Ilha dos Lobos
1 Prólogo
Notas iniciais
Apesar do frio de começo de inverno, o litoral estava cheio de jovens. Crianças brincavam na areia alegremente enquanto os garotos mais velhos jogavam hokei e flertavam com as garotas ao mesmo tempo. Hayley era a única das garotas que não achava flertar um passatempo divertido. Ao invés disso, ela se sentou um pouco distante do grande grupo de gente, sobre os galhos mais altos de uma árvore velha ressecada pela maresia, e ocupa-se em ler. Ela estava totalmente focada na história de O Pequeno Principe, o qual ela já lerá vezes o suficiente para decorar todas as citações e balançava os pés distraidamente até sentir alguém toca-los. Desviou os grandes olhos verdes do livro para procurar o dono da mão que segurava seu tornozelo. Era Brendon.
- Terra chamando Hayley — seu primo riu levemente. Atrás dele estavam outros dois garotos, que o seguia para onde quer que fosse, que o idolatravam. Uma pequena parte do cérebro de Hayley procurou algum sentido nisso.
- Olá — Hayley fechou o livro e sorriu sem mostrar os dentes. Em resposta Brendon abriu um grande sorriso, expondo dentes perfeitamente brancos que contrastavam com sua pele morena. Brendon era um belo rapaz, Hayley precisava admitir. Tinha uma pele morena que sempre parecia iluminada pelo sol, um sorriso simpatico, era alto e muito grande, mas mesmo assim não era desengonçado como a maioria dos adolescentes. E o que Hayley mais gostava nele, seus estreitos olhos cor de mel, pareciam irradiar bondade e alegria. E mesmo com todos essas qualidades, Hayley não conseguia se sentir atraida por ele, pelo seu futuro marido. Ela se perguntava se havia alguma coisa de errado com ela. As garotas de toda a alcateia dariam a vida para se tornar esposas de Brendon e Hayley não compartilhava dessa empolgação. Devia haver algo de muito errado com ela, afinal, sempre foi deslocada mesmo.
- Nós podemos conversar? — Brendon usou um tom sério, mas seu olhar era doce. Somente suas palavras foram o suficiente para fazer seus dois seguidores se afastarem. Hayley somente assentiu com a cabeça, segurou-se no galho e começou a descer da árvore com cautela. Brendon sorriu e envolveu a cintura dela com suas mãos, a erguendo como se a menina não tivesse um peso significativo e a colocando no chão — Pronto, baixinha — ele riu e Hayley teve que acompanhar, a felicidade de Brendon era contagiante.
- Ei, eu não tenho culpa se esses hormonios de lobo funcionam melhor com você! — Hayley protestou e ambos riram, mas realmente Brendon era muito alto e musculoso para um garoto de dezoito anos. Ele havia ativado sua "maldição" muito cedo, o que fez com que seu corpo se transformasse no de um homem antes da hora.
Aos poucos eles pararam de rir e trocaram olhares leves. Brendon sempre sorria bobo na presença dela, porque tinha certeza que Hayley era a criatura mais adoravél em todo o mundo.
- Eu... fiz isso para você — ele tirou algo do bolso — É para o seu aniversário, mas decidi entregar hoje porque eu quero que use amanhã em sua festa.
Hayley desceu seus olhos do rosto de Brendon para o embrulho de camurça vermelha na mão dele e mordeu o lábio. Pediua Deus com todas as forças para que não fosse um anel. Não queria ficar noiva aos dezessete anos, não agora, não estava pronta. Ela tentou não demonstrar sua frustação, mas o máximo que conseguiu foi manter um sorriso amarelo no rosto enquanto Brandon pegou sua mão e deixou o conteúdo do embrulho cair na mesma. Ela segurou um suspiro de alívio quando viu que era apenas um bracelete.
- É lindo Brendon, obrigada — disse com sinceridade.
- Gostou mesmo? — Hayley assentiu enquanto Brendon deslizou o bracelete para seu pulso — Que bom! Eu achei que combina com você, mas minha mãe disse que é sem graça...
- É perfeito.
