I.ll Always Remember
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Quando o vi alí fiquei sem reação, não sabia se gritava de alegria, se chorava de ódio, simplesmente não tive reação nenhuma apenas fiquei encarando aquele belo homem de cabelos vermelhos extremamente lindos na minha frente. Abri a boca para falar, mas não saiu nada
- Não vai me convidar para entrar? — Ele riu, já entrando na casa.
- Você é um idiota sabia — falei ainda parada na porta olhando para fora
- Seu idiota, ok? — Ele gargalhou, e me deu um beijo na bochecha. Eu virei para ele e comecei a estapia-lo levemente
- Como assim você some por um ano, fica sem me dar notícia, não me manda um e-mail, não me dá um telefonema e volta com essa cara de "Oi eu sou gostoso!" Porra! Poderia ter feito sinal de fumaça pelo menos — cruzei os braços emburrada
- Hey, calminha! Bem que queria, mas... Ok, não tem desculpa por não ter mandado sinal de fumaça. Mas eu estou aqui! Não está feliz em me ver? — Gee exibia um sorriso de "eu estou tentando te seduzir porque sou incrivelmente gostoso".
- Não me faça essa cara Gerard — falei ainda embrurrada
- Não vai me dar um abraço e dizer "Poxa, como eu estava com saudades de você meu melhor amigo, eu te amo muito sabia, senti sua falta" — ele riu cínico e eu apenas o encarei
- Não. — Respondi.
- Tem certeza? — Ele continuava a sorrir.
- Absoluta.
- Está bem... Ah que saudades de você, Annie! — Ele veio e me abraçou.
- Cínico — eu ri retribuindo o abraço
- Que saudades, Annie. Você não faz ideia de que merda é ficar sem te ver por um ano
- Sei sim, caso não tenha percebido, não vi você por todo esse ano.
- Annie — ele disse, pegando minha mão e me levando até o sofá. — Tenho uma ótima notícia.
- Ah, estou sempre disposta a boas noticias. conta logo, Gee. — Ele me olhou fundo nos olhos e depois baixou o olhar para nossas mãos entrelaçadas
- Eu estou namorando — falou ele. O sorriso que havia em meu rosto logo desapareceu. Parecia que tinham aberto um buraco bem abaixo dos meus pés. Senti minha mão ficando gelada, fiquei totalmente sem reação — Annie, você está bem? Está gelada — saí do transe em que estava quando ouvi a voz de Gerard
- Ah claro... Ahn, estou bem sim — sorri falsa — essa garota deve ser muito sortuda
- É, eu queria que vocês se conhecessem
- Quando? — Perguntei, me esforçando para não estrangulá-lo.
- Quando você quiser — ele me olhou e eu senti meu rosto queimar
- Tudo bem — levantei-me e fiquei em pé na frente dele — pode ser amanhã a noite?
- É claro. — Ele sorriu. Eu apenas retribui o sorriso
- E como vai a sua mãe? — perguntou tentando manter o assunto
- Bem, ela está morando na rua ao lado — respondi ríspidamente
- Ah! E você, tem namorado? — eu o olhei surpresa
- Não! — disse em uma só voz
- Você está chateada – ele falou mais como uma confirmação do que uma pergunta
- Não, por que eu estaria?
- Não sei – falou vindo até mim
- Gerard, o Frank está na cidade também? – perguntei dando um passo para trás. Gerard franziu a testa
- Sim, por que?
- Eu gostaria de vê-lo – disse lembrando-me de que Frank era o único que sabia do meu segredo
- Agora? – perguntou fechando a cara. Eu apenas confirmei com a cabeça – ele deve estar com os pais
- Por favor, quero aproveitar que vocês estão na cidade – lhe implorei
- Tudo bem – ele deu um forte suspiro e ligou para Frank — ... Tudo bem então, eu aviso. Até, tchau – ele voltou seu olhar para mim – daqui meia-hora na mesma praça de sempre
- Obrigada Gee – eu o abracei forte, ele retribuiu – você vai comigo?
- Se você quis...
- Eu quero, sinto falta de vocês
- Eu também pequena, eu também – ele beijou meus cabelos
-x-
Gerard dirigia pelas ruas de Jersey até chegar na praça onde Frank nos encontraria. Eu já estava totalmente imersa em pensamentos
[n/a: play na música: http://www.youtube.com/watch?v=Kjqa_Csf29Q só para dar um climinha]
3 anos atrás...
Escovava a linda peruca de cabelos negros a minha frente. Olhei-me no espelho e senti vontade de chorar, era triste saber que minha vida estava chegando ao fim assim tão rápido, que já não haviam mais fios de cabelos em minha cabeça.
Talvez, eu nem tivesse tempo de me casar, ter meus filhos, vê-los crescer, se formarem...
