Ice Heart

29 Aquela estátua quebrou


Notas iniciais
Hey cerejinhas. Estou um pouco lerda com escrita, mas ok! Espero que gostem e boa leitura!

POV- Thalia

Ouvi um pigarreio que chamou minha atenção e fez com que eu desviasse o olhar em direção ao som e logo vi o moreno indicando que eu parasse. Finalizei a música e sai pelo mesmo lugar que entrei. Nico me segurou pelo braço me puxando pelos corredores, conseguia ouvir outra pessoa começando a tocar a música e queria prestar atenção, mas o moreno tinha pressa.

Como sempre prestei atenção no caminho que fazia e logo comecei a reconhecer o local, eu já tinha estado ali, tinha brigado naquele corredor com o Nico, podia ver o tapete chamuscado e as paredes ainda meio pretas, mas algo que me chamou a atenção, a estátua.

— Essa estátua quebrou. — Disse parando e me soltando do garoto.

— Foda-se a estátua, anda. – Nico falou sem paciência me olhando.

— Não, você concertou? – Perguntei analisando a estátua.

— Não, agora anda. – Ele me puxou irritado.

— Pera. – Tentei novamente e empurrei a estátua fazendo com que ela caísse no chão e quebrasse novamente.

Nico se irritou e me jogou contra a parede me prendendo pelo pescoço, sua mão quente parecia querer queimar contra o meu pescoço.

— Estava com tanto medo de eu te matar no sábado e vai testar minha paciência justo no sábado? – Ele questionou, mas eu não prestava atenção, olhava em expectativa para agora pedaços de pedra jogados no chão, mas nada aconteceu.

Nico seguiu meu olhar tentando, ou pelo menos era isso que parecia, manter a calma e não me matar ali mesmo.

— Ela está quebrada agora pode parar com sua paranoia absurda– Ele disse respirando fundo. – Vam...

— Ela já tinha quebrado antes, ela quebrou em cima de mim, eu tenho certeza. – Disse e eu tive a brilhante ideia de parar de olhar para ela, como se fosse isso que ela esperasse, precisasse fazer isso “escondido”.

Olhei para o moreno que agora encarava os resquícios da estátua como se magicamente se lembrasse disso.

— Para de olhar. – Disse e ele revirou os olhos a observando, esperando que algo acontecesse.

Suspirei e fiz a primeira coisa que me veio em mente, afinal ele tinha que tirar a atenção da estátua para eu verificar se meu plano estava certo. Puxei o moreno pelo terno e selei nossos lábios e ele claramente ficou surpreso.

Ele prensou mais meu corpo contra a parede com brutalidade, tirando a mão do meu pescoço e descendo para meu corpo, eu senti um pouco de dor, mas levei meus braços em torno do seu pescoço, porém ele me impediu, prendendo-os contra a parede em cima da minha cabeça ainda retribuindo o beijo, ouvi o violino caindo no chão e aquilo me deu uma certa dor, mas foquei em beija-lo.

Ele separou o beijo e ele tinha um misto de irritação e confusão, mas ele olhou novamente para a estátua e eu segui seu olhar e ela agora estava inteira ao nosso lado. Ele me soltou e parou na frente dela.

— Realmente não sabia que ela fazia isso? – Questionei e ele negou.

— O castelo era do meu pai, não sei nem um terço do que ele faz. – Ele explicou analisando-a e seus olhos arregalaram minimamente como se algo começasse a fazer sentido, algo que eu não conseguia ver.

Sua espada se materializou em sua mão e isso me deixou nervosa, mas continuei ali parada esperando para ver o que ele faria. A estátua ficava sobre um bloco de pedra, se consistia em um tronco e busto de uma mulher, na minha opinião bem feia, ela tinha um livro em mãos.

Com cautela, Nico, empurrou o livro para baixo e ele se moveu fazendo um barulho de porta sendo destrancada. A pedra de mármore começou a deslizar para o lado abrindo uma escada no chão.

A espada do moreno começou a pegar fogo e ele desceu a escadaria fazendo com que o ambiente fosse iluminado pelo fogo dando um ar sinistro ao local. O segui e ele não reclamou que eu o fizesse, apenas continuou a descer. Ouvi algo ser arrastado e a porta que dava abertura para a escada se fechou.

Senti meu estomago revirar e talvez seja uma idiotice, mas apresei o passo tentando ficar mais próxima o possível do Di Ângelo, por algum motivo estranho tinha a impressão de que se precisasse ele me defenderia.

Meu corpo congelou e um grito escapou da minha garganta quando senti meu corpo sendo jogado para trás, a espada do Nico cortou o troço que voou em cima de mim ao meio e o fogo se espalhou pela criatura antes mesmo que eu pudesse ver o que era.

— Está bem? – Ele perguntou e eu assenti nervosa e meio surpresa com a pergunta.

Ele esticou a mão para mim e eu aceitei sendo levantada com facilidade, ele permaneceu com uma das mãos dadas a minha e continuou a andar mais a fundo.

Nossos passos e respirações eram o único barulho do local, mas sabia que aquele treco não estava sozinho ali e pela postura do garoto sabia que ele concordava comigo.

