I wanted to hate you more
5 Posso te chamar de Hic? - Hiccup
Notas iniciais
–Saia de cima de mim! – rosnei, mas ele apenas me encarava como se analisar meu rosto fosse a coisa mais interessante do mundo. – Saia está machucando!
–Bem se você pedisse, por favor. –disse ao abrir um sorriso. Pensei em gritar, mas ali e a essa hora não viria ninguém.
–Por favor. – pedi parando de me debater e o encarando furioso.
–Bem melhor e da próxima vá acordar sua mãe a tapa. – disse e afrouxou as mãos até me soltar.
–Palhaço. – disse.
–Que saco cara eu estou morrendo de sono. – disse se sentando escorando a cabeceira.
–Vamos logo! – rosnei ao me levantar.
–Só se você me carregar até lá. – disse ao rir.
–Ah, Jack, sua parada já está acordada. – disse ao pegar alguns livros e meu rosto esquentou. – Eu vou na frente ara você resolver isso.
Ele olhou para o volume entre as pernas, praguejou e depois riu. Não entendi aquilo, sai do quarto. É normal garotos da nossa idade terem esse problema, mas foi até engraçado, lembro... Não lembro. Pergunto-me se ele ainda fala dragonês eu ensinei muito bem a ele afinal talvez eu pergunte a ele essa noite. Dei uma risada e cobri a boca me lembrei de que era um corredor deserto e me permiti sorrir.
Lembrei também de ter tentado entrar para o time de quadribol, mas acabei todo ferrado na enfermaria. Jack sempre me levava o jantar e dormia lá comigo, “Cabia nos dois na cama eu era muito pequeno.” Ele sabia do meu medo da enfermaria eu apenas não gostava daquele lugar. Agora Jack desde o momento que subiu naquela vassoura ele era perfeito.
*FlashBackOn*
Era o inicio do campeonato de quadribol e também o primeiro jogo oficial de Jack e mesmo com 10 anos ele era incrível em campo. Estava na tenda da sonserina, iam jogar contra minha casa, mas eles nem precisavam de mim obviamente. Alguns desconfiavam que eu dava informações de suas jogadas a minha casa, mas essa hipótese foi baixada quando descobriram meu histórico nos esportes.
Jack estava nervoso muito, não que os outros garotos estivessem melhor que ele. Balançava as pernas, roía as unhas e passava a mão pelos cabelos a cada minuto, se bem que era até bonitinho esse nervosismo todo dele. Acabei por dar uma risada o que chamou a atenção dele e de outros garotos que logo voltaram a se concentrar.
–Você vai ficar bem, você é incrível não se preocupe. – disse passando meu braço por seus ombros e o apertando contra mim.
O time foi chamado e mais parecia que eles iam para um campo de tortura que para um simples jogo. O nervosismo dos garotos era tão forte que se podia sentir assim no ar era quase plausível naquela altura. Jack olhou para mim com um sorriso preocupado, os garotos se arrumavam agora vestindo capacetes ou óculos e pegando suas vassouras em um canto.
Fizeram uma fila começando do maior para o menor que nesse caso era Jack que depois de se arrumar pegar sua vassoura entrou na fila ficando em ultimo. Eu caminhei até ele que tinha medo nos olhos sorriso docemente e o abracei ele demorou um pouco, mas retribuiu o abraço e me apertou com força é ele realmente estava com medo.
–Boa sorte disse ao me afastar, mas não me soltando dele. Ele segurou meu queixo e me deu um selinho, corei fortemente.
–Obrigado, Hic. Agora sim que eu venço!. – disse agitando o punho no ar ao sair da tenda atrás dos outros que não viram a cena.
Quando saíram meu rosto parou de ferver um pouco, sorri e caminhei lentamente para fora. Afim de assistir o jogo, se tem algo que eu odeio é quadribol, não elo fato de não saber jogar, também por isso, mas não apenas isso. Eu iria assistir simplesmente por que Jack estava em campo queria vê-lo, aqueles cabelos brancos se agitando ao vento o sorriso que só ele sabe dar e a euforia de se estar voando. Eu não sei, mas apenas sentia que precisava estar lá.
*FlashBackOff*
Ainda andava em direção a sala de Minerva e provavelmente estava rosa por me lembrar disso. Pode achar que estou sendo chato, irritante e cabeça-dura com Jack, mas eu não quero mais castigo, acabei por descobrir que isso é uma merda. Mas para falar a verdade nem sentia falta do meu dormitório aqueles meninos nojentos, nunca escutavam qualquer coisa que eu dizia a eles.
