Idiotas vinculados

4 As atividades do acampamento


Notas iniciais
Mais um! Espero que gostem :)

Na manhã seguinte, uma segunda feira, fui acordado por Brandon para começar as tarefas diárias do acampamento. Eu não havia comentado com ninguém sobre o que acontecera na noite anterior, nem pretendia contar – espero que Mari tenha feito o mesmo, porque a maioria da conversa com Quíron foi sobre ela. Brandon me perguntou como tinha sido o meu raciocínio sobre ontem.

– Eu dormi e nem esperei você voltar. – Ele explicou — Você chegou antes do toque de recolher né?

– Claro que sim. – Menti, colocando as mãos nos bolsos da calça, que hoje era a única peça de roupa do tipo jeans que eu usava. Havia recebido uma camiseta laranjada com a inscrição “acampamento meio-sangue” na parte da frente.

Assim que comecei a trocar de roupa percebi que meus ferimentos da noite anterior tinham desaparecidos e virados cicatrizes brancas em meu peito, organizamos todo o chalé. Brandon me disse que diariamente são feitas inspeções nos chalés, aos quais são dadas pontuações. Um chalé mal arrumado pode resultar em banho gelado pra todos os seus campistas.

O café da manhã estava mais animado do que o jantar do dia anterior. E eu estava com mais fome. Vi Jessie, Kyle e Kat acenando do outro lado do pátio, Mari deu um aceno de cabeça para mim, mas com cara de “se você contou algo para alguém eu te mato”, devolvi o aceno sério.

Jessie não era a pessoa mais animada do mundo, mas durante o café ela parecia estar desconfortável demais. Pude ver o Sr. D e Quíron a observando da mesa grande. Em alguns momentos, seus olhares se dirigiam para minha mesa também, mas eu disfarçava desviando o olhar, e eles sempre parecendo discutir algum assunto muito sério.

A inspeção no chalé foi realizada por um garoto chamado Peter Blackwood. Ele era líder do chalé de Afrodite, portanto é desnecessário que eu informe que o cara tinha uma beleza bem... Digamos assim, extraordinariamente “natural”. Tinha cabelos loiros encaracolados, um maxilar forte e olhos turquesa. Era bem alto, de forma que eu tive que olhar pra cima pra coletar essas informações.

Eu estava do lado de fora do chalé, perto da porta, quando ele chegou. Ele trazia uma prancheta e uma caneta em mãos. Deu uma olhada no chalé (que não estava lá essas coisas) e avisou ao Brandon:

– Vocês ficaram com 2 de 5.

Brandon, então fez cara de quem ia chorar.

– Ah, cara, qual é? Libera essa pra gente. Sabe como é, irmão novo chegando... Sabe?

Peter deu um sorriso de canto e respondeu:

– Ok, ok, mas essa é a última vez, ta bom? 3 de 5 pra vocês.

– Esse é o cara! – Brandon disse, dando um tapinha nas costas dele. Quando Peter saiu, Brandon suspirou aliviado. – Ele sempre diz que é a última vez.

Passando algum tempinho saí do chalé com Brandon e fomos ao encontro dos outros que ia para primeira atividade do dia que era grego antigo. Conversamos um pouco sobre com foi a nossa primeira noite no acampamento.

– Eaí, com foi a noite? – perguntou Kyle para mim, olhei para Mari e ela respondeu com outro olhar medonho.

– Foi estranho não estar na minha cama mais eu gostei sim – Menti.

– É, não é legal dormir em um colchonete no chão duro, mas pela primeira vez na vida me senti em casa. – Disse Jessie e todos olharam para ela e depois foi criado aquele clima tenso, de cabeças baixas. – Quié? — Perguntou Jessie intrigada.

Jessie não é uma das pessoas que eu conheço que teve sua infância feliz, e olha que eu não conheço muitas, comparado a minha infância, Jessie não teve uma mãe que pudesse consola-la nos dia de tristezas ou atende-la quando adoece-se, ela sempre viveu em orfanatos e quando era adotada ele fugia das casas que vivia, eu sei disso porque sempre que nos encontramos na escola compartilhamos nossa vida social. Segundo a informação que deram a ela no orfanato, sua mãe tinha morrido em serviço, ela era policial, e então ela tem certo trauma sobre esse assunto, então eu nunca toco nesse assunto desde que ela comece com um comentário sobre, se não eu estou ferrado.

