IRS346, a nova galáxia - interativa
12 Aniquiladores
Notas iniciais
POV Luke
Havia tempo que eu não apreciava a luz da nossa estrela, morna e receptiva, em minha pele, ou simplesmente apreciava o modo como o céu ia ficando alaranjado e róseo mudando a cor da grama e a cidade ia se enchendo das luzes artificiais, azuis, verdes, amarelas, vermelhas e roxas dos prédios altos e curvos, as vezes tudo parecia ser um circo, tanta cor, tanta informação, mas há horas como agora que eu não poderia achar nada mais bonito, eu nasci no Norte, mas não tinha como não amar a cidade Central. É bom saber que estou passando meu ultimo dia aqui desse modo, em cima do telhado da academia, com o tão familiar chão frio em quanto vemos a estrela dizer adeus em suas ultimas horas do dia.
Era estranho como tudo parecia ter acontecido a um milhão de anos atrás, apesar de na verdade ter se passado apenas um dia desde que fomos selecionados, sabia tão pouco no que estávamos nos metendo e ainda sinto que sabemos muito menos do que deveríamos saber. Em um dia já perdermos Dominique e isso é porque ainda estamos dentro da academia, imagino quando estivermos indo para lá.
Summer me cutuca levemente com o cotovelo, ela ainda é a garota meiga que conheci, mas posso ver algo diferente em seu olhar, certa frieza que antes não estava lá.
– você está fazendo aquela cara – ela me diz franzindo o nariz rapidamente reprovando meu ato – no que estava pensando?
– há quanto tempo não ficamos aqui para olhar a estrela se por? – sorrio para ela, a testa dela se vinca e ela analisa minha pergunta, mas no fim desiste dando de ombros.
– muito tempo — ela responde – mas não era isso que você estava pensando, você vai querer me contar? – solto um suspiro antes de falar.
– eu ainda não sei controlar direito meus poderes – sussurro pra ela.
– ninguém sabe é por isso que CINTIA deixou bem claro que não queria incidentes com os poderes antes da graduação – ela se calou e me fitou – mas tem mais não tem? – ela apertou minha mão e encostou-se a meu ombro.
– eu não sei, passei muito tempo treinando e estudando para me tornar o que sou agora, acredite ainda quero ser e fazer o que for preciso, mas tenho medo do que está por fim, já perdemos Dominique e nem estamos no Norte e quando estivermos lá? Quem eu terei que ver morrer para garantir a nossa sobrevivência? Quem perderei até o fim dessa guerra? – Summer ouviu atentamente sem interferir aguardando que eu terminasse e quando pensei que ela não diria nada ela segurou meu rosto em suas mãos firme e ao mesmo tempo delicadamente.
– você mesmo me disse que quando fazemos o necessário tudo vale a pena e se não valer faça com que valha, eu acredito em você, assim como você sempre acreditou em mim e me deu apoio, vamos conseguir vencer essa guerra e as pessoas que amamos, estarão juntos de nós no fim – a estrela começava a desaparecer completamente – vamos lá pra baixo, ou você e sua lentidão vão se atrasar.
– acho que eu e minha lentidão podemos nos atrasar um pouco – puxo-a para um beijo, mas antes somos interrompidos por Lucy que pigarreia, Ayla está ao seu lado sofrendo um ataque de cocegas de Paul.
– desculpem a indelicadeza de interromper um momento tão lindo, romântico e blá, blá, blá – diz Lucy se sentando ao nosso lado – mas também queremos no despedir do telhado.
– Lucy achou bom nos despedimos dos locais importantes que temos aqui na academia – explicou Ayla se recuperando do ataque de Paul e revirando os olhos, enquanto Lucy traçava as linhas já desenhadas do telhado, desenhadas por Paul numa tarde de tedio – sandice eu sei, mas eles acabaram me arrastando como sempre.
– ninguém pode com os Winter – disse Paul mostrando seu sorriso arrogante e sentando-se ao lado de Ayla – esse é o lema lembram? – isso trouxe risos a todos, da vez que Paul incentivou Lucy a gritar isso no meio do corredor por um motivo que só os irmãos conhecem.
– não! Nem me lembre dessa historia – disse Lucy tampando o rosto o cabelo vermelho caindo sobre ele – é completamente vergonhoso.