Brendon aumentou ainda mais seu sorriso permamente, olhando para a garota com seus olhos cor de mel que pareciam derreter. Hayley pensou que se ele sorrisse mais abertamente sua boca rasgaria. Então Brendon deu um pequeno passo a frente, fechando o espaço entre os dois e com a mão pousada no cabelo dela, beijou-a devagar. Hayley fechou os olhos e aproveitou a sensação dos labios quentes e firmes contra os seus. Quando Brendon se afastou ela sentiu uma onda de frio e risadinhas infantis em sua volta, quando notou a quantidade de olhares que estavam sobre ela corou profundamente. Brendon acaricio sua bochecha com o polegar, então ele olhou para algo atras de Hayley e seu sorriso se desfez.
- Te vejo na festa — ele disse com um olhar urgente e se afastou. Hayley já sabia quem havia aparecido antes mesmo de se virar.
- Oi papai! — eu me virei, ele mantinha uma expressão fechada e os olhos firmes em Brendon até ele entrar no carro, depois desceu os olhos pra mim e sua expressão ameaçadora se desfez em um sorriso.
- Oi princesa, não te vi hoje o dia todo — ele abraçou Hayley apertado e beijou o topo de sua cabeça. Hayley apertou os braços em volta do pai e encostou a cabeça em seu peito. Sentiu um cheiro almisco e a úmidade do chão da floresta em sua jaqueta, sinal de que seu pai havia se transformado a pouco tempo.
- Está tudo bem? — ela fitou os olhos de um tom verde identico ao seu. O alpha se admirou com os sentidos apurados que ela tinha, mesmo não sendo ainda uma loba completamente.
- Sim, não se preocupe — sorriu — Vem, vamos para casa. Está muito frio aqui.
Ele abraçou Hayley de lado, ela se desfez do abraço, pegou seu livro e voltou para debaixo do braço do pai. Então caminharam pra casa.
- O Pequeno Príncipe de novo?
- Sim,eu gosto — ela deu de ombros — Será que Evy fez torta?
- Claro que sim, amanhã é seu aniversário.
Hayley foi acordada pela manhã com a luz da janela batendo em meu rosto. Caroline e Elena pulavam em sua cama.
- Hay acorda!
Elena puxou seu cobertor e ela grunhiu em protesto, virando-se na cama e colocando um travesseiro sobre a cabeça.
- É seu aniversário caramba — Caroline falou, balançando-a.
Hayley espiou o relógio por baixo do travesseira, eram 8:30 am. Olhou para as amigas e as duas a encaravam de braços cruzados, demonstrando que falavam sério. Ela sentou-se na cama, coçando os olhos.
Caroline sorriu de lado e trocou um olhar cúmplice com Elena, ambas olharam para Hayley ao mesmo tempo.
- Hora do show.
Hay fez uma careta de desaprovação, mas não teve escolha.
Após um banho de quase 30 minutos, de ter passado 5 tipos de cosméticos diferentes nos cabelos, agora ela estava sentada na sua penteadeira enquanto Elena secava seu cabelo e Caroline separava várias maquiagens.
- Eu acho que deveriam fazer uma festa aqui em casa mesmo — Hayley disse — Meu pai não precisava ter parado a cidade inteira.
- Garota, o seu aniversário de dezessete anos é um feriado da cidade e você está reclamando? — Caroline a fitou de olhos cerrados e ambas riram.
Dezessete anos é a idade mais importante de um lobo. É quando costumam ativar suas maldições, sempre viajam para o continente e matam alguém. Isso não era certo aos olhos de Hayley, ela já havia decidido a muito tempo que não ativaria sua maldição e ninguém disse uma palavra contra. Porém o que a preocupava é que agora ela tinha idade o suficiente para ser pedida em casamento por Brendon, e ela não queria casar ainda.
- Vocês acham que ele vai pedir hoje? — as palavras de Hayley saíram fracas por seus lábios e suas amigas trocaram um olhar cúmplice.
- Ele não me parece apressado Hay — Elena disse enquanto fazia cachos nos longos cabelos da outra morena.
- Mas você deveria ficar feliz. Quieta para eu não borrar. — Car segurou seu rosto e começou a aplicar a maquiagem — Eu estou noiva e não vejo a hora do meu casamento. Nós nascemos para isso, e você vai ser mulher de um alpha. Só relaxe e goze.
As três acabaram rindo. Caroline sempre deixava tudo mais leve. Então voltaram ao trabalho de deixar Hayley deslumbrante. Quando acabaram, Elena e Caroline atacaram o closet da amiga.
