INFECTADOS
10 Capítulo 5 - 1ª Parte.
Notas iniciais
Por Deus, eu sei que já faz mais de UM MÊS que não posto nada, mas não foi minha culpa. Okay, foi sim minha culpa, mas prometo não fazer isso de novo. Como recompensa fiz um capítulo BEEEEM GRANDINHO. Esse cap. tá um pouquinho mais calmo, porque preciso começar a explicar algumas coisas da história, mas os próximos estão de arrepiar.Obrigado a todos que estão comentando. Vocês me deixam muito feliz. E aos fantasminhas : COMENTEEM.
Okay, agora podem ler !
– Espero que tenham uma boa desculpa. — Fala o garoto, entre dentes, fuzilando Meg com os olhos. Seu rosto está de um vermelho forte, de tanta raiva, e suas mãos estão fechadas em punhos ao lado de seu corpo. Assustador.
Sua pergunta foi dirigida a Meg, mas quem respondeu foi Micah, para a surpresa evidente de todos.– Nós encontramos pessoas que precisavam da nossa ajuda no caminho e depois tivemos um pequeno problema na volta. — Murmura, sem graça. Dava para ver que ele estava nervoso por ser o primeiro a falar, por tomar uma atitude, mas ainda assim estava fazendo, mesmo que todos ao seu redor o olhassem como se ele fosse um louco por ousar a fazer. Não conhecia muito bem Micah, na verdade, simplesmente, NÃO O CONHECIA, mas depois de tudo o que ele fez por mim e por minhas irmãs hoje, vi que ele é uma boa pessoa e estava orgulhosa por ele, mesmo que não tenha falada nada mais do que uma frase.– Não estou falando com você, porra ! — Grita o garoto, sem nem mesmo olhar em sua direção. Tive uma súbita vontade de ter algo pesado nas mãos para poder acertar na cabeça do Sr. Arrogante várias e várias vezes.O garoto fechou os olhos com força, inspirou e depois soltou o ar ruidosamente.– Venham comigo. — Ordenou, antes de entrar em uma das grandes portas do Quartel. Depois de se passarem alguns segundos de silêncio absoluto, Meg se vira para a garota abusada.– Levem elas para comer alguma coisa, antes de saber como as coisas irão ficar.Sua resposta, no entanto, foi apenas um sorrisinho carregado de escárnio.Meg foi na frente, liderando o grupo, seguida por Mason, que só agora percebi, que não soltou nenhuma piadinha sequer, para a minha surpresa. Caleb e Sofie os acompanham, ambos de cabeça baixa, restando apenas Micah.Ele me lança um olhar fixo e movimenta os lábios dizendo um " Vai ficar tudo bem ". Pela sua expressão dá para perceber que está tentando se convencer da mesma coisa. Cabisbaixo, segue os outros, deixando eu e minhas irmãs em um mar de desconhecidos que nos olham intrigados. PERFEITO.– Estranhooooos. — Cantarola Cllara no meu ouvido. Nem havia percebido que estava tão próxima de mim. Antes que eu tivesse a oportunidade de lhe repreender, a garota começa a berrar do nosso lado.– E vocês, por que Diabos estão parados que nem uns idiotas ? Voltem todos a fazer seja lá qual for a merda que estavam fazendo. — Se voltando para nós, fala, rabugenta. — E vocês, venham comigo. — Olho para Cllara, apreensiva, que me devolve o mesmo olhar, de incerteza. Então, acabamos fazendo a única coisa que realmente podemos : Seguimos a garota.Apesar da sua ordem as pessoas continuam lá, nos encarando, enquanto a acompanhamos. Apesar de seu mal humor palpável, fico feliz em segui-la e sair dos olhares curiosos.Tinha quase que correr para acompanhar seu passo, o que fazia minha perna doer ainda mais. Agora que não há mais nenhum resquício de adrenalina correndo nas minhas veias, consigo sentir cada parte do meu corpo latejando.– Quer que eu segure a Mell, para você ? — Cllara pergunta. — Seus braços estão tremendo de um jeito MUITO gozado.– Por favor. — Entrego Mellyka, adormecida, para seus braços.– Andem logo vocês duas. — Reclama a garota a nossa frente, me fazendo revirar os olhos.– Acho que as pessoas aqui são um pouquinho mal humoradas. — Constata, Cllara, com um risinho sapeca.– É, talvez. Só um POUQUINHO. — Concordo com as imagens da garota a nossa frente, Caleb, Mason e o Sr. Irritadinho, dançando na minha cabeça. Mal humorados é apelido.Mancando que nem uma Pata Tonta, eu e Cllara a acompanhamos por um corredor longo, que até parece até não ter fim. Os corredores estão vazios e com pouca iluminação, tornando o lugar meio assustador, e, isso sem contar, que toda vez que entramos em uma nova ala, tenho a impressão de que vamos encontrar uma horda de Infectados que irão nos atacar com suas bocas negras e vão...