INcompletos
1 Capítulo 1
“Ele apareceu pela primeira vez quando eu tinha treze anos. No começo era só uma voz fraca, mas depois foi ganhando força, foi tomando forma. Aquele ser já tentou lutar pelo controle de meu corpo, e já conseguiu vencer. Fui forçado a fazer coisas horríveis com pessoas inocentes, eu nunca vou conseguir perdoa-lo por isso. Ainda escuto gritos em minha cabeça, gritos de pessoas que clamam por misericórdia. Ainda tenho a lembrança de corpos ao meu redor, e eu rio como se aquilo fosse à coisa mais engraçada do mundo.”.
“Eu já tentei dar um fim nisso, provavelmente teria dado certo se aquele homem não interferisse...”.
O céu estava nublado. De minuto em minuto um relâmpago iluminava tudo junto a um estrondo fazendo cachorros latirem e crianças chorarem.
Mas no topo daquele prédio tudo parecia tão distante... O vento forte fazia meu corpo estremecer, a altura me dava náuseas. Não iria desistir, não depois de ter chegado até lá.
Podia sentir uma voz distante, aquela coisa devia estar despertando. Quando aquilo acordasse não teria chance, ele me controlaria e me obrigaria a fazer coisas bem piores. E eu estava decidido a não machucar mais pessoas.
Agarrei a barra horizontal do parapeito e empurrei meu corpo para frente com toda força que tinha. Fiquei um bom tempo sentado naquela cerca de ferro apenas observando a cidade. Procurei não pensar muito em meus amigos, mas eles sempre me vinham à memória.
“O que eles devem estar fazendo agora? Como vão reagir quando descobrirem que morri?”
Com lágrimas rolando pelo rosto e um sorriso falso, fui soltando a barra de ferro de vagar. O inferno estava para acabar.
— O que esta fazendo, idiota? — Uma voz firme cortou o silêncio do local. Em seguida senti dois braços fortes me agarrando por trás, me puxando para longe do parapeito.
Por um momento eu fiquei parado sem reação, a força daquele maluco era tamanha que se o mesmo não estivesse me segurando, acredito que teria ido parar do outro lado do prédio. — Quem tem que perguntar isso é eu! Socorro! Tem um maluco tarado me agarrando! Policia!
—Opa! Eu só estou te impedindo de cometer a maior burrada da sua vida, de nada. – Me apertou com mais força, como se não tivesse noção de que aquilo já estava machucando. – Quanto mais gritar, mais eu vou te apertar.
— Me solte... Qual o problema em me deixar morrer? –falei baixo, gritar em um lugar isolado não iria levar a nada. – Apenas me deixe terminar isso...
Ele me soltou de uma vez. Eu me recompus e olhei para o meu “salvador”. Ele era alto, muito alto. Com a pele era perfeitamente bronzeada, seus cabelos eram tão arrepiados que pareciam nunca ter visto uma escova na vida. Olhava-me com frieza. Um sorriso zombeteiro formou-se no canto de sua boca. Seus braços cruzados e o corpo imóvel. Era como se ele fizesse questão que eu soubesse que ele me achava um idiota.
Desviei o olhar. Ainda podia sentir seu corpo apertando contra o meu.
—Você o escuta muito?
O sorriso tinha ido embora. Seu rosto estava sério e a voz tinha um tom preocupado. Aquele cara me lembrava de alguém, mas quem?
— Escutar? O que? Quem? – pensei em correr, mas o cara parecia ser bem atlético, com certeza me pegaria em um segundo.
— Não se faça de desentendido. Ele esta aí dentro, e você sabe disso.
— Me desculpe, mas de quem exatamente o moço esta falando?
— Do seu gêmeo, lógico!- Ele quase gritava as palavras. Eu não sabia o que falar muito menos o que fazer.
— Do meu... Gêmeo...?
