Notas iniciais
Ai gente mil perdões pela minha demora, me sinto muito mal de ter demorado tanto tempo pra atualizar. Queria agradecer ao Leo, que me deu umas boas (ou melhor, ótimas) ideias pra continuar a fic (que termina no 15). Agradeçam a ele por ter capítulo novo kkkkkkkk E queria dedicar o capítulo a minha esposa ficnesca, a música é em tua homenagem ♥

#11

Namora comigo?

— Pelo que eu me lembro, não tenho nada para conversar com você. – Sebastian disse, mantendo sua calma, principalmente por estar perto dos filhos, afilhados e amigos. Não queria brigas, muito menos queria admitir que a presença de Nicolas lhe trazia maravilhosas lembranças.

— Se alguém que hoje veio prestigiar os alunos quiser se arriscar e cantar, saibam que serão muito bem aceitos aqui nesse palco. – O diretor da escola falou audivelmente no microfone, levando Nicolas a dar um pequeno sorriso e se oferecer. – Pois então venha, meu caro, é só vir e cantar.

— Você é o Eric, certo? – Perguntou Nicolas, aproximando-se de Eric. – Você poderia tocar uma música para me acompanhar?

— Claro. Qual música?

Like I Can, Sam Smith. – Avisou o loiro, levando o menino a sorrir e assentir alegre. Tinha entendido o recado muito bem.

Nicolas se apresentou e disse que cantaria a música para alguém muito especial que fez parte dos melhores anos de sua vida, alguém que ele sentia falta todos os dias de sua vida amargurada e solitária, assim logo começou a cantar, fitando diretamente e indiscretamente Sebastian.

He could be a sinner, or a gentleman

(Ele poderia ser um pecador, ou um cavalheiro)

He could be a preacher when your soul is damned

(Ele poderia ser o pregador, quando sua alma está condenada)

He could be a lawyer on a witness stand

(Ele poderia ser o advogado em um banco das testemunhas)

But he'll never love you like I can, can

(Mas ele nunca vai te amar do jeito que eu consigo)

Eric começou a tocar as notas, observando o sorriso que se encontrava nos lábios de Alec. O sorriso daquele menino o encantava tanto, que podia jurar estar completamente apaixonado por ele. Alec era simplesmente tão ele mesmo, que encantava qualquer um que pusesse os olhos sobre ele. Eric tinha sorte de dizer que aquele menino era quase seu. Quase.

Nicolas cantava de uma maneira que nunca cantou antes. Por mais que Sebastian sempre o dissesse que sua voz era maravilhosa de se ouvir, nunca se arriscou a cantar em público, a não ser em karaokês e no seu chuveiro, ou quando cantava para Sebastian dormir.

He could be a stranger you gave a second glance

(Ele poderia ser um estranho, a quem você deu uma segunda olhada)

He could be a trophy of a one night stand

(Ele poderia ser um troféu de um caso de uma noite só)

He could have your humour, but I don't understand

(Ele poderia ter o seu humor, mas eu não entendo)

'Cause he'll never love you like I can, can, can

(Porque ele nunca vai te amar do jeito que eu consigo, consigo, consigo)

A saudade que sentia do ex-marido lhe causava uma dor enorme no peito. Era difícil segurar essa dor sem que ela lhe causasse um mar de lágrimas em seus olhos. Era muita a falta que Sebastian fazia, mas Nicolas não via maneiras de se reaproximar, nem sabia se tinha coragem de se meter no relacionamento atual do Smythe, que aparentava estar tão feliz atualmente.

Elliot sentia sua raiva apenas aumentar. Quem Nicolas pensava que era para chegar e cantar uma música como aquela olhando diretamente para o seu, e apenas seu, homem? Ele não tinha amor por sua vida? Aparentemente não.

Why are you looking down all the wrong roads?

(Por que você está olhando para todas as estradas erradas?)