– quem diria que todos estariam aqui um dia? – refletiu Ayla
– realmente, mas tenho que admitir que quando chamaram Lucy e Luke eu quase desacreditei na academia- joguei algumas pedrinhas que estavam ao alcance da minha mão em Paul, ele se defendeu.
– seu idiota – replicou Lucy estirando a língua para o irmão.
– está ficando tarde, nossos pais já devem ter chegado é hora de ir – disse Summer, vejo Ayla desviar o olhar e então me lembro de que nos quatro teremos pelo menos alguém para ver, ela é a única que não tem ninguém.
– você tem razão e ainda temos que provar as roupas que CINTIA e a academia escolheram — disse Lucy, puxando Summer pelo braço e arrastando pela escada que levava do ultimo andar até o telhado, Paul foi à frente de Ayla, mas antes que ela descesse puxei seu braço.
– olha eu cheguei aqui depois que seu pai foi embora, e sinceramente não me importa que digam que ele é um traidor – a palavra pareceu feri-la e seu rosto se contorceu — mas sei que ele criou e cuidou de uma das minhas melhores amigas, sei que seu pai estaria orgulhoso por você – ela me abraça.
– obrigada Luke, você não sabe o quão bem isso me faz – ela sorriu – seu pai também sentiria orgulho – minha mão se apertou involuntariamente contra o cordão de couro, herança de meu pai – conte sempre comigo, para o que precisar – ela me diz antes de começar a descer as escadas.
Desci logo depois dela, não sei antes olhar as estrelas, supersticiosos diriam que nelas estão contidos os nossos destinos, queria saber em qual delas estaria o meu.
POV David
Ainda achava estranho darmos uma festa, depois de alguém morrer, principalmente quando fui eu que afastei sua irmã de CINTIA e tentou consola-la, mas não deu certo, essa festa só fazia parecer como que não nos importássemos, mas meu pai, o coronel da academia, não autorizava o cancelamento da comemoração e alegava em sua defesa que tinha suas razões, só sentia pena da aniquiladora Verônique, sabia como era perder um irmão, apesar de nunca ter gostado muito do meu, consigo compreender a revolta da jovem.
Odiava acima de tudo usar o traje apertado das comemorações, ele era um soldado e seu corpo ansiava pela luta, pelos movimentos livres, mas depois da morte Demetri, meu pai arranjou um jeito de me manter preso aqui, onde o que mais faço é sentar e monitorar os treinamentos se achava quase um soldado monitorador, sem sentido ou habilidade significante, apenas alguém que tem que frequentar festa, com roupas que incomodam além é claro de manter a aparência de que tudo esta sobre o controle, de que nossa raça não enfrentava uma guerra voraz.
Alguém bateu na porta, mas eu não precisava ver para saber quem era. CINTIA entrou sem permissão, seu cabelo azulado trançado de lado, “com uma maquiagem um tanto quanto excessiva para meu gosto, mas o que eu entendo de maquiagem” penso enquanto ela entra no meu quarto.
– você já pensou que eu poderia estar pelado? – digo, ela para com a surpresa da minha pergunta e sua testa se vinca.
– eu sou um robô! – se defende – não ligo para coisas supérfluas como alguém pelado, vocês humano não possuem lógica e você já deveria estar acostumado com isso – ela me acompanha com seus olhos, tão humanos, mas no fundo sei que são somente lentes de câmera, pego uma das poucas gravatas que possuo — mas vamos ao que interessa – a ouço dizer enquanto termino de colocar a gravada, ela faz uma pose — como estou? – reviro os olhos, antes de analisa-la, ela usa um vestido curto lilás com florezinhas e um tule vermelho por baixo “está parecendo uma criancinha” penso em dizer, mas considero a hipótese dela não gostar desse comentário.
– bonita – digo por fim, ela sorri — para uma robô – completo, ela desfaz o sorriso — que parece não saber o real sentido da palavra supérfluo. Você é o que um robô com vaidade? – brinco.
– sem graça, minha vaidade é uma falha no sistema – ela disse analisando suas unhas – erro humano você sabe.
