I wanna see you smile
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Lydia não conseguia se sentir bonita naquela situação. A barriga redonda e inchada se expandia para frente como um grande balão chamativo que a impedia de enxergar os próprios pés. As mãos e os pés também estavam inchados demais, ela nem sequer conseguia colocar seus sapatos prediletos.
Era obrigada a usar somente sandálias abertas e roupas largas, especiais para gestantes. Antes, ela tentava se consolar com os seios grandes, inchados como o resto do corpo, mas naquele dia até aquela parte do corpo parecia a irritar.
Sentia os hormônios a flor da pele, desejava comer qualquer coisa que parecesse a sua frente e ao mesmo tempo, era tomada pela culpa ao pensar que realizasse suas vontades, engordaria ainda mais.
Irritada, sem nenhum pensamento positivo para a animar, Lydia bufou e virou de costas para o grande espelho do quarto. Cruzou os braços acima do peito e sentiu os seios protestarem com dor por causa do breve contato. Mais uma vez ela bufou, cansada daquela sensibilidade excessiva.
Stiles, alheio dos sentimentos que dominavam a esposa, entrou no quarto de casal com um sorriso meigo no rosto. Ao contrário dela, ele se sentia radiante. Tinha conseguido uma semana de folga do FBI e assim, estava tendo o privilegio de ficar com Lydia no seu período final de gravidez.
— Amor? — Ele chamou já receoso ao se deparar com a expressão rabugenta da mulher.
— Não começa a me irritar, Stiles! — Ela alertou com as sobrancelhas arqueadas e erguendo uma mão acusatória na direção dele. — Eu juro que se você falar qualquer coisa eu arrebento a sua cabeça com um grito.
O homem engoliu em seco por ter consciência do quanto aquela ameaça tinha fundamento. Coçou a nuca e observou Lydia caminhar a passos lentos até a cama de casal, sentando na ponta com certa dificuldade.
— Mas eu não fiz nada... — Ele se lamentou em voz baixa e foi repreendido por um único olhar mortal da mulher.
Suspirou derrotado, mas ainda teve coragem de andar na direção da esposa. Paciente, se ajoelhou em frente a ela e em um instinto impensado, tocou na barriga saliente por alguns segundos, fazendo um carinho gentil sobre o ventre que carregava dois bebês.
— O que foi, minha linda? — Stiles perguntou em voz baixa, mimando a mulher com o elogio sincero. Estava habituado a fazê-la derreter de suas súbitas irritações com palavras de carinho.
— Não. Me. Chama. De. Linda. — Lydia separou cada palavra ao falar, como se após cada uma delas existisse um ponto. O bico em seus lábios grossos nem dava sinal de abandonar a boca.
— Por que não?
— Porque eu estou horrível!
A fala da esposa pareceu tão infantil e surreal para Stiles que ele não conseguiu prender uma risada. Antes que se reprimisse, já soltava um riso debochado e divertido.
Mais uma vez, Lydia o encarou com ódio nos olhos, mas ele nem se importou.
— Mieczyslaw Stilinski, se continuar gargalhando eu vou arrancar o que você chama de pau para nunca mais rir de mim!
A ameaça feita com o nome que Stiles tanto odiava só o fez rir mais. Lydia fez menção de levantar da cama, porém ele a impediu sem dificuldades, exercendo uma breve pressão das mãos sobre as pernas dela.
— Se você prometer que vai arrancar com a boca, eu nem vou me importar. — Provocou mais uma vez, a voz repleta de malicia enquanto lembrava da sensação de ver a esposa lhe proporcionando um sexo oral gostoso. — E você não ia aguentar ficar sem o seu brinquedo predileto.
— Stiles! — A voz de Lydia ficou tão aguda e inconformada, que Stiles por alguns segundos ficou abobalhado vendo a expressão fofa e birrenta da mulher. Ele amava vê-la daquele jeito.
Ele balançou a cabeça em negação algumas vezes antes de conseguir prender o riso e se recompor. Mordeu o lábio inferior e levou as mãos grandes ao rosto de Lydia, segurando com cuidado para que ela o encarasse.
— Como você pode estar se sentindo feia, Lydia?
— Minha barriga está tão grande que eu não consigo ver meus próprios pés! Cada parte do meu corpo dói, meu rosto está péssimo, não consigo dormir direito...
Stiles interrompeu as reclamações com um selinho colante nos lábios que amava. Lydia arfou em surpresa e o encarou desorientada. Mesmo após estar com ele há anos, até o beijo mais simples ainda era capaz de lhe roubar o folego.