When mine is the heart and the salt of the soul

(Quando a minha é o coração e o tempero da alma)

There may be lovers who hold out their hands

(Podem haver amantes que estendem as mãos)

But they'll never love you like I can, can, can

(Mas eles nunca vão te amar do jeito que eu consigo, consigo, consigo)

They'll never love you like I can, can

(Eles nunca vão te amar do jeito que eu consigo, consigo)

Nicolas não tirava seus olhos de Sebastian. Foi notável a maneira que o Smythe disfarçou uma lágrima que ameaçara cair de seus olhos; Nicolas viu aquilo e se sentiu culpado. A relação deles tivera um péssimo fim por sua culpa. Havia se tornado tão possessivo com Sebastian, que se esquecer de seguir adiante com ele, dar passos a mais e viver outras coisas além do amor entre os dois.

Se ele tivesse apenas dito que sim sobre a ideia de eles serem pais, adotar uma criança e tudo o mais, nada disso teria acontecido. Os filhos que são de Elliot e Sebastian poderiam ter sido do Smythe com Nicolas. Muita coisa poderia ter sido diferente e muita dor poderia ter sido evitada, mas ambos erraram e não se perdoaram e, sendo assim, se perderam.

A chance encounter of circumstance

(Um encontro casual da circunstância)

Maybe he's a mantra, keeps your mind entranced

(Talvez ele seja o mantra, que mantém sua mente em transe)

He could be the silence in this mayhem, but then again

(Ele poderia ser o silêncio nesse caos, mas, novamente)

He'll never love you like I can, can, can

(Ele nunca vai te amar do jeito que eu consigo, consigo, consigo)

Kurt e Blaine observavam a cena com certa angústia em seu peito. Sabiam que por mais que Sebastian tivesse seguido com sua vida, nunca conseguira esquecer do fato de que sempre amaria Nicolas com todas as suas forças. Talvez esse amor nunca possa ser verdadeiramente substituído e talvez Elliot apenas tenha ajudado a fechar a ferida aberta do castanho, sem nunca ser o bastante para finalmente cicatriza-la.

O único que poderia consertar o coração uma vez partido de Sebastian, era o próprio Nicolas, ainda que o castanho não tivesse coragem de admitir para si mesmo a falta que seu ex-marido o fazia.

Why are you looking down all the wrong roads?

(Por que você está olhando para todas as estradas erradas?)

When mine is the heart and the salt of the soul

(Quando a minha é o coração e o tempero da alma)

There may be lovers who hold out their hands

(Podem haver amantes que estendem as mãos)

But they'll never love you like I can, can, can

(Mas eles nunca vão te amar do jeito que eu consigo, consigo, consigo)

They'll never love you like I can, can

(Eles nunca vão te amar do jeito que eu consigo, consigo)

Sebastian secava suas lágrimas antes mesmo que elas ousassem escorrer por seu rosto. Seu coração doía como no dia em que assinou os papéis de seu divórcio. Aquela dor era a mesma de estar novamente se separando e seu peito se apertava cada vez mais, com seu coração parecendo minúsculo ali dentro e seus pulmões cada vez mais sem ar.

A quem ele queria enganar? Sentia a falta de Nicolas assim como sentia falta do sol em um dia de chuva. Era horrível a sensação de amar duas pessoas ao mesmo tempo, ainda mais quando uma o fez completo por tantos anos e depois o magoou e a outra pessoa chegou justamente quando ele mais precisava e por ali ficou. Não é como se fosse justo exigir que ele escolhesse quem era melhor, pois a resposta não agradaria nenhum dos três.

