If I Would Have Known It Could Have Been You 2
5 #5 - Exame de DNA
Notas iniciais
#5
Exame de DNA
— Como assim? Isso não pode ser verdade... isso... – Kurt caiu no sofá sem forças, sem acreditar no que estava escutando. Não era possível que estivesse mesmo ouvindo que havia uma possibilidade de não ser irmão de Blaine.
— Vamos precisar fazer o exame de DNA para ter certeza... – Elizabeth fora interrompida pelo barulho da porta se abrindo.
Blaine entrou por aquela porta com uma aparência cansada, mostrando que ele tinha forçado sua cabeça ao máximo para terminar a matéria para o jornal.
— Ele estava muito cansado, então eu trouxe ele. Aqui a chave do carro. – Informou Sebastian, entregando as chaves para Kurt. – Quando precisar novamente deixar Alec no meu escritório, não precisa nem pedir, viu?
— Sebastian, você não acha que já está se passando? Se quer tanto alguém como o Alec faça um filho você mesmo. – Blaine disse um pouco rude, deixando o castanho totalmente sem jeito.
— Blaine! – Kurt disse em tom repreendedor e se virou para o Smythe. – Eu levo você para casa. Pai, fica aí com o Blaine e cuidem para o Alec não acordar. Eu já volto.
Kurt e Sebastian foram de volta ao carro em um completo silêncio. Só foram tornar a falar quando entraram no veículo e o primeiro a falar foi Sebastian.
— Não precisava se incomodar em me trazer. – Comentou ele. – Eu pegaria um táxi na boa.
— Era o mínimo que eu podia fazer depois da sua gentileza de levar Blaine. – Kurt falou sorrindo. – Desculpa pelo que ele disse. Alec ama você, tenho certeza que Blaine só estava sentindo ciúme.
— Mas ele está certo. – Sebastian olhou rapidamente para Kurt e depois olhou para suas pernas, se sentindo um pouco incomodado com sua própria atitude. – Eu tenho extrapolado ultimamente, quero carregar Alec comigo para todos os lugares. Estou praticamente criando um amor paterno por ele e eu não deveria fazer isso. Ele é meu afilhado e não meu filho.
— Eu não me importo, você faz muito bem para ele. – Kurt parou no sinal vermelho e olhou para Sebastian, que estava com os olhos cheios de lágrimas.
— Posso te contar um segredo? – Dirigiu novamente o olhar para Kurt.
— Claro que pode.
— Não pode contar isso nem para Blaine. – Kurt novamente disse para o mais alto contar e assim ele fez. – Quando eu era adolescente eu tinha sonhos, como qualquer outra pessoa da minha idade, mas eu não tinha sonhos muito altos, sabe? Eu já sabia muito bem da minha sexualidade e tinha um namorado irritante. O meu sonho não era ser rico, ter o melhor emprego do mundo ou passar a vida inteira viajando. Meu sonho era apenas ter uma família e ter filhos que fossem gerados por mim e meu marido, com a ajuda de uma moça, claro. Quando eu comecei a namorar com Nicolas, eu fiz um exame de rotina, apenas para checar se estava tudo certo e... – Ele desabou a chorar e Kurt estacionou o carro na frente da casa dele, o encarando sem saber o que fazer. – Eu não posso ser pai.
Kurt nem pensou, ele apenas se inclinou e abraçou o maior, o apertando o máximo possível. Ele e Sebastian não eram o que se podia chamar de melhores amigos, mas acabaram ficando muito próximos por causa de Blaine e Alec, então Kurt sabia que podia contar com o maior caso fosse necessário e sabia que o mesmo servia para Sebastian.
— Eu sinto muito... – Ele não tinha outra coisa para dizer. – Sei que não ajuda eu falar isso, mas...
— Eu sei que existe adoção. – Afirmou ele. – Mas eu queria que o meu filho com Nicolas se parecesse ou comigo ou com ele, entende? Então eu descobri que ele também não pode ser pai. Mas o que mais me dói, é que ele não liga para isso. Ele não quer ter filhos, nem adotados. Por isso me apeguei tanto a Alec e me apego tanto a qualquer criança com quem eu tenha contato. Quando eu vi você e Blaine com o Alec eu pensei que sentiria inveja, mas não. Eu senti uma felicidade enorme por ver vocês dois felizes, apenas fiquei triste por pensar que nunca saberei como é ter uma criança para chamar de minha.