– então sugere que te desmontemos e corrijamos esse erro? – ela me olhou irritada, CINTIA se considera cheia de falhas humanas, algumas ela até gosta, mas ela fica fora de si, quando toca se no assunto de desmontagem.
– já chega! Seu insensível! Eu vou com a Madison, ela com certeza será melhor companhia que você.
– deve ser porque ela está fazendo alterações em você – CINTIA para meio caminho da porta, mas não olha para mim – você ficou mais agitada hoje do que o normal, mesmo com o ataque a cedus, o teste nos cadetes e a morte de Dominique, se eu não te conhecesse acharia que ficou sentimental com tudo isso e até preocupada, seria uma loucura não? Um robô com sentimentos? – digo, ela ainda está de costas para mim, a mão agora na maçaneta.
– é – ela diz – isso é uma loucura – ela abre a porta – essa gravata não está legal, te vejo no salão David. – ela some pelo corredor.
Estou pronto aparentemente, mas ainda não quero ir para festa, aproveito que é a hora que todos devem estar se arrumando e invado o sistema da Academia, não encontro nada de relevante sobre o que aconteceu na cedus hoje mais cedo, nem porque não chamaram os Aniquiladores que estão fora do Norte, como eu e outros, CINTIA com certeza deve ter melhorado o sistema, resolvo deixar pra lá por hora.
Quando chego ao salão ele já está lotado, ainda não começou a festa, mas os familiares já estão se encontrando, vejo os irmãos winter abraçar um senhor de cabelo já um pouco grisalho, e uma menina vestida com a farda da academia, provavelmente a sua irmã mais nova que ainda estuda aqui, então vejo a mãe e a irmãzinha de Luke Lambert se encontrado e conversando com a família da cadete Summer Lazzo, o parente da cadete Dafne Carstairs parece perdido em meio à multidão desorganizada de familiares, principalmente quando sua sobrinha não está perto para recebê-lo, a muita gente se encontrando, mas também tem os cadetes que não conseguimos encontrar os parentes, pois ou estão no Norte, com o qual não temos mais comunicação, ou estão perdidos. Alguém toca meu ombro, me viro e vejo CINTIA, ela me parece seria o que não deve ser nada bom.
– você viu a Madison? – ela me pergunta. – ainda não consegui encontra-la.
– não, vocês não viriam juntas?
– fui chamada assim que sai do seu quarto, tenho que contar a ela que os pais dela não virão. – se justifica.
– Soube que o pai dela ainda estava na cedus na hora do ataque, ele está bem? – ela balança a cabeça em negativa – tudo bem, eu vou encontra-la fique aqui e ajude os familiares dos cadetes se precisar, estarei de volta antes que chamem os Aniquiladores.
Procuro por todo salão e não a encontro, corro até o seu quarto, bato na porta, mas não há nenhuma resposta “onde essa mulher se meteu?” vejo um dos soldados construtores subordinado a ela indo em direção a festa, com uma espécie de carrinho, imagino que ali devam estar às armas pessoais dos cadetes, me lembro da vez que ganhei a minha lança de metal vivo e que agora está encostada sem uso em algum lugar do meu quarto.
– ei, você! – ele se vira para mim – onde está a Madison?
– aquela maluca está na área de construção – ele responde.
– a área de construção é muito grande, você pode ser mais preciso – exijo.
– vocês superiores são tão babacas, boa sorte em tirar ela de lá, Zona três, na sala de propulsores. – deixo o insulto passar e vou em direção da área de construção.
O problema da área de construção é que ela é enormemente grande, principalmente a Zona três onde estão construindo Nêmesis, o “bebê” de Madison, encontro-a atrás de um balcão parafusando uma peça que deve ser importante na ligação de alguma maquina, eu particularmente nunca dei muita atenção a como construir maquinas ou como elas funcionam, o rosto maquiado está com um pouco de fuligem e ela veste uma bata sobre a roupa de festa, se põe um pouco curvada sobre a mesa para analisar o seu trabalho, os saltos não a ajudam muito nem o cabelo solto em ondas, ela não tem nenhuma extravagancia aparente está de uma maneira simples encantadora.