Mil pensamentos passavam por minha cabeça, já não conseguia assimilar nada. Para piorar, aquela voz estava voltando, podia escutar suas risadas. Mais uma vez aquela coisa estava se divertindo a minhas custas, guardando alguma coisa importante só para si.
Sentia meu corpo queimar, minha cabeça doer. Um turbilhão de emoções passava por mim, lágrimas inundavam meus olhos, caindo sem minha permissão. Parece que finalmente estava ficando louco. Encolhi-me sentando no chão, com as mãos na nuca puxando os cabelos com força.
Raiva. Medo. Ódio. Tristeza.
Raiva dos meus amigos que viviam uma vida normal.
Medo daquela coisa que me perseguia há anos.
Ódio daquele cara que apareceu logo quando ia dar um fim naquele inferno.
Estar vivo era uma tristeza.
— Por que não me deixou morrer?! Por que não me deixou morrer?! — Gritei entre soluços para o poste ambulante.
O homem me olhou com desprezo, indo até o outro lado da laje sem se importar em me responder. — Deixar você morrer seria uma idiotice ainda maior. Muitas pessoas passam pela mesma coisa e nem por isso tentam se jogar do primeiro prédio que veem. Entendeu?
Calei-me, não adiantaria discutir. Nem ao menos conhecia o cara.
—Ryou, te procuramos tanto! – Marik saiu de deus sabe onde, gritando para a cidade toda ouvir. — Muito obrigado pela ajuda, Melvin.
—Marik?! — Com eu não tinha percebido antes? Os dois homens eram idênticos! Mas que eu me lembre, Marik era filho único...
—Tanto faz, não tinha nada pra fazer mesmo. — O loiro saiu com uma cara fechada, antes de descer as escadas olhou para nós e falou. – Não se matem ok?
— Pode deixar Melvin! – para quem não é acostumado com a alegria exagerada de Marik nessas horas ele poderia parecer levemente chapado, mas quem já está habituado com sua presença barulhenta só se esforça para não ficar com dor de cabeça depois de alguns gritos estridentes.
— Oi, Ryou... – ele se aproximou sem jeito. – tudo bem?
—Não... – me levantei mais sem jeito ainda. Fazia tempo que não via Marik e aquele não era bem um dos melhores lugares (nem um dos melhores momentos) para reencontrar uma antiga amizade.
—Ah, cara. Que pergunta a minha! Claro que não. Desculpa. – o loiro apoiou os cotovelos na barra e olhou para baixo. – Nossa aqui é alto mesmo.
— Ei, ei. Fica calmo. Não tem nada, você só esta tentando ajudar. – me aproximei colocando uma mão no ombro dele.
— Sim, ajudar! Vamos comigo! – ele segurou minha mão antes que eu respondesse. Descemos as escadas do prédio um pouco mais rápido do que eu gostaria. Afinal estávamos no escuro dentro de uma construção abandonada, velha e cheia de buracos. Passamos por casa de aranhas, vidros quebrados e corredores com cheiros horríveis. Pergunto-me se alguém vai ter o bom senso de dar um jeito naquela construção ou vão deixar desabar sobre a cidade.
— Marik, pra onde esta me levando? Marik! — tentei para-lo quando chegamos à calçada, mas depois dos dois encontros estranhos eu já estava curioso –ou muito amedrontado- para saber até onde aquilo iria me levar.
“Não pode ficar pior...”- foi meu primeiro pensamento, meu primeiro erro.
— Apenas venha comigo. Nós sabemos como te ajudar, Ryou.
— Nós?
Ele não respondeu. Continuou me puxando sem nem se importar de olhar para os lados antes de atravessar, senti minha alma sair e voltar do corpo quando passamos de raspão em um carro preto.
— Marik por acaso pirou de vez? – Ele nem olhava para mim. Não avia sinal de seu gêmeo do mal, parecia ter evaporado (acho que naquele momento eu até gostaria que aquilo tivesse acontecido). A cidade estava clara e barulhenta, apenas uma noite normal em Domino.
Só terminamos aquela corrida frenética quando chegamos à frente de uma loja de jogos. A casa do Yugi.
