I will find you
17 Meu tesouro mais precioso...
Notas iniciais
Yui me ensinou toda a tablatura e o solo da música. A melodia doce e calma era tranquila de ser tocada, apesar de eu quase nunca tocar em um violão consegui pegar rápido o ritmo por conta do meu conhecimento com a guitarra.
Naquela noite eu fui dormir mais feliz de alguma forma. Coloquei o colchonete ao lado da maca de Iwasawa e fiquei a observá-la até que pegasse no sono. Logo cedo, após o Sol nascer eu já estava pronta para a escola. Tenho que admitir que essas foram as aulas mais torturantes até agora, minha vontade era de sair correndo para voltar para o hospital, mas diferente do que eu era na escola antigamente, agora sou mais séria e cumpro com os meus deveres diários. Estudar é algo necessário, por mais que eu prefira viver da música.
Ao sair da sala com as meninas, fiquei pensando em como seria o dia de hoje.
— Eu estou muito ansiosa pra voltar a tocar com vocês. – Irie sorriu serenamente, retirando as baquetas da mochila.
— Eu também, mas será que vamos poder levar uma bateria pra lá? – Sorte que uma ideia apareceu na minha mente de surpresa ao ouvir a pergunta de Sekine.
— Podemos levar uma caixa acústica. – Sorri ao responder com meu ar de responsabilidade. – E pra você, um baixo acústico. – Ambas concordaram e passamos na sala de música da escola para pegar os instrumentos emprestados.
O caminho até o hospital estava tranquilo. Ajudei Irie a carregar a caixa nos ombros e logo chegamos ao quarto de Yui, antes disso, passei para ver como Iwasawa estava. Continuava ali intacta e ligada aos aparelhos que funcionavam perfeitamente bem.
— Ainda bem que vocês chegaram, eu já não aguentava mais esperar. – Yui exclamou quando nos acomodamos ao seu lado, cada uma em uma cadeira, exceto Irie que sentou em cima da própria da caixa.
— Nós já chegamos sua bobinha. Vamos começar a ensaiar logo, não vejo a hora de levarmos esses instrumentos pro quarto da Iwasawa-san. – Sekine disse baixinho.
— Hai hai. Aqui estão as cópias das tablaturas que fiz enquanto vocês não vinham. – A rosada já foi entregando folhas para cada uma de nós e eu tirei o violão que peguei na sala de música.
— Não é difícil, é uma balada... Temos que fazer uma batida mais leve para não incomodar os outros quartos. – Já fui avisando para que não houvesse reclamações da parte dos médicos e pacientes.
— Verdade... Isso não é difícil, eu sei improvisar! – Sekine piscou e eu lembrei que me irritava com aquilo, mas seria de uma grande ajuda agora. Nunca pensei que isso aconteceria, mas era o momento para que eu admitisse que isso servia muito bem.
—Tudo bem, dessa vez será necessário... – Suspirei e ela abriu um sorriso brilhante.
— Então, vamos ensaiar? – Yui fez o maior beicinho e consentimos.
— Vamos!
E assim Yui começou as batidas de violão, docemente. Sekine e Irie pareciam estar deslumbradas com a melodia e elas tinham todos os motivos plausíveis para isso. A voz dela foi baixa para que guardasse seus agudos para o grande momento.
Naturalmente elas seguiram o ritmo, ao contrário do que pensei não foi uma bagunça. Foi bem tranquilo e todas nós entramos em harmonia com a música. Repetimos a músicas pelo menos umas seis vezes para que estivéssemos bem ensaiadas.
— Sua música é muito bonita, Yui-chan! – Irie deixou sua bateria de lado um segundo para descansar e sentou-se na maca ao lado de Yui.
— Muito obrigada, hehe. – A rosada ficou sem jeito.
— Eu também achei sua música incrível, Yui-chan, nem parece que foi você quem escreveu. – Sekine como sempre, indelicada.
— E-Ehhh? Como assim? Eu também posso escrever músicas sentimentais! – Eu ri baixinho e apenas observei.
— Não seja malvada, Sekine-chan. – Irie mostrou a língua para a melhor amiga.
— G-Gomene, hehe... – Ela coçou a nuca ao pedir desculpas.
— Então meninas, quando vocês preferem ir cantar? Por mim, eu iria agora mesmo, mas teria que pedir para o médico da Yui autorizar ela a sair desse quarto para o outro. – Disse claramente ao me recostar sobre a janela, sentindo o vento bater em minha franja.
