Ilusões
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Sasuke
Aquela criatura, sem sombra de dúvidas, estava armando algo para cima de mim. Era vingança? Mas pelo que? Eu não abusei dela, como ela havia dito! Ela só pode ter algum problema mental, certo? Hum. Talvez eu devesse pedir à Kurenai que fizesse alguma investigação sobre essa garota. Ela definitivamente não tinha medo de alturas! Meu irmão tem medo de alturas, e não teria aceitado, nem a pau, entrar naquela cabine. E se entrasse, passaria o tempo todo abraçado ao chão, e não à mim, ou qualquer outra pessoa, de fato. E ela não deu o mínimo sinal de que pensava em fazer isso. Aliás, ela ficara bastante calma, aproveitando muito bem aquela volta com sua câmera nas mãos. E por falar nisso, aqui vai mais um fato que notei: em momento algum, ela me pediu para tirar foto com ela! Muito suspeito, não? É, eu acho que sim. Ela só pode ser alguma impostora! O que me deixou ainda mais preocupado, porque isso significa que a real vencedora do prêmio podia estar amordaçada em algum lugar do planeta. Mas se ela não era fã, porque insistira em vir? Pela viagem gratuita? Argh! Minha cabeça estava começando a dar voltas!
Mas não podia negar que até estava gostando daquilo. Ela me fazia esquecer que era uma celebridade, sem seus histerismos. Mas por pouco tempo, apenas. Aquele fotógrafo realmente me irritava.
Assim que a deixamos em seu hotel, Yamato me levou de volta para meu apartamento. Capotei na cama exausto. Ainda sentia cansaço pela viagem que fizera à França, divulgando o filme. Mas sequer tive tempo para respirar! Kakashi já batia na minha porta, para tratar de mais detalhes.
— Você vai levar para ela esse buquê de flores, e mais essa caixa de presentes! — ele me disse, jogando aquela sacola em minhas mãos, enquanto Yamato largava o buquê em meu sofá.
— O que tem aqui? — perguntei.
— Brindes de divulgação de seu filme. — err. Claro que sim. Algo me dizia que ela não iria gostar! Hehe. — A levaremos a um restaurante diferente, desta vez. Eu estava pensando em comida Tailandesa. O que acha?
— Por mim está ótimo. Só não sei o que ela come.
— Quanto menos ela comer, melhor! Aquela praga vai me deixar com um rombo maior do que eu seria capaz de deixar naquele rabo, se deixarmos ela pedir tudo o que quiser! Ela não tinha necessidade em pedir aquilo tudo! — ele me diz, indignado.
— Ei, eu concordo e assino em baixo. Mas você também não pretende privar a moça de comer, pretende?
— Claro que não! Não podemos deixá-la sair fazendo difamações. É para isso que temos um repórter e um fotógrafo na cola de vocês. Para que eles registrem tudo direitinho, sem deixar brechas para ela dizer alguma bobagem por aí. Eles servirão de cúmplices.
— Uhum. Escuta... Eu estou desconfiando de algumas coisas a respeito dela.
— Ela não é mesma moça do aeroporto de Paris? — Yamato pergunta. Eu não queria que o Kakashi soubesse daquela história, para não causar mais problemas, mas o idiota não percebeu isso! Tsc.
— Que moça do aeroporto de Paris? — ele pergunta.
— Esbarramos nela, quando vínhamos para cá. — lhe disse.
— E ela não o reconheceu! — Yamato me lembra. Cerrei o pulso, me lembrando, também, de que eu não podia bater no meu próprio segurança! Grrr.
— Que estranho! — Kakashi diz — Muito estranho. Talvez eu devesse checar mais uma vez a identidade dela. Eu vou demitir a vaca da Kurenai, se ela cometeu um erro desses! — e ele pôs as mãos na cintura, pensativo.
— Aham. E se tiver tudo certo, com relação à isso, será que poderia conseguir averiguar o quadro clínico dela também? — pergunto.
— Hein? Ah! Você diz por causa do medo de altura dela?
— É... Na verdade, tudo o que puder descobrir sobre ela seria ótimo!
— Isso é invasão de privacidade, Sah. Mas como medida de precaução, creio que não há problemas... Afinal, não vamos divulgar nada, certo?
— Certo.
Logo em seguida, ele ligou para sua assistente solicitando as informações. Kakashi disse que ela teria todas as informações até o final do dia seguinte, e os dois foram embora. Tomei um banho, troquei de roupa, e já estava pronto para o jantar. Mas ainda faltava uma hora para que eles viessem me buscar.
E eu estava me sentindo um caco. Um lixo humano. Esse mal era o início da minha carreira, e já estava com a agenda conturbada daquele jeito. Eu sentia falta da minha família, que não via há meses, e sentia falta dos meus amigos. Sentia falta de poder sair pelas ruas sozinho, à noite, sem precisar de um guarda-costas me vigiando, porque, a qualquer momento eu poderia ser atacado por algum fã frenético. Eu sentia falta do tempo em que poderia namorar garotas sem me preocupar se elas estavam interessadas em minha fama.
Se eu soubesse que, para realizar meu sonho de ser ator, eu precisaria pagar por um preço tão alto, talvez eu tivesse pensado mais a respeito. Na verdade, eu ainda poderia desistir de tudo, não aceitar mais fazer outros filmes, e ficar apenas atuando em teatros. Atores de teatro não recebem tanta atenção como atores de cinema e televisão. Só que o negócio é mais complicado. Cinema era o que eu queria, porra!
Peguei uma garrafa de vinho tinto, ao fundo da minha geladeira, e bebi dois copos cheios. Talvez isso seja uma fase. Talvez, quando me acostumar, as coisas melhorarão. Talvez, eu vire um alcoólatra, compre um carro veloz, e morra em um acidente como James Dean.
