IDFC

1 Capítulo Único: Tragar


Notas iniciais
Me senti na necessidade de me redimir com a Shi pela minha série de erros. Gente, ela disse que tenta me odiar! Eu fiquei chocada com isso, Shi! :( Fazia tempo que eu não fazia algo desse tipo pros dois. Bem, eu comecei as minhas fics dessa forma meio despreocupada, sem muito enredo e sem muito mimimi. Essa fic tenta *risos* não ter muito disso. (Apesar de eu fortemente considerar ela já a continuação de A Dominação de Lâminas) Essa fic é MUITO baseada na música: IDFC - Blackbear, sim até o título, sou bem criativa. Link: https://www.youtube.com/watch?v=gxE4ngu78Ro Ela combina e não combina com o Talon, no meu modo de ver KAOSKOSAKSAOKAS É tão controversa como ele, por isso eu amei. Dedicatória a dona Brunna né como já disse ♥ E aproveitem... (ou não)

IDFC

Era a quinta ou sexta vez que pegava seus olhos sobre a mulher ao seu lado. Como se visse várias pedras preciosas, ele sentia-se tentado a observá-la. Aquelas pequenas olhadas suspeitas e alertas, prontas para se desviarem a qualquer momento... Elas não faziam mal a alguém.

No entanto, Katarina mantinha seus olhos focados aos ferimentos do rosto de Talon a sua frente, os limpando sem sequer desviar os olhos. Fazendo aquilo que deveria ser feito, ela nem ao menos piscava.

Aquilo instintivamente o atiçava. Vê-la de forma tão concentrada, tão séria... Sentia-se quase cometendo um crime. Seu coração ganhava algumas aceleradas nas tentativas de olhá-la, e o medo de ser pego – e depois tragado – pelos orbes verdes era apenas o desdobramento. O desdobramento de seu orgulho. Como se estivesse fazendo algo errado, ao imaginá-la lhe olhando de volta, ele rapidamente olhava para a parede.

Katarina passou bruscamente o algodão contra sua testa, o fazendo redobrar a atenção com a ardência e olhá-la com disciplina. Havia a permitido cuidar de seus ferimentos, mas aquilo definitivamente não incluía o machucar mais.

Agora seus olhos se encontravam com os verdes, alertando-a de sua indelicadeza. Como se ela não soubesse que ele a observava, as pupilas refletiam nada mais que a sobriedade que ela insistia em manter naquele momento. Ah... Aquele momento de seriedade que era somente dele.

– Com cuidado, Katarina.

Ele ouviu o bufar que vinha dela, mas antes mesmo de se pronunciar, desviara o olhar novamente para a parede bege. Ultimamente, o que mais fazia era desviar seus olhos para o ponto mais estratégico possível. Como se roubasse, ele tinha medo que seus sentimentos pudessem transbordar e refletir para ela.

E o que ele menos queria no mundo era que Katarina Du Couteau soubesse que estava apaixonado.

Não por simples receio ou medo de ela se afastar, já que isso nunca ocorreria pois ele a lia nas entrelinhas, sabia o que ambos escondiam de baixo do tapete. Mas sim por mais puro orgulho. Dizer que estava apaixonado pela mulher ao seu lado era a mesma coisa que falar para ela que estava de quatro perante ela. Ele nunca faria isso, nunca assumiria a posição de necessitado por aquela mulher.

Ele não se importava. Na verdade, repetia como um mantra que não se importava para ter uma autoafirmação de seu orgulho. Ele precisava saber que ele estava intacto, precisava que Katarina mesma soubesse que ele não havia sido abalado. Mesmo com tudo que já ocorrera com os dois, ele mantinha o muro ao seu redor.

... Só não sabia quando aquilo tudo começou parecer tão forçado e tão... inútil.

Mas ele não se importava. O porém era com o quê. Ele estaria mentindo se era com Katarina, estaria mentindo se não percebera suas barreiras afrouxarem e permitirem a entrada dela. Mentiria, se e somente se, dissesse que Katarina Du Couteau não o tragava. Ela era como seus cigarros, um vício do qual ele não podia e muito menos abriria a mão.

– Se começar a reclamar, eu pararei de ser boazinha e o darei pontos. – Ela puxou seu queixo rapidamente para cima, fazendo-o a encarar. – Pontos que serão realmente necessários.

As pupilas castanhas se surpreenderam com tal ato. Ele podia odiar ser pego desprevenido, mas sabia que naquela situação deixara sua guarda baixa de propósito. Talvez, ali fosse o ponto crucial da quebra de sua fortaleza: Ele confiava em Katarina. Nunca, até aquele momento, em sua cabeça aquelas palavras nasceram de forma tão espontânea. Mas sua origem foi tão certa, tão natural, como se estivesse todo esse tempo por lá, disfarçado em forma de omissão.