— Desculpa, Lydia. Eu tenho que ser um marido melhor.
A declaração de Stiles pegou a mulher desprevenida. Ela franziu as sobrancelhas ruivas e o encarou com confusão nos olhos, sem conseguir entender a seriedade súbita nas feições do homem. Não havia mais sinal de diversão nos olhos castanhos.
— O quê?
— Se você está se sentindo feia por causa da gravidez e tão mal-humorada, é porquê eu não estou dizendo vezes o suficiente o quanto você é linda e nem a mimando o suficiente para se sentir melhor.
Com aquelas novas palavras, Stiles conseguiu finalmente derreter o coração de Lydia. Emotiva graças aos hormônios agitados dentro si, a íris verde foi preenchida por lágrimas indesejadas.
Stiles sempre a tratou com carinho extremo, porém, depois da descoberta da gravidez, ele estava ainda mais preocupado com ela. Sempre a acompanhava em cada consulta medica, fazia as suas vontades, se responsabiliza por toda a ordem da casa para que ela não precisasse se esforçar.
Por isso a declaração marido era surreal. Como ele podia se culpar pelos incômodos que ela sentia em relação a si mesma?
— Não, claro que não! Eu estou só estou sendo estupida e...
Mais uma vez Stiles não permitiu que a mulher terminasse de falar. Selou suas bocas por não suportar ouvi-la falar mal de si mesma e o desejo foi a razão para o breve selinho progredir para um mover de lábios lento e prazeroso.
Para alcançar a boca da esposa, Stiles estava com o corpo inclinado para o lado, evitando que a barriga atrapalhasse a aproximação tão desejada pelos dois.
O homem mordiscou o lábio inferior da esposa e o sugou por alguns segundos. Ela se entregou com um suspirou e o lambeu de leve, sentindo a textura já tão conhecida da boca que sempre lhe proporcionava coisas boas.
— Você é linda, Lydia Stilinski. — Foi o que ele disse assim que romperam o breve beijo. — Sempre foi e continua sendo. É a gravida mais linda e mais sexy que já existiu nesse mundo.
Ela deu uma breve risada pelo exagero do elogio, o que contrastou com as lágrimas que permaneciam em seus olhos devido a emoção, lutando para escorrer sobre seu rosto.
— Eu não estou nada sexy, Stiles — Ela rebateu com algum incomodo na voz. — Pode dizer qualquer coisa, menos isso.
Stiles ergueu as sobrancelhas como se acabasse de ter sido desafiado. Com cuidado, levou ambas as mãos para o quadril da mulher e a empurrou como se fosse feita de porcelana para o centro da cama.
A girou e a deitou como bem entendia, sem dificuldades para movê-la graças aos músculos recém adquiridos com os treinos do FBI. Lydia deixou, se sentindo segura com o toque jeitoso do homem que parecia ter medo de fazer algum mal a ela ou aos bebês pelo simples fato de tocá-la.
— Não tem o direito de me contrariar, senhora Stilinski. Só eu sei como você está gostosa e como me sinto culpado por você estar com essa cara de mamãe e eu morto de vontade de transar.
Quando Stiles falou, estava sobre Lydia. Devido a grande barriga, ele tinha a deixado com as pernas entre abertas e estava ajoelhado entre as coxas dela, com o tronco gentilmente inclinado para a esposa, tentando ao máximo tornar seus rostos mais próximos, apesar do volume do abdômen da mulher não permitir.
— O médico recomendou nada de sexo nessas últimas semanas... — Ela se lamentou em voz baixa, lembrando a si mesma o motivo de não poder agarrar o homem lindo a sua frente.
Até a semana anterior, o sexo tinha sido liberado para eles e o casal soube aproveitar cada mês, sendo criativos nas posições para que Lydia ficasse confortável e a barriga não atrapalhasse os movimentos. Nenhum dos dois passou por um segundo que fosse com receio de continuar com a vida sexual ativa durante a gravidez.
Eles não suportavam a ideia de ficar sem sexo. Com poucas atitudes eles se excitavam e o sexo sempre foi uma forma de Lydia encontrar conforto e descanso, ainda mais com o jeito intimo e amoroso que Stiles lhe dava prazer.
Por isso, quando o médico orientou que naquele finalzinho de gravidez eles evitassem o sexo, nenhum dos dois conseguiu sequer entender a razão que o doutor explicou, pois, a inconformidade de ficarem na falta os impediu de escutar.
