Notas iniciais
(Música: https://www.youtube.com/watch?v=69Dix-v4h-I )

Estavam correndo, tinham derrotado Mary, agora só precisavam ir para casa, Ib logo caiu no chão, Garry se aproximou preocupado.

–Ib, é melhor pararmos um pouco.

–Nã...Não precisa... Eu só... Estou cansada.

–Entendo, estou cansado desse lugar também. –Disse ele ajudando a pequena a levantar.

–Garry... –Ib olhou para a mão do garoto.

–Já está melhor, obrigado. O seu lenço ajudou bastante.

–Isso é bom! Ei... Garry... –Os dois andavam pelo corredor escuro. –E-Eu... Eu quero que você prometa uma coisa.

Garry olhou confuso para ela, possuía as bochechas vermelhas que o deixou constrangido o fazendo virar o rosto.

–Fa-Fala...

–Prometa que quando sairmos daqui... – Ela o abraçou forte, Garry sentiu pelas suas roupas que caíra algumas lágrimas do olho de Ib, suas pequenos braços não conseguira passar por todo seu corpo, arranhava-o tremendo. – Nós estaremos junto para o todo sempre!

–I-Ib... –O garoto chocou-se pela pergunta, mas depois sorriu para a menina e assentiu com a cabeça. – Cla-Claro que vamos Ib...

Ela sorriu e correu na frente, Garry o seguiu preocupado, e então chegaram num lugar parecido com a galeria.

–Esse lugar... Será que... Vem Ib!

Os dois andaram até chegar num quadro que retratava a galeria, Garry e Ib ficaram olhando por um tempo para o quadro.

–“Mundo fabricado”... Esse quadro... Olha! É a galeria! Será que poderíamos pular nele? Mas com essa moldura...

Ib então foi tocar no quadro e a moldura sumiu fazendo a pequena se assustar, estava com medo de pular naquele quadro.

–Não tenha medo, veja, eu vou ir à frente. –Garry então pulou e ficou lá estendendo a mão para Ib. –Viu só? É seguro! Segure minha mão Ib!

A menina ia segurar quando viu uma imagem a qual parecia sua mãe, ela começou a tremer.

–Algum problema Ib? –Garry não podia ver o clone da mãe de Ib.

–Ib, eu e seu pai estávamos a procurando.

–Ib! Venha! Não é assustador!

–Não fale com estranhos? VENHA IB!

–IB! SEGURE MINHA MÃO!

Ib olhou para os dois e depois virou o rosto para Garry sorrindo, Garry ficou confuso e continuou estendendo a sua mão. Logo viu que ela seguiu pela escuridão da galeria

–IB! IB! IB...!!!

E então o quadro fechou, e Garry estava na galeria, ele não se lembra do que estava fazendo.

–-----------

Huh? Porque estou parado aqui? Vou dar uma última volta antes que feche. Que horas são? Como? O meu relógio não funciona... Ei! Cadê meu doce? Devo ter comido e não me lembro, vou andar pelo local. Vejo então uma escultura de uma rosa azul. Tão nostálgica... Só não sei o porquê. Ei, o que é isso na minha mão? Um lenço?

.

.

.

“Ib”... “Ib” está escrito no lenço... Ib...Ib...

–IB! –Eu fui correndo até o quadro de antes, mas andava em círculos, não... Não... Isso não está acontecendo!

“–Prometa que quando sairmos daqui nós estaremos junto para o todo sempre!”

Eu não pude salvá-la... Eu não... Eu não pude salvar Ib... Cadê? Cadê o quadro? Cadê? E então vi um quadro que estava na galeria. “The girl and her parents”. Era uma imagem de uma garota chorando e duas sombras com contornos humanos e sorrisos distorcidos. Aquela garota era... Ib?

–Desculpe... –Ouvi uma voz familiar atrás de mim, me virei.

–M-Mary?! Eu... Eu pensei...

–Não vou durar por muito tempo... Foi essa mesma energia que impediu de Ib sair... Que criou aquele clone... Eu só...Só queria que ela ficasse comigo... Mas... Eu... Querendo ser humana... –Ela secou as lágrimas. –... Querendo... Eu... Eu fui uma egoísta! Então... De qualquer forma... Foi bom você ter... Queimado o quadro... Vou viver sozinha para sempre... Afinal sou um quadro... Mas... Aquilo que chamei de vida já se foi...

