Ib: Returns To The World Of Guertena
2 Forgotten Portrait
Notas iniciais
Sim, eu demorei um pouco porquê eu estava na casa do meu pai e lá não tem computador, ai já viu né? Sem mais delongas, deixo com vocês o segundo capítulo!
O seu relógio dispertou 6:00 am, como quase todo dia, era dia de colégio. Ib não conseguiu se recuperar do dia anterior, no seu aniversário. Já estava no terceiro ano do ensino médio, e logo no próximo ano iria começar fazer o Vestibular. Mas não era importante agora. Levantou-se de sua cama mal-arrumada. Olhou-se no espelho: seus olhos estavam incrívelmente inchados. Isso era ruim. Olhou pro chão, aquela roupa continuava ali, chutou pro lado e pegou seu uniforme no guarda-roupas. Era um uniforme branco com uma gravata azul, a saia igualmente azul com meias ¾ brancas e uma sapatilha preta. Pegou uma chuquinha e fez um rabo de cavalo, quando voltou a olhar no espelho levou um susto ao reparar que Mary estava ali.
–Mary você quase me matou de susto! –Disse zangada.
–Me desculpe, é que seu cabelo é tão bonito que me deu vontade de pentear ele mas vejo que já prendeu. –Disse com uma carinha triste.
–Não é sobre isso! Não sabe bater na porta? –Ib colocou a escova na mesa.
–Me desculpa…–Disse olhando para baixo. –Você as vezes é chata como uma adulta Ib!
–É, Mary, mas eu já sou, tenho 18 anos, não tenho tempo para palhaçada! –Disse saindo de seu quarto indo rumo ao banheiro.
Mary não parecia contente, era como se saber que Ib não era uma criança a deixasse zangada, com raiva… Pelo menos era assim que Ib pensava. Mary apertou as mãos com força, sua franja tampava metade do seu rosto.
–Eu…–Ela engoliu em seco. –Eu pensei que iriamos brincar para sempre, Ib.
Ib escovava os dentes, bochechou e cuspiu a pasta na pista. Lavando o rosto ela imaginou que talvez foi dura com Mary. Era uma adulta agora, tinha que ter uma atitude de adulta, mesmo assim estava confusa. Queria o mínimo de contato possível com Mary por medo, mas mesmo assim Ib ainda gostava de certo jeito dela. Suspirou. Terminou e desceu as escadas, na cozinha seus pais e Mary já estavam na mesa, sentou-se e começou a comer seu Curry.
–Mamãe, papai, Ib tentou sair escondido ontem anoite.
–MARY!
–Como assim Mary? Ib, o que você fez? –Seus pais pareciam zangados.
–E-eu…–Ib não conseguiu responder.
–Ela ia para aquela Galeria mamãe! –Disse Mary.
–MARY! PARA! –Ib estava muito furiosa com Mary.
–Ib, eu e seu pai já lhe falamos para não ir para essa galeria. É perigoso! –Disse seu pai.
–O que tem de perigoso? –Relutou Ib. –Eu tenho 18 anos, eu escolho se vou ou não, agora tenho que ir pro colégio, vamos logo Mary.
Se levantou com raiva, deixou metade do seu Curry no prato, Mary levantou-se também a seguida. No caminho para ir pro colégio foi um completo silêncio. Ib não compreendia o porque de seus pais e Mary evitarem tanto aquele local. Era uma simples galeria. Ela só queria saber o porque dessas coisas estranhas estarem acontecendo. Ao chegar no colégio Mary já foi para seu grupinho. Ib não tinha amigos, era solitária, mas pessoalmente preferia assim. A aula era realmente desinteressante. Só imaginava o que poderia haver se chegasse lá na galeria, o que ela iria ver? Uma simples galeria? Um local totalmente sombrio? Não tinha ideia. A aula de história tinha um rumo normal, até o professor comentar sobre Weiss Guertena. Ib levantou o rosto assustada, depois suspirou, era muita sorte Mary não ser da sua sala.