We both have demons, that we can't stand

(Nós dois temos demônios que não conseguimos suportar)

I love your demons, like devils can

(Eu amo seus demônios, como outros demônios conseguem)

If you're self-seeking an honest man

(Se você ainda está procurando um homem honesto para você)

Then stop deceiving, Lord, please

(Então pare de iludir, meu Deus, por favor)

Eric continuava a tocar e sorria discretamente para Alec. O convidaria para jantar em sua casa e faria para ele as coisas que o menino tanto gosta. O menino de cabelos claros provavelmente aceitaria o convite de um quase jantar, que seria na verdade o primeiro encontro dos dois e, se tudo desse certo – e Eric esperava que desse –, um namoro sairia dali. Era o plano perfeito, não?

Why are you looking down all the wrong roads?

(Por que você está olhando para todas as estradas erradas?)

When mine is the heart and the salt of the soul

(Quando a minha é o coração e o tempero da alma)

There may be lovers who hold out their hands

(Podem haver amantes que estendem as mãos)

But they'll never love you like I can, can, can

(Mas eles nunca vão te amar do jeito que eu consigo, consigo, consigo)

They'll never love you like I can, can

(Eles nunca vão te amar do jeito que eu consigo, consigo)

A música acabou com lágrimas vindas de quem cantava e também do receptor para quem havia sido cantada a canção. Por mais que Sebastian tivesse disfarçado, todos viram as lágrimas que teimaram em surgir por seu rosto, assim como viram a reação de Nicolas por cantar aquilo.

O loiro saiu correndo, se despedindo rapidamente de Alec e indo diretamente embora. Sebastian até pensou em ir atrás dele, mas decidiu que não era o momento certo, além de ele dever algumas explicações para Elliot.

— Alec... será que você, uh... – Eric se enrolou todo ao chegar no menino, sentindo suas bochechas esquentarem por completo. – Você gostaria de... jantar comigo?

— Jantar? Com você? – Alec repetiu como se não acreditasse naquelas palavras. – É claro que eu gostaria. Vou amar jantar com você. – O Hummel-Anderson tinha certeza que suas bochechas estavam completamente vermelhas agora.

— E-eu te busco lá pelas, uh, oito, pode ser? – Inquiriu Eric, recebendo um sorriso em resposta.

— Pode sim. – Afirmou Alec, logo indo embora com seus pais. – Pai e pai... eu vou jantar com o Eric, tudo bem?

— Ah, meu biscoitinho está crescendo. – Brincou Sebastian, aproximando-se do afilhado e lhe bagunçando os cabelos.

— Está tudo bem, meu filho, pode ir. – Permitiu Blaine, mesmo sentindo um ciúme enorme por seu filho estar saindo com outro garoto.

Blaine sempre se preocupava demais com todos que conhecia, fossem seus amigos, seus parentes, seu marido ou seus filhos. Preocupava-se com todos, de todas as maneiras possíveis de se preocupar.

[...]

Alec passou o restante do dia contando as horas para Eric chegar e buscá-lo. Pediu ajuda a Kurt para se vestir, já que o Hummel era um exemplo da moda para seu filho, que sempre o pedia ajuda quando o assunto era sua maneira de se vestir.

O jovem Hummel-Anderson vestiu uma calça jeans na cor preta, uma camisa de um tom claro de cinza e um suéter cinza escuro. Arrumou seu cabelo em um topete assim como Kurt, se fosse filho de sangue do Hummel não teria ficado tão parecido com ele como ficou.

Blaine olhou para seu filho e permaneceu em silêncio. Só de pensar que o seu provável genro olharia para seu filho de uma forma nada inocente já se sentia novamente aquele pai super protetor que Kurt tanto criticava. Kurt mandou um sinal para Blaine dizer algo e o moreno apenas disse que o filho estava muito apresentável para um jantar.

Alexis foi mais ousado, de sua maneira de sempre, dizendo que o irmão estava arrasando corações e que iria encantar Eric sem nem se esforçar muito. Alec apenas agradeceu seu irmão e beijou-lhe a bochecha como um sinal de “tchau”. A campainha tocou, fazendo com que o coração de Alec se acelerasse sem igual.

— Boa noite! – Eric cumprimentou a todos, recebendo um abraço forte de Alexis.

