Ilusões
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Sasuke
Ela é engraçada. Estranha, mas engraçada. Eu acho...
Assim que ela bateu a porta, meu celular vibra no bolso traseiro da minha calça. Era meu agente.
— Está de ressaca? — ele pergunta.
— Realmente não.
— Ótimo, Sah. Não esqueça que você tem a semana toda ocupada. Começaremos com a maratona hoje. — suspirei.
— Sim, eu me lembro. Começaremos com o almoço, certo?
— Certo. Esteja pronto às onze horas. Passarei aí com Yamato para encontrá-la no restaurante. Enviarei alguém para levá-la.
— OK.
Fui tomar banho. Mas assim que entrei embaixo do chuveiro, a campainha foi acionada. E não uma, mas várias vezes. E sem parar. Irritando até o último pêlo da minha nuca. Às pressas, saí do chuveiro. Enrolei-me em uma toalha, e fui ver quem era. Do outro lado da porta, espiando pelo olho mágico, vejo a menina dos cabelos cor de rosa apertando a campainha.
Suspirei. E abri a porta.
— Quero que saiba que apenas voltei porque preciso saber onde estão meus sapatos e minha bolsa, — ela invadiu a sala, sem eu mesmo a convidá-la a entrar — tenho certeza de que estavam comigo quando... — e então, ela calou-se, no meio da sala, me olhando.
E ficou me olhando, sem conseguir terminar seu raciocínio, eu acho.
— Oh, me desculpe. — lhe digo — Estou obsceno demais? Deveria cobrir meus mamilos? — lhe pergunto, sarcasticamente. Eu estava com a toalha enrolada apenas na cintura. Quantos anos ela tinha? Só podia ser virgem! Tsc.
— Meus sapatos. Onde estão meus sapatos? — e aí, ele caminhou em direção ao quarto onde havia dormido.
Eu havia largado seu sapato e bolsa ao lado da cama. Ela os encontraria facilmente.
E assim sendo, instante depois, ela volta com eles nas mãos. E parou em frente a porta da cozinha, quando seu estômago lhe pedia absolvição de seu castigo penoso. Obviamente ela estava faminta. Revirei os olhos e a levei de volta para a mesa, que ainda estava posta.
Sem dizer nada, timidamente, ela pegou as torradas, rejeitou os ovos, e tomou o suco. Ela comia de vagar. MUITO de vagar. Quase como se fosse para me irritar ainda mais. Mas fiquei ali, de braços cruzados, olhando todos os seus movimentos. Quando terminou, virou o rosto para o lado, e soltou um arroto. Sibilou alguma “desculpa”, e tornou a me olhar desafiadoramente. Apesar de irritante, devo confessar que estava adorando aquele seu teatrinho barato. Pelo menos, ela fazia tudo parecer normal.
— Eu peido também. — me disse assim, sem um pingo de vergonha na cara.
— Aposto que sim. — sorri.
— E agora? O que pretende fazer? Já me deu cama, comida, abusou do meu corpo... O que falta? Tenho que pagar?
— Espere aí, eu não abusei do seu corpo! — que absurdo! Agora ela me deixou pasmo.
— Ah, qual é?! Qual homem leva para casa uma estranha bêbada, sem abusar de seu corpo? Poupe-me.
— Não! Eu juro! Não abusei de você! Não preciso disso!
— Claro, claro. E do que é que você precisa? — revirei os olhos, percebendo que ela não mudaria de opinião. Mas então, uma idéia me ocorreu.
— Se não me engano, você disse que tem duas semanas para ficar em Londres, certo?
— Uma semana. — ela me corrige, com seu olhar desconfiado.
— Fique comigo durante esses... Sete dias? — perguntei, desconfiado. Hum. Nãaaao, Sasuke. Não podia ser. Hehehe. Ela veio para rever o namorado, lembra?
— Eu sabia. — ela se irritou, e levantou-se da mesa. Saiu marchando para algum lugar.
Fui atrás dela. Ela foi até a sala e saiu, mas sem bater a porta. Pus a cabeça para fora para ver o que faria; se iria mesmo ir embora, ou se voltaria outra vez. Mas acho que, desta vez, ela não teria porque voltar.
— Ei, não é o que está pensando! Se entrar, posso lhe explicar tudinho! — lhe disse.
— Não preciso das suas explicações.