Depois que o clima tenso cessou conversamos sobre mais algumas coisas, no que íamos ver no grego antigo. Kat disse toda animada que era muito legal quando a dislexia ajudava a traduzir as palavras, eu tinha dislexia, mas não era tão extremo assim.

Quando começamos a caminhar, Peter passou por nos, vi Mari fazer uma careta e depois seus olhos olharam para o vazio, como se ela estivesse tendo uma visão ou algo do tipo, senti uma sensação ruim. Será que ela estava sentindo a mesma coisa que ela falou ontem a noite para Quíron, sobre saber quando uma pessoa ia morrer? Não sei talvez fosse imaginação minha. Achei melhor ignorar, afinal de contas, se Quíron ainda não disse nada a ela sobre isso, é sinal de que não é importante.

Olhando no relógio, Kat disse:

– Vamos andando, temos aula de grego antigo agora.

Grego antigo não era tão difícil quanto eu imaginava. Parece que nossas mentes eram adaptadas para o grego, por isso a maioria de nós tinha problemas de aprendizagem em outras línguas. Apesar disso, Mari parecia não muito interessada na aula, pois seu olhar ainda estava no vazio, dando a impressão de que ela estava dormindo de olhos abertos e Jessie estava super interessada nas formigas que trabalhavam ao redor de uma jujuba no chão. As aulas eram assistidas por 3 chalés por vez. Como o chalé de Hermes é enorme, geralmente um chalé menor dividia aulas com nossos campistas. Estávamos hoje Hermes, Poseidon e Hipnos. Os filhos de Hipnos pareciam lutar pra se manter acordados.

Após Grego antigo, fomos responsabilizados pela limpeza dos estábulos. Levei um baita susto quando cheguei aos estábulos e vi que eles não possuíam apenas cavalos comuns. Haviam cavalos alados.

Olhei para Jessie, ela parecia ainda mais surpresa do que eu. Procurando explicações, fui até Kyle.

– São lindos, não são? Chamam-se Pégaso.

– Eles... eles podem voar?

Kyle riu da minha inocência.

– Claro que podem. Nós temos treino de equitação com Pégaso uma vez por semana. A nossa é amanhã. – Ele disse e deu as costas.

Em quanto limpava, um desses cavalos alados fêmea ficou o tempo inteiro ao meu lado e tive impressão de ouvir alguma voz vindo dela e dos estábulos ao lado, sendo que naquele momento eu estava sozinho e Jessie e Mari tinham ido buscar feno. Quando comecei limpar seu cocho, ela ficava ao meu redor, uma vez até me afagou com o focinho. Mesmo depois de eu limpar seu cocho e coloca-lo de volta lá dentro, ela olhava pra mim o tempo todo. Ela era linda, devo admitir. Preta como o carvão, exceto por sua crina e cauda, que eram dourados, assim como as pontas das asas. Mesmo assim, continuava sendo assustador de certo modo.

Jessie e Mari tinham chegado com o feno, e dois Pégaso veio para cima delas, parecendo com muita fome, elas caíram de trazeiro no chão. Kyle teve que dar uma ajuda, pois os Pégaso não estavam nem ai se eles estavam misturadas ao feno ou não continuaram a comer sem dar a menor importância.

Kyle conseguiu levanta-las, dando muita risada. Foi estranho, mas Mari se levantou do chão com um sorriso no rosto e começou cariciar o Pégaso macho branco como a neve. Já Jessie estava de cara amarrada e olhando feio para Kyle, tinha um Pégaso fêmea comendo o feno preso aos cabelos dela.

A limpeza dos estábulos foi tranquila depois disso. Com tanta gente ajudando, até terminamos antes do horário e ficamos com tempo livre. Perguntei a Brandon o que viria agora, ele me disse que tínhamos treino com arco e flecha.

Estava pensando em correr e me esconder dentro do chalé 3 quando nosso tempo extra acabou e Brandon praticamente me arrastou pra arena. Agora foi o chalé de Apollo que se juntou conosco, junto com o chalé de Hermes novamente.

A arena era enorme. Estava dividida no meio, de forma que metade estava reservada para nós, com vários alvos enfileirados, e a outra metade estava tomada por campistas treinando esgrima. Entre eles, o garoto que Mari parecia saber que estava à beira da morte, apesar de sua plena saúde.

Ele parecia ser bem simpático, conversando com todas as pessoas e sempre sorridente. O resto de seu chalé, entretanto, não parecia gostar muito de esgrima. Além de seu líder, a exceção era um garoto de cabelos pretos não tão alto quanto Peter. O menino parecia estar em plena batalha, dando tudo de si no treinamento.