— Você cuida bem do meu maninho. – Advertiu ele, levando todos a rir da situação.

— Pode deixar que eu cuido. – Eric afirmou, bagunçando o cabelo de Alexis e logo saindo de lá com Alec. – Eu me contive de dizer isso quando te vi, mas... você está lindo.

— Você também. – Elogiou Alec, sorrindo para o menino ao seu lado.

O caminho até a casa de Eric não foi muito longo e os meninos passaram o trajeto inteiro conversando animadamente sobre tudo e sobre nada. Falando sobre música, livros, até mesmo sobre a escola.

Eric sabia que se falasse sobre si e Alec, começaria a gaguejar e preferia esperar pelo momento certo de tocar no assunto.

Ao chegarem na casa de Eric, desceram do carro e encaminharam-se para dentro da residência. Todas as luzes estavam apagadas, tirando as da sala de jantar, que estava com menos intensidade do que normalmente. Como o caminho entre a casa deles não era grande, Eric já havia deixado tudo encaminhado.

O jantar se seguiu tranquilo para os dois, que continuavam a conversar sobre tudo que lhe viessem em mente. Estavam felizes por estarem partilhando um momento tão bom um com o outro.

Alec poderia fingir que Eric não tinha efeito algum sobre si, mas seu coração acelerado e inquieto lhe condenava por esconder o que sentia até de si mesmo. Estava se apaixonando, caindo rapidamente em amores, sem uma certeza de que seu sentimento era recíproco. No entanto, era sim recíproco, ele só não sabia disso ainda.

— Alec, eu queria te contar uma coisa. – Revelou Eric quando os dois terminaram de jantar e o mesmo arrastou Alec para o pátio, assim ambos sentaram-se sobre o gramado e foram olhar as estrelas.

— Então me conte. – Sorriu Alec.

— E-eu... eu gosto de você. – Admitiu, sentindo-se nervoso demais ao ver que Alec permaneceu em silêncio. – Gosto mesmo de você. Muito. E, eu fico me perguntando se... você sente o mesmo por mim, porque eu não gostaria de insistir em algo que você talvez não queira, por isso eu gostaria que você fosse honesto comigo. E, não se preocupe, se você me disser que quer ser só meu amigo, continuaremos na amizade. Gosto de você o bastante para aceitar seus sentimentos. E se esse for o caso, eu ainda posso te conquistar, de repente. Tudo pode acontecer, certo?

Um silêncio se instalou entre eles. Alec sentia todo o seu corpo tremer de puro nervosismo que ele sentia. Queria gritar para o mundo o que sentia por Eric, mas ao mesmo tempo nem mesmo conseguia admitir para o próprio menino, quem dirá para o restante do mundo. Limitou-se a observá-lo por alguns segundos, buscando em qualquer lugar uma resposta para suas perguntas, uma resposta longe de ser encontrada.

— Esse silêncio é horrível. – Soltou Eric, incomodado com a quietude que ficou entre eles. – Mas eu já esperava que você não sentisse o mesmo que eu...

— Namora comigo? – Alec nem mesmo acreditou que tinha tido coragem o suficiente de fazer aquela pergunta. Arregalou os próprios olhos após fazer tal pergunta, mas relaxou ao ver o sorriso no rosto do menino em sua frente.

— Você está falando sério?

— Sim. Você não quer? – Um desespero tomou conta do menino.

— É claro que sim, é só que eu tinha planejado te pedir em namoro caso você dissesse que também gosta de mim. Gostei mais desse jeito. – Eric abriu um enorme sorriso e se aproximou de Alec, o beijando carinhosamente nos lábios.

— Isso significa que você aceita?

— E você ainda tem alguma dúvida? É claro que eu aceito namorar com você, Alec Hummel-Anderson.

Notas finais
Música: Sam Smith - Like I Can. Gostaram? Me contem ♥ A próxima agora é Same Old Love ♥ Bjo ♥