— Posso ao menos saber seu nome? — lhe perguntei. Não conseguia me lembrar do nome no tíquete. Como era mesmo? Era com “s”. Sa... Samambaia? Salvia? Tinha nome de planta, ou flor...
Ela apertava o botão do elevador, incessantemente.
— Sabe, apertar um botão apenas uma vez, funciona perfeitamente. Tente fazer isso. — ela me mostrou seu dedo médio. Juro! Simplesmente, me deixei cair na gargalhada. Nunca que alguém, hoje em dia, faria isso para mim. Não assim, tão... Tão vêemente. Além disso, ela estava com a roupa toda amassada, e os cabelos completamente desalinhados. Não tinha como não achar graça daquela situação. As mulheres, geralmente, fazem de tudo para parecerem perfeitas em minha presença. No entanto, ela estava ali, se mostrando completamente o oposto.
— Está rindo do quê, palhaço?
— Nada. Pretende voltar, ou posso terminar meu banho? — nesse momento, a vizinha do apartamento da frente abriu a porta. Ela vestia apenas um roupão, exibindo um belo decote, com os cabelos sensualmente soltos sobre os ombros. Com um cigarro na boca, ela me olhou dos pés à cabeça.
— Ei, Sah! Tem fogo? — ela era gostosa para cacete. Mas eu tinha que me apressar, ou me atrasaria. Além disso, não queria passar a impressão errada para menina dos cabelos cor de rosa.
— Você sabe que não fumo, Karin.
— Eu sei. Me referia à outro fogo. — ela responde, insinuantemente. Haja saco! Olhei de canto para menina. Ela me olhava, descaradamente, de boca aberta e com cenho franzido.
— Isso é simplesmente típico. — ela diz — Mas não se incomode comigo; estou de saída e não pretendo voltar. — aí, ela abriu a porta do elevador, que havia parado no andar, e se foi.
— Porque você sempre faz isso, Karin? — perguntei.
— Oh, me desculpe. Ela era alguma namoradinha? Desde quando você está pegando crianças? — ela pergunta, em tom de deboche. Revirei os olhos, e bati a porta.
Preciso me mudar o quanto antes.
Terminei meu banho, e vesti algo casual. Um jeans, uma camiseta preta, e minha jaqueta de couro. Nos pés, meti um sapato de cano médio. Penteei meus cabelos, fiz a barba, e borrifei alguns jatos do perfume que comprei em Paris.
Às onze em ponto, Kakashi e Yamato bateram em minha porta. Fomos ao mesmo restaurante em que havia jantado na noite anterior.
Yamato estacionou o carro no ponto de sempre. Mas nos espantamos ao ver que havia alguns repórteres e fotógrafos na entrada do recinto.
— Como diabos eles descobriram? — perguntei.
— Filhos da puta! Mas não se preocupe! Cuidarei para que não entrem. No entanto, Sah, haverá sim um repórter e um fotógrafo que os acompanhará de longe. Mas eles já estão nos esperando lá dentro. — Kakashi me disse.
— Supimpa! — lhe digo, sarcasticamente.
Sem grandes dificuldades, conseguimos passar pelo tumultuo, entramos no restaurante e sentamos em nossa mesa reservada. A ganhadora do prêmio ainda não havia chegado. Bufando de raiva, Kakashi ligou para sua assistente. Alguns diálogos depois, ele se joga contra a cadeira, atirando seu celular na mesa.
— Houve algum imprevisto com a moça, mas já estão à caminho. — e então, ele endireitou-se na cadeira — Tudo bem! Finja que isso seria uma surpresa. É até perfeito, na verdade! É melhor que você tenha chegado antes, assim, não parecerá descortês com garota. Manterá sua fama de cavalheiro. Yamato e eu estaremos na mesa detrás, caso algo aconteça. — e, com isso, ele levanta-se, e senta outra vez na mesa bem atrás de mim.
Não gostei como ele soou, mas me mantive indiferente. Afinal, tinha gente me olhando. Mas e agora? O que fazer? Peguei meu iphone do bolso, e comecei a jogar um jogo qualquer, para matar o tempo. Quinze minutos depois, o fotógrafo, que sentava há três mesas de distância, se levantou. Todo mundo, que comia suas refeições, virou-se para a entrada do restaurante.
— Ela chegou. — Kakashi sussurra em meu ouvido. Como eu estava de costas para a porta, não pude ver. Bem como não pude acreditar, quando vi a menina dos cabelos cor de rosa sentando-se a minha frente, guiada pela assistente do Kakashi.
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