– vai continuar me encarando? – ela diz focada agora em outra peça em forma de funil – olha que assim eu fico constrangida. – me aproximo de onde ela está ainda não sei como dizer a ela sobre o estado do seu pai, há um momento de silêncio, então ela deixa o que está fazendo e olha para mim – se esse silêncio todo for sobre o meu pai, eu não quero saber agora, acredite em mim – ela cruza a sala e devolve suas luvas a uma gaveta e pega algo prateado que parece ser uma mistura de alicate, tesoura e agulha fina e então volta para o “funil”.
– como... Como você sabe que é sobre seu pai? – ela não diz nada, apenas aponta para um aparelho em cima de sua mesa, que está colado ao cinto que ela usa para trabalhar – isso é – começo, penso em dizer que é errado, mas eu também estava errado sobre vasculhar no sistema – incrível – completo ao me virar.
– é claro que é! Fui eu que fiz, sou a chefe daqui isso é equivalente a “eu sou foda” – ela me olha desconfiada e então volta sua atenção para o que está fazendo – você não deveria esta surtando por eu ter algo que viole as informações confidenciais que só seu pai ou a CINTIA poderiam ter? – dou de ombros, ela parece ter encontrado o defeito no funil.
– está rolando uma festa lá em cima – pelo jeito como ela articula as sobrancelhas vejo que ela não esta dando a mínima para a festa – você é importante lá não é? – ela contrai os lábios fazendo força enquanto cutuca o provável defeito do objeto
– o chato do Watson pode cuidar disso, nessa hora ele já deve estar lá – algo dentro do objeto faz um barulho e Madison pragueja jogando sua ferramenta na mesa, ela põe as mãos na cabeça e anda de um lado para o outro, sinto que ela está abalada com o que aconteceu com seu pai e então realmente fala – o Oli já sabe? Sobre nosso pai quero dizer.
– CINTIA já deve ter cuidado de tudo – ela balança a cabeça concordando, então volta para gaveta tira sua bata e a guarda lá de qualquer jeito.
É onde percebo o quão ela está bonita, sem fugir do que ela é, mas mesmo assim diferente da Madison que vejo todos os dias no café da manhã, com suas botas e jeans largos, ou então da Madison com seu macacão de trabalho, ela usa um vestido branco, que vai até acima do joelho e justo o suficiente pra realçar suas curvas, sem ficar colado ao corpo, os olhos verdes delineados de preto o que só os faz ficarem ainda mais intensos.
– o que foi? – ela pergunta.
– você está surpreendentemente Maravilhosa – ela revira os olhos, mas sei que ela gostou do elogio.
– e você não deveria cantar as suas subordinadas – ela sai da sala onde estamos e então coloca só a cabeça para dentro novamente – você não vem? Fiquei sabendo que está rolando uma festa lá em cima e você é importante por lá não é?
POV Sebastian
Subo no palanque quando David chama meu nome, ele usa um casaco simples mais bonito, com uma camisa de tecido leve e uma calça e sapato social pretos é estranho vê-lo ali tão descontraído e sem o uniforme dos Aniquiladores, diferente de quando fui selecionado agora os Aniquiladores estão organizados em uma linha atrás do coronel e de seu filho, me posiciono do lado de Oliver e espero o restante dos nomes serem anunciados, em seguida a tenente Taylor que hoje optou por um modelo que nos deixe ver a sua perna com a prótese, ela começa a nos entregar uma caixinha que contem a insígnia dos Aniquiladores, entregando dois a Veronique por causa da sua irmã, em minha opinião é somente uma caixa simples de madeira com um pedaço de metal retorcido dentro, não é nada que precisasse de tanto alvoroço, por mim já estaria indo para o Norte, terminar de cumprir minha missão. Em seguida Madison nos entrega às armas, ela é uma das mulheres mais bem vestidas nessa festa, mesmo estando aparentemente desconfortável em seu vestido, ela entrega nossas armas, depois que todos estão armados alguém tira uma foto que me ofusca levemente, o coronel termina de fazer seu discurso de como nós podemos ser a solução de todos os problemas da guerra e toda a baboseira que nos contam desde o momento que pomos os pés aqui dentro, ele é auxiliado por CINTIA a descer do palco, acho que a idade já está afetando sua força física, então pelas palavras da própria CINTIA estamos liberados para “curtir” a festa, que se resume a nada mais do que musicas aleatórias tocadas em sequencia em um pequeno espaço com luzes que irritam.
