If We Were a Movie
20 Capítulo 20 - Protetor
Notas iniciais
Capítulo 20 — Protetor
– Você vai me soltar? – perguntou Miley irritada. Eu ignorei e a levei até o carro. Abri a porta e gesticulei para ela entrar. Ela cruzou os braços – E não vou com você! – ela disse se embolando uns poucos, e depois rindo de como a frase saiu. Eu apertei a ponte do nariz tentando recobrar meu juízo e não fazê-la entrar no carro a força.
– Miley, entra no carro! – eu falei com a voz contida.
– E se eu não quiser? – Ela desafiou, pelo menos eu acho que era isso, sua voz embargada, não me ajudava muito a decidir o tom de suas frases.
– Eu te coloco nele a força! – Eu estava me descontrolando de verdade, eu até seria capaz daquilo, só pra tirar ela dali. Ela revirou os olhos e entrou cambaleando no carro. Eu suspirei de alívio e me encaminhei pra o volante, quando me lembrei de ligar pra Joe. Era o carro dele, eu sempre ficava com as chaves quando a gente saía pra lugares assim por questões obvias. Eu procurei o celular nos bolsos, e liguei para ele. Joe atendeu no quarto toque.
“- Alô? “– Ele falou meio ofegante
– Joe, eu vou pegar o carro se você ir pra casa de táxi? – eu perguntei.
“- Sem problema bro, eu to com outros planos!” – Ele disse maliciosamente e eu ouvi uma voz menina dizer “Não diz que sou eu!” parecia a Demi. Eu rangi os dentes, a garota era legal e amiga da Miles, e ele já estava assim?
– Ok, não quero saber! Tchau! – Eu desliguei. Eu ouvi um toque de celular recebendo mensagem, o meu não era. Eu vi a Miles se remexer, mexendo no pedaço de couro, que não merecia ser chamado de short. Ela pegou o celular e tentou ler, mas provavelmente sua visão estava embaçada demais. Eu peguei o celular das mãos dela. Era uma mensagem da Demi. Eu estava certo. Ela estava com o Joe. Eu suspirei e virei pra a Miley, até que eu vi que ela tinha saído do carro sem fazer barulho, e estava beijando um cara na calçada e pegando discretamente a garrafa que ele tinha nas mãos. Minha vista ficou vermelha de raiva. Ela se afastou, deu um sorrisinho e voltou para o carro.
– Vamos embora! – ela riu e tomou a garrafa em seus lábios.
Eu liguei o carro, e dirigi o mais veloz que eu pude. Eu tinha que tirar aquela garota daquela embriaguez logo. Ou então ela iria ter engravidado de algum cara antes do fim da noite, pelo rumo das coisas, eu estremeci a esse pensamento. Eu olhei de soslaio e percebi que Miley ainda tinha a garrafa, que já estava quase no fim, em sua boca. Será que ela tinha respirado e parado em algum momento?
Nós chegamos na casa dela rápido, graças o meu dirigir desesperado.
Nós saímos do carro, eu contornei pra ajudá-la a caminhar, já que ela estava mais sem equilíbrio que o normal. Ela jogou a garrafa no jardim, e pegou a chave no bolso. Ela começou a procurar a chave e tentar abrir a porta sem obter sucesso. Eu tomei a chave da mão dela e abri a porta. Ela entrou desequilibrada e se virou para mim.
– Você já pode ir embora agora! – Ela falou enrolando a língua. Eu gargalhei e entrei na casa dela. Eu fechei a porta atrás de mim – O que você pensa que está fazendo? – ela gritou.
– Vou te tirar dessa bebedeira! – Ela deu uma risada sarcástica.
– Eu não quero! – ela se embolou. Eu revirei os olhos e a peguei nos ombros pela segunda vez na noite. Ela gritava e se esperneava pra que eu soltasse ela.
Eu a levei até o banheiro do quarto dela e a soltei embaixo do chuveiro. Eu entrei no Box com ela e regulei a temperatura do chuveiro pra frio e abri a ducha. Ela gemeu se afastando da água fria, eu a coloquei de volta, me molhando também, e tenatndo ignorar que a roupa dela estava agora colada no corpo, Ou seja, com ou sem aquilo, não seria grande diferença.