O outro chalé, que fazia esgrima com eles, parecia ter uma incrível abundância de campistas com olhos acinzentados. Havia mais olhos cinza em um lugar do que eu já vi em toda minha vida. Eram poucos aqueles que tinham olhos de outra cor. Eles também treinavam muito seriamente.

Quíron chegou carregando arcos e aljavas cheias de flechas para o treino. Posicionou cada uma em frente a um alvo. Os campistas trataram de se colocar a postos, perto dos arcos e aljavas. Fizemos o mesmo. Quíron passou por Jessie, Mari e eu e disse:

– Vocês três, não comecem por conta própria. Esperem por mim.

Assentimos, e então ele deu a ordem para que os outros membros dos chalés começassem a atirar.

Vi várias flechas acertando o alvo em vários pontos, uma ou duas acertando-o no meio e algumas passando longe do alvo. Após Quíron orientar os donos dessas flechas tão erradas, ele veio a nós. Eu primeiro. Explicou a mim a posição do arco e da flecha, a postura que deve ser tomada e o ângulo do arco.

Tomei a posição, encaixei a flecha e puxei. Respirei. Soltei.

A flecha provavelmente não parou dentro do país.

Quíron me disse para tentar novamente, dessa vez corrigindo alguns erros de postura. Tentei novamente. E novamente a flecha passou longe do alvo.

– Vamos deixar você por último, então? – Quíron deu um tapinha em meu ombro e posicionou-se ao lado de Jessie.

Explicou-a o que havia explicado a mim, apesar de saber que ela estava do lado e havia escutado perfeitamente. Se existisse um Nobel da Paciência, Quíron ganharia todas às vezes.

Quando ela soltou a flecha, ela passou muito perto do alvo, mas não o acertou. Tentou novamente, e dessa vez acertou a órbita mais externa do alvo. Quíron a incentivou a continuar praticando.

Impressão minha ou acabou de surgir uma flecha perto do pé dela?

Antes que eu pudesse pensar melhor nisso, Quíron resolveu que era vez da Mari de tentar. Percebi que ela engoliu em seco. Provavelmente minha flecha iria parar ainda mais longe que a minha, pois ela não parecia tão confiante.

Ao lado da Mari, pude ver que alguns campistas haviam passado para os alvos em movimento, Kat, Kyle e Brandon eram um deles.

Quíron disse exatamente a ela o que ele havia dito mim e a Jessie. Antes que ele acabasse de falar, ela se posicionou, mirou, fechou os olhos e soltou a flecha. Só então ela abriu os olhos.

Espanto. Só isso me ocorreu.

A flecha havia parado no centro do alvo. Sim, no centro. Como eu disse que uma ou duas pessoas haviam feito mais cedo. Ela olhou abismada para Quíron, que apenas sorriu e, sem tirar os olhos do alvo, me perguntou:

– Acha que pode repetir?

Mari balançou a cabeça negativamente, ainda sem palavras.

– Tente. – Ele incentivou.

Ela revirou os olhos

Puxou, mirou, soltou.

A flecha pousou alguns milímetros à esquerda da flecha anterior. Ainda dentro do menor círculo do alvo. Meu queixo caiu.

– Não é possível! – Gritou ela.

Quíron riu novamente. Bateu no seu ombro e disse:

– Treine mais um pouco. Se ficar cansativo, passe para os alvos em movimento.

Ela apenas assentiu, com uma cara de espanto.

Ainda tínhamos meia hora de treino e eu não tinha se quer acertado o centro do alvo – lógico! Acertei a beirada do alvo, já era um bom começo, é claro – enquanto Mari estava se adiantando para os alvos em movimento. Jessie também tinha feito alguns acertos, mas não no centro.

Vi Mari conversando com Kat e Brandon na parte de alvo em movimento, tentando acertar algumas flechas – ela conseguiu acetar só algumas desta vez.

Daí pra frente o treino foi mais silencioso. Os alvos foram se esvaziando e eu e Jessie ficamos para traz, pois os outros filhos de Apollo e de Hermes já tinham ido para o alvo em movimento.

