Ilusões
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Boa leitura.
Sasuke
O médico fez um curativo no nariz, e deu dois pontos na sobrancelha. Disse que ficaria uma pequena cicatriz. De lá, fui dirigindo pela cidade. Já faltavam vinte minutos para meia noite. Eu não estava com a mínima vontade de voltar para casa, então, fui atrás de algum bar, sem me importar com a aparência mesmo. Algumas pessoas me olharam desconfiadas, mas ninguém me abordou. Pedi por uma garrafa de vodka e sentei numa mesa. Fui bebendo, e pensando na morte da bezerra, como meu irmão dizia. Muitas coisas se passavam em minha cabeça, como: o que estou fazendo aqui? Estou fazendo a coisa certa?
Quando eu era pequeno, costumava a pensar que quando encontrasse o que eu realmente queria fazer da vida, preencheria o vazio ocupado pelas dúvidas e anseios. Mas agora que cresci, e encontrei o quero fazer, percebo que as dúvidas apenas aumentaram . Eu tenho que me manter concentrado e focado em mim mesmo, para não me deixar perder entre a gritaria que enlouquece, e o vislumbre da fama. Não quero perder minha personalidade original e me tornar uma daquelas pessoas famosas que se tornam arrogantes, cheias de orgulho... Eu caminho por uma tênue linha entre esses dois extremos atraentes.
Eu devo ter bebido tanto, que só me dei conta de que ainda estava vivo quando acordei de manhã com duas gralhas grasnado em meus ouvidos. Ou pelo menos era o que me pareceu...
Tentei resmungar algo para que elas calassem a boca, pois a dor de cabeça, e o nariz latejando, piorava a minha situação.
Mas eis que dou de cara com a Sakura. Foi bom vê-la bem.
Sim, eu estava me divertindo com ela, uma estranha. Alguém que não fazia parte do meu mundo. Ela até podia me irritar, mas, ao mesmo tempo, me fascinava. Eu via nela parte do modo de viver que eu tanto almejava...
Agradeci a Karin pela ajuda, e me fui para meu apartamento. É engraçado como, às vezes, quem você menos espera é quem te dá a maior força.
Depois de nos certificarmos de que Kakashi não estava mais a vista, foi que fugimos de volta para o meu apartamento. Sakura ficou rondando a minha sala de um lado para o outro, como se estivesse nervosa com algo. Enquanto isso, fui trocar de roupa e, quem sabe, de rosto. Tudo estava dolorido e inchado. Err. Não tinha mais graça em ser um rebelde sem causa!
Depois de tudo resolvido, peguei as chaves, avisando-a que a levaria de volta para o hotel, pois eu ainda precisava pensar em como resolver meus problemas com meu agente. Mas eis que, ao abrir a porta, damos de cara com o próprio diabo. E ainda por cima, zangado. Maravilha!
Suspirei. Resolvi tentar a sorte. Passei por ele sem dizer nada. Quem sabe, desfigurado como eu estava, ele não me reconheceria, hum?
— Aonde pensa que o senhor vai? — ele indaga, me segurando pela gola da minha camisa. Droga! Err.
— Estou pensando em levar essa moçinha até a delegacia por invadir o apartamento do Uchiha. — ahém. Ela me deu um chute na canela. Nada discreto, ainda por cima.
Olhei para ela.
— É, realmente não fazia sentido em ficar apenas com as pernas intactas, não é mesmo? —resmunguei. Err.
Aí, Kakashi nos empurrou de volta para minha sala, fechando a porta num esmurro desnecessário.
— Primeiro... — ele diz, tirando uma pequena caixa do bolso de sua jaqueta, atirando-a em cima de mim — Tome isto! Já estou de saco cheio por não conseguir entrar em contato contigo. — era um aparelho celular novo.
— Oh, eu estava louca por um desses! — Sakura me diz.
— É mesmo? Fique longe dele! — lhe empurrei para o sofá. Já me bastava ter perdido meu Iphone novinho, com todos os meus contatos. Err.
— Ahém! — Kakashi nos chama a atenção — Segundo: MAS QUE PORRA ACONTECEU COM A TUA CARA, SASUKE? Você está pior do que bagaço de ameixa! — err.
