I will protect you...
1 Vida nova
Notas iniciais
Lucy on
Ano novo, colégio novo, amigos novos... Vida nova?
Esta decidido, amanhã eu vou fugir de casa. Meu pai esta viajando, nem vai se dar conta que eu fugi. Pois é papai, eu vou provar pra você que eu não sou tão inútil quanto você pensa.
Eu sempre fui uma pessoa meio rebelde, e revoltada com tudo o que não é certo, ou que pelo menos eu não acho certo. Meu pai nunca gostou realmente de mim, e não faz questão de esconder. Antes de minha mãe morrer, as brigas entre eles eram constantes. Meu pai gritava muito, e acusava minha mãe de não ter me educado direito. Ele dizia que eu não prestava pra nada, que eu era apenas um estorvo e isso tudo era culpa dela. Ele dizia que eu só trazia vergonha a ele, isso pelo meu comportamento explosivo e revoltado. Já até me acostumei a ser o desgosto da família. Eu nunca entendi o que ele esperava de uma garota de seus 14 anos na época. Eu sempre tentei ser o melhor possível, eu tentei tirar notas altas, tentei ser a garota meiga e simpática, mas eu não aceitava as coisas erradas.
Quando ele brigava com a minha mãe, ela sempre acabava chorando encolhida, eu sempre que podia adentrava aquelas portas do escritórios, impedindo que ele continua se a machuca-la com suas palavras, eu sempre me colocava diante dela, nunca vou aceitar o que ele fazia com ela.
Aquela mulher era meu tudo, meu exemplo, minha guerreira. Eu a amava incondicionalmente, e a idolatrava por tudo o que ela já fez e suportou por mim.
Até que um dia, o primeiro dia que meu pai agrediu minha mãe fisicamente, eu ouvi palavras das mais horríveis. Me lembro bem, eu ajoelhei ao seu lado, ela chorava muito, até que se levantou e começou a andar, antes de sair ela disse: “Você é meu maior desgosto, eu deveria ter te abortado, eu seria mais feliz” Aquelas palavras realmente acabaram comigo.
Depois daquilo, cortes começaram a aparecer em meus pulsos. Eu comecei a me cortar, não encontrava motivos para viver já que ninguém gostava de mim. Meu pai havia me tirado da escola, eu todos os dias eu recebia a visita de professores particulares. Não tinha amigos e era o desgosto da família. Me cortar me trazia paz, eu conseguia descontar toda a raiva e ódio que sentia em mim mesma.
Um dia, quando eu e mamãe voltávamos para casa, a pior coisa da minha vida aconteceu. “Estava escuro, era noite, apenas um poste iluminava aquela rua deserta. Quando de repente, sinto me sendo puxada para dentro de um peco, olho para o lado e vejo minha mãe sendo também arrastada. Uma mão desconhecida tampava minha boca, impedindo meus gritos, e um braço forte segurava meu corpo, me tornando completamente impotente naquele momento. “Até que a novinha é gostozinha” Ouvi um homem falar. Olhei em volta e vi que tinham 6 homens, todos grandes e robustos, um segurava me e outros dois a minha mãe. Quando ouço ela falar em desespero “Por favor, não façam isso, por favor. Podem fazer o que quiser de mim, mas por favor nela não.” Comecei a chorar desesperada quando ouvi a resposta de um dos homens “Vocês ouviram a senhora né, podemos fazer o que quiser dela”. Foram as cenas mais horríveis e as mais fortes que eu já vi em minha vida toda. Eles a estupraram bem em minha frente, arrancaram suas roupas todas, enfiavam objetos nela, e tudo lá em minha frente. E a única coisa que eu podia fazer era gritar desesperada, lagrimas escorriam dos olhos dela, e eu escutava os gemidos nojentos daqueles monstros. Até que então, depois de um tempo um daqueles homens falou “Para de meter cara, você vai acabar matando ela”. Mas já era tarde demais. Eles saíram correndo, eu logo fui ao encontro de minha mãe desacordada. Uma imagem realmente horrível, ela estava toda machucada e havia sangue em seu corpo inteiro. Eu a abracei, e desabei no choro. E as ultimas palavras que ela disse antes de me deixar foram “Lucy, siga seus sonhos, não importa o que aconteça”. É tão estranho, os bons morrem antes, como você que foi embora. Ela quando se foi, levou com ela uma parte de mim.”
Hoje, aos meus 17 anos, ainda escuto meu pai falar que ela morreu apenas por minha culpa, e eu fiz a vida dela infeliz. Depois que aquilo aconteceu, meus cortes começaram a ficar mais freqüentes e mais fundos. Até o dia em que me vi quase morta, sangue espalhado por todo o banheiro, e foi quando parei de me cortar.
