If I Would Have Known It Could Have Been You 2
8 #8 - Dez anos depois
Notas iniciais
#8
Dez anos depois
Dez anos se passaram, vamos nos situar de onde estamos? Kurt e Blaine se casaram, como já era planejado e, no mesmo ano, um dia antes de Alec fazer seus seis anos de idade, o casal adotou outra criança. Um menino de seis anos, chamado Alexis – nome um pouco parecido com o de Alec, não? –, com o cabelo loiro e olhos claros.
Hoje Kurt e Blaine são casados há dez anos; Alexis tem quatorze anos e está no último ano do primeiro colegial; Alec tem dezesseis anos e está no segundo ano do seu ensino médio.
Elliot e Sebastian se casaram em uma cerimônia simples dois anos após Kurt e Blaine e hoje estão casados há oito anos, com duas crianças lindas que eles também adotaram. Um casal de gêmeos, o menino chamado Andrew e a menina chamada Melanie. Hoje esses gêmeos têm quatorze anos e estudam junto com Alexis.
Os dois casais se mudaram com seus filhos cinco anos atrás para um outro bairro, onde são donos de uma casa agora e são vizinhos uns dos outros.
Elliot agora divide sua empresa com três sócios, Sebastian, Blaine e Kurt. Sim, todos se juntaram e transformaram a empresa em uma grande companhia, agora controlada pelos quatro.
Hoje é mais um dia de aula, onde Alec, Alexis, Melanie e Andrew estão indo juntos para a escola, todos no carro com Blaine, enquanto Kurt, Sebastian e Elliot já foram para o trabalho.
— Vocês não querem passar em algum lugar rapidinho e comprar um café? Vocês saíram tão apressados que pensei que hoje fosse o primeiro dia de aula. – Perguntou o Anderson, vendo todos assentirem.
O moreno os levou até um café e sentou com todos na mesa, logo vendo um rapaz vindo anotar os pedidos deles, um garoto que chamou a atenção de uma das pessoas na mesa. Um garoto que aparentava ser jovem demais para trabalhar ali, que acabou encantando os olhos de Alec Hummel-Anderson, que mal conseguia piscar.
— O que vão querer? – Perguntou o garoto.
— Quero esse biscoito grande para dividir com a Mel... – Disse Andrew.
— Eu quero um cappuccino e torta de limão. – Alexis pediu animado.
— Também quero um cappuccino. – Disse Melanie.
— Eu também. – Falou Blaine.
— E você? – O garoto perguntou, finalmente olhando nos olhos de Alec e permanecendo com seus olhos por ali, abrindo um leve sorriso.
— Quero você... – Alec simplesmente soltou. – Digo... eu quero... torta de morango?!
O garoto anotou o pedido ainda sorrindo e avisou que logo traria o que eles pediram. Alec olhou envergonhado para os outros ali da mesa, que começaram a fazer piadas e mais piadas e então olhou para seu pai, que mantinha uma pose séria, mas que logo riu com os outros.
— Achei que ele ia pedir o biscoitinho de sempre, mas acabou pedindo o atendente... – Brincou Alexis, levando um tapa do irmão.
— Eu até ia perguntar se ele não queria um biscoitinho, mas preferi ficar em silêncio. – Comentou Blaine também rindo.
— Não, pai, por favor, não faça isso. – Pediu Alec, finalmente rindo com os outros.
Quando o atendente voltou com os pedidos deles, entregou direitinho para cada um e, parou ao lado de Alec, se esticando para largar as coisas dos outros na frente de cada, entregando o dele por último, entregando junto um bilhete, que fez todos o encararem enquanto ele apenas sorria envergonhado.
— O que está escrito? – Perguntou Blaine um pouco baixo, ao ver o atendente sair de perto deles.
— Pai! – Repreende Alex, vendo o pai levantar os braços em forma de rendição. Abrindo o bilhete longe dos olhos dos outros e vendo o que tinha escrito:
“Espero que essa torta adoce o seu dia como o seu sorriso adoçou o meu.”
E, depois daquilo, um café da manhã naquele café nunca foi tão doce e especial. Antes de sair definitivamente dali com seu irmão, seu pai e seus amigos, Alec passou seus olhos pelo local para ver se via uma última vez aquele garoto, mas acabou não o enxergando. Ao se virar novamente para frente, deu de cara com ele.
— Procurando por mim? – Perguntou sorrindo, fazendo Alec corar.
— E-eu... eu preciso ir antes que eu me atrase para a escola. – Alec disse todo nervoso, vendo o garoto assentir.