– Pára! – Ela gritou. A sua voz já me parecia um pouco melhor. Eu fechei o chuveiro e a deixei livre. Ela deu socos no meu peito e saiu batendo pé, e escorregando um pouco para o quarto. Eu fui atrás dela.
– É melhor você se trocar, e eu vou fazer um café pra você! – ela me deu um olhar assassino, eu sorri de lado com aquilo. Eu desci as escadas e fui pra a cozinha. Eu procurei a garrafa térmica com água, e o pó de café.
Eu fiz o café mais forte que ela poderia agüentar e levei para ela no quarto. Quando eu cheguei pela porta entreaberta, eu acabei vendo que a Miles ainda se vestia. Ela estava de lingerie, vestindo um moletom que a cobria até os joelhos, e eu tive que me esforçar muito pra não derramar o café, assistindo-a.
Com ela já vestida, eu adentrei no quarto enquanto ela sentava na ponta da cama, com uma expressão melancólica. Eu lhe ofereci o café e bebericou, então depois cuspiu.
– Eca!
– Esse é o sabor anti-bebedeira! – eu ri, e ela voltou a beber fazendo caretas. Entre alguns goles, ela me olhava com um olhar torturado.
Miley’s POV
Eu estava recobrando a minha consciência e com isso vinha tudo o que eu tinha me livrado, com a bebida e o que me torturou durante a tarde. Ele pareceu lutar com as palavras.
– Me desculpe! – ele disse – Me desculpe por ter te beijado! – “Você deveria se desculpar pelo momento em que resolveu fazê-lo!” pensei – Eu não deveria ter feito aquilo! Mil desculpas! – Ele olhou em meus olhos. Que poder bizarro era aquele que aqueles olhos, castanhos e doces, tinham sobre mim? Eu assenti, como aceitação do seu pedido de desculpas. Eu coloquei a xícara que eu esvaziara com grande esforço, cuidadosamente no chão.
– Você está encharcado! – eu comentei, dando umas puxadinhas no tecido de sua camisa. Ele riu.
– Eu tenho que agradecer isso a você! – ele sorriu, me fazendo repetir o gesto.
– Você não devia ficar com isso! Essa camisa molhada, vai acabar te deixando gripado, ou coisa assim! – ele espirrou, o que deu ênfase a minha frase. Ele pegou no tecido da camisa, e me deu um olhar que perguntava: “Se importa?”
Eu balancei a cabeça negativamente. “Claro que não!” pensei. “Eu sou uma masoquista, tarada pelo seu abdômen definido!”
Ele retirou a camisa molhada e eu me aconcheguei na minha cama, fechando os olhos, e evitando a visão de Nick sem camisa, e também a luz que incomodava a minha cabeça já latejante.
– Minha cabeça! – reclamei. Nick riu.
– É nisso que dá! — Ele riu de novo.
– Eu deveria ir! – ele falou. Eu abri os olhos, e evitei olhar para algo que não fosse seu rosto, sem me concentrar muito em seus olhos.
– Você não precisa... – eu falei, e então me dei falta por algo – Meu Deus! A Demi! – Eu levantei rápido. Rápido demais. Eu fiquei tonta e acabei caindo na cama de novo. Eu senti os braços de Nick me amparando – A Demi! – eu falei. Nick bufou.
– Ela está com o Joe! Você já deve imaginar fazendo o que! – eu imaginava. Eu me imaginava torcendo o pescoço do Joe.
– Eu vou matar ele! — Nick riu. Eu virei meu rosto em sua direção, devagar dessa vez – Você não precisa ir embora! Pode ficar! – eu falei. Ele levantou uma sobrancelha, e eu peguei a sua mão. Ele sorriu.
– Ok – ele sussurrou. Ele se aconchegou comigo na cama, juntos, sem medo, sem a tensão no ar. Ele era meu protetor sempre, ele sempre me salvava, e era isso que eu queria agora. Eu queria que ele me abraçasse e me protegesse da minha realidade. Aquela onde eu não existia, do jeito que ele existia pra mim.
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