- Sabe, acho injusto seu closet ser maior que o meu quarto — Elena resmungou e Car revirou os olhos — Você não usa 20% disso.
— Chega Elena — Car correu os dedos pela arara de vestido — Que tal... Esse? — ela puxou um vestido rosa cheio de babados — Se você não usar eu uso.
- É todo seu, rosa não fica bem em mim.
- Eu gostei desse — Elena mostrou um modelo.
- Preto e branco é muito triste para aniversário dela — Caroline disse.
- Pode escolher um para você também Elena, eu já sei qual vou usar — Hayley sorriu e abriu as portas do armário onde ficavam as roupas de sua mãe, então puxou o vestido azul. As duas amigas sorriram animadas.
- Vamos agradecer a falecida senhora Marshall por ter uma ótima noção de moda, diferente da filha — Caroline disse. Sempre repreendia Hayley por ter tantas roupas bonitas e sempre usar as peças mais simples. Hayley revirou os olhos.
- Se troquem logo vocês duas, nós vamos nos atrasar.
Enquanto as amigas se arrumavam, Hayley se fitou no espelho com o vestidoda mãe. Pensou no quanto ela deveria ter preferencias parecidas com as suas, para ter mandado fazer esse vestido em seu aniversário de dezessete anos. Sentiu que se tivesse conhecido sua mãe, se dariam muito bem e desejou do fundo do coração que ela estivesse ali agora. Mas logo sacudiu a cabeça, esvaziando-a dos pensamentos tristes e ajeitou a tiara em seus cabelos.
As duas amigas acabaram de se arrumar, estavam lindas, Hayley as elogiou.
- A pulseira que o Brendon te deu não combina em nada com o resto — Elena disse. Hayley apenas deu de ombros, sabia que Brendon ficaria chateado se ela não usasse.
Então elas desceram, um carro as esperava e as conduziu até a praça. Quando ela desceu viu que tudo estava diferente do que ela conhecia. Toda a praça estava decorava com enormes buques com rosas de tons claros, e balões de nos mesmos tons estavam espalhados por todos os lados. Havia centenas de elegantes mesas brancas de ferro com cadeiras em volta e a maioria já estava completa por pessoas que conversavam alegremente, grande parte Hayley não reconhecia. E em frente aos seus pés se estendia um grande tapete branco formando uma passarela até o centro da praça.
Seu pai apareceu e lhe ofereceu o braço, estava usando um terno elegante.
- Pai, você disse que ia ser só uma festinha — Hayley estava pasma, ele sorriu de lado.
- Que bom que gostou Hay, mas se você sorrisse pros convidados em vez de me olhar assim ia ficar mais bonitinha ainda — seu pai riu e beijou o topo de sua cabeça. Só então ela notou que estava com uma cara de apavorada e se recompôs, pegou o braço de seu pai e eles andaram pelo tapete até o centro da praça.
Todos os convidados se colocaram de pé, explodindo em uma salva de palmas. Então uma orquestra começou a tocar e os convidados acompanharam cantando "Happy Birthday to You". Hayley se perguntou se o pai havia os obrigado a ensaiar e sorriu o mais simpática possível, corada pelo excesso de atenção. Então seu aniversário começou e duraria o dia inteiro, talvez até amanhã. Seu pai convidou até mesmo os alphas de outras alcateias. Haviam músicos, dançarinos, brincadeiras, comidas e bebidas de todos os tipos. Ela se perguntava como tudo aquilo surgiu na Ilha dos Lobos, era inacreditável.
- Meu parabéns Hayley, meu Deus como você cresceu!
- Harry sua filha está linda!
- E você e Brendon, ein?
- Parabéns! Felicidades!
- Querida, você parece tanto com a sua mãe...
Os convidados, um a um, vieram cumprimentar Hayley e seu pai durante a festa. A grande maioria era muito falante, ao contrário dos dois. Mas elesse saíram bem, sempre soltando seus "ah" "hmm" e "obrigada!" nas horas certas.