–Mary... – Senti um pouco de culpa, logo levantei a cabeça e a abracei. –Me desculpa... Eu... Eu vou salvá-la... Por você... Por mim...

–Sniff... Garry... –Ela sorriu... –Bem... O rancor e a culpa que eu sinto vai me manter viva... Salve-me... Quero ver meu papai... Deixe que a última gota de tinta... Finalmente caía. –Ela então apontou para a parede, fazendo assim uma porta feita de giz de cera aparecer.

–Garry... Você quer encontrá-la MESMO?

–Eu...Eu quero! Ela é Ib! E...

–Seus olhos não mentem, entre. E alias tome isso. Eu o vejo lá. –Mary entregou a rosa azul e sumiu diante de meus olhos.

Eu ganhei uma 2° chance para encontrá-la... Pobre Mary... A culpa de ela está condenada a viver sozinha com sua culpa... De Ib ficar presa... Tudo... Tudo... Bem... Vou entrar.

–Hã?! – Olhei ao redor, aquele lugar... Não parecia novo... –Que infernos...

Era uma sala extensa vermelha com vários desenhos de flores amarelas e azuis nas paredes, eu vi uma pequena criança no chão ao lado de dois manequins, ela pintava.

–Ei, mamãe... Ficou bom? –Ela sorria. –Sério? UOOOH! Isso é bom! O que? Não! Ele não pode fazer isso...

Ela está... Falando sozinha?

–Papai, você vai me dá o que de aniversário? Ah... Outro? Ah papai!

Sai de onde estava e me aproximei.

–E-Ei! I-Ib! –As manequins viraram para mim. –Dro-droga... Ib! Ve-Venha comigo!

–Papai... Mamãe... Quem é ele? Ah... Um estranho?

–Ib... Você... Não...

–Claro que não... –Mary apareceu do lado dele. –Você não se lembra? Quando você delirou? “Quando um coração sofre demais você começa a delirar, e o pior de tudo... Você não tem coincidência disso”. Você mesmo ficou numa situação parecida. Ib está sofrendo, por isso começou a enlouquecer e acha que minhas irmãs são pai e mãe dela.

–Ib... Mary, tem algo que eu possa fazer? –Perguntei.

–Sim... –Ela sorriu. –Acorde-a. Não importa como... Mas acorde-a! Eu conto com você!

Sumiu de novo... Bosta, está pior que o “Mestre dos magos”.

–Papai... Ele está olhando de mais para mim, ele quer me roubar?

–Hããã?! I-Ib! –Que droga...

–Sério? Vocês vão se livrar dele para mim? Obrigada. –Aquele sorriso...

As Manequins começaram a ir na minha direção... Droga... Eu tentei correr, mas acabei escorregando.

–Isso é...Isso é assustador... –Me afastava. –Mas... Por Ib... Por Mary... Eu irei salvá-las! Mesmo que eu tenha medo! Eu irei salvá-las!

Pulei por cima delas, Ib ria alucinadamente no chão...

–Hohohohahaha...Papai e mamãe me amam... Eu vou estar com eles... Sempre...Sempre...Sempre...

–Ib... Olhe para mim, sou eu, Garry!

–Eles me amam, vamos num piquenique nesse fim de semana...

Dei uma tapa na cara dela, isso tinha funcionado comigo... Droga... Ela continuou com um olhar vazio...

–Ib... Ib... Por favor... –Eu falhei?

–Eu gosto de flores... Vermelhas, Azuis e Amarelas... Flores...

“–Acorde-a. Não importa como... Mas acorde-a! Eu conto com você!”

–“Não importa como...” –Eu pensei, e logo veio uma coisa na minha cabeça. Pode funcionar mas... –Ela é uma criança! GYAAAAAH!

As manequins estavam mais próximas... Eu tenho que fazer isso rápido, me aproximei de Ib, seu olho sem vida e seu riso me assustavam, mas eu vou salvá-la...

