomando um gole de sua xícara de café com leite.

— E que tal, se eu te der mais uma semana comigo, se fizer isso ainda hoje? — lhe propus. Há! Agora quero ver.

Ela se engasgou com seu café, cuspindo tudo sobre o repórter, que me olhou espantado. Bom, não que eu quisesse prolongar aquela tortura, mas achei válida a proposta, para ver até onde ela ia com aquela encenação barata.

— E... Eu... Eu... ahm...

— Vejam só! Ela ficou até sem palavras! — o repórter diz, todo emocionado, sem se importar com sua camiseta manchada.

O cara estava certo de que ela faria isso sem pestanejar. Eu, por outro lado, nem tanto. Mas nos levantamos de nossos acentos, decididos a ir num estúdio de tatuagens naquele exato momento. O fotografo estava pulando de alegria por ser o privilegiado a fotografar isso. Afinal, eu era o astro no momento, naquela cidade. Noventa por cento da mídia se referia a mim. Eu sequer olhei para a cara do Kakashi. Eu não fazia a menor idéia do que ele poderia achar daquela idéia. Se brilhante, ou absurda.

De qualquer forma, estávamos caminhando tranquilamente pelo parque, em direção ao estúdio. Bom, eu estava tranqüilo. Tranqüilo e feliz, na verdade. Finalmente, consegui pôr-la contra a parede! Eu até poderia sair saltitando por aí, como uma lebre! Err. Não, lebre não! Você não é gay, Sasuke! Err. Mas ela, no entanto, tremia da cabeça aos pés. Hehehe. Devia estar apavorada, isso sim! O fotógrafo conhecia um que ficava aos arredores, por isso, fomos à pé mesmo. Aproveitamos que o tempo estava nublado, e poucas pessoas transitavam pelas ruas naquele momento. Além disso, Kakashi havia informado à algumas pessoas que estaríamos almoçando em um restaurante grego, que ficava do outro lado da cidade. Assim, tínhamos um pouco mais de sossego.

Eu caminhava lado a lado com ela, comentando mais algumas coisas sobre o parque. Falar, de vez em quando, me ajuda a esquecer o que estava fazendo. Quando conversávamos, ela realmente soava diferente. Não era histérica, nem idiota. Ficava mais quieta na dela.

— Sabe, — ela dizia — eu adoro quando aqueles... FILHO DA PUTA! — de repente, ela berra. E eu saltei para trás, com medo dela mesmo! O que diabos aconteceu? Mas aí, ela agarrou meu pulso e começou a correr, me arrastando junto com ela. Assim, de uma hora para outra mesmo — EU VOU MATAR AQUELE CRETINO! — ela disse.

Outro susto tomei. Como assim ela vai matar? Ela era mesmo capaz disso? Pai do céu, me salve!

Kakashi e os outros começaram a correr atrás de nós. Mas aquela pequena criatura era rápida. E na emoção, adrenalina, e medo, eu apenas fui junto, me deixando levar por ela. Corremos entre umas árvores a arbustos, nos infiltrando mais no meio do parque. Ali, havia mais pessoas. Pais com seus filhos, gente fazendo ginástica, gente andando de bicicleta, casais caminhado tranquilamente de mãos dadas, e eu alí, com uma assassina! E então, nos escondemos atrás de um arbusto alto. Quando olhei para trás, não vi mais o restante do pessoal. E uma gota de suor desceu por minha têmpora. Err. Eu estava sozinho com aquela psicopata?

— Olha... — lhe digo cuidadosamente, enquanto tentava recuperar meu fôlego — Eu deixo você levar o que quiser, mas por favor, não mate ninguém! — eu me apavorei, ora bolas! Na hora do sufoco, tudo é válido!

— COMO É QUE É? — ela berra outra vez, mas virando-se para mim. Outro susto.

— Se quiser, eu te ajudo! — onde eu estava com a cabeça quando pensei em contrariar uma louca? Com loucos não se discute, Sasuke, meu filho!

Mas então, ela apontou para um loiro, que caminhava mais adiante, de mãos dadas com uma morena. Ahhh! Caiu a ficha. Se não me falha a memória, eles estavam no aeroporto de Londres. Humm.

— Aquele é seu namorado? — perguntei.

— Ex, meu querido. Ex são sempre os melhores! Vou engoli-lo cru com ketchup.

— Me lembre de nunca me envolver contigo! — engoli a seco. Senti pena do cara. Se bem que ele também deveria ser louco. Só louco para se envolver com outro louco.

— Mas por quê? — de repente, ela me abraçou, alisando meu peito — Fomos feitos um para o outro! Nascemos para vivermos felizes para sempre! Não parta o coração de sua humilde fã assim, tão cruelmente! — err.

— Ah sim, somos almas gêmeas! Posso sentir isso no fundo da minha alma! — não a contrarie, Sasuke, não contrarie a criatura!

Notas finais
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