ILHA DOS DESEJOS

3 Capítulo 3 — Portas fechadas


Sarah acordou pouco depois das seis da manhã.

Durante alguns segundos, ficou imóvel, olhando para o teto desconhecido.

Então ouviu o som distante das ondas e lembrou-se de onde estava.

A ilha.

A casa de Jacob.

O jantar da noite anterior.

E a piscina.

Principalmente a piscina.

“Porque combina com seus olhos.”

Sarah fechou os olhos novamente.

— Péssimo começo.

Ela estava naquela ilha havia menos de vinte e quatro horas e já tinha permitido que seu contratante ocupasse pensamentos demais.

Precisava trabalhar.

Trabalho era objetivo.

Previsível.

Seguro.

Jacob Black, definitivamente, não parecia pertencer a nenhuma dessas categorias.

Sarah levantou-se, tomou banho e vestiu shorts de linho bege e uma camisa branca leve. Prendeu parte dos longos cabelos negros para que os fios ondulados não caíssem constantemente sobre o rosto, embora a maior parte permanecesse solta pelas costas, chegando quase à cintura.

Quando saiu do quarto, a casa estava silenciosa.

Desceu esperando encontrar alguém na cozinha.

Encontrou café preparado, frutas e pães.

Nenhum Jacob.

Sarah serviu uma xícara e saiu para o terraço.

O sol começava a surgir sobre o horizonte.

Ela ficou alguns instantes observando o oceano.

— Bom dia.

Sarah quase derrubou o café.

Virou-se.

E imediatamente concluiu que o universo tinha alguma coisa contra ela.

Jacob vinha da direção da praia.

Sem camisa.

Outra vez.

Usava shorts escuros de corrida e tênis. Uma fina camada de suor cobria o peito e os ombros, e os cabelos negros estavam ligeiramente úmidos.

Sarah levou a xícara à boca.

— Você tem algum problema com roupas?

Jacob parou.

Olhou para o próprio corpo.

Depois para ela.

— Bom dia para você também.

— É uma pergunta legítima.

— Estou voltando de uma corrida.

— Isso não responde completamente.

Um sorriso lento surgiu no rosto dele.

— Está reclamando?

Sarah tomou café.

— Apenas fazendo uma observação profissional.

— Não sabia que minha falta de camisa fazia parte da reforma.

— Não faz.

— Ótimo.

Ele começou a passar por ela.

— Embora pareça estar recebendo bastante atenção.

Sarah virou-se.

— Convencido.

Jacob continuou caminhando de costas por alguns passos.

— Observador.

Ela tentou não sorrir.

Falhou.

— Quantos quilômetros? — perguntou.

— Cinco.

— Voluntariamente?

— Todas as manhãs.

Sarah fez uma expressão horrorizada.

— Existem formas menos desagradáveis de começar o dia.

— Como?

— Dormindo.

Jacob riu.

Então entrou na casa.

Sarah ficou olhando para a porta por dois segundos.

Três.

Quando percebeu o que estava fazendo, voltou-se rapidamente para o oceano.

Precisava trabalhar.

Urgentemente.

Às oito e meia, a sala principal já havia sido transformada em um escritório improvisado.

Sarah espalhara plantas, fotografias, amostras e anotações sobre uma grande mesa.

Embry apareceu carregando duas caixas.

— Onde quer isso?

— Ao lado da janela.

Ele colocou as caixas no chão.

— Você realmente não perde tempo.

— Foi para isso que me contrataram.

Embry olhou para a quantidade de material espalhado.

— Jacob vai ter um ataque quando vir a sala dele assim.

— Esta não é a sala dele.

— Sarah, para Jacob, todas as salas são dele.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Tecnicamente, são.

Embry riu.

— Você está aprendendo.

Sarah abriu uma das caixas.

— Preciso saber uma coisa sobre a casa.

Embry imediatamente ficou desconfiado.

— Sobre a casa?

— Sobre a planta.

Ele relaxou.

— Ah.

Sarah percebeu a reação, mas decidiu ignorá-la.

— Houve alguma reforma estrutural nos últimos dez anos?

— Algumas.

— Tenho os registros?

— Provavelmente no escritório.

— Provavelmente?