Por volta das 7 horas da noite Hayley consegui sentar em uma cadeirapela primeira vez. Amaldiçoou os saltos altos demais que Car havia escolhido, estavam moendo seus pés. Agora a grande maioria dos convidados se encontravam dançando, rindo escandalosamente ou embriagados. Isso que desse ser uma festa boa. Hayley apoiou as costas na cadeira e deixou a cabeça tombar para trás, estava exausta, mas feliz. Todas as pessoas que ela amava estavam ali comemorando com ela, felizes pelo seu aniversário. Ela se sentiu idiota por ter reclamado da festa no começo. Abriu os olhos por um segundo e viu todos que ela conhecia dançando e rindo logo a sua frente. Caroline e seu noivo girando elegantemente pelo salão, seu pai e seu tio riam de alguma piada que Mason Lockwood acabara de contar, Elena estava tipicamente emburrada em uma mesa por nenhum menino ter a tirado para dançar, Brendon e um outro grupo de garotos comiam pizza e comentavam sobre as meninas que passavam com vestidos curtos demais. Então Hayley voltou a fechar os olhos e sorriu, feliz por sua vida. Só descansaria alguns segundos e voltaria para o meio deles.
Então a música parou de tocar e ela ouviu um grito agudo. Abriu os olhos e viu mais de trinta lobos negros cercando a praça por todos os lados, o grito veio de Caroline que foi jogada no chão por estar no caminho de um deles. Hayley se colocou de pé ao lado de seu pai rapidamente e olhou em volta assustada. Harry deu passos rápidos até ficar com metade do corpo em frente a Hayley em uma posição protetora. Todos os lobos do lugar se colocaram na mesma posição em frente a seus filhos e esposas. Hayley espiou por trás do braço do pai. Um homem alto, musculoso, com cabelos desgrenhados e barba cerrada saiu de trás dos lobos e começou a caminhar em direção a eles.
- Jackson — o Alpha Marshall disse demonstrando calma. Toda a matilha tinha os olhos cravados nele, esperando por ordens.
- Harry, seu velhote — Hayley não gostou do modo debochado que o tal Jackson usou com seu pai. Colocou-se prontamente ao lado do pai, mas esse empurrou-a com o braço para trás dele novamente.
- O que te traz aqui, Jackson? Não me lembro de ter convidado você e seus coiotes para nossa festa — o alpha dos Marshall ainda mantinha o tom calmo.
- Os velhos negócios.
Hayley queria perguntar quem era aquele homem e quais os negócios que seu pai tinha com ele, mas tudo estava tão tenso ali que ninguém ousava emitir qualquer som mais alto que a respiração. Brendon deu um passo a frente com os dentes trincados ao ouvir as palavras de Jackson. Havia mais e mais lobos se aproximando por todos os lados da praça, talvez mais de oitenta agora.
- Desde quando o velho Rusell manda o filho vir lidar comigo? — algo pareceu irritar o alpha, era como se todos ali soubessem do que os dois falavam menos Hayley.
- Meu pai morreu hoje. Eu estou aqui por minha conta, eu sou o alpha agora — a frieza com que o homem disse aquilo assustou Hayley, tinha algo de muito errado com ele. Jackson sorriu de lado e seus olhos pousaram nos olhos de Hayley, que espiava pelo lado do ombro do pai. A menina engoliu em seco — Marshall, nós todos sabemos como isso vai acabar... Me dê logo o que eu quero e ninguém aqui vai se machucar.
- Papai, o que ele quer? — Hayley sussurou.
Seu pai segurou seu braço com firmeza, impedindo-a de se afastar dele um centímetro sequer. Havia algo muito errado ali. O coração de Hayley parecia querer sair pela boca. Nunca havia visto seu pai tão preocupado. Ela sentiu os olhos de Jackson queimando-a, ele a fitava com intensidade e tombou a cabeça levemente de lado para ter uma melhor visão de Hayley. A menina baixou os olhos, incomodada, queria pedir para que ele parasse com aquilo. Jackson passou a língua pelos lábios com desejo antes de falar.
- Você.
Notas finais
Vocês podem perceber que eu coloquei uma dúzia de links no texto, é porque eu gosto que o leitor entenda o que eu estou tentando descrever.
Quero receber a aprovação de vocês, vou postar os dois primeiros capítulos que tenho escritos e só continuo se tiver retorno dos leitores. Acho que posto o próximo amanhã ou quinta, até lá, beijinhos!
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