A assim a chamada “pista de dança”, que não passa de uma área circular onde passávamos o intervalo entre as aulas, se enche com uma fumaça baixa e fria, luzes multicoloridas, musica elétrica e dançante, eu só pensava em ir para o quarto, colocar o meu DP no ultimo volume e me deitar na cama, estou quase fazendo isso quando alguém esbarra em mim.
– desculpa – Dafne murmura sem nem olhar, a sigo com os olhos, passando pelas pessoas na festa, mas ela está com muita vontade de se esconder, pois logo a perco de vista e isso não é habitual para mim, principalmente se objeto de minha observação usa um collant roxo com a saia cheia de babados e que vai em v até o chão.
Isso chama a minha atenção tento encontra-la, mas o máximo que consigo são vislumbres da sua saia ou de seu acabelo alaranjado, acabo esbarrando em Tyson.
– cuidado ai – ele diz em sua voz taciturna– está procurando algo?
– porque você diz isso – digo olhando se não encontro uma nova pista dela.
– bem, talvez porque você não esteja disfarçando — ele ironiza, pegando um petisco da bandeja de um dos garçons.
– estou procurando a Dafne, ela esbarrou em mim, estava com pressa e não reclamou, pediu até desculpa, não faz o gênero dela. – ele pareceu refletir.
– é tem razão, ela não é assim – ele fez uma pausa — deixa ver o que tem para mim... Ah encontrei, ela esta conversando com um cara mais velho.
– como você sabe disso? – ele da de ombros.
– falar com maquinas tem as suas vantagens, deveríamos dar uma checada, ela não pareceu confortável na imagem que consegui – queria perguntar que imagem ele estava falando, mas ele não aguardou resposta e foi andando em direção onde supostamente Dafne estaria.
A imagem que deram estava correta, Dafne parecia estar suando e tentando da uma cortada no cara que conversava com ela.
– pensei que ela fosse órfã – penso em voz alta.
– e ela é – Tyson responde – talvez deva ser algum tio ou algo assim – ele pausa novamente – mas ela parece não gostar muito dele.
– dá pra ouvir o que eles estão conversando? – pergunto.
– não cara, as câmeras daqui não capturam áudio, só imagem – nos viramos para Dafne, ao mesmo tempo em que ela olha na direção – ih sujou! Ela está vindo em nossa direção.
Ela não parece irritada, está mais para aliviada, o cara mais velho ainda a observa, até que ela chega mais perto, então ele desaparece entre as pessoas.
– o que vocês estão fazendo? – pergunta com desconfiança, não há resposta – vocês não estavam me espionando. Estavam? – ela semicerra os olhos.
– não. – respondo imediatamente. – estávamos conversando.
– sei – diz cética – as duas pessoas mais antissociais estavam interagindo entre si? Aham, é claro, é até lógico – ela cruza os braços – conta outra.
– ah que é isso eu e o Prior aqui somos amigos, não é? – Tyson me abraça lateralmente, sussurro com os dentes trincados um “não força” – bem eu vou ali à mesa, porque eu quero comer e ora lá tem comida, até mais.
– grande amigo você foi arranjar – ela brinca.
– então quem era o cara de quem você estava fugindo? – pergunto como se não importasse muito.
– ele é meu tio, faz uma vida que não o vejo e... – ela faz uma pausa semicerrando os olhos novamente – e quem disse que eu estava fugindo dele?- dou de ombros, um silêncio incomodante surge – bem mais é uma ótima oportunidade para te agradecer de novo por ter me ajudado tantas vezes na simulação – ela continua, as bochechas corando levemente.
– você se salvaria sozinha lá de qualquer jeito.
– distante e não gosta de elogios, porque tenho a impressão de que você não é uma pessoa fácil? – ela levanta uma das sobrancelhas.
– por que você está certa, bem pelo menos para algumas pessoas eu sou mais acessível do que para outras – ela parece pensar no que eu disse, sua respiração sobe e desce em seu vestido.
– você está tentando dizer que pode tentar ser meu amigo? – ela pergunta sorrindo.
– pode ser – ela garra meu braço.