Esses anos que estive sem ela, foram horríveis. A cada dia que levantava da cama, sentia mais vontade de ficar lá, apenas ficar lá, não queria sair do meu quarto, eu me sentia mais protegida lá dentro. E realmente eu ficaria melhor lá. Nesse tempo, papai se tornou alguém realmente importante, e cheio de dinheiro, a vida dele era trabalho. Quase não parava em casa, me deixava naquela mansão enorme com os empregados, que são muitos. Mas é melhor quando ele não estava, pelo menos nesse tempo eu estive em “paz”. Mas quando ele voltava, levava minha tranqüilidade, e ele nunca vinha sozinho, com ele sempre vinham as palavras destrutivas.
Malas prontas para amanhã. Eu vou fugir, vou fugir de casa e correr atrás de meus sonhos mamãe. Vou viajar para bem distante dessa casa. Eu vou estudar em uma escola de tempo integral, vou morar lá. E como eu vou me sustentar? Muito simples, a poucas semanas, enquanto eu vasculhava o escritório dele, encontrei um fundo falso na estante de livros. Nele, eu achei muitas jóias, muito dinheiro, e muitos cartões. Eram realmente muitos os cartões de crédito, dos mais diferentes bancos. Eu peguei uns três, e fui nos bancos conferir quanto que cada um tinha de valor. Me assustei muito, ao ver aquele monte de zeros no saldo. Nem se ele vivesse duas vezes, era impossível conseguir gastar tudo aquilo, isso que eu só tirei saldo de três, imagina os outros todos. O que mais me espantou, foi quando eu ainda estava testando diversas as senhas, e quando coloquei o aniversario de morte da mamãe, consegui obter respostas. Bom, eu não considero isso um roubo, pois é a obrigação dele pagar escola não é?! E eu apenas estou ajudando ele a se livrar de tanto dinheiro, que ao meu ver é bom, pois quando se tem muito dinheiro as pessoas não conseguem dar valor as verdadeiras coisas boas.
Quero conseguir provar para o meu pai, que eu posso não ser a pessoa tão inútil que ele acha que sou, quero dar orgulho a ele. Sei que não deveria ficar me importando com isso, mas eu me importo, e quero que um dia ele possa sentir orgulho de mim.
♥ Quebra de tempo, manhã ♥
O despertador toca, avisando que esta na hora de levanta. Olho para o lado, ele marcava 6 horas e 15 minutos, e é agora que minha fuga começa. Levanto e vou até o guarda roupa, pego uma peça, tiro meu pijama e coloco a roupa. Vou até o banheiro, faço minha higiene matinal, pego minha escova de dente e coloco em uma bolsinha que não posso me esquecer de por na mala. Pego também vários de meus perfumes e maquiagens, e coloco também dentro dali. Eu arrumei minha mala ontem, juro, mas sempre fica algo que a gente esquece de colocar.
Antes de sair do quarto, por algum motivo algumas lagrimas escorriam por minhas bochechas quentes. Aquela mobília, aqueles quadros, tapetes, eu iria sentir falta. Por muito tempo, esse foi o único lugar onde eu achei abrigo, foi o lugar onde eu me trancava e me confinava do mundo, e dos gritos dos meus pais. Por muito tempo, aquelas quatro paredes iam me espremendo e sufocando, por muito tempo aquelas paredes foram as únicas coisas que eu via. E pensar que agora eu iria ir embora, e quem sabe talvez nunca mais voltar. Esses sentimentos só me fizeram chorar mais.
Desci as escadas com as duas malas, uma estava pendurada com uma faixa que se apoiava em meu ombro, e a outra eu levava na mão. Meus passos eram devagar e silenciosos, mesmo que meu pai não estivesse em casa, eu não estava sozinha havia empregados lá. Ao passar por um corredor, paro em frente a um quadro de minha mãe que esta pendurado na parede.
–Pois é mamãe, vou fazer o que me pediu, eu vou seguir meus sonhos. Eu vou sair desse lugar que por muito tempo só me trouxe tristezas. Eu posso nunca mais voltar a ver essa escada, essas paredes, essas mobílias, eu posso nunca mais voltar para cá. Mamãe, se orgulhe de mim, eu estou fazendo o certo dessa vez.
Sigo até a cozinha, onde roubo uma maçã. Bom, para alguém que esta roubando um cartão de crédito, uma maçã não é nada. Saio andando comendo a maçã, e vou para a porta dos fundos da cozinha, será mais fácil de sair por aqui.