— Eu sei — Ele se lamentou e para não ceder a tentação, saiu de cima dela, se jogando ao seu lado na cama. — Mas acho que não tem problema a gente se masturbar, não é? — Sugeriu com esperança e viu o animo preencher o rosto da esposa.
— Como a gente não pensou nisso antes?! — A ideia de ter aquele alivio para o corpo foi o suficiente para a mulher abrir um enorme sorriso, esquecendo o que antes a incomodava.
Stiles riu de sua esposa sempre tão sedenta por sexo e viu a intenção nos olhos verdes de realizar aquela proposta no exato instante, no entanto, o marido, apesar do desejo, tinha outros planos.
— Daqui a pouco! Agora não. — Ele disse decidido e sentou na cama, para logo depois inclinar o corpo na direção da cômoda ao seu lado.
— Stiles...
— O que você da gente comer uma barra de chocolate, assistir Diário de uma paixão e eu massagear seus pés gordinhos? — Apesar da leve provocação de Stiles, Lydia só conseguiu sorrir quando ele fez a proposta e tirou da cômoda um creme para pés.
— Sim, por favor! — Ela disse ansiosa, feliz com a ideia. — Mas o chocolate eu não sei se é uma boa ideia.
Stiles revirou os olhos e Lydia o repreendeu dizendo que após a gravidez precisava conseguir voltar para o seu antigo peso. Em resposta, o homem deu uma solução rápida e irresistível:
— Prometo que vou fazer o esforço de transar com você até emagrecer o quanto quiser. — Debochou com um sorriso safado e convencido. — Afinal, não existe exercício físico melhor!
Ela mordeu os lábios fartos por alguns segundos e depois abriu um enorme sorriso, feliz pela proposta do marido. Perceber que de fato ele continuava a desejando e não se importava com a possibilidade de ela engordar, a deixava feliz.
— Vai pegar agora meu chocolate! — Brincou com uma voz mandona, apontando para fora do quarto, ordenando que ele fosse.
— Já volto, vossa alteza. — Ele disse em tom de zombaria, os lábios retorcidos em um sorriso torto.
Stiles levantou, foi até a cozinha e Lydia o observou sair do quarto, admirando o andar e o corpo do homem. Ela suspirou e ajeitou a cabeça sobre o travesseiro macio, levou as mãos a barriga coberta e fez carinho, satisfeita pelo marido ter melhorado seu humor.
Ele voltou pouco depois com a tal barra de chocolate e o óleo corporal que passava todos os dias na barriga de Lydia. A viu sorridente e isso foi o suficiente para ele sorrir também.
— Eu amo tanto você. — Ele declarou enquanto entregava o chocolate a ela.
— Eu amo bem pouquinho, quase nada. — Debochou com manha, observando ele se ajeitar mais uma vez sobre o colchão. Stiles só revirou os olhos.
Lydia colocou na televisão Diário de uma paixão e Stiles roubou um pouco do chocolate antes de colocar os pés inchados e doloridos da esposa sobre suas pernas expostas, já que usava apenas uma cueca samba canção.
Os dedos longos e magros massagearam os pés de Lydia com carinho. O alívio para ela foi tão grande que passou a suspirar com frequência, satisfeita enquanto os olhos se ocupavam em observar seu filme predileto.
Apesar do marido já ter visto o filme inúmeras vezes, ele nunca reclamava de rever, pois sabia como isso a fazia feliz. E também, é claro, porque ele fazia com que a esposa revisse cada filme de Star Wars centenas vezes.
Quando as mãos de Stiles começaram a ficar doloridas pelo longo tempo sobre os pés da esposa, ele tirou as pernas dela com delicadeza de seu colo. Lydia resmungou de insatisfação, mas sorriu logo em seguida quando o viu pegar o óleo corporal e se arrastar na cama até ficar na altura da barriga dela.
— Você é o melhor marido do mundo, sabia? — Ela perguntou no momento em que as mãos grandes e conhecidas do homem levantaram sua blusa, expondo a barriga redonda.
— Você é uma mulher de sorte, Lydia Stilinski. — Provocou com um sorriso torto, os lábios entreabertos.
Eles estavam casados há três anos e Stiles não se cansava de dizer o primeiro nome da garota ao lado do novo sobrenome. Ele orgulhava-se por a garota por quem sempre foi apaixonado ser sua esposa, compartilhar seu sobrenome e ainda carregar no ventre duas crianças que o tornariam pai.
As caricias delicadas sobre a barriga da esposa durou até o filme chegar quase ao final. Em determinado momento os bebês se agitaram no ventre e chutaram Lydia, o que fez com que o casal perdesse todo o interesse da televisão.