As primeiras lágrimas já rolavam por meu rosto quando notei uma pequena figura parada na porta de meu quarto. Frank me olhava totalmente paralisado. Eu virei-me para ele depressa.
- Frank – saiu em um sussurro. Coloquei a peruca em minha cabeça novamente e andei até ele, as lágrimas rolavam por meu rosto. Eu não queria que ele tivesse descoberto isto, muito menos deste jeito. Eu o puxei até minha cama, ele continuava calado.
Frank também meu melhor amigos, o conheci quando tinha 10 anos, ele era o melhor amigo de Gerard, alguns dias de conversa e pronto, estávamos inseparáveis.
- Annie... – ele conseguiu falar, uma lágrima rolou pelo seu rosto e eu a enchuguei. Eu sorri triste – o que você... – ele não conseguiu terminar a frase
- Frank, eu não queria que tivesse descoberto deste jeito, na verdade, eu não queria que tivesse descoberto. Seria melhor... Mas, agora você tem que saber da verdade.
- Prossiga – foi tudo que ele falou
- Quando eu tinha 15 anos, eu achei que estivesse grávida de Gerard e então minha mãe obrigou-me a fazer exames... Eu nunca desconfiei de nada, não tinha sintomas de nada, mas então, quando fui ao médico, ele me deu a notícia e eu fiquei arrasada, sem chão, perdida. Foi um dos motivos por eu ter terminado com Gerard
- Vá direto ao ponto Anelize, por favor – ele me implorou com a voz embargada
- Eu tenho... Câncer... Leucemia para ser mais explicita – Frank colocou as mãos no rosto e começou a chorar. Sentei-me ao seu lado
- Por que nunca nos contou? – perguntou ainda com as mãos sob o rosto
- Porque eu não queria magoa-los, eu não queria ver vocês sofrendo por minha causa. Frank, você tem que me prometer que não vai contar isso para o Gerard, nunca – implorei a ele. As lágrimas rolavam por meu rosto sem parar – eu não quero ver vocês sofrendo por minha causa.
- Você tem quanto tempo ainda...? – eu sabia que ele estava falando sobre minha vida
- Não sei, talvez uns 10 anos, ou menos. Ainda vou ter tempo de infernizar vocês – bati de leve em seu ombro. Ele me abraçou forte e chorou em meu ombro, como jamais o havia visto chorar. Eu não pude me conter, as coisas que passavam em minha mente faziam as lágrimas saírem em uma quantidade incrível. Saber que minha vida estava chegando ao fim, que eu iria deixar Gerard, Frank, minha mãe e todos aqueles que eu amo aqui, nunca mais vou poder vê-los. Só de pensar nisso meu coração aperta – Não chore, ainda temos tempo juntos – tentei ser engraçada mas não deu certo. Ele só me apertou em um abraço mais forte. Eu ergui seu rosto com a minhamão, seu rosto molhado pelas lágrimas – eu NUNCA! Vou deixar vocês, sempre vou estar aqui quando precisarem – coloquei minha mão em seu peito, onde ficava o coração
- Eu te amo — ele sussurrou
- Eu também, eu também — nós voltamos a nos abraçar. Queria não ter que deixa-los
-x-
- Annie... Você está bem? – perguntou Gerard me despertando do transe. Eu limpei as lágrimas que estavam em meu rosto com as costas de minha mão
- Estou sim – sorri mentindo. Era doloroso ter que mentir para aquele que eu mais amei em minha vida, não poder lhe contar o verdadeiro motivo de termos terminado
- Chegamos – ele sorriu. Eu abri a porta do carro e desci. Logo avistei uma pequena figura a minha frente virada de costas para onde estava. Eu sorri e ele virou-se. Quando Frank me viu ele sorriu e eu corri para abraçá-lo. Ele me pegou no colo e me rodopiou em um abraço apertado. As lágrimas que eu tinha contido, voltaram a escorrer
- Como eu senti a sua falta – falei ainda abraçada a ele
- Eu também – ele respirou fundo – é muito bom saber que você está bem... Viva – eu o olhei e sorri – você não contou a ele não é? – perguntou
- Não – respondi abaixando a cabeça. Ele levantou-a com o dedo
- Eu também não – ele riu travesso – Ele lhe contou sobre Jennifer? – Frank olhou para Gerard sentado em um banco a alguns metros da gente
- Jennifer? – perguntei confusa
- A namorada – ele falou com medo
- Ah, sim, ele comentou sobre isso – falei cabisbaixa – e como ela é?
- Sinceramente? Ela é uma puta – ele riu e eu o acompanhei
Depois de um tempo, nós três saímos para tomarmos um café, ficamos rindo, conversando, contando sobre como estava a vida. No final do dia eu estava morta de cansaço e tudo que eu queria, era voltar para casa e tomar um banho, depois dormir, pois amanhã seria um longo dia
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