Então só a área da minha cama ficava realmente limpa, não que eu preferisse dividir com Jack, mas um quarto só meu seria ótimo. Eu não passava muito tempo nele geralmente estava na biblioteca ou ajudando Panoma com algo inútil que ela queria que um idiota fizesse por ele, mas me rendia créditos com ela. E as vezes era encarregado do uniforme do time de quadribol.
~*~
Voltava ao quarto com Jack que comia doces de um saquinho cor de rosa.
–Aceita? – questionou estendendo o saquinho neguei com a cabeça. – Ah vamos eu sei que você gosta, são feijõezinhos você se lembra não é?
Quando eu era menor gostava muito deles, mas não tinha muito dinheiro. Eu tinha muita má sorte e sempre pegava sabores ruins, mas quando Jack me entregava uma era sempre um bom. Eu realmente senti falta dele no começo foi difícil eu queria muito meu amigo de volta, mas eu simplesmente não podia, aceitei o doce.
–Não acredito que ainda gosta disso, Jack. – disse ao rir.
–Eu vou comprar doces até ficar velhinho, eu amo. – disse levando mais alguns a boca. – Você também gostava muito e aposto que ainda gosta.
Sorri e peguei mais um levando a boca, estava um tanto cansado, tive de alimentar Bicuço hoje para ajudar Panoma, aquele animal é chato não come nada no chão eu tive que lançar para ele todos os vinte guaxinins. Como disse antes sou péssimo em esportes, entramos no quarto e Jack tirou os sapatos se jogando na cama e abraçando um dos travesseiros.
–Estou morto. – resmungou abafado com a cabeça enterrada no travesseiro.
–B-Banguela com fome! – ouvi meu dragão dizer ao sair de decima do armário. Claro que nesses seis anos ele crescer, agora estava da largura de meus ombros sem contar a calda.
–Que tal a coruja de Jack? – disse em dragonês.
–Banguela pode? – questionou ao olhar para a gaiola onde o animal começara a se agitar.
–Fique longe dela. – ralhou Jack em dragonês ao se sentar na cama.
–Banguela quer pássaro branco. – choramingou.
–Não! – anunciou. – Fique longe dela.
–Ainda se lembra? – disse eu voltando ao inglês.
–É claro amo essa língua.
*FlashBackOn*
Estava no pátio lateral não havia ninguém ali eu ainda estava nervoso aquele maldito chapéu seletor. “Vou te mandar é para a puta que te pariu.” Estava ventando e devia ser uma 8h da manha, estava deitado na grama olhando para o céu azul e extremamente limpo. Ouvi passos, mas decidi ignorar até que quem fosse deitou-se do meu lado.
–Ainda bravo Hic? – perguntou e eu reconheci sua voz sendo de Jack.
–Quando foi que começou a me chamar de Hic? — questionei.
–A partir de agora, sem falar que é bonitinho. – disse com uma risadinha.
Olhei para ele que fitava o céu, as nuvens refletidas em seus orbes azuis eram como olhar para o próprio céu, não havia notado realmente, mas Jack era muito bonito. O sorriso desenhado em seus lábios lhe davam um ar despreocupado e totalmente livre, eu queria poder sorrir a todo momento como ele.
–Não estou bravo, afinal você prometeu ficar comigo para sempre. – disse e segurei sua mão fria.
–Sim eu prometo, Hic. – disse e se virou para mim. –Agora quando começaremos as aulas de dragonês?
*FlashBackOff*
–Banguela está com fome? – disse agora em dragonês. –Sand ama roedores se você também gostar pode pegar alguns dela.
Se levantou e caminhou em direção ao baú que ficava aos pés da cama, o abriu e de lá tirou uma caixa marro pardo com furinhos. Abriu um pequeno espaço dela e enfiou a mão a erguendo em seguida com um ratinho branco preso pela cauda se debatendo tentado agarrar o ar. Banguela saiu da cabeceira e abocanhou os animal. Fez o mesmo com outros 7.
–Banguela ainda preferia pássaro branco. – resmungou antes de pegar no sono.
Parecia uma chaminé, soltava fumaça pelas narinas, mas não omitia nenhum som. O tirei da cama e o coloquei na poltrona. Fui tomar um banho quando sai Jack foi logo tomar um também, caminhei em direção a cama me deitando na mesma. Peguei o livro que estava sobre a mesinha que sustentava o abajur.