Os dois admiraram a barriga se mover em resposta a agitação dos fetos. Stiles sorriu abobalhado e manteve as mãos nos lugares em que os bebês se mexiam, ansiando sentir com precisão cada movimento.
— Eles estão agitados... — Ele comentou sorrindo e virou o rosto na direção de Lydia. Ela espremia os lábios grossos um no outro, a testa estava franzida. Stiles, incomodado com isso, a tocou na bochecha. — O que foi? Está doendo?
— Você acha que eu vou ser uma boa mãe? — A insegurança mais inesperada saiu de Lydia. Os olhos grandes, verdes, encararam a íris castanha em busca de conforto.
Stiles mais uma vez se arrastou na cama, conseguindo ficar bem perto do rosto de Lydia. A mão melada pelo óleo corporal desceu até o pescoço da mulher, onde tocou com delicadeza e fez movimentos circulares de carinho que arrepiou a pele sensível.
Os lábios finos beijaram a testa de Lydia e depois ambas as bochechas, o maxilar, a ponta do nariz e por último, a boca. Só depois, Stiles a encarou bem de perto, lhe passando segurança com sua expressão sincera.
— Eu também fico com medo de não dar conta, Lydia. De não ser responsável o suficiente, de não conseguir cuidar dos meus filhos... — Ele disse com calma, transmitindo os medos que o invadiam desde o momento em que descobriu que seria pai. — Mas eu tenho a você e você tem a mim. Nós enfrentamos diversas vezes o mundo sobrenatural juntos, você é uma banshee poderosa e eu sou um agente do FBI.
— Um agente muito sexy — Ela acrescentou o detalhe ao pensar em como era maravilhosa a visão do homem com o uniforme do FBI.
— Para quem já enfrentou caçadores, lobisomens e kanimas, vai ser moleza cuidar de gêmeos!
Lydia riu da lógica do marido, mas acabou concordando com a cabeça. Pôs uma mão sobre a barriga ao sentir mais um chute e se perguntou internamente se era o menino ou a menina que tinha a chutado.
— E você é maravilhosa em tudo, Lydia. No trabalho, no doutorado, como esposa, como melhor amiga, tenho certeza que também vai ser uma mãe maravilhosa. — Ele disse com tanta segurança, tanta certeza, que a mulher só pode sorrir. — Só espero que nenhum desses pequenos puxe os gritos da mãe...
— Engraçado que na cama você que é o escandaloso!
As bochechas vermelhas de Stiles foram a recompensa que Lydia conquistou com a provocação. Os dois riram e para implicar, o homem deu um soco leve no ombro da mulher, fazendo com que o corpo pequeno se movesse para o lado.
— Mas de uma coisa eu tenho certeza, nós vamos ser péssimos pais se não conseguirmos nem escolher os nomes dos nossos filhos! — Ela falou em misto de humor e alerta.
Stiles, sabendo o quanto aquele assunto demorava, se jogou de forma teatral na cama e ergueu os braços em um falso desespero. Lydia ergueu as sobrancelhas, já sabendo o que ele diria.
— Você sabe muito bem o que eu quero, senhora Stilinski! Luke e Leia, meus gêmeos jedais.
— Eu não quero escolher os nomes dos meus filhos em homenagem a um...
— A melhor saga do milênio? Um clássico? Os melhores filmes do universo?! — Stiles não deixou que ela terminasse a frase, já defendendo Star Wars.
— Stiles, é por isso que a gente não consegue escolher! — Ela reclamou e bufou, já disposta a brigar.
— Calma! — O homem disse de rompante antes que Lydia pudesse começar a mesma discussão que eles tinham durante meses. — Antes de brigar não é melhor a gente se masturbar?
— O quê?! — A proposta foi tão distinta do rumo da conversa que Lydia demorou para entender.
— Nós sempre demoramos para discutir sobre isso, então acho que é melhor a gente se masturbar agora, até para ficarmos mais calmos.
Lydia ergueu as sobrancelhas, mas não tinha como negar aquela lógica. Sabia que se não conseguisse decidir naquele dia os nomes dos filhos ia ficar irritada e não ia querer tão cedo a mão habilidosa do marido entre suas pernas. E com certeza ela não estava disposta a perder a oportunidade de um orgasmo por causa daquilo.
— Você tem razão, a gente briga depois. — Concluiu para a felicidade de Stiles.
— Eu sempre tenho razão!
— Cala a boca e me beija.
Stiles obedeceu a esposa com um enorme sorriso no rosto.
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