— Sabe aquele aviso... — e a Sakura, de novo, se mete no meio — O ministério da saúde adverte: O consumo de álcool é a principal causa de inexplicáveis hematomas e galos na testa? Às vezes, um olho e boca inchada também? — hum. Engraçado. De repente, senti uma súbita vontade de esgoelar aquele pescocinho... — O Sasuke não conhecia esse aviso. — ela finaliza. Fofa. Not!
— Na verdade, eu estava indo até o seu apartamento, — explico ao Kakashi — mas meu carro pifou no meio do caminho, e tive que andar por algumas ruas e, então, um cara alto...
— Mais alto do que você? — Sakura pergunta. Sério, porque ela estava implicando comigo agora?
— Sim! — respondo entre os dentes.
— Quanto de altura você tem mesmo? — ela insiste. Em me atazanar, isto é. Grr.
— Um e oitenta e cinco! — respondo, empurrando-a de volta para o sofá, para que eu pudesse me focar no meu agente — Esse cara me abordou por trás...
— Ui! E você gostou?! — ela de novo, é claro. Ignorei.
— Ele tinha um revolver na mão e o encostou em minhas costas, me ameaçando..
— Tem certeza de que não era com outra coisa que ele estava te cutucando? — ela indaga. Err. Ah, não! Eu tive que enfiar uma almofada do sofá na boca dela!
Kakashi estava de braços cruzados, ouvindo a minha história, mas não pude dizer se ele estava mesmo acreditando ou não. Engoli a seco, preocupado.
—... E aí, eu lembrei de um caso que vi na tv, de um cara que apenas usou os dedos para ameaçar a vítima... O cara, de fato, estava desarmado... — lhe digo. Afinal, ele poderia desconfiar de como eu saí vivo.
— Quanta coincidência, não? — Sakura comenta! PUTAQUEPARIUDEGAROTACHATA! Err.
—... E foi aí que eu apanhei! Fim de história. — err. Kakashi me olhava com os olhos espremidos, mordendo o lábio inferior.
— Cara, eu já te disse que te acho muito bonito? — ele suspirou, revirando o0s olhos — Eu ainda jogo no outro time, no entanto. — achei melhor acrescentar, sabe como é!
Na verdade, teria sido melhor se eu tivesse apenas ficado calado, desde o início! Err. Mas eu atribuí sua falta de crença em mim à Sakura, e seus comentários não solicitados.
— Eu espero que você esteja desinchado até semana que vem, para o início das gravações do seu próximo filme, Sasuke. — ele apenas diz — Kurenai está, neste exato momento, no aeroporto tentando comprar uma passagem de volta para você — e ele aponta para Sakura — ainda para hoje. Vou levá-la para o hotel, para que possa pegar suas coisas.
Senti como se uma flecha tivesse atravessado meu estômago.
— Assim, sem mais nem menos? — pergunto.
— O que foi, Sah? Você quer uma explicação? Você já sabe bem o por quê! Isso tudo não passou de uma fraude! Ela sequer o conhecia. — olhei para ela, esperando que dissesse mais alguma de suas idiotices, mas que pudesse defendê-la das acusações. Mas ela apenas baixou os olhos, concordando com o que ele dissera — Vamos ter que abafar esse caso, e diremos que ocorreu tudo bem, e que só decidimos não divulgar tudo... — ele conclui.
O que eu poderia fazer?
E assim, ele a levou para o hotel, enquanto fiquei pensando no que fazer.
Ela foi o mais próximo que tive em tanto tempo de amigo. Ela me permitiu agir como eu mesmo. Ela me fez sentir são. Portanto, sim! Eu estava me divertindo com ela, uma estranha; alguém que não fazia parte do meu mundo. Ela até podia me irritar, mas, ao mesmo tempo, me fascinava. Eu via nela parte do modo de viver que eu havia esquecido, e tanto almejava de volta. Eu não poderia simplesmente deixá-la ir sem fazer nada...
Não sei quanto tempo deixei passar pensando se vou, ou não vou. Eu ainda tinha minhas dúvidas. Havia muito em jogo. Até que, enfim, resolvi ligar para o Kakashi, perguntando onde estavam.
— Já estamos no aeroporto! — me disse — A Kurenai conseguiu a passagem de um desistente de ultima hora. Ela vai embarcar daqui a quinze minutos... — nem esperei para que terminasse sua sentença. Simplesmente desliguei o aparelho, e saí correndo a toda velocidade.
Notas finais
Já postei o penúltimo capítulo, e amanhã postarei o ultimo, sem falta! T__T Amanhã responderei à todos os reviews tbm! :)
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