—Marik, o que significa isso? – falei. Já estava sem paciência.
—Aguarde e você verá. – Ele parecia apreensivo, tentava recuperar o fôlego por causa da quase maratona que tínhamos enfrentado.
— Boa noite! – um velhinho atendeu a porta, o sorriso em seu rosto murchou quando nos viu. – Ah sim, os outros já os esperam no quarto do meu neto. Tenham cuidado, crianças.
—Muito obrigado, vovô. Vai ficar tudo bem. – Marik sorriu. O senhor não pareceu muito convencido, mas mostrou um sorriso pequeno.
Ele me arrastou para dentro, subindo as escadas apressado e trancando a porta do quarto quando passamos pela mesma. Quase enfartei quando vi quem estava lá dentro.
Arrumados em forma de meia lua, Yugi estava sentado ao lado de uma réplica quase exata sua. O gêmeo malvado de Marik também estava lá, junto a Ishizu, Kaiba, Anzu e um garoto de cabelos vermelhos e verdes que eu nunca tinha visto. Pareciam sérios demais para uma reunião descontraída de amigos. Nas profundezas da minha mente aquela coisa se remexeu, agora estava desperto e parece que aquela situação também não o agradou muito.
— Boa noite, Ryou. Boa noite, Marik. – Yugi sorria nervoso. – Por favor, sentem-se.
— Obrigado... – sentei ao lado do garoto ruivo, ele aparentava ser o mais normal entre os presentes. O clone do Marik olhou pra mim com uma cara de quem ia me matar, na mesma hora o imaginei retirando a pele dos meus ossos e depois os jogando em um liquidificador gigante. Encolhi-me mais ainda com o pensamento.
Quando Ishizu se levantou e foi para o meio da roda eu soube que deveria me preocupar bem mais.
— Primeiramente: seja bem vindo, Ryou Bakura. Acho que você tem coisas a nos perguntar. –Seu rosto estava calmo, mas suas mãos tremiam. – Acho que já conhece todos aqui. Ou pelo menos uma maioria...
— Que tal ir direto ao ponto, irmã querida? – O clone do Marik perguntou com os braços cruzados.
Ishizu suspirou e voltou a falar. – como eu estava falando, não precisa ficar tão tenso, esta entre amigos. – ela sorriu, eu retribuo. Alguma coisa na moça me deixava mais calmo. Era como se já tivesse visto aquele mesmo sorriso... Há muito tempo... – Agora vamos à reunião! Ryou, você já sentiu alguma coisa, hã... Estranha? Como se alguém estivesse sempre por perto. Como se alguma coisa estivesse aí dentro? – ela tocou a lateral da cabeça com a ponta dos dedos.
Yugi se encolheu, Anzu se arrumou na poltrona, Marik direcionou o olhar para o chão e o garoto ao meu lado suspirou triste.
Eu estava boquiaberto. Pela expressão de dor que fizeram, todos pareciam saber como era sentir aquilo. Aquele tempo meus amigos passavam pelas mesmas experiências que eu. Era uma coisa ruim, então por que estava tão feliz em saber disso?
—Sim.
— Ryou, o passado ainda é presente. Ele esta em nós mais do que nas outras pessoas, existimos por causa dele, e ele quer voltar. Essa voz que você escuta esse ser que quer te dominar é uma prova disso. Existe mais uma alma no seu corpo. O “Ryou” do passado.
— Isso não é possível! Essa é mais uma pegadinha do Honda com o Jonouchi?! Estão loucos? O passado está vivo? Boa! Vocês são idiotas? – não era eu quem falava. Era a minha voz, mas as palavras saíam sem meu consentimento. Sentia raiva, mas ao mesmo tempo uma tristeza infinita me dominava, lembranças antigas vinham até mim.
— Você acha mesmo que eu estaria aqui se não fosse algo sério? – Kaiba se manifestou. – Pelo amor do dragão branco de olhos azuis, tenho mais coisas para fazer!
