A ideia de ir até o parque da cidade foi toda de Zoro, embora não fosse muito criativa. Provavelmente todos os casais se reuniriam ali, era capaz até mesmo dos dois encontrarem colegas da escola, mas Sanji gostou.

Gostou de cogitar que dariam as mãos como os demais.

Portanto, quando a aula terminou, caminharam depressa para o parque antes que o sol se pusesse. Como corriam desesperados, não andaram de mãos dadas iguais alguns casais que já apareciam pelo caminho, e pararam em frente ao portão de ferro da entrada arfando ar. Ambos tiveram o mesmo pensamento: pegar na mão do namorado.

Aquele era o primeiro dia dos namorados que passavam juntos, e estar ali no portão já era uma vitória. Sanji achava que Zoro esqueceria ou não curtiria celebrar mais uma data em que o capitalismo sugava o nosso dinheir... algo assim. E Zoro achava que Sanji tinha vergonha dele por se tocarem só em seus quartos. Por exemplo, Sanji falava muito da cor de seu cabelo, até o chamava de marimo, como se ele não tivesse um par de sobrancelhas encaracoladas pra tomar conta em vez de xeretar sua vida.

Zoro gostava de tingir de verde, achava estiloso, e ele sabia que Sanji também achava. Assim como Sanji sabia que ele gostava de ser chamado de “marimo”, porque só ele o chamava dessa forma. Os dois tinham uma relação estranha, era brigando que se entendiam e há pouco tempo eram somente amigos que gostavam de disputar com o outro.

Por isso, Zoro se surpreendeu quando sentiu um calor envolvendo sua mão e entendeu que quem havia ganhado a disputa desse dia fora Sanji, o que mais pedia por discrição. Olhou ao redor, tantos rostos, alguns até mesmo familiares, contudo, na sua mão havia um toque fora das corriqueiras quatro paredes. Era muito real.

— Não precisa se não quiser.

O que mais queria era continuar segurando a mão pálida de seu namorado, mas não queria que ele se sentisse obrigado.

— É o que eu mais quero. — As bochechas de Sanji estavam vermelhas, sua mão apertou mais firme a outra mais áspera. Zoro olhou para o lado e viu como estava corado, perguntou se sentia febre por ter corrido. — Idiota! Quem fica com febre depois de correr?!

O marimo sorriu por vê-lo encolhendo os ombros, ficando vermelho até nos braços, muito exasperado e sendo ele mesmo. Coçou o rosto antes de corresponder o aperto na mão assustadoramente suada. — Você está dando o seu melhor, hein?

— Cala a boca, e vamos logo entrar nesse parque!!

Passou a puxar o marimo pela mão, juntando-os aos demais casais na margem do lago. Era difícil para esses dois rivais falar de amor num cenário tão romântico.

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