Ice Heart
19 O que você precisa ser?
Notas iniciais
POV- Thalia
O moreno entrou no quarto e foi direto ao guarda-roupa o abrindo e começando a pegar algumas coisas do mesmo, notei que uma delas era uma bolça grande de couro aonde ele tacou algumas roupas dentro.
— Aonde vai? – Perguntei receosa.
— A pergunte certa seria aonde vamos. – Ele disse me tacando uma muda de roupa e uma caixa branca igual à do quarto da Bianca o que supus que fosse de primeiros socorros. – Tome um banho, cuide de seus ferimentos, se vista.
Me levantei e caminhei até o banheiro para fazer o que ele mandou. Depois do banho tomado e de estar de roupa intima parei em frente a um espelho pequeno para que pudesse ver melhor o que fazia e comecei a costurar um corte na minha barriga.
A dor era horrível, a lágrima desceu pelos meus olhos junto com o sangue que saia do ferimento, minha mão tremia enquanto a linha deslizava pela pele.
— Porque está demorando tanto? – Di Ângelo entrou no banheiro e viu eu tentando miseravelmente fazer o que ele mandou.
O moreno revirou os olhos e caminhou até mim pegando minha mão fazendo eu parar o que eu fazia, pelo braço ele me puxou para o quarto novamente e me sentou na cama.
— Normalmente se faz isso antes do banho, mas né? – Ele comentou começando a costurar o ferimento.
Mordi o lábio inferior tentando me concentrar em qualquer outra coisa que não fosse a dor, joguei a cabeça para trás e fixei os olhos no teto, mas para ser realista aquilo não estava adiantando de nada.
— Porque está obedecendo o loiro? – Perguntei o olhando, tentando me distrair, mas provavelmente seria ignorada.
— Estratégia. – Ele disse simplesmente passando a agulha para o outro lado.
— Vai me matar? – Perguntei e ele sorriu.
— Provavelmente. – Ele disse puxando a agulha. – Mas não hoje se é isso que quer saber.
— Sábado? – Perguntei e ele revirou os olhos.
— Talvez, eu costumo fazer as coisas quando eu quero. – Ele disse me olhando.
— Por isso me torturou? Porque você quis?
— Te torturei por que tentou planejar uma fuga.
— Que eu não teria chances e acabaria morta. – Disse e um gemido de dor escapou de seus lábios. – Curiosidade?
— Porque acha que a curiosidade me move? – Ele perguntou irritado.
— A Annabeth me quer morta, ela é mais importante para você do que eu, mas mesmo assim estou viva e sei que não tenho valor estratégico para você. – Falei e ele riu.
— Você é mais esperta do que parece. – Ele comentou e eu tive que sorrir.
— Sou o que preciso ser. – Disse vendo ele arrebentar a linha terminando de dar o ponto no ferimento.
— E o que você precisa ser? – Ele perguntou se levantando e apoiando um braço de cada lado do corpo meu corpo ficando a centímetros de mim.
— O que quer que eu seja? – Perguntei fixando os olhos no dele que sorriu com a resposta.
— Com certeza você é mais esperta do que parece. – Ele disse baixo, fazendo com que o aleto quente dele batesse contra meu rosto permitindo sentir um cheiro bom.
— Você me torturou para descobrir o que eu sou? – Perguntei e ele riu.
— Notou algo? – Ele questionou e eu assenti. – O que?
— Aonde você me queimou, não ficou com a marca. – Disse e ele sorriu.
— Só isso? – Franzi o cenho e ele passou a mão pela minha barriga me arrepiando. – Eu te eletrocutei bem aqui, não está sentindo a falta de nada?
— Não tá marcado. – Disse olhando o local aonde sua mão estava.
Ele acariciou o local rindo e passou o dedo pelo corte, ele não tinha passado muito tempo com apenas um instrumento de tortura, ele testou, testou para ver o que eu suportava, o que me curava e o que me matava.
— Tenho que garantir que da próxima vez que eu tentar te matar você não resista. – Ele disse se afastando de mim e indo até o banheiro voltando com a toalha molhada.