– então vamos dar uma volta – me puxando com pressa, sem tempo para respostas — porque eu realmente estou fugindo do meu tio que quer que eu coloque meu seguro no nome dele.
A festa se arrasta durante a noite, nunca tinha notado quantas pessoas moravam na Academia, essa noite porém parecia que todas elas estavam aqui, Dafne tenta puxar assunto comigo, mas como ela mesmo disse não sou muito sociável então as conversas não duram muito, mas é como se as minhas respostas sempre lhe parecem interessantes, estamos perto da pista de dança novamente, a mais gente nela e a fumaça está diminuindo potencialmente, as luzes parecem piscar com menos intensidade, até a música parece melhorar.
– você parece querer dançar – ela fala em meu ouvido por causa da musica alta.
– eu não gosto de dançar. Tira o foco, estamos aqui para sermos soldados não bonecos dançantes. – ela faz um gesto como se reprovasse o que disse.
– bem, talvez você devesse se enganar melhor, pois está tatuado em sua testa o que você quer – ela grita sobre da música.
– você não faz ideia do que eu quero – grito pra ela.
– então me diga – ela diz lentamente me puxando para pista, sinto meu pé batendo no ritmo da musica, então paro.
– não posso me desculpe – saio da pista de dança, ela parece me seguir.
– ei! Okay que você não queira dançar, mas não precisa fugir de mim. – continuo andando, já estava na hora de parar com isso. Adara e Harley alcançam-na e tentam puxa-la para pista – não, vocês duas esperem um pouco – ela anda um pouco mais na minha direção, mas finjo que não é comigo – Sebastian? – ela me chama não me encontrando através das pessoas.
E então ela é puxada de bom grado para a pista de dança pelas meninas, as luzes brilham em sua pele branca, ela parece envolvida pela musica, seu cabelo parece um exímio parceiro de dança e a acompanha para onde quer que ela se movimente, ela sorri para uma das meninas combinando passos, ela é leve e descomplicada e só consigo pensar que queria saber aproveitar momentos como esse, em que eu poderia aproveitar e dançar ao lado de uma garota bonita, mas não fui feito para isso, fui forjado de outra maneira e pra outro proposito, viro-me e dou as costas à festa, entro no corredor que leva ao nosso quarto, essa festa já deu o que tinha, é nessa hora que me descubro completamente enganado. Não que eu fosse amigo de alguém ali, mas talvez, só talvez eu pudesse ter ajudado se eu soubesse...
POV Bernardo
Porque tudo desde o inicio do dia parecia bizarro, não seria de noite, numa festa dada pela academia que as coisas melhorariam, principalmente se desde manhã sei que verei meu pai novamente “nada poderia estar pior” penso enquanto abotoou o ultimo botão da minha camisa o tecido é de um roxo claro e extremamente leve, de modo que mesmo ela sendo de mangas compridas não ficarei com calor, Harley passa atrás de mim no espelho com Adara, ambas incríveis, Ada usa um tomara que caia roxo e uma saia verde de babados com as longas pernas de fora e Eli usa um top curto azul escuro de uma alça só e uma saia de cintura alta rosa com bordas vermelhas com as grossas pernas amostra “é talvez não seja tão ruim assim”. Elas percebem o meu olhar e vejo seus reflexos estirando o dedo médio pra mim, volto à atenção pra mim novamente coloco o colete preto sugerido pela academia, mas o deixo aberto sobre a camisa e tento esconder a parte raspada do meu cabelo, deveria estar louco quando concordei em deixar Eli raspar uma parte do meu cabelo.
A recepção dos pais está mais lotada do que eu esperava, vejo Ada abraçar timidamente um homem loiro de óculo redondo, ela leva Eli com ela já que a mesma só tem família no Norte e pelo que eu entendi o Norte está inacessível, talvez tenha haver com o lance da falta de luz de hoje cedo, Noah está conversando com Debye já que ambos não foram encontrados ninguém para vir. Vejo até a enorme família de Mauricio, e fico imaginando se estaria aqui na academia se tivesse uma família tão grande, vejo até os pequenos pais de Nique, ela parece diferente, não porque tenha perdido a irmã e tenha passado o tempo chorando até agora, mais sim por seu novo corte de cabelo bem curto, contudo não vejo o meu pai ainda, não sei se isso é bom ou ruim. Vejo de relance os cabelos cacheados de Dora perto da porta, mas não poderia ser ela, mesmo assim decido ir atrás e descubro que é ela mesma imediatamente corro até ela, ela usa um vestido simples o cabelo cacheado preso em um rabo de cavalo, o rosto com a marca de sua idade avançada e rugas de quem já sorriu muito durante a sua vida.