Um tempo depois Jack saiu do banheiro com a toalha envolta na cintura, pelo visto essa ameba esqueceu-se de levar a roupa, nos dormitórios é assim ou você se troca lá dentro ou vai ser zoado pelo restante de sua vida. Eu não faria nada obviamente, mas era realmente engraçado no meu ponto de vista ao menos.
E quando penso que não a toalha está no chão e sou obrigado a olhar aquela bunda branca na minha frente. Me segurei para não começar a rir mordendo o lábio inferior, subi um pouco o livro para tentar ignorar, o que deu certo mesmo assim eu não conseguia me concentrar eu não estava conseguindo entender o que estava escrito.
Desisti e fechei o livro o colocando no mesmo lugar e apaguei o abajur, puxei o cobertor até meu pescoço e me aconcheguei ao travesseiro sentindo o ar ficar gelado. Senti quando Jack se deitou também eu acho, mas ele não parava quieto um instante estava a ponto de me levantar e tranca-lo no banheiro ele não disse que estava cansado? Ele se levantou e começou a fazer mais barulho.
–Jack dá para ficar quieto? – indaguei ao me sentar.
–Não consigo fechar essa maldita gaveta. – disse ele irritado.
–Tente tirar alguma coisa dela sua anta. – disse e revirei os olhos.
–Anta é você. – retrucou tirando algumas coisas da gaveta e fechando.
–Não disse? Agora durma! – disse e me deitei outra vez.
–Eu não quero dormir. – resmungou ele se deitando novamente.
–Mas acontece que eu quero e também temos de limpar o quarto amanha. – disse e o senti deitar na cama novamente. –Bom garoto.
–Morre Hic! – disse rindo.
–Me obrigue. – retruquei. – E não me chame de Hic.
–Vá dormir Hic! – disse ainda rindo.
–Merlin me odeia só pode. – bufei antes de falar.
–Cor essa cara sardenta como não? – riu-se ele.
–Quando éramos pequenos você dizia outra coisa. – disse sorrindo orgulhoso mesmo que ele não pudesse ver por eu estar de costas para ele.
–Ah é? O que eu dizia? – indagou ele e pude sentir sua respiração em meu pescoço, senti meu rosto esquentar levemente.
–Você dizia que era bonitinho. – disse.
–Eu ainda acho bonitinho. – disse ainda no meu pescoço. – Merlin que não deve gostar muito .
–Eu também gosto do seu cabelo. – disse. – Mas te odeio. – disse e puxei um pouco mais o cobertor ele não disse nada.
–Pensei que você ia me perdoar. – ele disse em um suspiro se joando na cama.
–Não vamos falar sobre isso tudo bem? – disse começando a sentir a cor de meu rosto ir embora. – Apenas vamos dormir.
–Por que quer esquecer seu passado? – indagou calmamente.
–Por que foi o oque eu escolhi fazer. – exclamei ao me sentar e olhar para ele. – O passado só me machuca então se eu ignora-lo...
–Ele não vai desaparecer. – me cortou se apoiando nos cotovelos.
–Eu sei, eu sei que não vai, mas talvez se eu não abrir a porta ele não posso entrar...
–Ele vai arrombar a porta, Hic. – disse e segurou minha mão.
–Não me chame de Hic! – exclamei ao puxar minha mão. – É culpa sua o passado existir.
–Mesmo que você fuja ele vai te alcançar alguma hora. – disse com pesar.
–Se ele chegar perto como agora eu corro mais rápido. – disse e me deitei novamente puxando o cobertor. – Apenas me deixe esquecer Jack, por favor.
–Você deveria enfrenta-lo. – disse se mexendo.
–Mas eu não quero, por favor. – disse quase chorando. – Eu não quero mais falar sobre isso.
–Tudo bem me desculpe. – disse eu ele se aproximou. — Eu posso te chamar de Hic? – perguntou suavemente perto de meu ouvido pensei por um minuto.
–Pode. – disse por fim.
–Boa noite, Hic. – disse.
Senti sua mão sobre meu ombro e ele beijou minha bochecha, o ouvi apagar o abajur e se aconchegar na cama. Eu não quero me lembrar se eu me lembrar posso acabar perdendo meu ódio por ele. Eu não posso me lembrar, tenho de manter essa maldita porta fechada, tenho de fugir para longe ou vou perdoa-lo. Eu não posso me lembrar.
“Seu peito implora para que se lembre, Hic, não vê?”
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