— Também preciso ir para a escola. Espero te ver por aqui mais vezes.
Alec apenas sorriu e saiu dali. No carro ele ouvia as piadinhas dos outros, inclusive de seu pai, mas apenas ignorava todos, lembrando do atendente.
O garoto era tão lindo, com um sorriso que parecia ter sido desenhado à mão, olhos castanhos esverdeados, cabelos pretos, lisos e bem arrumados. Era mais alto que Alec, se vestia muito bem, todo de preto. Tudo nele era lindo. E o seu perfume, então? Era delicioso e Alec tinha tido a oportunidade de sentir duas vezes.
Blaine largou todos na escola, desejando a eles um bom dia e foi em direção à empresa, já encontrando seu marido e seus amigos ao entrar. Os cumprimentou e se botou a trabalhar.
[...]
Enquanto na empresa era apenas trabalho e mais trabalho, na escola era apenas estudos e mais estudos. Como Alec está no ensino médio e Alexis, Melanie e Andrew não estão, eles estudam em escolas diferentes, que são apenas em lados diferentes da rua e são a mesma escola, com a diferença de que uma é do ensino fundamental e a outra é do ensino médio.
No horário do almoço Alec estava sentado sozinho, ainda pensando no garoto que havia conhecido mais cedo. Sentiu alguém sentar do seu lado e não sentiu vontade de encarar a pessoa, mas aquele perfume lhe era familiar, então se obrigou a olhar para o lado.
— Olá! – Disse o garoto, com aquele lindo sorriso no rosto. – Como nós estudamos na mesma escola e eu conheci você no café e não aqui?
— Oi. Eu poderia perguntar a mesma coisa, ou até mesmo como nunca nos vimos antes no café, já que vou lá há mais de dez anos com os meus pais.
— Me chamo Eric! – Oh, finalmente Alec descobriu o nome dele. – E você?
— Alec. Você não é do segundo ano, não é?
— Não. Sou do terceiro. – Disse Eric. – Gostou do bilhete?
— S-sim... – Alec disse, corando em seguida.
O sinal foi escutado e o sorriso de Alec se desmanchou. Eric percebeu aquilo e, ao ver a mão de Alec virada para cima, colocou sua mão sobre a dele, lhe deu um beijo na bochecha e saiu dali mais rápido que o Flash. Quando Alec se deu conta do que havia acontecido e olhou para sua mão. Mas um bilhete, mas dessa vez era o número de Eric e uma mensagem:
“Já que gostou do bilhete, pode me ligar se quiser e, se você quiser me encontrar, é só ir no café. Meu intervalo é às seis. – Eric.”
E lá estava Alec novamente sorrindo feito um bobo.
Quem o buscou na escola foi Kurt e quando ele entrou no carro viu já seu irmão e os amigos no banco traseiro. Cumprimentou todos e deu um beijo no rosto de seu pai, que percebeu que o filho estava diferente.
— Por que você está com esse sorriso congelado no rosto, filho? – Perguntou o castanho.
— Porque ele está apaixonado, pai. – Falou Alexis, vendo Alec o fuzilar pelo espelho.
— É verdade, tio Kurt. – Disse Melanie. – Ele conheceu um menino no café e não parou mais de sorrir.
— Hum, meu bebê está apaixonado, é? – Kurt perguntou fazendo voz manhosa e Alec corou mais ainda.
— Será que dá para vocês pararem? Eu não estou apaixonado. – Se defendeu Alec.
— Conta outra piada, maninho. O cara perguntou o que você iria querer e você disse que queria ele. – Riu Andrew, chamando Alec de maninho como sempre fazia.
— Idiotas! – Reclamou Alec. – Pai, o pai B já está em casa? Queria falar com ele...
— Sim, todos saíram cedo hoje da revista. Aconteceu alguma coisa?
— Não. Eu só quero falar com ele, só isso...
Kurt estranhou, mas deixou por isso mesmo. Estacionou o carro na frente de casa e todos entraram em casa, menos Melanie que foi para a sua própria. Kurt foi para a cozinha preparar um lanche para os filhos e o afilhado, enquanto Andrew e Alexis ficaram pela sala e Alec foi até o quarto de seu pai.
— Pai... – Chamou ele, vendo Blaine fazer um sinal para ele sentar na cama. – Podemos conversar?
— Mas é claro que podemos, meu anjo.
— O que eu faço?
— Com o que? – Perguntou o moreno.