–Agora, entre os artistas que iremos descobrir é Weiss Guertena. Ele era um artista excêntrico, que nasceu no final do século XIX e viveu até o meio do século XX, apesar de ser muito avançado para seu tempo, chegando até ser mais para o século XXI. Isso acabou resultando dele ser meio solitário. Possui várias pinturas interessantes, entre elas temos o exemplo da pintura “O pendurado”. Começando com esse Guertena começou com a arte abstrata, porém o Cubismo era mais popular o que resultou em seu fracasso. –Seu professor mostrou no slide a pintura. –Interessante não?
–Ohhh… Weiss é tão romântico! –Uma das garotas comentou, Ib ignorou.
–Sim, ele era, porém nunca teve sucesso entre as garotas, e assim ele pintava e esculpia as mulheres que ele imaginava. –Conclui ele com um sorriso. – Bem, o dever de casa é escrever sobre uma das pinturas dele. Podem sair.
Ib saiu desapontada, não poderia ir lá, descobriu cada coisa sobre Guertena, mas queria saber mais, olhou na sala de Mary, ela estava cheia de pessoas ao redor, sorriu, era essa sua chance de conseguir ir para a galeria. Claro, por meios acadêmicos. Saiu do colégio quase que correndo, talvez a galeria estivesse aberta ainda. Parou e bufou. Estava na frente do local. Porém estava escrito que estava fechado. “Que droga…” Pensou decepcionada. Foi saindo quando ouviu um “claque” da porta abrindo. “Isso não parece ser uma boa. Mas, acho que vou entrar. Assuntos acadêmicos, claro.” Começou a abrir a porta, mais alguém a chamou pelo nome.
–Mary?! –Ib se espantou.
–Você não irá entrar ai… Né? Ib? –O olhar da garota era assustador, não parecia Mary, estava totalmente autoritário e sério… Chegando a ser bizarro.
–Eu… Eu vou… EU VOU SIM! –Ib gritou. –Pela primeira vez vou escolher o que EU quero. Dane-se você, mamãe e papai!
Começou a entrar mais Mary segurou seu braço, sua força parecia de outro mundo, seu braço doía… Conseguiu se soltar e entrou correndo, Mary entrou nervosa atrás dela. Estava realmente com medo de Mary, ao entrar ouviu um “BOOM!”, olhou a porta tinha fechado. Sua irmã pareceu reparar também e correu até a porta, começou a mexer na maçaneta para abrir. Nenhum resultado.
–Não pode está acontecendo…–Mary tremia. –Eles sabem… Eles sabem que estou aqui!
Mary olhou para a jovem, parecia furiosa, Ib deu um passo para trás. Mary andava devagar até ela, seus olhos pareciam completamente vazios, pegou algo do bolso da camisa, era uma tesoura.
–Ib, eu lhe avisei… Eu lhe avisei para não vir aqui… Você estragou tudo que construi… EU SÓ QUERIA SER SUA IRMÃZINHA!
Correu na direção dela com a tesoura na mão, Ib desviou assustada, a tesoura cravou em uma das pinturas. Mary tirou a tesoura da pintura e começou a respirar rápido, em suas mãos viu tinta azul, parou por alguns segundos na frente do quadro. Olhava incrédula.
–Aqui deveria… Aqui deveria ter o quadro… “O homem pendurado”! –Olha incrédula. –O que ELE faz alí! Ele deveria estar MORTO! –Se virou rapidamente para Ib. –Ib, temos que sair daqui! Rápido!
–Mary, você tentou me atacar e agora quer que eu vá com você? –Ib deu um passo para trás assustada. –Eu… Eu estou com medo.
