Iluminados

1 Você acredita em fantasmas?


Notas iniciais
Oi, gente! :) Primeiro capítulo com ares de prólogo recém-escrito pra vocês! Espero que a história os distraia, emocione e faça brotar uns sorrisinhos aqui ou acolá, como tem feito comigo enquanto escrevo. ♡ Boa leitura!

“Minha vida inteira esperando o momento certo

Para dizer como me sinto

Apesar de ter tentado lhe dizer que preciso de você

Aqui estou eu sem você

Eu me sinto tão perdido, mas o que posso fazer?”

Stay — Hurts

Gotas de uma fina chuva tamborilavam nas janelas do Colégio Limoeiro. Enquanto o Prof. Licurgo tagarelava alegremente sobre a relação entre história da arte e trigonometria, os alunos travavam uma épica batalha interna para se manter concentrados. Melhor dizendo: alguns alunos. Do outro lado da sala, o foco de um par de olhos ligeiramente puxados alternava entre um panfleto meio amassado em uma das mãos e – é claro – uma garota com dentes levemente proeminentes, de cabelos curtos e escuros.

Sem desviar o olhar de Mônica, Do Contra suspirou, finalmente tomando uma decisão sobre algo que martelava em sua cabeça há um bom tempo. Pode crer. Assim que terminasse a aula, ele a convidaria para a festa de Halloween de sexta à noite, só precisava de um momento a sós com ela...

Pssst, ei, Mô – Cebola sussurrou da mesa ao lado de Mônica – Preciso falar com você depois da aula. Pode ser?

— Hmmm, claro – ela sussurrou de volta – Tudo bem.

Não precisava ser gênio pra entender o motivo dos cochichos dos dois lá do lado oposto da sala. Agora, ele também precisava ser rápido o suficiente para fazer o convite. Droga, Cebola.

Assim que o sinal tocou anunciando o fim da aula, Do Contra amassou o panfleto no bolso da calça e jogou sua mochila nas costas, apressando-se. Mônica já havia saído e ele não conseguira alcançá-la ainda na sala.

Procurando em meio à zoeira que se instaurara no corredor, ele viu de relance uma figura de cabelos escuros e curtos, carregando consigo uma bolsa de coelhinho azul. Mônica. Ele apertou o passo.

— Ei... Ei! – sua tentativa de chamar atenção falhava miseravelmente em meio a tanto barulho – Mô, pera aí!

Ele continuava a chamá-la em meio ao tropel elefântico dos estudantes do Limoeiro, mas sem sucesso. Se ao menos tivesse um modo de falar com ela sem que precisasse se aproximar... Epa, espera aí. Mas é claro! Claro que havia não um, mas vários meios de se comunicar com alguém à distância. Ele enfiou a mão no bolso do jeans. E o que estava ao seu alcance naquele exato momento era um milagre tecnológico chamado smartphone.

Mônica não atendia ao celular. Mas que diabos! Provavelmente estava distraída conversando com a Magali... Ou, quem sabe, o Cebola já a estivesse distraindo à sua maneira. O estômago de Do Contra deu uma cambalhota desconfortável. Precisava chegar até ela... Mas como?

— Pense, cabeção, pense – ele falava consigo enquanto desviava dos alunos e tentava achar um modo de alcançar Mônica.

— Cascão! Ficou maluco?! – a voz estridente de Cascuda se sobressaiu em meio às demais. Pra variar, estava ralhando com o namorado – Você sabe que é proibido andar de skate dentro da escola, ainda por cima no corredor!

— Relaxa, linda, já tô saindo – ele respondeu, indo em direção às rampas de acesso e soprando um beijo seguido de uma piscadela para a namorada – Te vejo lá embaixo! Fui!

— Cascãããooo!!! – a loira berrou, correndo em direção às rampas – Volta já aqui! Essa conversa ainda não terminou!

“Genial, Cascão”, Do Contra pensou. Aquela era a saída perfeita. Enquanto a maioria dos alunos descia pelas escadas, as rampas ficavam livres para que estudantes com necessidades especiais tivessem acesso a todos os andares do prédio. Sem pensar duas vezes, DC correu rampa abaixo, com a esperança palpitando dentro de si.

* * *

Ao chegar ao térreo, Do Contra se dirigiu aos armários, esperando que Mônica estivesse por lá guardando seu material antes de ir pra casa. Notando que ele estava procurando por alguém, uma figura ruiva de marias-chiquinhas aproximou-se saltitando levemente.

— Procurando pela Mô, migo? – Denise perguntou, sobressaltando-o, usando seu habitual tom mal contido diante de um “babado” promissor enquanto checava distraidamente as unhas rosa-choque.

— Você a viu por aí, Denise? – DC indagou, já prevendo qual seria a resposta.

— Eu vejo todo mundo por aí, gato – ela respondeu alegremente – Não é à toa que eu sou absoluta, necessária, multimídia e performática, além de...

Do Contra a encarou, erguendo uma sobrancelha, enquanto cruzava os braços.

— Ai, tá bom, eu vi sim – a ruiva disse, abandonando o tom glamouroso diante da impaciência de Do Contra – Ela saiu no maior clima de love com o Cebola, tavam dividindo um guarda-chuva e tudo...Mó bafão. Pelo que ouvi, parece que eles vão juntos à baladinha de Halloween na sexta.