— Vou apagar a espada. – Ele avisou e eu assenti vendo o fogo começar a perder a intensidade.

Não demorou muito para que um grito estridente invadisse meus ouvidos e logo um liquido quente voou na minha perna e por impulso me agarrei mais a única coisa que tinha certeza ali, Nico.

Ele continuou me puxando para que continuássemos a seguir enquanto meus olhos tentavam se acostumar com a escuridão. Mas exatas cinco vezes os gritos começaram e terminaram e por fim um barulho de estalo ecoou por todo o cômodo e aos poucos as luzes foram se acendendo e dando vida ao local.

Olhei para o moreno e ele estava sujo de sangue, mas era evidente que o sangue não era dele, a barra do meu vestido estava molhada, notei também que os corpos donos desse sangue não estavam ali.

— Uma biblioteca? – Perguntei surpresa, acho que esperava algo mais assustador que uma biblioteca.

Nico olhava tudo ao seu redor como se o mundo começasse a fazer sentido, ele parecia até mesmo feliz. O soltei e me encostei em uma das várias mesas de madeira que ali tinham. Estantes de no mínimo vinte metros de altura repletas de livros, fileiras tão longas de estantes que eu não conseguia ver o fim.

A espada virou sombras e sumiu da mão do moreno e ele se virou para mim, seu olhar era firme e mortífero, mas não parecia possuir irritação, tinha algo que eu nunca vi nos olhos de alguém, a imensidão negra da suas orbes pareciam ver minha alma. Ele caminhou até mim me observando, ele levantou a mão devagar colocando-a no meu pescoço, seu corpo tão próximo ao meu fazia tudo ficar abafado, sentia seu poder, conseguia sentir o fogo, mesmo não estando ali tocando em minha pele com delicadeza, não a maltratando, quase como uma caricia.

Fechei os olhos e soltei o ar pela boca que nem havia notado ter prendido. Senti seu dedo passar pelo meu lábio inferior e aquilo fez com que meu corpo inteiro se arrepiasse. Eu estava me acostumando ao toque do Nico, me acostumando a não sentir medo desse toque.

Seus lábios colaram no meu em um pedido que foi aceito sem hesitação. O beijo do moreno era calmo, talvez pela primeira vez, eu sentia que não era por impulso, não era por necessidade ou apenas por acontecer e eu me puni por isso, não deveria ver prazer em ter contato com o homem que me aprisionou, que roubou minha vida.

Em um movimento ágil eu estava fora do chão, sentada na mesa de madeira que rangeu talvez tão surpresa quanto eu com o ato. O moreno se infiltrou no meio das minhas pernas e passou a mão por uma delas, subindo um pouco o vestido, sua outra mão foi para o meu cabelo o puxando com força, mas não doía.

Arfei alto quando ele separou o beijo e se direcionou ao meu pescoço, beijando e mordendo a área, isso fez com que meu coração disparasse. Levei a mão com cautela até o ombro do garoto e subi para seus cabelos lisos colocando meus dedos ali e por impulso puxei ao sentir uma mordida mais forte que deixaria a marca com certeza.

Meu estomago revirou e senti medo dele brigar comigo, me bater, torturar, mas ele apenas me beijou novamente nos lábios.

— Como se sente? – Ele perguntou com a voz rouca em meu ouvido.

— Eu não sei. – Disse sincera, não sabia o que sentia com o que estava acontecendo, apenas sabia que não me importava de continuar.

Ele riu baixo no meu ouvido e aquilo fez com que eu fechasse os olhos novamente, senti o vestido deslizar pelo meu corpo parando na minha cintura devido ao fato de estar sentada. Uma de suas mãos foram a minha cintura e ele desceu mordiscando, algumas vezes fortes de mais, porém em nenhum momento aquilo realmente doía, era bom. Ele me puxou me fazendo ficar de pé, fazendo que a roupa caísse completamente me deixando nua.

Ele me avaliou como sempre fazia, e como sempre o observei fazer isso. Ele passou a mão pelo meu corpo vendo as minhas reações e por algum motivo não tentei esconde-las, deixei que meu corpo transparecesse o que eu sentia, mesmo que eu própria não soubesse o que era.

Ele suspirou e foi como se um milhão de coisas passassem em sua mente, eu quase pude ver seus pensamentos oscilando em seus olhos e por um momento notei que ele não via a minha alma com seus olhos negros profundos, era aonde ele escondia a dele.

Ele se abaixou e subiu o vestido, deixando que seus dedos roçassem na minha pele bem devagar, como se fosse um último momento, um último momento que não se repetiria, o que eu tinha visto em seus olhos era apenas um pedacinho do que ele era de verdade e eu tinha gostado do que vi, mas sabia que agora ele era o que o corpo dele exibia o que o poder dele transparecia, eu não beijei o monstro que tirou minha vida, eu beijei Nico Di Ângelo e eu queria saber o que isso significa.

Notas finais
- Fanfic movida a comentários, quanto mais comentários mais rápido eu posto. — O que acharam? — O que querem que aconteça? Beijos e até!