— Deixa de ser boba, a gente sabe que você vivia fugindo das aulas de aritmética quando estávamos na mesma sala. Você costumava jogar shogi e quando a Tachibana-san descobria, vocês pulavam janela a fora. – Ri baixo ao me lembrar daqueles tempos, era o meu único passatempo depois que Iwasawa tinha reencarnado.
— Eu costumava jogar shogi com o Fujimaki e o TK. Eles sempre perdiam pra mim, hahaha. Aula de matemática nunca foi meu forte, então nós fugíamos mesmo.
— Então, vamos lá! O quarto não é muito longe e minha cadeira está guardada atrás da porta. – Fui tentada a aceitar a proposta e peguei a cadeira, Irie e Sekine tiraram a rosada da cama e eu ajudei a colocá-la no assento.
— Okay, mas não vamos fazer nenhum barulho até chegar lá, certo? Fechem a porta quando entrarmos lá. – Avisei antes que saíssemos porta a fora. Sekine levou a guitarrista enquanto Irie e eu tratamos de levar cada instrumento cuidadosamente e o mais rápido possível para a UTI.
O caminho estava limpo, ninguém apareceu e os corredores aparentavam estar silenciosos como sempre, exceto por uma família que havia acabado de descer pelo elevador. Ao arrumarmos tudo no quarto, nos posicionamos em volta da cama de Iwasawa. Fiquei a sua direita com o violão no colo, todas nós estávamos nervosas e eu sentia minhas pernas tremendo e um frio intenso na barriga. Afinal, por que isso tudo? Eu sempre toquei com ela e agora que irei tocar para ela, estou assim. Isso é novidade para mim.
Nós nos entreolhamos e esse foi o jeito de mostrar que estamos prontas. Irie deu um sinal com as baquetas, na verdade, três toques como de costume e o violão de Yui começou. Leve e tocante na alma, sua voz saiu docemente.
“Sempre que nos víamos tudo que fizemos foi brigar.
Mas aquilo eram também lembranças maravilhosas.
Você me ensinou muito, eu não estou mais assustada.
Não importa o quão seja difícil, eu possa agarrar a felicidade, então,
Eu vou por mim mesma, mesmo que isso pareça doloroso”.
Sim, eu sei que às vezes nos desentendíamos por causa do nome da banda, mas isso era coisa boba. Você me ensinou tudo o que eu sei agora sobre a música e a vida, nossas lembranças são as melhores, Iwasawa... Eu estou aqui, por mim e por você, eu irei te cuidar.
“Eu vou sempre continuar o sonho que eu tive com você.
Estar com você era tão maravilhoso, não havia mais ninguém.
Mas quando eu acordei de manhã, você não estava lá.”
Nossa banda está aqui, estamos aqui por você... Sempre foi nosso sonho poder tocar juntas pra sempre, não foi? Por que você teve que ir tão cedo? Era pra você estar feliz agora... Este solo é para você, Iwasawa...
“O tempo muda, uma vez que subia e descia.
Eu não consigo lembrar o que aconteceu mais, mas,
Se eu tentar fechar meus olhos eu consigo ouvir o riso de alguém.
De alguma forma, esse é agora o meu tesouro mais precioso.”
Eu não sei por que estou chorando tanto esse momento, talvez seja o solo... Mas lembro da sua risada quando nos divertíamos mesmo que sozinhas. Eu sinto tanto a sua falta... E esse solo é para você...
...
No fim, meus dedos doíam um pouco pelo solo. Yui estava com os olhos cheios de lágrimas e eu chorando baixinho, eu não gostava de expor tanto o que sentia, mas era inevitável o choro.
— E-Eu espero que você acorde logo, Iwasawa-san... – A rosada disse baixinho enquanto Sekine retirava o violão do colo dela, para que ela ficasse mais acomodada na cadeira de rodas. Todas nós sentíamos as lágrimas descerem pelas bochechas.
— Sinto saudades... – Sussurrei ao ajoelhar próxima a sua maca. Gentilmente deslizei os dedos até a sua mão e segurei cuidadosamente, ela parecia estar mais frágil que antes, sua pele fina... Antes seus dedos eram rijos por conta da guitarra. – Espero que você tenha ouvido a música... Yui quem fez... É de coração para você, Iwasawa...
Antes que eu resolvesse levantar, senti a minha mão sendo apertada. O quê? Iwasawa moveu os dedos!
— Iwasawa moveu a mão, Hisako! – Yui sussurrou surpresa.
— Vamos chamar o médico! – Irie arregalou os olhos e puxou Sekine junto, eu não sabia o que pensar e dizer.
Apenas sentir...
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