– Dora! – ela abriu o sorriso do qual me lembro desde criança, abraço-a erguendo do chão – Dorinha quanto tempo! Você não mudou nada.
– Por favor, rapaz me desça no chão – pediu ela, com seus modos sempre tão polidos, fiz o que ela pediu, ela ajeitou seu vestido – e respondendo a sua pergunta meu rapaz, faz mais ou menos cinco anos desde que o seu pai o mandou para aqui – ela me analisa rapidamente focando no canto da minha cabeça – o que fizeram com você? – ela passa a mão na parte raspada do meu cabelo.
–isso foi um teste – minto – e eu perdi.
– oh! Esses testes são cruéis – ela fala ainda analisando meu novo corte de cabelo.
– você nem imagina o quanto – respondo a puxando para dar uma volta, depois de certo silêncio resolvo perguntar o que está me incomodando – ele pelo menos pensou em vir? – pergunto sobre meu pai.
– meu rapaz, você sabe que seu pai é um homem muito ocupado, não sabe? – ela disse com certo pesar.
– é eu sei – respondo – é por isso que vou por o meu seguro no seu nome – ela congela por um momento em choque, mas então começa a piscar os olhos.
– não, não isso é errado eu sou só a empregada, seu seguro tem que ficar no nome do seu pai.
– meu seguro tem que ficar com algo que se importe se eu estou vivo ou morto e eu sei que meu pai não se importa. – ela continuou a negar – Dora pense nas suas crianças, com meu seguro você pode largar o emprego e cuidar delas como sempre quis.
– você meu lindo rapaz – ela acaricia meu rosto enquanto as lagrimas enche seus olhos – é um menino de ouro, faça o que achar melhor. – ela fica ao meu lado até a tenente Taylor anuncia para os visitantes se sentarem.
A nossa graduação foi chata, pensei que sei lá teria um banquete em nossa homenagem e talvez até mais, mas não se limitou a uma entrega de medalhas e armas e uma foto mal batida do qual eu com certeza sai o pior possível e possivelmente piscando, já que ninguém avisou de uma foto. Dirijo-me a mesa de comidas e encho o meu prato a pista de dança pode esperar um pouco, Dora fica comigo por mais um tempo, mas depois chegamos a um consenso de que já está tarde e ela vai pra casa. Mauricio se senta ao meu lado, seu prato é incrivelmente maior que o meu.
– o que você está olhando? – ele pergunta, melando sua jaqueta azul de molho.
– pensei que você fosse estar com sua família, soube que quem é de outra cidade vai dormir aqui na academia.
– é, mas eu mandei aqueles malditos desgraçados irem embora – penso na família dele eles não me pareceram malditos ou desgraçados, mas quem sou eu para julgar problemas familiares.
Sinto-me rodeado de estranhos, ainda me admiro com o tanto de soldados monitoradores e soldados de base que temos aqui dentro da academia, vejo também alguns Patrulheiros de guarda e alguns construtores, esses são os que mais curtem a festa sendo liderados sempre por Madison, os únicos que não podem usufruir da festa foram os águias que agora devem estar em cima da muralha.
– e ai rapazes! – Nique me agarrou e agarrou a Mauricio em um abraço só, tinha um forte cheiro no seu hálito — o que vocês estão fazendo que não estão curtindo a festa? – perguntou meio alta, ela tinha um copo pela metade de alguma bebida alcoólica misturada com algum suco. Seu vestido preto de franjas estava desalinhado e algumas franjas tinham sido arrancadas e seu rosto ainda estava inchado desde que ela parou de chorar. – eu agora estou convocando vocês para festa – ao ver que permanecíamos sentados – vamos levantem-se! – ela gritou e nos puxou das cadeiras, Ben estava logo atrás dela e Oliver também, mas o loiro parecia estar mais preocupado do que querendo se aproveitar de Nique, talvez tenha algo haver com o acidente do seu pai.