O treino acabou e Kyle nos informou que teríamos aula de Mitologia Grega agora. Funcionava do mesmo modo que Grego Antigo. Antes disso quando eu me virei para sair da arena muito chateado per não ter conseguido acertar quase nada, senti uma mão pegar o meu ombro e me chamar com um “Psiu”, me virei dei de cara com uma menina um pouco mais alta que eu e muito magra com cabelos ondulados e pouco armados, seus olhos era tão amarelos que eu fiquei hipnotizado olhando neles, tinha uma aljava pendurada em suas costas e um arco em suas mãos.

– Oi! – Disse a menina muito simpática.

– Oi... – Respondi um pouco encabulado.

– Eu sou Tenny Veenis, filha de Apollo, e o seu como é mesmo? – Perguntou ela me olhando de cima a baixo.

– Há... É Henry, Henry Clawd. – responde ainda hipnotizado com seus olhos.

– Nossa que nome diferente... E prazer um conhece-lo – disse ela estendendo a mão pare me cumprimentar. Respondi o comprimento apertando a mão dela. – É verdade os boatos pelo acampamento?

– Que boatos? – perguntei sério.

– Sobre você e suas duas amigas ter destruído um cão infernal na entrada o acampamento – disse ela me olhando com um sorriso e apontando para Mari e Jessie que se afastava.

– Há.. É sim. – disse tentando não ficar envergonhado. – Mas não foi nada de mais...

– Nada de mais? — gritou ela – Você sabe quantos semideuses que não sabe sobre as suas habilidades sobrevivem a esse tipo de ataque? – Comecei ficar assustado, com aqueles olhos estalados olhando para min.

– Não... Não sei. — respondi dando um passo para traz.

– Nenhum, são raros o que sobrevive, você tem sorte por estar vivo, seu pai Poseidon deve ter ajudado muito você lá.

– É... Acho que sim. – Baixei a cabeça e fiquei pensativo. Acho que Tenny percebeu o meu desanimo e disse.

– Mesmo assim, você e suas amigas tem meu respeito, qual quer problema estou à disponibilidade — argumentou ela.

– Tudo bem, muito Obrigado! – E ela se virou para sair, algo parou ela e veio até mim novamente. Ela olhou para mim e depois para o meu alvo, deu outro sorriso e disse.

– Há... Sinceramente... Você é péssimo o arco e flecha – Deu um sorriso – Tchau!

– Eu... Hã... Tchau! – disse confuso.

Quando Tenny despareceu entre seus irmãos – que por um acaso eram muitos – fui até Mari e Jessie e contei a elas sobre a conversa com Tenny, Jessie pareceu ter adorado a menina, e Mari não deu sinal de importância, pois a menina era filha de Apollo o deus do sol, e ela não era chegada muito ao sol, pois como ela me disse na caminha até os chalés na noite das Harpias assassinas sua mãe morreu de câncer de pele, muito tempo exposta ao sol, então ela não se identificou com a menina.

Quando terminamos de conversar fomos à aula de mitologia grega onde Quíron era o professor, assim como a aula de grego antigo. A aula se passou basicamente do mesmo modo: surpreendi-me com a facilidade para assimilar o conteúdo, Mari parecia bem mais atenta agora e Jessie parecia entender tudo, mesmo não prestando atenção. Meia hora depois a aula acabou e estávamos na hora do almoço.

– Hey! – me virei. Kyle estava nos chamando alguns metros antes do refeitório. – Vocês duas, venham aqui! – Ele estava chamando elas então as acompanhei.

Fomos até ele e percebi que Jessie e Mari começam a resmungar até que kyle disse:

– Pare de reclamar! Temos muito tempo para almoçar. Mas agora Kat vai leva-las ao arsenal. – Ele explicou, acenando para Kat, que estava a alguns metros.

– E o que você vai fazer que não pode levar-nos lá por si só? – Jessie perguntou.

– Eu vou almoçar, é claro. – Respondeu, dando as costas e voltando para o refeitório. Folgado! - Resmungou Jessie.

Corri até ele e perguntei se eu podia acompanha-las, ele respondeu:

– Olha cara, se você quiser você pode ir, – disse ele dando de ombro – Mas não será necessário você escolher uma arma porque você já tem a sua espada-corrente... Que por sinal é muito irada – Ele encarou a corrente no meu pescoço, como se ele desejasse muito aquilo para ele, e de repente voltou a realidade.

– Haa... Então eu vou acompanha-las – disse meio nervoso – Valeu!

– Foi nada! – E fui.

Alguns – muitos – passos mais tarde, chegamos a uma construção não muito impressionante. Era basicamente um galpão por fora. Quando Kat o abriu, entretanto, minha opinião sobre o lugar mudou completamente.