— Calma Kaiba. Não é o Ryou que esta falando agora. – A morena cortou o homem.
— Akefia pare de perturbar esse garoto. – O “clone” mais velho de Yugi gritou.
O ser pareceu hesitar por alguns segundos, mas logo voltou os olhos para o garoto. – bom te ver depois de tanto tempo, faraó.
— Infelizmente não posso dizer o mesmo.
— Parem com isso! – Ishizu já parecia prestes a perder a calma.
— Deixe isso comigo, irmã. – o clone de Marik levantou-se e veio até mim. Ishizu só suspirou e baixou os olhos, sentando-se perto de Kaiba.
Ele se ajoelhou, ficando na altura de meu rosto e me encarou. A raiva sumiu, dando lugar a um sentimento de saudades.
– Pensei que nunca mais te veria Melvin.
— Boa noite, idiota. Da pra parar de atormentar o guri?
Senti o ser sumir aos poucos. Meus músculos relaxaram e a respiração ficou pesada. Olhei para todos, aquilo já era demais. Tentei me levantar, mas o cara me segurou. – Me largue! Já chega dessa loucura, eu quero ir embora!
— Se você for embora tudo vai piorar! – ele me segurou com mais força.
— Ryou, nós podemos acabar com parte do seu sofrimento. É para isso que te trouxemos aqui hoje. – Marik falava para mim, mas seus olhos procuravam os da irmã.
— Como?
— Assim como fizemos com Yugi e Marik. – Ishizu voltou a se levantar. O garoto ao meu lado de mexeu desconfortável. – Essa alma em seu corpo pode ser separada, banida. É para isso que o faraó esta aqui. E então, você aceita?
— S- sim... Por favor, tire ele de mim...
O clone de Yugi levanta-se, o quarto fica escuro. Eu não me lembro de mais nada.
Quando acordei já era dia, estava em um quarto totalmente branco com pequenas janelas bem próximas do teto que deixavam o mínimo de luz passar.
Meu corpo doía, mas isso era o de menos. Na cama ao lado da minha estava um homem pálido, em seu rosto uma expressão serena e os cabelos bagunçados espalhados pelo travesseiro. Eu conhecia aquele rosto, aquela pele, aqueles cabelos. Os conhecia bem por que eram os meus. Quase gritei quando ele começou a se mexer na cama, seus olhos se abriram, íris vermelhas me olhavam confusas.
“Não, este não sou eu...”.
Lembrei-me da reunião estranha e tudo ficou claro. “Essa alma em seu corpo pode ser separada, banida.”, de alguma forma eles criaram um corpo próprio para aquilo. Ótimo, agora ele iria sair por aí tocando terror no mundo sem ninguém para impedi-lo, boa forma de ajudar um amigo.
Ele mexeu a boca, mas o som não saiu. Seus olhos estavam arregalados para o novo mundo. Acredito que ter um corpo próprio era bem mais confortável do que ocupar um que já tinha outro dono.
Por minutos somente observei o meu semelhante. Diversas vezes ele tentou se sentar, mas não conseguiu. Continuava deitado com a mesma expressão de surpresa e medo – o que era bem engraçado até, mas também um pouco assustador-. Não trocamos uma palavra até então.
Uma porta que nem tinha me dado conta que existia se abriu soltando um longo rangido, de lá saíram Marik e seu gêmeo, meu amigo pareceu hesitar um pouco antes de entrar até que o mais alto o empurrou para dentro do quarto e trancou a porta. Os dois pareciam desconfortáveis e extremamente cansados. O gêmeo de Marik tinha olheiras enormes, enquanto meu amigo estava com a maquiagem borrada e com os cabelos bagunçados. Acredito que se dessem um espelho a ele, Marik cairia no chão morto de vergonha, o loiro sempre foi muito vaidoso, a maquiagem e as joias eram suas marcas registradas.
— Ryou. – o clone de Marik falou com uma voz muito grossa para a idade que aparentava- Este é o seu yami.