Katerina conversava com um dos oficiais superiores, se arriscasse diria que até flertava com ele, quando ela olhou na minha direção, ela dispensou o oficial com uma resposta rápida e desfilou até a minha frente quando cruzou os braços, Kat nunca tinha deixado de ser bonita, mas essa noite ela estava irresistível, ela usava um bore preto colado de mangas longas e uma saia cinza de tecido transparente que deixa levemente ver por detrás da saia, combinado com uma massa cheia de cachos negros bem colocados e um olhar fatal, ela sorriu maliciosamente seus lábios tão vibrantes quanto vermelhos, essa noite Kat era toda sedução.
– você vai ficar só me olhando? Eu estava tendo um papo muito interessante – penso que ela está falando comigo e com a boca ainda aberta tento responder pelo menos um “já vou meu bem”, mas então Oliver me empurra de lado e percebo que era ele que ela estava seduzindo o tempo todo. Katerina agarra o loiro que não tem muitas opções, mas ele também não tem do que reclamar.
– argh! Quem ela pensa que é? – perguntou Nique – tá achando que é a rainha da festa é? Deixa eu te contar querida, você não é! – ela meio gritou, meio gaguejou, atraindo olhares para quem estava perto dela, no caso eu. Mas dando de ombros completou – mas deixa, por que eu sei que essa noite ainda tem muita coisa pra rolar.
Nique acabou puxando Ben para a pista de dança, o baixinho de cabeça raspada também estava alto e tinha tirado até a camisa, Mauricio os segue de bom grado após terminar de tomar sua bebida e no caminho puxa duas soldadas uma engenheira de um sorriso roxo e uma monitoradora de cabelos brancos e curtos. Parei um garçom e tirei um drinque qualquer, todo enfeitado de verde e laranja do qual minha língua enrola para falar o nome, tomei tudo em um gole só, nem morto que eu passaria esta noite sóbrio e sozinho. Mas nada aconteceu como eu imaginava.
As luzes da pista de dança tinham efeito energético sobre mim, elas me faziam “vibrar” junto com a música, acabei encontrando Dafne, Noah e Adara que pareciam se divertir conversando sobre alguma coisa enquanto dançavam, ao lado Harley e Debye dançando uma com a outra, estendi a mãos para as duas girando-as em meus braços uma de cada vez, Noah deu um tapinha na minha costa me cumprimentando, a jaqueta vermelha torta sobre seu corpo, o cabelo mais bagunçado do que o Normal e a testa brilhando com suor levando Adara para ir comer, mas antes ela me abraçou sussurrando que eu estava cheirando a álcool, Debye foi com eles querendo depois ir ao banheiro ajustar a alça do seu vestido laranja que estava incomodando. Dafne se juntou a mim e a Eli na nossa dança, mas ela é bastante autossustentável e de vez em quando nos deixava sozinhos para dançar sozinha ou com outro soldado.
– além de linda e ótima jogadora de perguntaX você também é uma ótima dançarina – sussurrei no ouvido de Eli, ela sorriu para mim, mas logo sua testa se vincou.
– o que foi isso? – disse pausadamente, mais para si.
– foi um elogio – respondi, ela me olhou confusa.
– não foi isso que eu quis perguntar – ela respondeu tentando olhar por trás de mim.
– e o que era? – perguntei me virando para onde ela tanto olhava. Os soldados começavam a correr para fora da pista de dança e a se aglomerar em um só local, até mesmo Katerina que estava agarrando Oliver em um cantinho escuro ficou curiosa e arrastou o loiro até lá.
Dafne vem até nós, ela parece estar tão confusa quanto eu, a ruivinha chama Norto que estava perto de onde acontecia a confusão até uns momentos quando a multidão teve que se dispersar, ele parece chocado.
– o que foi que aconteceu lá – Dafne pergunta, Norto olha para onde um grupo de jovens Soldados doc. Carregam alguém numa maca.
– não sei explicar direito, mas a Ayla – ele faz uma pausa que faz com que queira estrangula-lo pra ele dizer logo — eu acho que ela está morta.
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