— Seb, escuta, eu não sou bom para dar conselhos, muito menos para seguir conselhos, mas de uma coisa eu sei, ok? Quando duas pessoas se amam elas fazem de tudo para darem certo. Quando um casal se casa, passa a criar mais interesses em comum e uma família é um desses interesses na maioria das vezes. Você já tentou conversar com o Nic? Digo, não sobre o fato de ele não querer filhos, mas sim o motivo disso.
— Ele disse que não serve para ser pai e disse que não está pronto. – Sebastian riu sem graça. – Mas quando estamos realmente prontos para algo? Eu queria que meu relacionamento fosse como o seu. Você e Blaine se dão tão bem.
— E você e Nic não?
— Não nos falamos há alguns dias. Estamos dormindo em quartos separados e até falamos sobre divórcio. De uns tempos para cá ele parece um maníaco sexual que quer me ver sem roupa em qualquer lugar, enquanto eu queria coisas mais românticas. Momentos mais calmos, olhar um filme abraçados, olhar as estrelas, coisas desse tipo. – Desabafou o castanho. – Eu tenho certeza de que eu amo ele, mas ultimamente esse sentimento parece não ser recíproco.
Um silêncio se criou entre eles. Kurt permaneceu abraçando Sebastian, que aos poucos estava ficando mais calmo. Ele estava triste e se sentia só, não podia negar.
Passados alguns minutos, Sebastian se endireitou no banco e encarou Kurt, que lhe deu um sorriso sem mostrar os dentes. O maior se inclinou e ia beijar o rosto do castanho, mas por algum motivo a sua boca foi parar na boca de Kurt, que ficou sem reação perante aquilo.
— Meu Deus, Kurt, me perdoa, eu não sei o que deu em mim, eu estou enlouquecendo. – Sebastian se desculpava de uma maneira desesperada, fazendo Kurt também se desesperar.
— Tudo bem, Seb. Fica calmo, ok? Vamos apenas fingir que isso não aconteceu, tudo bem? – Sebastian assentiu, mexendo a cabeça para cima e baixo freneticamente.
— Obrigado por me trazer para casa. – Kurt apenas sorriu e Sebastian desceu do carro voltando ao vidro para falar: – Desculpa mesmo.
[...]
Quando Kurt chegou em casa, quinze minutos mais tarde, Blaine estava sentado de braços cruzados encarando a porta. Ao ver o castanho entrar, o Anderson se levantou e o encarou.
— Onde você estava? – Blaine perguntou desconfiado.
— Levando Sebastian para casa?! – Kurt largou as chaves em cima da pequena bancada onde tinha um vaso com uma planta e tirou seu casaco.
— Já não basta ele querer roubar o meu filho, ainda quer roubar o meu noivo. – Blaine revirou os olhos e se atirou no sofá ao lado de Elizabeth.
— Primeiro, é o nosso filho, não o seu filho. E o seu melhor amigo está com problemas, mas ao invés de você conversar com ele e ser um bom amigo, não. Você prefere ficar com esse ciúme ridículo.
— Alec passa mais tempo com ele do que com nós. – Blaine se defendeu.
— Está achando ruim? Então se demita e passe o dia inteiro com seu filho. Simples.
— Você não disse isso.
— Garotos, vocês podem discutir a relação de vocês depois? – Perguntou Burt. – Nós marcamos para vocês fazerem o exame amanhã de manhã. Estaremos aguardando vocês nesse endereço. Não se matem até amanhã, ok?
Burt entregou um cartão com o endereço e se despediu dos meninos, seguido por Elizabeth, que fez o mesmo. Os dois foram embora, deixando um casal com assuntos pendentes para trás.
— Você realmente mandou eu largar o meu emprego? – Blaine perguntou incrédulo.
— Não mandei você fazer nada. Você que sabe o que faz. – Kurt dizia calmo, não queria discutir. – Eu só acho que você está ficando muito possessivo. Sei que me ama, sei que ama o nosso filho, um pouco de ciúme é sempre bom, mas você está exagerando. Eu não vou simplesmente sair daqui e trocar você por Sebastian. Ele é meu amigo. E quanto ao Alec, ele nos ama, da mesma maneira que ele ama Sebastian. Você não precisa ter medo de perder nosso filho, porque ele tem um coração grande o suficiente para amar os três incondicionalmente.
