If I Die Tomorrow
13 Te encontrarei lá.
Notas iniciais
_ Vinicius. – Disse Renata.
_ Henrique. – Respondi.
_ Mark Júnior. – Disse Mark.
_ Amanda. – Retrucou Renata.
_ Mariana. – Respondi.
_ Maria Mark Júnior. – Insistiu Mark.
_ Desiste Mark, nenhum deles se chamará Mark Júnior. – Disse Renata, impaciente. – Se querem saber, só será Mark Júnior se tiver uma Renatinha.
_ Podem parar com a palhaçada. Os três estão na minha barriga, logo, não será justo se não tiver uma Mariana! – Levantei, empurrei o pé do Mark que estava em cima da mesa e tirei um salgadinho do forno. – Esses são os últimos. A festa começa daqui a duas horas, arrumem-se.
Subi para o quarto e separei uma roupa para Renata (já que estava na cara que ela não o faria) quando meu celular tocou.
_ ... Alô? Desculpe, mas quem é? ... Mãe da? Da Renata? Ah sim, perdão, não reconheci sua voz. Ué, ela te ligou? Não sei de nada. Mas você vem hoje à noite, certo? Ok então, eu digo para ela. Beijos... Tchau.
_ Era a minha mãe? – Perguntou Renata, sentando ao meu lado. – O que ela queria?
_ Queria confirmar a festa de hoje à noite. Alguém nesta sala disse que ela havia sido cancelada.
_ Podia ser uma festa só nossa Thamires. Eu deixaria você enchê-la com todos os médicos que desejasse. Pra que meter minha família no meio? Ela arrastará meu pai pra cá, e ele estará de mau humor. Estragarão a festa.
_ Eles são a sua família.
_ Não. Eles são estranhos pra mim, você sabe.
_ Sua mãe sempre quis te ajudar. Eu sei disso, você sabe disso, ela sabe disso, só não conversamos sobre isso porque te deixa nervosa. Sua mãe ultrapassou limites que não esperava ultrapassar para te ajudar. Ela ama você.
_ Quando eu precisei você me ajudou. Minha família é você, Thamires, não eles. Não o Mark. Você. Deixei que você convidasse Dênis, porque me sentia segura o suficiente para não me apaixonar por ele. Deixei que você convidasse Jordan, que foi um anjo em me doar um rim quando precisei, mas eles não são você, Thamires. Eles me ajudam, mas eles não são você. Se não fosse pelo Jordan eu não estaria viva, se não fosse pelos meus pais eu não estaria viva, mas se não fosse por você... Eu não desejaria viver. – Ela parou sua cabeça contra meu peito. Abracei-a, apertando-a. – Eu sei que essa festa é importante pra você, então eu aceitei calada. Vamos deixar assim... Meus pais virão, e eu posso lidar com isso por algumas horas. Mas, se por algum motivo, eles acharem que eu já estou curada, tentarão me levar pra casa. Se descobrirem que estamos namorando, tentarão me afastar de você. E você, mais do que ninguém, sabe que meu corpo e meu psicológico não aguentariam tamanha mudança. Nem... A Bete.
Levantei, desprendendo-me dos braços de Renata. Pelo o que eu conheço de Renata, sabia que ela estava, em partes, mentindo. Os problemas que tinha com seus pais, ela mesma arrumava e eles não a obrigariam a fazer alguma coisa contra a sua vontade, mas não quis discutir. Renata levantou para se arrumar, mas parou no meio do caminho e virou-se para me encarar.
_ Eu te amo tanto que dói. – Disse séria. – Mas o seu sentimento é o contrário. Dói me amar. Você sabe disso. Eu gosto tanto de você, Thamires, que eu sei que será melhor... Se você criar esses filhos com o Mark. Ou com qualquer outra pessoa que não seja eu.
Não respondi, ela não esperava que eu respondesse. Apenas comentou algo sobre o vestido e saiu do quarto para se trocar.
Eu abro meus olhos e tento enxergar, mas eu estou cega por essa luz branca chamada tristeza. Eu não consigo me lembrar de como ou por que, eu não posso suportar a dor e eu não posso fazê-la ir embora. A noite continua enquanto eu sumo aos poucos. Tenho vontade de gritar “por que isso aconteceu comigo?”. Tento me lembrar de todos os erros que cometi e de todas as vezes que sofri, comparando minhas dores, mas, não, eu nunca senti algo igual. A tristeza me consumia aos poucos, porque algo dentro de mim sussurrava em meu ouvido “não há mais o que fazer. Você a perdeu. Se não agora, mais tarde. Não há mais nada o que fazer, acostume-se com essa ideia. Ela não é mais sua e, dentro de você mesma você se perdeu.”.
Sentei no chão e comecei a chorar baixinho. Ela saiu do banheiro sorrindo. Pude ver o quanto estava linda. Mesmo que não admitisse, sabia que ela se sentia linda naquele vestido. Confiante. Ela veio até mim e se sentou em minha frente.