– Chegamos. — A voz da menina interrompe meus pensamentos macabros, enquanto empurra duas portas grandes. Quando faz isso um cheiro maravilhoso invade minhas narinas me fazendo ficar com a boca cheia d'água e meu estômago roncando.Ela me lança um olhar enojado, e tenho vontade de lhe mostrar o dedo do meio.– Sentem em algum lugar. — Fala, apontando com desdém, as dezenas de mesas enfileiradas a nossa frente.Sem jeito eu e Cllara nos sentamos, uma de frente para a outra, na primeira mesa que vemos. O refeitório é simplesmente enorme. Ele poderia aguentar umas duas mil pessoas, no entanto, só havia nós quatro.Tenho certeza que se gritasse poderia ouvir meu eco durante um bom tempo.A menina que havia entrado, no que eu supunha ser a cozinha, fazia estardalhaço lá dentro e depois de alguns minutos voltou trazendo dois pratos. Colocou um em frente a Cllara e outro em frente a mim. Canja. Não era o meu prato favorito e nem estava com uma cara muito boa, mas era comida e exalava um cheiro TÃO BOM, que meu estômago acabou roncando outra vez.– Bon appétit. — Fala, saindo do refeitório, sem mais explicações.Cllara me lança um olhar interrogativo no qual respondo com um dar de ombros, aproveitando a deixa para começar a comer. Apesar da canja estar um pouco fria, ela está simplesmente deliciosa e me faz comer até mesmo o que menos gosto.
Depois de comer tudo e não deixar nenhuma sobra, olho para Cllara e percebo que me observa com uma expressão divertida.– O que foi ?– Nada, é só que, UAU, você estava mesmo com fome. Comeu que nem uma esfomeada, ou melhor, que nem uma MENDIGA esfomeada. — Provoca, remexendo sua canja.– O pior é que vou ter que concordar com você. Além de estar esfomeada, estou MESMO parecendo uma mendiga. — Declaro, dando uma olhada nas minhas roupas, sujas, rasgadas, ensanguentadas e fedidas. Muito, MUITO, fedidas.– Mas, voltando ao assunto da fome. Você vai comer isso ? — Pergunto apontando para a comida.– ECA, não. Já não sou muito fã de canja e além de estar com uma cara de vômito, ainda está fria. Ela podia ao menor ter esquentado, né ? — Reclama, passando o prato para mim que aceito mais do que feliz. ***************************************************Já comi a minha comida e já comi a de Cllara. Já impliquei com a minha irmã e ela já implicou comigo. Mellyka já dormiu, acordou e já dormiu outra vez, e nós ainda estamos no refeitório. Não tenho nenhuma noção de quanto tempo faz que já estamos aqui, mas posso afirmar que já faz um bom tempo.– Será que nos esqueceram aqui ? — Cllara espelha meus pensamentos em voz alta, ajeitando Mell em seus braços magrelas.– Não tenho ideia. — Apoio minha cabeça nas mãos. Estou exausta.– Onde foi que encontrou essas pessoas, afinal ? Até agora você não me contou.– Elas me salvaram. Estava prestes a ser atacada por um grupo de Infectados, quando apareceram e me salvaram. — Respondo, olhando para o ceú estrelado, através de uma das janelas do refeitório. Prefiro não dar muitos detalhes da minha experiência de quase morte de hoje.– Bom, de nada vai ajudar eles terem te salvado e depois a mim e a Mell se vão nos expulsar. — Rebate, sem demonstrar nenhuma emoção, nem mesmo depois de ter acabado de declarar que quase fui atacada. — Pois é isso que eles devem estar discutindo agora.Decidindo se nos jogam hoje ou amanhã na rua.– O que te faz pensar isso ? — Pergunto, incomodada.– E o que te faz pensar que não ? — Rebate, como se a resposta fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Por que iriam deixar duas desconhecidas, quer dizer, duas e MEIA no meio deles ? Aparentemente ninguém aqui vai com a nossa cara, a não ser, claro, aquele garoto estranho que te ajudou a destruir o nosso telhado.Quero dizer que está errada, mas não consigo. Por mais que me sinta incomodada por concordar com Cllara ela está coberta de razão.Desde o momento em que os conheci, só tenho causado problemas, e agora, certamente, estão sendo repreendidos, POR MINHA CAUSA.A pergunta de Cllara fica se repetindo na minha cabeça. Por que ? Por que ajudar pessoas que só lhe trouxeram problemas ? Por que ajudar pessoas que sequer gostam ?Porque eles não gostam de nós e isso ficou claro para mim várias vezes durante o dia. Se não fosse por Micah, que é a única pessoa que parece realmente querer nos ajudar,nós não estaríamos aqui... talvez, não quero nem pensar no assunto, minhas irmãs nem estariam vivas, então, POR QUE ?Se nos mandarem embora, para onde iremos ? Começo a ficar inquieta, porque sei, que se isso acontecer, dessa vez não teremos chances.Depois de mais alguns minutos, nos quais fiquei tentando bolar um plano maluco de sobrevivência, no qual, eu tinha que admitir, era cheio de falhas, a porta do refeitório se abre, revelando uma Meg abatida.