Quem sabe qual lado era atingido com o seu mantra da indiferença? Ele achava que o tempo o tornaria imune ao efeito Katarina, mas ele apenas o provou que desviar as prioridades poderia lhe causar danos. Esteve sempre tão centrado ao ideal de que não se importava, tão preso ao dizer ela não era nada, que quando ele percebeu a sua forma estranha de domínio, o o quê que não se importava era apenas o resto.

O mundo podia se acabar em fogo, chuva, vento ou o caralho que fosse fora daquele quarto, o que ele não queria que acabasse era com o tempo onde ficavam juntos.

Ela havia recomeçado os curativos, e ele sequer percebera. Ele não viu o sorriso fraco que nasceu nos lábios da mulher quando ele desviou o olhar. Também não percebeu o modo como ela tentava fazer sua mão deslizar o algodão molhado com suavidade, limpando o sangue seco com leveza. Não que aquilo adiantasse muito, pois de qualquer jeito ela tinha que dar uma esfregadinha pra sair.

– Eu me pergunto o que você pensava para deixarem te bater assim. – Ele automaticamente redobrou sua atenção, a olhando depressa no canto dos olhos e voltando sua atenção a qualquer ponto do quarto.

– Não era nada de muito importante, na verdade. – Disse qualquer coisa, em uma tentativa frustrada para que ela não botasse reparo na forma desatenta que ele tentava lhe responder.

Seu único erro era não saber ser desatento, e Katarina saber disso.

– Com quem você acha que está falando? — Dessa vez, ela pegou uma das bochechas feridas e apertou com força, fazendo com que Talon a encarasse com seus orbes enfurecidos.

– Caralho, você ficou louca? Essa merda tá doendo, Katarina! – Ele segurou o pulso que estava perto de seu rosto e apertou com força, irritado em ser machucado de forma tão descarada.

– Em mim? – Um sorriso nasceu nos lábios da assassina ao pronunciar as pequenas palavras.

Sentiu a saliva raspar em sua garganta ao perceber as pupilas verdes ansiosas, esperando uma resposta. Tinham um brilho divertido, provocativo. Não sabia como responder a uma pergunta tão apelativa quanto essa, ainda mais quando seu silêncio seria interpretado por Katarina do jeito que ela quisesse que fosse.

Ele tentou se levantar, prevendo na onde aquilo iria parar. Mas Katarina agiu mais rápido e com a mão livre, o puxou para baixo, fazendo o corpo dele deslizar bruscamente pela ponta da cama até atingir com força o chão.

Ao vê-la ameaçar subir em cima de seu colo, ele arqueou seu corpo em direção ao dela. Pegando-a nos ombros, a fez sentar ao seu lado da mesma forma abrupta que ela havia feito antes. Quando achou que teria êxito e se levantaria depressa, ele percebeu uma mão tateando seu corpo, movendo-se como uma serpente. Ela tocou seu ombro com suavidade, e em seguida, ele pôde sentir o contato de sua pele contra a roupa de cama.

Tentava a encurralar, mas Katarina sempre sabia inverter o jogo. Quem acabou sendo foi ele.

A mão subiu até os seus lábios, tocando-os e fazendo Talon, por fim, encarar os orbes verdes. Ele podia morder seus dedos, podia se levantar e sair correndo: Katarina sequer o tocava. Mas ele não o fez. E com isso, sem ao menos desviar os olhos dos dele, ela voltou a arquear o corpo em direção ao dele, montando em seu colo.

Talon sentiu o peso sobre si, mas estava atordoado demais para que pudesse negar. Sentiu o calor que o corpo lhe emanava e aquilo apenas contribuía para que estivesse em transe, para que fosse – finalmente – tragado por aquelas pupilas verdes. Ele não se importava mais, não conseguia se importar mais. Na verdade, naquele momento ele percebera que não se importava se ela podia o dominar.... ele realmente gostava.

Ah, ele se lembrava da promessa que ela o tentou fazer jurar. Lembrava-se perfeitamente do contorno de seus lábios no momento que ela lhe dissera: “Não me beije mais até se entender.” Ela sabia como sua boca era a porta da luxúria e sabia que havia momentos onde seu juízo virava as cinzas. Sabia que em momentos como esse ele sequer pensava, sabia também que ele eventualmente cederia.

E com todos aqueles alertas, fazendo-o se lembrar de seu orgulho e que deveria manter os pés no chão, seus lábios pareciam tão macios e tão quentes...

E foda-se... Foda-se, foda-se, foda-se.

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