–Ib… Eu sou sua irmãzinha…
Ao dizer isso apareceu em cima do quadro: L I A R. Nesse momento Ib reparou no quadro, era de um jovem de cabelos bagunçados que tampavam seu rosto, estava encostado na parede, possuía um sorriso melancólico em seu rosto, suas roupas pareciam rasgadas e velhas. Lembrava muito o garoto que via nos seus sonhos, leu o nome do quadro: “Forgotten Portrait”.
–Garry…–O nome do garoto saiu meio que automático e logo em seguida uma pequena lágrima. –Queria te conhecer…
–Ib…–Mary se aproximou do quadro. –Estou com medo… Vamos sair daqui…
“Venha aqui em baixo Ib, vou lhe mostrar uma surpresa…” Ouviu um sussurro em seus ouvidos. Ela se virou daquele quadro, o sussurro se repetia, talvez lá em baixo tivesse uma saída, ou respostas. Ainda não sabia o que iria encontrar, mas algo lhe dizia que era para lá que deveria ir.
–Ib, para onde está indo? –Ib ignorou ela e continuou andando. –Ei! Espera-me!
Desceu as escadas e continuou andando pela galeria que parecia cada vez maior, não se lembra de ser tão extenso… Encontrou uma enorme exposição. Se aproximou da pintura no chão,parecia um enorme mar, ao se aproximar o peixe sumiu. Tocou naquele “mar” e voltou-se a sua mão, era tinta.
–Ib, o que está acontecendo? Se afaste daí! –Mary pegou o braço dela para puxá-la.
–Ce-Certo, já estou… WAAAAAAAAH! –Algo agarrou seu braço. –Mary, tem algo me puxando!
–Não se preocupe, eu te puxarei! –Mary começou a puxar ela mas a mão da Ib escorregou e acabou soltando. –IB!!!
Ib então foi puxada para aquele lago, não sentiu nada ao cair, apenas a voz de Mary lhe chamando ficando cada vez mais sussurrada. Olhou ao redor. Parecia realmente tinta, mas era tão densa quanto água. E ela caía… Caía… Viu uma rosa vermelha sobrevoar a sua frente, esticou a mão e pegou. De repente sentiu algo, não conseguia respirar, era como se estivesse se afogando. Começou a se contorcer de pressa, não era isso que imaginava. Será que foi um castigo por ser tão curiosa e teimosa? E pior que não sabia nadar, afundava de pressa. Tentava gritar “Socorro.”mas as palavras não saíam… Tudo estava incrivelmente escuro... Ao acordar estava em um lugar estranho, o chão era pintado com giz de cera, e as portas, casas, árvores, basicamente tudo. Mas algo estava errado. Ib olhou ao redor quando se levantou, estava tudo destruído, queimado, aos pedaços. Era estranho. Olhou pra sí, sua roupa tinha mudado, não era mais seu uniforme, e sim uma outra roupa: Possuía uma camisa branca polo com um lenço ao redor do pescoço, uma saía a altura dos joelhos, uma meia longa preta e sapatilhas vermelhas. Seu cabelo também cresceu, não era só até os ombros, mas sim até a altura da cintura. Estranhou tudo aquilo.
–Mary? A onde você está? –Começou a gritar enquanto andava, aquilo deveria ser um mal sonho. –Alguém?
Continuou andando, segurava aquela bela rosa em suas mãos, não entendia o porquê disso, mas deveria protegê-la a todo custo. Apertou em sua mão e continuou andando para ver se acha algo, o barulho de algo cintilava em seus ouvidos, era irritante, só queria agora achar uma saída dali. Achou então um local com um desenho de coração na porta e abriu. Não possuía nada ali além de uma caixa. Se aproximou da caixa, não via nada e então se aproximou mais e acabou caindo e bateu com a cabeça no chão, olhou então para rosa que segurava, estava com 2 pétalas a menos e seu corpo todo dolorido. Se sentou no chão e viu vários e vários brinquedos quebrados pelo chão. Levantou-se e foi vasculhar o local, deveria estar sonhando, só podia ser isso… Numa porta que tinha lá possuía duas bonecas no caminho assustadora. Pegou uma e colocou do lado e ela voltou sozinha pro local.