– Desculpe a demora, meninas. Estava resolvendo alguns pequenos probleminhas internos. — Torce o nariz, como se doesse pensar no tal problema. — Prontas para dormir ?– Vamos poder ficar ? — Quis me estapear, quando percebo, que os meus pensamentos criaram voz.– Mas é claro que sim. — Responde, como se fosse o óbvio. — Por que pensou que não iria ficar ? Foi por causa da recepção não muito calorosa lá na frente ? — Perguntou, passando a mão no rosto. — Aquilo não foi por sua causa, okay ? Foi por nossa causa. Demoramos mais do que o previsto, antes mesmo de te encontrar, e o Jay ficou louco. Tenho que admitir que eu também não fui muito inteligente. Devia ter mandado Micah e Caleb de volta para cá e avisar o que estava acontecendo, mas, enfim, não foi culpa sua, certo ? Isso, sem contar que é isso que o Refúgio é. Um Refúgio. — Ri. — O lugar certo para pobres órfãos, perdidos nessa porcaria de mundo. Então, agora que já expliquei o mal entendido, levantem essas bundas magras e me sigam. — Fala cantarolando, enquanto sai do refeitório.Cllara me olha e faz uma careta estranha.– Isso é o que eu chamo de mudança de humor.– Deixa de ser implicante. — Respondo com um sorriso enorme no rosto. A declaração de Meg também havia mudado o meu humor consideravelmente. Eu estava radiante.Andamos mais um longo caminho. Era impressionante como esse lugar consegue ser tão grande, mas foi uma caminhada descontraída. Meg explicava e apontava para todos os lados durante o percurso.– A propósito, sua irmã é simplesmente uma graça. – Obrigado. — Responde, Cllara com um sorriso convencido.– Você também é uma graça, mas eu estava falando da menininha. — Responde apontando o dedo magro para Meelyka adormecida. — Qual é o nome dela ?– Mellyka. — Respondo, tentando conter o riso, da cara feia que Cllara faz para Meg. — Ou Mell como nós a chamamos.– Nome maneiro. — Entramos em um novo corredor e paramos em frente a uma porta de metal. — Bem vindas, ao seu novo quarto. — Meg abre a porta revelando um quarto enorme, cheio de beliches enfileiradas. — Esse é um dos únicos dormitórios que estão quase vazios. Só eu, Sofie e Carle, que você ainda não conhece dormimos aqui. Não deixamos ninguém de fora ficar no nosso quarto, então, considerem- se agraciadas. — Pisca para nós.– Onde estão Sofie e essa Carle ? — Pergunto, curiosa.– Sofie foi comer e Carle deve estar treinando como se faz filhos com o namorado dela. — Ri.– E os outros ? — Pergunto, ignorando sua resposta anterior. — Mason, Caleb... Micah ?– Estão por aí. — Responde, cautelosa.Cllara coloca Mell com cuidado, para não acorda-la, na cama e se espreguiça antes de se jogar em uma outra cama ao lado. Quero imitar seus movimento, mas não pretendo sujar nenhum lençol branquinho.Depois de Meg revirar algumas gavetas, me entrega algumas peças de roupa limpa e uma cartela de comprimidos.– Elas vão ficar um pouco largas, mas acho que vão servir. E esses comprimidos são para dor. Nós até temos um aprendiz de médico por aqui, mas ele está bêbado demais para fazer qualquer outra coisa além de respirar, então, é melhor esperar até amanhã. Tem um banheiro no final do corredor. Divirta-se. Ia perguntar se ela também queria tomar um banho, mas vejo que prefere a cama. — Sorrio, ao seguir seu olhar. Cllara que mal deitou na cama, já parece estar em um sono profundo. — É melhor eu ir. Boa noite.– Boa noite. — Respondo.Meg já ia saindo do quarto, mas que para hesitante, com a mão apoiada na porta, de costas para mim.– Meg, está tudo bem ? — Pergunto, insegura. Ela se vira para mim, olhando para o chão. Vejo que seu rosto está um pouco vermelho.– Não é só que... bom... eu queria te pedir desculpas. — Declara, ainda olhando para o chão.– Pelo que ? — Agora fiquei intrigada. Meg parece estar incomodada com alguma coisa.