Blaine levantou e abraçou Kurt, enfiando sua cabeça na curvatura do pescoço do castanho.
— Me desculpa. Eu não devia ter dito isso, nem ter dito aquilo para ele. Eu vou ligar para ele. – Concluiu Blaine, já pegando seu celular.
— Não, B. Não hoje. Amanhã você fala com ele. Ele estará de folga, já que é sábado e Nicolas estará trabalhando. Vocês poderão conversar mais tranquilamente.
[...]
Na manhã seguinte, Kurt e Blaine foram até a clínica e fizeram o exame. Eles precisariam esperar uma semana para que ficasse pronto, pegariam o resultado na sexta-feira da semana seguinte. Blaine largou Kurt em casa com Alec e foi até a casa de Sebastian para conversar com o amigo. Ele precisava pedir desculpas por ter sido rude com o amigo.
Ele chegou e estacionou o carro, logo descendo do veículo. Ele traçou o caminho de pedras que levava até a porta e tocou a campainha, logo sendo atendido por Sebastian. Mil pensamentos passaram pela cabeça do maior, já achando que Blaine tinha ido ali para matá-lo por ter beijado seu noivo.
— Oi. Posso entrar? – Perguntou o moreno, vendo Sebastian assentir lentamente. Blaine entrou e viu algumas malas e várias mudas de roupa em cima do sofá. – Vocês vão se mudar?
— N-não... – Sebastian engoliu em seco. – Eu vou me mudar.
— Mas por que? – Blaine parecia horrorizado de ouvir aquilo.
— Eu e Nicolas vamos nos divorciar. – Explicou Sebastian. – Não estamos mais dando certo. Eu amo tanto ele e estou sentindo que ele não me quer mais. Ontem tivemos uma conversa e ele disse que não ia aceitar que nos separássemos, mas eu falei que queria certas coisas e ele disse que com ele eu não as teria. Então eu disse que já que ele não queria, eu sim, então iria me mudar. O único problema é que eu não tenho para onde ir e não sei nem se quero voltar para dentro daquele jornal e encará-lo.
— Seb, você pode me contar o que aconteceu, sabe disso. Eu quero ajudar.
— Diz isso para que? Para depois falar que quero roubar seu filho? Não, obrigado. – Sebastian voltou a arrumar as roupas dentro de uma das malas.
— Me desculpa por aquilo. – Disse cabisbaixo. – Eu agi errado. Kurt disse uma coisa que é verdade, cabemos os três no coração de Alec. Não há motivos para brigarmos por isso. Você é o meu melhor amigo, só quero ver o seu bem. Se quisesse você longe de Alec não teria te convidado para ser padrinho dele.
— Vou resumir para você: eu quero uma família mais completa, quero filhos. Nem eu, nem Nicolas podemos ser pais e ele não quer nem adotar. Eu quero. Só isso. – O Smythe disse com tristeza em sua voz, o que machucou Blaine e o fez se arrepender mais ainda do que disse na noite passada. – Eu não sei o que fazer.
Sebastian começou a chorar e sentou-se ao lado de Blaine, que o puxou para seu colo, fazendo de tudo para acalmá-lo.
— Eu realmente não sei o que faço agora.
— Você pode morar comigo e Kurt, pelo tempo que precisar. Não acho que seja bom você ficar sozinho, pelo menos não agora. Fique junto com nós. – Disse Blaine, fazendo Sebastian o olhar confuso.
— Você tem certeza disso?
— É claro que eu tenho certeza.
[...]
Uma semana havia se passado. Kurt e Blaine estavam sentados com as mãos trêmulas nas cadeiras da clínica. Elizabeth e Burt também estavam sentados, mas no outro lado da sala.
Naquele mesmo sábado em que Blaine conversou com Sebastian, o castanho se mudou para a casa dele. Eles tinham um pequeno quarto sobrando e o deram para Sebastian. Era pequeno, mas o castanho havia amado.
Quando Alec descobriu que ele moraria junto com eles, chegou a pular de alegria dentro de casa e foi a alegria daquela criança que conseguiu iluminar um pouco o dia de Sebastian.
A doutora se aproximou dos quatro que aguardavam pelo resultado e entregou o envelope que o continha para Elizabeth, que trêmula quase não conseguiu abrir.
Ela abriu e começou a ler o que dizia, até que encarou os rapazes em sua frente e por fim disse:
— Deu negativo. Vocês não são irmãos.
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