O caminho até o aeroporto foi um pouco cumprido e complicado. As malas estavam bem pesadas, e o vento frio batia em meu rosto. Meu vôo era só as 7 horas e 30 minutos, e eu estava adiantada. Fui ao portão de embarque. Eu estava apreensiva, achei que eles conseguiriam ver que aquela carteira de identidade era falsa, pois eu tenho 17 só posso sair com autorização dos responsáveis.
O avião levantou vôo, eu vi tudo o que me afligia se distanciar de mim. Agora estava certo, nada poderia dar errado nesse plano. Pois é papai, achou que eu era uma inútil, que nunca conseguiria fazer nada por mim mesma, uma meta já foi alcançada e eu agora estou fugindo e você nem esta sabendo.
♥
Depois de 7 intermináveis horas de viagem, cheguei ao aeroporto. Resolvi almoçar em um restaurante que existia ao lado do aeroporto. Logo depois chamei um taxi, e mostrei a ele o papel amassado que havia anotado o endereço do colégio Fairy Tail. Eu já havia me comunicado com a diretora, já me informei de tudo. No colégio, existem os dormitórios, e seria lá onde eu iria morar.
O percurso foi bem longo do aeroporto até a escola. Eu fiquei com medo, achei que ele fosse me levar para algum lugar longe e abusar de mim. Acho que depois da morte de minha mãe eu fiquei um pouco traumatizada em relação a isso. A chuva começou a cair forte, nem sei quando isso aconteceu. Esta chovendo muito, pingos grossos, que fazem barulho ao bater no teto do carro. Até que de repente o taxi para em frente ao um grande portão, que tenha uma escrita grande “Fairy tail”. Paguei o que devia a ele, e depois sai com minhas duas malas em mãos.
–Ah, droga. –Falei alto enquanto apertava o interfone e esperava que alguém abrisse para mim.
Enquanto isso, a chuva ia caindo, me molhando por completo. Não foi muito o tempo que demorou, mas o suficiente para me deixar encharcada. Ao entrar pelo portão, confesso que senti um pouco de medo ao me deparar com tamanho daquele campus. Era enorme. Comecei a caminhar, já estava completamente molhada. Eu não sabia para onde ir, qual prédio seria o das salas, dormitórios, onde encontraria a diretoria, estou completamente perdida. Pendurei uma das malas em meu ombro, e a outra deixei cair ao meu lado. Tirei de dentro do meu bolso um pequeno mapa de Fairy Tail vista de cima, eu havia imprimido da internet.
–Ai, eu não acredito, ele esta completamente encharcado. –Começo a falar comigo mesmo.
Senti uma mão tocar em meu ombro delicadamente. Quando virei me, vi ele. Era um garoto de cabelos róseos e olhos penetrantes. Ele segurava uma jaqueta preta por cima de sua cabeço, impedindo que aqueles cabelos rosa intensos molhassem.
–Um estrupador. -Falei virando me para o lado oposto, só depois que fui perceber o que disse. -Oh My Good, eu falei esto em voz alta. -Quando falei isso, escutei risos vindo de trás de mim.Virei me para ele, e sinti meu rosto queimar de vergonha. -Ai, desculpa. -Falei sem jeito.
–Não, tudo bem. Toma, coloca isso -Ele falou colocando sua jaqueta por cima da minha cabeça, e segurando ela ali.
–Não, não, pode ficar. Eu já estou toda molhada. Você vai acabar se molhando -Falei empurrando sua mão.
–Eu não me importo. -Ele insestiu.
–Sério, fica você. -Eu disse.
–Quem sabe se a gente for para baixo de uma cobertura não seja melhor?! -Ele disse arqueando uma sobrancelha.
–Acho melhor. -Disse rindo.
Ele pegou a mala pendurada em meu ombro, e a que estava largada no chão. E acabou por colocar sua jaqueta pendurada em meus ombros. Começou a andar. Com a mão desocupada, pois uma das malas ele levava no ombro, ele pegou em minha mão gélida e me guiou. Pouco tempo andando e ele também já estava bem molhado. Levou me para um corredor próximo, onde o teto era segurado por pilares, o corredor dava de um dos prédios até o outro.
–Novata né ? -Ele perguntou.
–Sim, por que? -Falei tentando retirar um pouco da água do meu cabelo, inútil, ele chegava a pingar de tão molhado.
–Não, por nada. É que eu estudo aqui a um tempo e nunca havia lhe visto. –Falou se explicando.
–Obrigada por ter trazido minhas malas, mas agora pode deixar que eu levo. –Falei enquanto levava minhas mão até as malas que estavam com ele.
–E para onde você pretende ir? Pelo que eu vi, você parecia bem perdidinha a pouco tempo.