_ Você não me perdeu. – Sussurrou. – Ainda temos essa noite, amor. Venha, coloque o seu mais belo vestido. – Ela continuava sussurrando de modo engraçado, mas não protestei. Deixei que ela me levantasse e entrei no banheiro para me trocar.
“Ainda temos essa noite” era o que eu bastava para me apavorar. Ela partiria no dia seguinte. Deixaria que seus pais a levassem para longe de mim novamente. Comecei a lembrar dos nossos momentos juntas e caí numa profunda e melancólica depressão, que foi interrompida por batidas na porta.
_ Thamiiiiiireeees. – Gritou Mark. – Thamiiiiresss toma chá no piiiireeees.
_ Você parece uma marmota velha cantando. – Ouvi Renata rir e debochar. – E não sabe rimar.
_ Não sei rimar? Assim você me ofende. – Mark riu também.
Terminei a maquiagem e saí do banheiro. Os dois me olharam e sorriram, com a mesma expressão no rosto. A diferença é que, com essa expressão de apaixonada, a Renata ficava fofa, considerando que estamos namorando. Já o Mark, com essa expressão de apaixonado, encarando os meus olhos como nunca fizera antes, estava me incomodando.
_ Você está... – Começou Renata, mas não terminou a frase.
_ Perfeita. – Completou Mark.
_ Ok... – Sorri envergonhada e dei uma voltinha para que eles vissem as costas do vestido e o meu cabelo. – Agora parem com isso. Saem desse transe que já está ficando chato. Ótimo, agora vamos.
Mark segurou meu braço esquerdo, na mesma hora que eu passava o braço direito em volta do braço de Renata. Nós nos encaramos por um segundo, até que ele se lembrou que eu estava acompanhando Renata, não ele. Meio sem graça, ele se afastou para abrir a porta.
_ Vamos?
Posso afirmar com todas as palavras que a primeira impressão que eu tive da festa era de que ela estava PERFEITA. Nem eu, embora todo o esforço, imaginara que ela ficaria assim, tão linda.
_ Thamires! – Disse a mãe de Renata, se aproximando de mim e me abraçando. – A festa está simplesmente perfeita. Vocês se superaram.
_ Obrigada. Nós fizemos de tudo para que...
_ Tá, tá. – Ela me interrompeu desdenhosa. – Onde está Renata?
_ Não sei. – Disse, procurando-a com os olhos. – Ela veio comigo antes de...
_ Deixa que eu procuro sozinha. – Disse ela, me interrompendo novamente. – Imprestável. – Ela disse, de maneira que eu pudesse ouvir, afastando-se de mim.
Pensei em procurar Renata, mas Mark me chamou para dançar.
_ Eu não danço. – Disse, embora a música alta. Ele não prestou muita atenção, e continuou mexendo-se de um lado para o outro. – Parece mais que você está tendo uma convulsão ao invés de dançar. – Debochei.
_ Poxa, eu canto igual uma marmota velha e danço como se estivesse tendo uma convulsão. Estou ficando chateado. – Disse ele, fazendo beicinho.
_ Onde está Renata? – Perguntei.
_ Da última vez que eu a vi, ela estava indo a banheiro. Deixe-a, Thami... Este salão está lotado de médicos de todas as especialidades. Até os garçons, fiz questão de contratar alguns internos e residentes para fazer papel de garçom por uma noite, caso precise. Tem dois paramédicos no banheiro feminino, o DJ é enfermeiro. Na porta há seguranças, que impedirão que Renata saia sozinha e dois em cada escada, para que ela não suba. Está tudo sob controle.
_ Nossa... – Suspirei. – Eu disse apenas para não deixarem que ela saísse. Não precisava de tudo isso. Está um pouco... sufocante.
Mark riu orgulhoso de si mesmo. Eu sabia que assim que Renata descobrisse tudo isso, teria um ataque.
_ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Ouvi alguém gritar. Provavelmente era um dos poucos convidados que não era médico.
Em questão de segundos, todos os médicos e seguranças correram para o banheiro feminino. Um carrinho que eu achava fazer parte da decoração virou um carrinho de parada, e foi direto para o banheiro. De baixo da mesa do bolo saiu uma maca, e eu não sabia se ria ou se chorava dessa situação.
_ CÓDIGO AZUL, SAI DA MINHA FRENTE! – Gritou um paramédico. Eu já esperava pelo pior: Era a Renata.
Corri para perto do banheiro, ela já estava na maca e um médico fazia massagem cardíaca nela enquanto corria para uma ambulância á postos. Dênis estava ao seu lado, gritando para um dos médicos “NÃO PODEMOS SAIR DAQUI SEM A ESPOSA DELA. CADE A THAMIRES? ENCONTREM A THAMIRES!”.
_ SAI DA MINHA FRENTE, É A MINHA NAMORADA QUE ESTÁ LÁ. – Gritei e entrei na ambulância.
Tremendo de nervoso e em estado de choque, vi o salão virar um próprio hospital. Tenho certeza que algo me atingiu na cabeça, em meio à correria, porque quando dei por mim, estava sentada numa sala de espera de um hospital, sozinha, com sangue por todo o meu vestido.
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