— Jacob sabe.

— Claro que sabe.

Embry sorriu.

— Ele sabe tudo que acontece aqui.

Sarah retirou algumas amostras.

— Menos quando uma funcionária é mulher.

Embry começou a rir.

— Ele ainda está pagando por isso?

— Por enquanto.

— Gostei de você.

— Porque implico com seu chefe?

— Principalmente.

Uma voz surgiu atrás deles.

— Que ambiente profissional.

Embry fechou os olhos.

— Ele faz isso.

Sarah virou-se.

Jacob estava encostado à entrada.

Agora devidamente vestido.

Infelizmente, aquilo não ajudava muito.

Usava calça clara e camisa azul-marinho com as mangas dobradas.

Sarah decidiu que preferia quando ele estava sem camisa.

Imediatamente decidiu que jamais admitiria aquilo.

— Estávamos trabalhando — disse ela.

— Estavam falando de mim.

— Também.

Embry pegou uma caixa vazia.

— Minha contribuição terminou.

— Covarde — disse Sarah.

— Sobrevivente.

Ele saiu.

Jacob aproximou-se da mesa.

— O que precisa?

— Registros das reformas anteriores.

— Tenho todos.

Sarah sorriu.

— Embry disse que você saberia.

— Embry fala demais.

— Estou começando a perceber.

Jacob abriu uma das plantas.

E, durante as horas seguintes, trabalharam.

De verdade.

Sarah descobriu rapidamente que Jacob era exigente, mas não irracional.

Ele questionava praticamente tudo.

Porém, quando ela apresentava argumentos melhores, aceitava.

Às vezes até imediatamente.

— Esta parede fica — disse Jacob.

— Não.

Ele ergueu os olhos.

— Não?

— Não.

— Sarah, eu quero a parede.

— E eu quero férias de seis meses nas Maldivas. Nem sempre conseguimos o que queremos.

Jacob ficou encarando-a.

— Eu sou o cliente.

— E eu sou a profissional que você contratou para dizer quando suas ideias são ruins.

— Minha ideia não é ruim.

— É péssima.

Ele cruzou os braços.

— Explique.

Sarah explicou.

Cinco minutos depois, Jacob olhou novamente para a planta.

— Tudo bem.

— Tudo bem o quê?

— Tire a parede.

Sarah sorriu.

— Adoro estar certa.

— Não se acostume.

— Tarde demais.

Jacob tentou esconder um sorriso.

Sarah viu.

Pouco depois do meio-dia, chegaram ao corredor do segundo andar.

Sarah caminhava lentamente enquanto comparava a planta com a estrutura.

Parou diante de uma parede.

— Aqui temos um problema.

Jacob aproximou-se.

— Qual?

— Preciso verificar o outro lado.

Ele nem olhou para a planta.

— Não.

Sarah respirou fundo.

Sabia exatamente o que havia do outro lado.

A ala oeste.

— Jacob...

— Não.

— Você nem sabe o que vou verificar.

— Não importa.

Sarah fechou a planta.

— Importa para mim.

Ele olhou para ela.

— A ala oeste está fora da reforma.

— Eu sei.

— Então encontre outra maneira.

— Posso tentar. Mas não vou prometer que será suficiente.

A mandíbula dele se contraiu.

Sarah percebeu que aquele não era o momento de pressioná-lo.

Na noite anterior, Jacob lhe contara o que aquela parte da casa significava.

O quarto que dividira com Isabella estava ali.

As lembranças estavam ali.

Provavelmente tudo que ele ainda não conseguira enfrentar também.

— Certo — disse Sarah.

Jacob pareceu surpreso.

— Certo?

— Vou verificar as plantas antigas primeiro. Se conseguir confirmar a estrutura por elas, não precisamos entrar.

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

— Obrigado.

Sarah abriu novamente a planta.

— Não agradeça ainda. Talvez eu volte para incomodar você amanhã.

Um pequeno sorriso surgiu.

— Isso parece mais com você.

Sarah passou por ele.

Jacob segurou levemente seu braço.

Ela parou.

O toque durou pouco.

Mas foi suficiente.

Os dois olharam para a mão dele.

Jacob soltou-a.

— Sarah.

— Sim?