–Boa pergunta, nem sei pra onde eu vou ir agora. Mas muito obrigada, já me ajudou bastante até aqui, pode deixar que eu me viro de agora em diante. –Falei tentando pegar as malas, que ele ainda não havia deixado serem pegas por mim.
–Ajudou bastante? A única coisa que fiz foi tirar você do meio da chuva. –Ambos rimos, realmente ficou bem exagerado eu ter dito que ele havia me ajudado bastante. – Vamos, eu vou te ajudar a encontrar o seu dormitório. Dai você toma um banho, e depois vai lá falar com a diretora. Por que né, aposto que não vai querer encharcar a sala da diretora, ia lhe causar uma horrível primeira impressão. –Ri de novo com o que ele falou.
–Você tem razão, isso seria horrível mesmo.
–Haha, eu sempre tenho razão. –Ele falou em resposta. –Mas a propósito, você fez sua matricula por internet, ou veio até aqui para isso?
–Fiz por internet, mas o que muda?
–Você provavelmente então ganhou uma ficha de identificação né. –Mexi a cabeça positivamente. –Lá diz também onde vai ser o seu quarto, deixe me ver, por favor.
Eu abri a mala que continuava pendurada em seu ombro. Depois de meter minha mão lá dentro, encontrei o bendito papel em um dos bolsos de dento da mala. Entreguei a ele o papel, enquanto fechava a mala.
–Huuuum. –Ele observou, tentando encontrar onde é que estava a informação. –Olha, você vai ficar no mesmo corredor que as minhas amigas, e vai até dividir apartamento com uma delas. –Ele falou. Amigas, aposto que com esse porte que ele tem, já deve ter pegado todas. Heeeey Lucy, pare de reparar nessas coisas.
–Que bom. Agora como eu ia dizendo antes, pode deixar que eu sigo sozinha, me devolva as malas. –Falei estendendo os braços.
–Mas você é teimosa né.
–Pode deixar comigo, não quero incomodar mais.
–E se eu disser que não é incomodo nenhum te acompanhar?
–Não precisa, eu me viro. –Tentei insistir mais.
–Posso saber qual é o nome da teimosinha?
–Não sei de quem esta falando. Mas a garota que é capaz de encontrar seu quarto sozinha se chama Lucy. –Ele riu.
–Prazer Lucy, o nome do cara que esta aqui se pondo a disposição de uma guria teimosinha é Natsu. –Eu estava com um sorriso bobo no rosto. –Você disse que é capaz de encontrar seu quarto sozinha né, já viu o tamanho desse lugar? Ele é enorme. –Natsu começou a andar, e eu fui seguindo.
–Eu ia dar um jeito. –Falei baixo.
–Viu só, e depois diz que não é teimosa.
Estar com o Natsu é tão bom, tão agradável. Continuamos a andar pela escola, eu tentei insistir novamente em levar as malas, mas ele não deixou. Os estudantes que passavam por nós, nos olhavam com curiosidade, sem saber o que duas pessoas completamente encharcada estavam fazendo com duas enormes malas. Não queria ter que admitir, mas realmente seria complicado achar o dormitório sem ajuda. Nós passávamos por inúmeros corredores e salas, subíamos algumas escadas também. Até que então, chegamos a frente de uma escada, e ao lado a placa “proibido garotos”.
–Hey, e aquela placa ali? –Falei apontando.
–Ah, ninguém vai ver. Alias eu estou fazendo a coisas certa, estou auxiliando um aluno novo –Ele fez uma voz engraçada. –Então eles não vão poder me xingar se me pegarem, isso se pegarem.
Logo depois de subirmos aquelas escadas, tivemos que virar em mais alguns corredores. Nossa, era tanto quarto, e tantas placas na porta, que era sim muito possível de se perder. Até que então chegamos no corredor que procurávamos.
–É esse aqui, B5. E o seu quarto é o 550. –Ele falou.
–Que ótimo, meu numero favorito é o cinco.
–Seu quarto é aquele no final do corredor.
Ele me levou até o quarto, a porta estava deschaveada. A diretora sabia que eu viria hoje, então de certo já havia pedido para que arrumassem o quarto para mim.
–E então, teimosinha, é aqui que você fica. –Ele falou adentrando um pouco o quarto e deixando as malas no chão ao lado da porta.
–Isso é um adeus?
–Espero que não, espero te ver muito mais. –Ele falou e saiu fechando a porta.
Eu estava tão feliz, que poderia pular. Havia conseguido o que eu queria, e havia me saído melhor do que pensei. Esse Natsu, ele me parece uma ótima pessoa, e eu tenho bons pressentimentos.
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