Il Potere Dellamore
2 2. Informações Quebradas
Notas iniciais
xD
{Uma semana Antes}
– Bambina, finalmente! — disse tia Francis quando cheguei á soleira da porta.
Tia Francis é um amor, todos sempre pensam que ela é minha irmã mais velha, afinal somos muito parecidas! Cabelo castanho claro liso com cachos na ponta, olhos verdes mar, pele branca alva, e os traços do rosto eram quase os mesmos. Ela me deu um abraço forte e me pos pra dentro, pois uma nevasca se iniciava ali fora, eu cheguei ainda de madrugada e estava frio para caramba, e isso me deixava ainda mais feliz. No Brasil não nevava, maldito "país tropical", argh!
O importante é que depois que dormíssemos, tia Francis disse que iríamos almoçar em um restaurante ali perto, era pequeno, familiar, e tinha segundo ela, o sabor da Itália, tanto é que esse era o nome do dito cujo. Tomei uns três bons copos d'água antes de deitar, eu sempre tinha muita sede de madrugada e algumas vezes me acordava para tomar, depois subi para o quarto que eu ficaria nos três meses de estada ali. Tia Francis tinha preparado-o com cautela segundo o que pensava ser meu gosto, colcha roxa escura, quadros na parede com monumentos antigos, uma estante cheia de livros, mesa para o notebook e até mesmo uma caneca enorme preta para o café que eu e ela tanto gostamos. Havia ao lado da caneca três CD’s, um do Parvarotti, outro do Il Volo e outro do Tiziano Ferro .
– É tudo para você cara mia. – ela disse com um sorriso de orelha a orelha.
Eu sorri e lhe dei um abraço era mais do que eu jamais pediria a ela. Como ainda eram 3 da madrugada ela foi para o seu quarto dormir, mas antes me disse algo que não tornaria meu sono tão tranqüilo:
– Amanhã depois do café, podemos ir a biblioteca aqui perto, aposto que você vai amar. – e saiu.
Fiquei tomada pela ansiedade, eu soube que as bibliotecas italianas abrigavam livros não só em italiano, mas também em latim, e seria incrível tentar desvendar esse idioma igualmente tão lindo. Deitei na cama sem querer — mas o fazendo — desmanchar a ordem incólume da colcha , me revirei por vários minutos até cair no sono, e o mais incrível é que mesmo cansada, tive sonhos...
Eu estava parada em uma das praias de Roseto, a correnteza estava forte e as ondas batiam nas rochas a distância, o vento era igualmente violento e arrastava consigo grãos de areia e folhas de árvores nativas, eu me agarrei a uma delas tentando não ser levadas, mas era inútil lugar contra a força da natureza, quando senti que estava sendo levada, mãos fortes agarraram meus ombros brutalmente, e em um piscar de olhos, eu estava em uma cabana, perto de uma lareira acolhedora, olhei para os lados para ver quem me salvara e localizei cabelos ruivos em uma janela, me encarando. Levantei e me aproximei com vague, senti minha respiração entre cortada, temendo fosse quem fosse aquele homem, Sem se deixar abalar, ou demonstrar qualquer reação, ele continuou me encarando, de braços cruzados e olhar firme, olhos verdes impenetráveis.
– Obrigado pela ajuda. – falei estendendo a mão.
Ele não se moveu, apenas moveu os olhos para minha mão, vendo que ele não compensaria o gesto, recolhi-a e continuei a olhá-lo.
– Não devia ser tão gentil com seu assassino. – ele disse.
Um sorrio frio brincou nos seus lábios.
Acordei arfando e suando, ao meu lado o relógio de cabeceira marcava 7:15h e eu sabia que minha tia logo entraria pela porta para me chamar. Dito e feito escutei passos nas escadas e de leve a porta de meu quarto se abriu.
– Buongiorno! – falei.
– Buongiorno cara, dormiu bem? – perguntou Tia Francis.
– Como um anjo! – menti.
Mesmo de longe eu vi seu corpo ficar tento em menção a palavra “anjo”, seu olhar me examinou melhor e como se chegasse a uma conclusão ela sorriu amarelo.
– Certo então, se vista e vamos tomar café.
Como fazia frio, pus uma calça jeans esquine, uma camiseta do Metalica e um blusão preto que atrás dizia “A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena” , grande ensinamento do seu madruga! Pus um all-star converse preto que vinha até metade da panturrilha e penteei meu cabelo.
Quando desci as escadas pude sentir o cheiro de panquecas americanas, Francis já as havia feito em uma de suas visitas ao Brasil. Eu tomei meu café na caneca nova, e quase quicando na cadeira esperei Tia Francis falar sobre a Biblioteca. Como se lesse meus pensamentos, ela disse:
– Vuoi andare a Biblioteca?
– Sim!!
Ela riu e confirmou com a cabeça como se já soubesse a resposta , lavamos a louça e fomos a tal biblioteca, em frente havia uma placa enorme dizendo “Biblioteca di Abruzzo”, ela era grande e antiga, sua construção parecia ser entre os séculos XVI e XVIII, era de marrom envelhecido por fora feita de tijolos, lembrava na verdade muito uma catedral, com grandes portões na entrada, com um portal igualmente enorme, este estava aberto, e um estranho cheiro de almíscar invadia o local, sendo que o lado de fora tinha cheiro de maré.
Um balcão de madeira se estendia na entrada com vários livros em cima e um computador ultrapassado branco em sua extremidade claramente substituído por um de monitor led. Tia Francis sorriu para a mulher que estava atrás do balcão, ela tinha olhos e cabelos castanhos, tais quais usava preso em um coque muito bem feito, usava também óculos de lente meia lua seguros por um cordão preto. Apesar de passar uma imagem rude, ela sorriu docemente, e suas rugas de expressão denunciavam uns 50 anos. Ela usava uma camisete social rosa com uma saia cintura alta preta que chegava aos joelhos.
– Olá Marianne! – falou tia Francis.
– Buongiorno Francis, vejo que trouxe sua sobrinha. – ela respondeu com uma voz cansada.
– Sim, essa é Morgana, veio do Brasil! – exclamou feliz minha tia.
A tal de Marianne levantou da cadeira em que estava e veio até mim e me abraçou, ela tinha um cheiro diferente, não soube dizer se bom ou ruim. Eu sorri hesitante para a mulher e ela estendeu a mão para a sua esquerda onde se estendiam várias estantes de livros.
– Sinta-se a vontade querida. – me disse.
Caminhei pelos corredores de estantes, havia livros empoeirados e outros limpos, é claro que procurei os mais empoeirados, significavam que eram os menos lidos, ou seja, perfeitos para mim. Eu tinha dentro do meu peito uma estranha sensação que me conduzia por entre as estantes, eu já havia pegado dois livros aleatórios empoeirados, uma versão surrada de Orgulho e Preconceito de Jane Austen cujo eu só havia visto o filme, e Uma Noite de Verão de Shakespeare. Olhei atentamente para uma estante na qual tinha um livro que parecia se destacar, quase brilhar. Caminhei até ele e o peguei, olhei de relance para tia Francis e Marianne, ambas me olhavam com curiosidade eminente, mas resolvi ignorar e fui me sentar em uma das mesas para ler o livro, seu nome Il Potere Dellamore.
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