“O que?” antes que eu fizesse qualquer pergunta Marik se apressou em explicar.
— Eu sei que é tudo muito novo e aconteceu rápido, mas você precisa acreditar na gente. Este homem é como se fosse uma versão sua no passado, uma alma que vagou incansavelmente esperando pelo regresso de seu semelhante. O passado está vivo, Ryou. E se não cuidarmos dele coisas ruins irão acontecer. Por favor, não amaldiçoe esse passado que te entrega esta tarefa. Os deuses deram a esta pobre alma uma chance de se redimir de seus pecados, e eles confiaram ela a você assim como confiaram Melvin a mim e Atem a Yugi... Fomos abençoados pelos deuses!
“O que?”
— Calma cara, calma! Eu não vou amaldiçoar ninguém nem nada, só quero tempo para entender tudo isso. Ontem eu estava para me jogar de um prédio e hoje me dizem que sou a reencarnação de um ladrão do antigo Egito! Se ponham no meu lugar.
— E quem aqui falou em Egito, albino? – Melvin cuspiu me olhando com raiva, Marik arregalou os olhos e abriu um sorriso.
— Então você se lembrou?! – o loiro correu e me abraçou, colocando minha cabeça entre seu braço direito e bagunçando meus cabelos com o esquerdo. – Eu sabia que ia se lembrar!
De fato algumas coisas tinham vindo a minha mente, mas ainda estavam bastante embaçadas. Uma rua estreita por onde um ladrão vestindo uma túnica vermelha corria sendo perseguido por guardas.
Uma tumba cheia de tesouros.
E por fim a varanda de uma enorme casa, ao meu lado uma pessoa cantarolava uma musica que consegui entender muito bem apesar de estar em uma língua antiga, não consegui ver seu rosto, mas aquela voz me parecia familiar. Porém em todas as visões eu não me sentia eu mesmo.
— Acho que sim... Nossa que loucura! – flashes ainda passavam por minha mente, aos poucos as lembranças se tornaram mais obscuras.
O principio de um incêndio. Pessoas sendo queimadas vivas, gritos de agonia implorando por socorro, crianças chorando ao lado dos corpos de seus pais. Um garotinho de cabelos brancos olhando tudo de longe segurando as lágrimas e abafando um grito que parecia vir de sua alma.
O mesmo homem que antes estava cantando agora dizia um “adeus” seco para o ladrão.
Um túmulo solitário. O som do silêncio.
Uma despedida rápida demais para dois amantes.
O choro baixo em uma sala escura, os dias nublados onde roubar não era mais divertido. A vida solitária de um ladrão que perdeu sua luz. O decaimento triste e doloroso de um coração ressentido, desesperado para encontrar novamente seu amor. A espera de cinco mil anos finalmente tinha chegado ao fim, mas será que os amantes se encontrariam novamente?
— Ryou? Ryou? – Voltei a Terra com um beliscão bem dado do gêmeo de Marik.
— AI! – Gritei. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas se eles notaram não falaram nada. Dei um soco no ombro do gêmeo, me arrependi no mesmo instante.
Ele se virou e me olhou com raiva. – Bichina sem força. – falou e voltou a se afastar.
— Você parece estar bem disposto para alguém que acabou de ter uma alma separada do corpo. – Um homem alto entrou no quarto, em suas mãos estava um caderno e uma caneta. O jaleco tinha uma mancha grande de café. Sua aparência não era muito diferente da dos gêmeos, cabelos bagunçados e olheiras.
— Ryou- disse Marik chegando mais perto do homem que agora escrevia alguma coisa nas folhas em branco. – Este é o chefe desta base, Fudo Yusei. Acho que ele tem algumas coisas para te falar.
— Bom dia, Ryou e Akefia. Espero que gostem daqui, pois essa vai ser a casa de vocês por um bom tempo.
“estou ferrado” – foi o meu primeiro pensamento. Infelizmente eu acertei
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