–Hã? –Apareceu uma mensagem na parede, estava escrito: “Você não vai passar”. –Por que não quer deixar eu passar? –Apareceu outra: “VOCÊ NÃO É A MARY!” ao dizer isso vários daqueles seres começaram a correr atrás de Ib a deixando assustada. Não podia sair dali. Tinha quadros de mulheres, esculturas sem cabeça, bonecas e cabeças de manequim atrás dela a cercando. –Não…Não…NÃO!
Agarravam-lhe a perna, os braços, rasgavam as suas roupas, arranhavam sua pele, mordiam, e uma delas pegou sua rosa, ele começou a chorar pedindo que devolvessem aquela rosa, mas apenas começaram a brincar de “bem-me-quer, mal-me-quer”.
–PARA! –Doía, sentia seu corpo cada vez mais incapaz. –Parem, eu peço!
–Soltem essa rosa, eu peço a vocês… Irmãs. –Aquela voz… “Mary?!” –Ela não é inimigo, apenas caiu sem querer nesse mundo.
–Você nos abandonou, Mary, para estar com essa HUMANA. –A voz de uma das pinturas de uma mulher estava distorcida. “Irmã? Esse mundo? Abandonou? Do que elas estão falando?” –Você que deveria morrer!
–Ib! Segure minha mão! –Ela pegou a rosa no chão e começou a correr segurando a mão dela.
Ib não sabia se deveria confiar em Mary, mas só tinha ela mesmo que conhecia naquele mundo confuso. As bonecas saíram da frente e Mary subiu correndo, Ib quase tropeçou mas subiu atrás dela. Encostou na parede e começou a suspirar fortemente. Estava assustada, Mary estava séria, logo depois soltou um sorriso.
–Uuuufa… Está tudo bem, Ib?
–E-Estou sim…–Ainda tremia um pouco. –Mary, o que está acontecendo?
–Eu realmente não posso lhe dizer, Ib. –Apertou a tesoura que tinha em mãos. –Realmente não posso. –Depois se virou para Ib sorrindo. –Bom, vamos sair daqui, ok?
–Certo…–Não sabia o porque, mas Mary não parecia segura.
Desencostou e voltou-se a andar, Mary andava na frente séria. Ib tropeçou em algo. Ao se sentar para ver o que era, parecia um garoto dormindo. Provavelmente uns 2 anos mais velho que ela. Se aproximou do rosto dele, pegou a mão dele, viu o pulso. Estava realmente gelado.
–Garry…–Ib tinha certeza que era ele. –Acorda, vem…–Murmurava.
–Ib, o que está fazendo?! Vem logo! –Mary apressava.
–Ele… Ele precisa de ajuda! –Ib berrava quase aos choros.
–Ele é… Droga…–Mary apertou a tesoura em suas mãos e depois correu na direção de Garry e pegou o braço de Ib. –Vem! Ele pode ser mais um daqueles.
Ib olhou e se afastou, tinha certeza que ele era Garry… Continuou andando, sentia suas pernas fracas, sua cabeça meio tonta e confusa, seus sentidos inativos, seus olhos quase fechados, talvez não fosse possível continuar… Talvez fosse um erro dês do início voltar para a galeria. De certa forma, imaginar que ele era Garry lhe dava esperanças, talvez estivesse apenas dormindo… Sonhando. Assim como ela talvez naquele momento. Mary andou na frente, abria uma porta a seguida de uma escada, Ib a seguira mas pisou em algo, um caule de uma flor e várias pétalas azuis em volta.
–Algum problema Ib? –Perguntou sua irmã.
–Nenhum, eu já estou indo. –Guardou a caule na roupa. –Pronto, vamos!
–Yep! Isso aí!
Porém ao abrir a porta, algo tinha mudado…
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