Ele parecia querer dizer alguma coisa.

— Sobre ontem à noite...

O coração dela acelerou.

— Na piscina?

— Sim.

— O que tem?

Jacob passou a mão pelos cabelos.

— Não deveria ter acontecido.

Sarah franziu a testa.

— O que exatamente aconteceu?

Ele a encarou.

— Você sabe.

— Não. Explique.

— Sarah.

— Você quase tocou meu rosto. Não me beijou. Não me agarrou. Não me jogou na piscina.

Os olhos dele se estreitaram.

— Jogar você na piscina não estava exatamente no topo da lista.

— Havia uma lista?

Jacob fechou os olhos por um instante.

Sarah mordeu o lábio para não rir.

— Você é impossível.

— Você começou essa conversa.

— E estou começando a me arrepender.

— Isso acontece muito desde que cheguei.

Jacob olhou para ela.

— Mais do que deveria.

Dessa vez Sarah não encontrou resposta.

Passaram o restante da tarde trabalhando em áreas diferentes.

Sarah conseguiu localizar os registros antigos e confirmou parte das informações de que precisava.

Não seria necessário entrar na ala oeste naquele dia.

Ficou aliviada.

Não apenas por Jacob.

Por si mesma.

Aquela porta despertava uma curiosidade que ela não gostava de admitir.

Não queria transformar a tragédia dele em um mistério particular.

Isabella havia sido uma mulher real.

Jacob a amara.

Ela morrera.

Por enquanto, isso era tudo que Sarah precisava saber.

Às cinco e meia, fechou o computador.

Sua cabeça doía.

Precisava sair da casa.

Pegou as sandálias e caminhou até a praia.

O calor havia diminuído, e o sol começava lentamente a descer.

Sarah retirou as sandálias e caminhou descalça pela areia.

Não sabia quanto tempo ficou ali.

Talvez vinte minutos.

Talvez quarenta.

Quando retornou, viu Jacob sentado sobre uma formação baixa de pedras perto da propriedade.

Ele observava o mar.

Sarah hesitou.

Deveria deixá-lo sozinho.

Continuou andando.

Chegou até ele.

— Posso?

Jacob olhou para o espaço ao lado.

— Você perguntaria mesmo se eu dissesse não?

— Provavelmente sentaria um pouco mais longe.

Ele sorriu.

Sarah sentou-se.

Durante alguns minutos, nenhum dos dois falou.

O silêncio não era desconfortável.

Aquilo surpreendeu Sarah.

— Encontrou o que precisava? — perguntou Jacob.

— Parte.

— Precisará entrar na ala oeste?

— Não hoje.

Ele assentiu.

Sarah observou o perfil dele.

— Não vou entrar sem sua autorização.

Jacob olhou para ela.

— Eu sei.

— Não parecia saber esta manhã.

— Estou aprendendo.

— Isso parece doloroso para você.

— Muito.

Sarah riu.

Jacob também.

Depois o silêncio voltou.

O sol tocava o horizonte.

— Posso fazer uma pergunta? — disse Sarah.

— Você vai fazer independentemente da minha resposta.

— Provavelmente.

— Então faça.

Ela mexeu os pés na areia.

— Você pretende ficar na ilha depois da reforma?

Jacob demorou.

— Não sei.

— Achei que estivesse reformando a casa justamente para voltar.

— Estou tentando descobrir se consigo voltar.

Sarah compreendeu a diferença.

— E está conseguindo?

Ele olhou para o oceano.

— Ontem eu teria dito que não.

— E hoje?

Jacob virou o rosto.

Os olhos dele encontraram os dela.

— Hoje foi diferente.

O coração de Sarah bateu um pouco mais forte.

— Por causa da reforma?

— Não.

Ela sabia que deveria deixar aquilo passar.

Não deixou.

— Então por quê?

Jacob continuou olhando para ela.

— Você realmente precisa perguntar?

Sarah sentiu o ar mudar entre os dois.

A mesma sensação da piscina.

Só que agora não havia água entre eles.

Nem desculpas.

— Talvez eu queira ouvir.

Jacob soltou uma respiração lenta.

— Essa é exatamente a parte perigosa em você.

— Minha curiosidade?

— Não.

Ele levantou-se.