O estômago de DC pareceu despencar para os pés enquanto Denise tagarelava. Então era isso. Eles iam juntos...Cebola fora mais rápido.

Percebendo a expressão de Do Contra, Denise continuou:

— Mas, por um milagre, eu ainda estou sem companhia pra ir – ela pareceu tentar animá-lo – Então se quiser ser meu Damon Salvatore made in japan por uma noite, tô aceitando, tá, fofo?

— Hmmm, valeu, Denise – DC respondeu, despertando de seu breve devaneio – Mas eu não vou, não. Sabe como é.

— Sei, não é à toa que você é o Do Contra – Denise falou divertidamente – Mas se mudar de ideia, tamos aí. Beijo me liga!

Ele acenou enquanto ela se afastava. A chuva do lado de fora pareceu ficar mais intensa, enquanto o céu cinzento refletia seu estado de espírito. Do Contra tirou o panfleto amarrotado do bolso, encarando-o.

Você acredita em fantasmas?

Ponha toda a sua coragem à prova e junte-se a nós em uma noite que fará arrepiar até o mais intrépido caça-fantasmas na Halloween Party do Clube Pessegueiro!

Sexta-feira, 31 de Outubro, das 19h00 ao infinito e além.

Ele suspirou, amassando o papel e o arremessando na lixeira mais próxima. Depois de um dia como aquele, era bem possível que ele não acreditasse mais em coisa alguma. Talvez fosse hora de repensar os projetos para sexta à noite, pois a festa de Halloween, de fato, estava fora de seus planos de uma vez por todas.

* * *

— Tô em casa, mãe!

Ao ouvir a voz do filho mais novo ecoando na sala, uma nervosa Dona Keiko saiu da cozinha ainda de avental.

— Ai, filho, quer me matar de preocupação? Não custa ligar quando for passar a tarde fora! Quando vi o Nimbus chegar sem você, eu... – ela disparou, desacelerando ao ver um ensopado Do Contra passando a mão pelos cabelos desarrumados.

— Hm, desculpa, a chuva me pegou de surpresa – DC disse diante do olhar da mãe – Pode deixar que eu enxugo essa bagunça.

Vendo que o filho não estava muito pra conversa, a expressão de Dona Keiko abrandou. Ela conhecia seu caçula, que além de do contra também era reservado: ele estava com problemas, mas não queria falar sobre. Ela lhe daria o espaço que precisava. Se ele quisesse conversar, sabia que podia procura-la.

— Pode deixar, filho, já estou com a mão na massa, de qualquer forma – a mãe disse calmamente – Você almoçou enquanto esteve fora? Quer comer alguma coisa?

— Não, tá tudo bem, eu almocei lá na padaria do pai do Quim.

Do Contra percebeu que a mãe não queria importuná-lo com perguntas e se sentiu grato por isso. Dona Keiko era de uma sensibilidade invejável.

— Tudo bem, então – ela falou, passando carinhosamente a mão pelos cabelos molhados do filho – Vá trocar de roupa, vai. Não quero que fique resfriado.

Do Contra lhe deu um sorriso agradecido e a beijou afetuosamente na testa antes de subir as escadas.

— Obrigado, mãe.

* * *

Do Contra tirou sua camisa preta ensopada e os coturnos, jogando-se na cama com um ar cansado. Deixou-se estar por incontáveis minutos, enquanto ouvia a chuva atingindo ruidosamente a janela. Tinha que trocar de roupa, mas sentia-se sonolento e febril. O que estava acontecendo? Tudo bem que aquele tinha sido um típico dia lixo, mas teria sido suficientemente ruim para que o fizesse se sentir doente?

O ruído do seu celular vibrando contra a superfície de madeira do criado-mudo o sobressaltou. Ele se arrastou pesadamente pela cama até o móvel, agarrando o aparelho e encarando a tela luminosa.

Chamada de Mônica

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Mônica. Ela estava retornando a ligação que ele fizera mais cedo em uma de suas tentativas desesperadas de falar com ela. Deveria atender?

“Ela saiu no maior clima de love com o Cebola, tavam dividindo um guarda-chuva e tudo...Mó bafão. Pelo que ouvi, parece que eles vão juntos à baladinha de Halloween na sexta”, a voz de Denise ecoou em sua cabeça.

Assim, pela segunda vez naquele dia, Do Contra fez jus à sua fama. Com um murmúrio de desconforto, ele deixou-se cair novamente na cama, encarando o teto. Não podia atender... Ou melhor: podia, mas não iria. Não havia nada mais a ser dito. “Que seja”, pensou amargamente enquanto deslizava para um confortável e bem-vindo estado de inconsciência.

Notas finais
Então? Me contem tudinho nos comentários, hein? =) • Observações pós-capítulo: — Nessa história, o Do Contra é alguns meses mais novo que o Nimbus, o que o torna o filho caçula da família Takeda. — Eu dei uma adaptada no nome do originalmente chamado "Colégio do Limoeiro" e talvez faça pequenas modificações em coisas do tipo ao longo da história. ^-^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.