Ele se abaixou na minha frente e limpou o sangue do ferimento.
— Porque está cuidando dos ferimentos? – Perguntei e ele sorriu.
— Porque tudo tem que ter um porque para você? – Ele disse me olhando.
— Apesar de você ser um monstro você trabalha a base de estratégia, não faz nada sem pensar, então as coisas não têm que ter um porque para mim e sim para você. – Disse me inclinando ficando a centímetros do rosto dele.
— Então já sabe a resposta. – Ele disse e eu ri.
— Estratégia. – Disse e ele assentiu se levantando e esticando a roupa que ele tinha me entregado antes.
Peguei a peça e coloquei no corpo me sentindo estranha, o vestido caia sobre o meu corpo perfeitamente mesmo ainda aberto. Ele me virou de costas com delicadeza e fechou o vestido devagar, seus dedos roçaram sobre as minhas costas me arrepiando, em partes eu tinha medo com a proximidade, mas em partes eu não me incomodava tanto.
Levei as mãos ao cabelo o ajeitando sobre o meu corpo, fazendo-o cair em cascata por ele, mostrando que tinha crescido bastante desde que chegará aqui.
Olhei para o moreno que pegou a mala e indicou que eu o seguisse e foi o que fiz.
Corredores, portas, um labirinto, tudo parecia simplesmente se confundir diante dos meus olhos, até que por fim paramos em frente a uma grande carruagem, dois cavalos de esqueleto estavam postos na frente da mesma e seu formato era feito de fogo, o veículo em si tinha uma estrutura metálica assustadora.
— Tem certeza disso? – Uma voz surgiu do nada chamando minha atenção.
A loira surgiu me avaliando e ele riu.
— Quando eu faço algo que eu não tenha certeza? – Di Ângelo perguntou e ela revirou os olhos e me encarou com nojo.
Respirei fundo e olhei os cavalos, ambos estavam calmos, caminhei até um calmamente deixando os dois conversando, o que eu estava mais próxima me olhou inclinando a cabeça para o lado o que me fez sorrir, ele tinha sua beleza apesar de parecer demoníaco. Estiquei a mão receosa para encostar nele que se agitou com o ato, relinchando fazendo que fogo saísse da sua boca; ele me olhou novamente e eu continuei com a mão esticada o fazendo ficar confuso e levar a cabeça até aonde minha palma estava espalmada, encostando o focinho ali.
Uma energia passou da minha mão pelo corpo do animal, a aparência, mesmo que momentaneamente, demoníaca havia sumido, ele era um bicho normal, com o pelo negro e olhos vermelhos ele relinchou e voltou a aparência que consistia em seu corpo de fogo.
Um sorriso surgiu no meu rosto e olhei para o lado notando o silêncio, os dois que anteriormente tinham uma conversa me encaravam surpresos, aparentemente aquilo não era algo que acontecia corriqueiramente.
— O que foi? Fiz algo que não devia? – Perguntei com medo, não podia deixar que ele tentasse me matar novamente.
— Quando você não faz? – A loira perguntou irritada.
O moreno caminhou até mim e colocou a mão nas costas do cavalo que assumiu o pelo preto novamente, relinchando.
— Ele te deu autorização, ele confiou em você. – O garoto explicou um pouco incrédulo olhando o animal acariciando-o. – Eles não fazem isso com ninguém.
— Isso significa algo? – Perguntei encostando no animal novamente.
— Me diz você. – Ele disse me encarando. – O que fazia antes de ser minha?
— Nada. – Disse surpresa e sua mão foi ao meu ombro.
— Eu te fiz uma pergunta, espero não ser obrigado a repetir. – Ele disse e eu engoli seco.
— Era escrava. – Disse e ouvi a risada da loira e Nico sorriu.
— Sério? – A loira perguntou ainda um pouco distante.
Assenti e ele saiu de perto e abriu a porta da carruagem indicando que eu entrasse.
Fiz o que ele mandou e me sentei, logo o moreno entrou atrás de mim e se sentou na minha frente, a porta se fechou e começamos a andar.
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