Kakashi e Yamato chegaram às 19 horas em ponto. Fomos ao Busaba, que ficava numa esquina da Oxford Street e vizinho da Selfridge’s em Bond Street. É provável que o Kakashi tenha reservado o restaurante inteiro, só para nós, já que em restaurantes tailandeses se divida uma mesa quadrada grande com outros clientes. Isso faz parte da tradição. Faz com que o ambiente se torne mais aconchegante. O perfume de incenso e comida no ar é uma delícia. O único problema é que o cheiro acaba impregnando na roupa. Mas comigo ali dentro, aquilo se tornaria um inferninho para todos nós, por causa do tumulto que causaria. Eu já havia visitado aquele restaurante com meu irmão, antes de entrar para o teatro. O serviço é rápido e atencioso. As porções não são muito grandes, apenas suficientes, o que imagino que seja a garantia da chave do sucesso para o bolso do meu agente. Hehe.
Desta vez, quando chegamos, ela já estava lá com a Kurenai. Não sei se era aminha distração anterior, a desconfiança, ou a surpresa em revê-la, mas não havia reparado na menina, até então. Os olhos dela são realmente bonitos. E sem a alface, ela tinha um belo sorriso sim. E agora, de banho tomado, ela cheirava, decentemente, à mulher.
Entreguei-lhe as flores e o presente. E estava prestes a fazer algum comentário elogiando-a, mas a assistente interrompeu minha linha de raciocínio, me arrastando para o canto do salão.
— Já consegui algumas informações! — ela me diz — A identidade está correta. Ela trabalha em um escritório de advocacia, como secretaria, e estuda artes cênicas à noite.
— Artes cênicas? — o que isso quer dizer? Que ela quer competir comigo? É isso? Humm.
— Mora sozinha, em um bairro pobre de Paris. Sua mãe faleceu dois anos atrás, e o paradeiro de seu pai é desconhecido. Não possui irmãos, não tem muitos amigos. E não consegui descobrir ainda se tem namorado, ou não.
— Diz ela que sim! — agora vai saber se é verdade! Tsc.
— E sobre seu quadro clínico, tudo o que descobri, até então, é que é bipolar. Toma remédios fortíssimos para isso, e consulta com psiquiatras.
— Hummmm. Interessante. E sobre acrofobia?
— Aparentemente, nada. Kakashi me contou o que houve; se me permite dizer, acho que isso foi algum joguinho idiota para conseguir ficar agarrada à você. — hum. Não creio que tenha sido isso não.
— É, deve ser. As informações são de fonte seguras?
— Muito!
— Ok. Obrigada, Kurenai. — ela sorriu insinuantemente para mim, mas ignorei voltando para a mesa.
É engraçado como uma simples informação pode mudar por completo, sua perspectiva. Agora, eu a via como uma louca varrida, que pedia quilos de comida, para deixá-los de lado.
— Você não tem nenhum problema com comidas picantes, tem? — perguntei.
— Oh, não, não. Além disso, pimenta é afrodisíaco, certo? — ela piscou o olho para mim. Oh-oh. Isso não pode ser bom sinal, pode? Apenas sorri, deixando o garçom começar a oferecer a primeira rodada de carnes.
Enquanto cortava minha fatia, percebi que ela não tirava os olhos de mim. Eu tive que olhar de volta, né? Por mais esforço sobrenatural que eu fizesse para evitá-la, não deu para aturar aquele olhar.
— Você bebeu? — ela sussurra. Err.
— Você também bebe! — a lembrei.
— Sim, sim. Bebo sim. Só não no início na noite. Nem de manhã. Nem à tarde, na verdade. — ela diz, assim, como quem não quer nada. Mas eu saquei qual era dela. Eu acho. Ela estava querendo apontar algum defeito em mim, não? Ela estava procurando alguma coisa para arruinar a minha carreira, não é mesmo? Mas eu vou esfregar na cara dela que sou o melhor. Ah, se vou!
— Bom, às vezes, o trabalho é tanto que precisamos de uma rápida escapatória, não concordas? — ela me olhou de canto, com a boca cheia.
— Uhum. E nem imagino o sufoco que deve ser viajar por aí, batendo fotos. — ela diz, mastigando seu pedaço de carne. Mas não gostei daquela insinuação. Aquilo, com certeza, foi uma insinuação. Bom, se é guerra que ela quer, é guerra que vai ter.
— Me diga, Sakura, qual dos meus filmes você mais gostou? — eu a vi engolir, de repente, aquele pedaço enorme, inteiro.
— Eu não tenho nenhum favorito — ela diz, cautelosamente — todos são especiais para mim, com suas singularidades. Cada película, cada filme, possui histórias diferentes, distintas. São gêneros diferentes. Não há como compará-los. — devo admitir que a maldita era boa com os argumentos. Mas eu era melhor ainda.
— Claro, claro. Mas qual deles te marcou mais? Obviamente, um deles, lhe tocou mais, não é mesmo? — toma essa, vaca!
Ela engoliu a seco.
— Ah, eu tenho vergonha de dizer. — err — Além disso, meus motivos são muito pessoais.
hum. Hora de usar a tática do charme. Sempre funciona.
Pousei minha mão sobre a dela, mas sempre sem deixar de sorrir casualmente, para que o repórter idiota não escreva coisas desnecessárias.
— Não seja boba, Sakura. Você sabe que pode confiar em mim, não é mesmo? Eu jamais zombaria de seus motivos, ou qualquer outra coisa. — eu vi os pelos de seu braço se eriçar. Ela estava no papo.
Fale com o autor