— Ele estuda comigo. Digo, estuda na mesma escoa que eu. Ele é do terceiro ano, almoçou hoje comigo e me deu o número dele, dizendo para eu ligar para ele ou para aparecer no café, disse até a hora do intervalo dele e eu não sei o que fazer. – Alec disse cabisbaixo.
— Meu amor, isso é muito simples de se resolver, siga seu coração. Sim, tem a chance de não dar certo e você sofrer. Não vou mentir só para fazer com que o mundo pareça melhor, porque nada vem tão fácil para nós, mas se for para dar certo, dará. Você tem que se arriscar, entende? Se você sente que é isso que tem que fazer, no caso, ligar para ele, ligue. Se mais para frente der errado, saiba que eu e seu pai estaremos aqui. – Blaine disse e abraçou seu filho. – Mas por que veio falar disso comigo e não com Kurt?
— Eu sempre falo com os dois, apenas vim primeiro em você, pai. – Explicou Alec, vendo o moreno assentir.
Alec saiu do quarto e se enfiou no seu, ouvindo um grito de Kurt que vinha da sala, ele correu até lá para checar o que tinha acontecido e não estava entendendo nada, assim como Blaine.
— Mas que droga, Kurt, você me assustou. – Disse Blaine. – O que diabos aconteceu para você gritar desse jeito?
— Ele meio que pegou a gente se beijando... – Alexis disse cheio de vergonha. – Acho que ele não estava preparado para isso.
— Vocês têm quatorze anos e foram criados praticamente como irmãos.
— E por qual motivo isso é algo ruim, Kurt? – Perguntou Blaine, vendo o marido ficar todo sem jeito. – Vocês foram criados juntos, mas não são irmãos nem nada, isso não é errado. E vocês têm quatorze anos, sabem muito bem o que estão fazendo.
— Eles são jovens demais, Blaine. – Kurt disse irritado.
— Vai dizer que o seu primeiro beijo foi comigo, então, Sr. Santo?
— Claro que não.
— Então para com isso.
— Não quero ver isso se repetindo e ponto final. Vocês só estão permitidos de namorar após seus dezessete anos!
— O que? – Alec praticamente gritou. – Pai, eles não estavam fazendo nada demais. Além do mais, o que pode dar errado? Eles não podem engravidar mesmo...
— Estou com o Alec. – Disse Blaine. – E você não é o único pai para sair decidindo tudo sozinho, Kurt. O que está acontecendo com você? Estresse do trabalho ou o que?
— Ah, agora você se preocupa em também ser pai? Que eu me lembre durante toda a infância dos nossos filhos eu que tinha que me preocupar com o que eles assistiam ou comiam, porque se dependesse de você seria apenas porcarias e mais porcarias.
— Está dizendo que eu não sou um bom pai? Isso é ridículo, Kurt.
— Claro, tudo é sempre ridículo. Eu estou cansado de você, então faça o que você quiser com eles. Eu cansei!
Kurt simplesmente soltou as palavras, pegou as chaves do seu carro e saiu da casa, deixando um Blaine boquiaberto e em lágrimas para trás.
— Pai, você está bem? – Perguntou Alec, abraçando seu pai bem forte.
O menino fez um sinal para seu irmão e Andrew e os dois se juntaram no abraço Alec foi até a cozinha e pegou uma água com açúcar para levar para o seu pai, o entregando em seguida. Quando tudo se acalmou, tentou ligar para Kurt, mas o castanho disse que não queria conversar e que não estava mais preocupado, estava estressado demais para lidar com tudo isso.
Alec, se sentindo a pior pessoa do mundo, tendo sido ignorado pelo próprio pai, pediu para Alexis ficar na casa de Elliot e Sebastian e explicou para eles o que tinha acontecido. Impediu seu pai de ir atrás de Kurt e o colocou na cama, cantando para ele da mesma maneira que o moreno fazia quando ele era pequeno.
Foi para o seu quarto e pegou seu celular, digitando o número de Eric e ligando para ele. Precisa se distrair um pouco, estava se sentindo péssimo pelo que tinha acontecido e sabia que seu irmão, assim como seu pai, deveria estar ainda pior.
“Olha se não é o garoto do sorriso encantador me ligando.” — Disse Eric do outro lado da linha.
“Você está ocupado?”— Alec perguntou, se controlando para não demonstrar que estava chorando. Coisa que claramente não deu certo.
“Alec, o que aconteceu? Você está chorando? Posso ajudar em algo?”
“Pode me ajudar sim. Pode me tirar daqui e me levar para qualquer lugar? Eu preciso fugir daqui.”
Fale com o autor