– Pelo o que aconteceu mais cedo, sabe ? O que fiz foi vergonhoso, não ter te ajudado com as suas irmãs. Quero que saiba que eu queria te ajudar, só não sabia como fazer... sério, essa desculpa ficou horrível. Por favor, só, me desculpa, okay ?– Tudo bem. — Respondo e Meg levanta a cabeça surpresa. — Você fez muito por mim e pelas minhas irmãs hoje, Meg. Se não fosse por vocês eu nem estaria viva.Meg pareceu dizer mais alguma coisa, mas, acabou sorrindo e com um aceno de cabeça saiu do quarto. Acho que estava errada. Talvez, essas pessoas não me odeiem. Talvez, realmente queiram me ajudar, no fim das contas. Dava para ver que Meg se sentia aliviada pela nossa conversa e eu me senti feliz por isso. Depois de se passarem alguns segundos, resolvo me aventurar pelo corredor mal iluminado até o banheiro. Está tudo tão deserto e tão silencioso, que, tenho certeza, que seria capaz de escutar até o som de um alfinete caindo no chão.Chego a porta do banheiro e a abro um pouco, colocando a cabeça para dentro.– Tem alguém aí ? — Quando escuto somente o silêncio como resposta, entro no banheiro.Eu estou em um tipico banheiro comunitário. Há uma série cabines de alumínio seguidas, com chuveiros, e uma outra com privadas e de frente para as cabines há pias com um espelho enorme.
Quando vejo meu reflexo fico ciente do porque das pessoas terem me encarado tanto. Estou suja da cabeça aos pés, ensanguentada, rasgada, machucada, e, pior de tudo. Estou parecendo uma Infectada.Deixo as roupas de Meg caírem no chão e corro até a cabine mais próxima. Abro o chuveiro e entro debaixo da enxurrada de água gelada com roupa e tudo. Acho que só tive noção de tudo o que aconteceu depois que me olhei no espelho. Minha imagem me mostrou que tudo o que aconteceu hoje foi real, que eu quase morri, as minhas irmãs, as únicas pessoas que me restam na vida, quase morreram.Começo a tirar as roupas, que agora estão ensopadas e grudam no meu corpo, o mais rápido que posso. Nunca senti tanta repugnância de mim mesma e os trapos que elas são agora não ajudam em nada. Pego um pedaço de sabão de uma das prateleiras e começo a esfregar meu corpo furiosamente. A água no chão do box fica de uma cor escura no mesmo instante. Uma prova de como estou suja.Depois de se passar uma pequena eternidade pucho uma das toalhas encardidas da cabine e enrolo no meu corpo molhado. Tremula saio da cabine e recolho as roupas de Meg do chão. Depois de me secar, visto as roupas que ficam enormes. A camisa fica tão grande que as mangas caem para o lado deixando um dos meus ombros a mostra e preciso dobrar a bainha da calça de moletom várias vezes para que eu não caia. Só não me sinto mais limpa porque não tenho uma escova e pasta de dentes. Minha boca tem um gosto amargo e desagradável, que não sai de jeito nenhum, e os dois comprimidos que engulo só fazem o amargor piorar.Depois de me livrar das minhas roupas antigas, em uma das lixeiras do banheiro, volto, feliz, para o quarto. Desligo o interruptor que fica próximo a porta, e, me guiando apenas pela luz da lua que invade o quarto por uma janela aberta, me aproximo de Cllara para cobri-la. Passo a mãos em seu rosto pálido para tirar um pouco de poeira e lhe dou um beijo na testa.Vou para a cama onde Mell dorme calmamente. Há diversas camas vazias no quarto, mas depois de hoje, a única coisa que mais quero e ficar deitada do lado da minha irmãzinha caçula. Mellyka sempre teve muita facilidade para dormir e hoje isso foi extremamente conveniente. Com cuidado deito do seu lado e, sem querer, solto um gemido involuntário. Minhas costas, em vez de, agradecerem por uma cama, fazem protestar. Deito de lado e me aninho a Mell, a apertando bem forte contra meu corpo. Sinto uma vontade furiosa de fechar os olhos e adormecer, mas também sinto medo. Tenho medo das imagens que invadirão meus sonhos quando cair na inconsciência. Não podendo lutar mais com minha exaustão acabo adormecendo, mas, não sonho com Infectados, sangue, fogo ou morte. Sonho com um grande quartel que fornece a mim e as minhas irmãs segurança e estabilidade.Um sonho que não me faz sentir medo e sim esperança.
Notas finais
Espero que tenham gostado. Prometo postar a segunda parte o mais rápido possível. Se tiver erros peço desculpas. Não tive muito tempo para revisar.
Beijãooo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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