–Ib... Eu...Eu te amo. –Me aproximei de seu rosto e a beijei, ouvi um pequeno gruindo, um pouco das minhas lágrimas caiam em seu rosto pálido e sem vida. –Por favor... Não se vá... Não posso viver sabendo que você ficará presa aqui... Ib... Por favor...

–Ga-Garry? Por que está chorando?

–Ib...Ib! –A abracei, logo vi a rosa em sua mão esquerda, ela estava ai antes?

–GARRY! –Ela logo pulou em cima de mim. –Você... Você veio...

–Eu... –Estava vermelho, espero que ela não lembre...

–E ainda disse que me ama! Estou tão feliz!

...Ela lembra...

–Caham! –Tosci. –Bem, acho melhor sairmos daqui.

–Certo!

Coloquei Ib em meu ombro e corri. Elas eram bastante rápidas, estou com medo de deixá-la cair, mas isso não é o mais importante, tenho que ver Mary, mostrá-la que consegui! Fui à sala dela. Estava vazia, sem os brinquedos de antes, apenas um circulo cinza enorme que ocupava metade do quarto e um quadro queimado.

–Mary... –Ib murmurou chorosa.

–Eu consegui Mary... Eu a salvei... –Sorri para as cinzas.

“Obrigada...” Ouvi um vento assoprar em meus ouvidos. “Salte nas cinzas...” Desci elas das minhas costas e segurei ela em meus braços, suspirei.

–Ei, Garry... Eu também te amo! ♥

–Huh?–Ela deu um pequeno beijinho na minha bochecha, bem... É o suficiente.

Ela apertou-se em mim assustada... Pulei, de uma escuridão total, tudo ficou tão... Claro de repente...

–--------------

Ah? Que estranho... Por quanto tempo eu estou parada aqui? Ah... Papai e mamãe! Eles devem estar me procurando! Vou procurá-los, e-ei! Cadê meu lenço? E porque tem uma bala de limão? Eu odeio limão!

–Ah... Bem, vamos.

Andei pela galeria procurando meus pais, até esbarrar em alguém.

–Huh? Ah, desculpa senhorita. –Era um jovem de cabelos bagunçados roxos... Familiar.

–...–Fiquei o encarando.

–Algum problema?

–Nenhum é só que... Você me parece tão... Familiar... Desculpa, até mais Garry.

Fui andando e parei, pera... Eu disse Garry? Quem é Garry? Peguei a bala no meu bolso e fiquei a olhando.

–E-EI! Essa bala é minha! –Ele veio até mim.

–Deve ser... Eu não gosto de limão... Ah!

“–Está vendo no meu casaco? Tem um doce, pode ficar.”

–Esse doce... Foi dado por... Por Garry! –O abracei ele pareceu confuso.

–Me-Menina?

–Você se lembra das estátuas, e quando eu te salvei, e de Mary... Hein? –Estava ansiosa.

Ele olhou confuso depois respondeu sem jeito:

–Desculpa, mas... Eu realmente não sei do que está falando...

–Ah... Ah! O lenço! O lenço! Que está na sua mão! Lembra? Eu te dei quando você cortou com o vidro!

–Huh? –Ele olhou na mão dele. –Eu... Ib!

Logo ele me abraçou... Senti minha bochecha queimar, mas nada anormal. Afinal ele é meu amigo... E disse que me ama!

–Garry? Ib? –Ouvimos uma voz.

–Mary! –A abracei. –Co-como?

–Não sei... Quando eu finalmente descansei... Eu acordei aqui... –Logo depois sorriu. –Agora vou poder comer todos os doces possíveis!

–Que tal comermos macaron?

–Certo! –Pulei de felicidade.

–Oba! Garry que paga!

–Por que eu?

Mary pulou no ombro dele e deu língua.

–Porque você que tem dinheiro. –Disse Mary moleca.

–Boa desculpa. Ok, vamos.

Segurei a mão de Garry sorrindo, ele retribuiu.

–Garry... Podemos agora viver juntos para sempre?

–Claro, Ib.

E esse foi um verão bem... Legal! E eu espero que esses macarons sejam bons...

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