Sarah acompanhou o movimento com os olhos.

Jacob estendeu a mão.

— Vamos. Está ficando tarde.

Ela colocou a mão na dele.

Jacob a puxou para cima.

Sarah perdeu ligeiramente o equilíbrio.

Foi um movimento pequeno.

Mas suficiente para fazê-la parar contra o peito dele.

Nenhum dos dois se afastou.

A mão de Jacob continuava segurando a dela.

A outra foi instintivamente para sua cintura.

Sarah ergueu o rosto.

Estavam muito perto.

— Jacob...

— Não.

Ela franziu a testa.

— Não o quê?

— Não diga meu nome desse jeito.

— Que jeito?

— Sarah.

Ela quase sorriu.

— Agora você está fazendo a mesma coisa.

— Estou tentando impedir uma péssima ideia.

— Está funcionando?

Os olhos dele desceram para a boca dela.

— Não.

Sarah sentiu o coração acelerar.

Jacob levantou lentamente uma mão.

Dessa vez não parou.

Os dedos tocaram uma mecha de seus cabelos e a afastaram de seu rosto.

Depois tocaram suavemente sua bochecha.

Sarah ficou imóvel.

— Ontem à noite — disse ele em voz baixa — eu passei tempo demais pensando em fazer isso.

— Tocar meu rosto?

— Isso também.

Ela respirou fundo.

— E o resto?

Jacob inclinou-se.

Parou antes de beijá-la.

Sarah podia sentir a respiração dele.

— Diga para eu parar.

Ela deveria.

Ele era seu contratante.

Ela estava morando na casa dele.

Tinham três meses de trabalho pela frente.

Jacob ainda amava uma mulher que havia perdido de forma trágica.

Havia pelo menos dez razões sensatas para Sarah recuar.

Ela não usou nenhuma.

— Não.

Os olhos dele encontraram os seus.

— Não o quê?

— Não vou dizer para você parar.

A última barreira desapareceu.

Jacob a beijou.

Lentamente no início.

Quase como se ainda esperasse que Sarah mudasse de ideia.

Ela não mudou.

Seus dedos seguraram a frente da camisa dele.

Jacob aprofundou o beijo.

A mão em sua cintura trouxe-a para mais perto.

Sarah sentiu os dedos dele se perderem entre seus longos cabelos.

Tudo que havia sido apenas tensão desde a chegada à ilha finalmente encontrou uma direção.

Quando Jacob se afastou, os dois respiravam mais rápido.

Ele encostou a testa na dela.

Ficaram assim durante alguns segundos.

— Isso foi uma péssima ideia — murmurou.

Sarah abriu os olhos.

— Provavelmente.

— Você trabalha para mim.

— Tecnicamente, trabalho para sua empresa.

Jacob abriu os olhos.

— Isso deveria melhorar a situação?

— Um pouco.

Ele riu baixinho.

Sarah sorriu.

Então Jacob ficou sério novamente.

— Não quero brincar com você.

Ela soltou lentamente a camisa dele.

— Ótimo.

— Sarah...

— Também não quero brincar com você, Jacob.

Ele a observou.

— Então precisamos ter cuidado.

— Concordo.

Silêncio.

Sarah olhou para a mão dele ainda em sua cintura.

Depois ergueu os olhos.

— Você pretende me soltar?

Jacob pareceu considerar a pergunta.

— Eventualmente.

Ela riu.

Ele finalmente afastou a mão.

Começaram a caminhar em direção à casa.

Dessa vez lado a lado.

Nenhum mencionou o beijo.

Mas Sarah percebeu uma coisa.

Quando chegaram à varanda, Jacob tocou discretamente sua mão.

Apenas por um instante.

Como se quisesse confirmar que ela ainda estava ali.

E naquela noite, quando Sarah entrou em seu quarto, compreendeu que alguma coisa havia mudado.

Na noite anterior, existira desejo.

Agora havia acontecido alguma coisa real.

Um beijo.

Uma escolha.

Uma linha atravessada pelos dois.

Sarah aproximou-se da varanda e observou o oceano escuro.

Três meses.

Na noite anterior, aquilo parecera tempo demais.

Agora começava a suspeitar que talvez não fosse suficiente.