I saw snow
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Rosaly
Meu corpo estava congelado dos dedos dos pés até os últimos fios de cabelo. Não sabia se algum dia me acostumaria com este frio ou tivesse que permanecer ali por tanto tempo que seria obrigada a me acostumar. Não sabia se eu iria conseguir levar o garoto para o sul ou ele preferiria ficar na muralha e congelar até morrer. Não tinha certeza de nada só continuei andando.
Eu já havia perdido o folego até acabar o último lance de escadas. Parecia que o ar havia congelado dentro de meus pulmões.
No pátio patrulheiro lutavam entre si e outros treinavam com arco e flecha. Ser Patrick Tasch observava os homens com um semblante concentrado, aproximando-me dele me debrucei no parapeito e comecei a observa-los com o mesmo semblante concentrado.
–Olha só quem conseguiu sair do quarto. — Disse ele com um ar leviano na voz.
–Fui praticamente expulsa do meu próprio quarto, acredita nisso?
Ser Patrick começou a rir e abriu um enorme sorriso. Aquele sorriso me tranquilizava desde que eu era uma garotinha, ele já era guarda do meu pai muito tempo antes de eu nascer, era o pai que eu sempre quis ter. Seus cabelos eram pretos com alguns fios brancos aparecendo com a idade, olhos azuis e a pele era pálida. Ostentava uma armadura de aço negro com uma capa dourada nas cores de minha casa e no cinto ele levava consigo uma espada de aço valiriano que tem a metade do meu tamanho.
Quando tinha onze anos pedi a ele para que me deixasse tentar usar aquela espada, eu mal consegui tirar ela do chão.
–Coloquei homens de guarda por todo o Castelo Negro para que você possa andar desacompanhada sem ter nenhum problema.- disse-me ele.
–Problemas? — Perguntei.
–Oh Rose você sabe que metade desses homens são criminosos.- indagou ele.
–Não vai ser problema, vai ser como se eu fosse invisível. Ninguém vai nem notar que eu estou aqui.
–Sim, você invisível? Vou fingir que acredito.- falou ele rindo.
–Do que está rindo? Eu posso ser invisível.- tentei lançar nele um olhar de desaprovação, mas ele não durou muito tempo e em pouco segundos nos dois caímos na gargalhada.
–Tente não arrumar confusões. Facilitaria muito meu trabalho milady.- falou ele se afastando.
Confusões, até parece que arrumo contusões. -Falei discutindo comigo mesma. -Talvez só algumas.
Eu gostava de quebrar as regras de meu pai só para deixar ele furioso. Me vestia com roupas de menino e ia com meu irmão nos seus treinos. Não manejava muito bem a espada nem tinha muita coordenação com o arco, mas eu era muito boa com facas e adagas. Era muito melhor arremessando facas do que muitos meninos com arco e flecha, era raro eu errar algum alvo. Mas quando meu pai descobriu ele imediatamente me colocou a ter aulas de harpas o dia inteiro e me proibiu de frequentar os treinos. Sempre odiei harpa, sempre odiei ter que agradar as pessoas e sempre odiei tudo que ele me obrigava a fazer.
Sai do pátio e comecei a explorar os cômodos que ainda não conhecia. Depois de vasculhar atrás de várias portas encontrei uma biblioteca, um garoto rechonchudo estada sentado em uma mesa revirando alguns pergaminhos. Quando entrei ele rapidamente se levantou e saiu.
Acho que tentar ser invisível não está dando muito certo.- falei em voz alta comigo mesma novamente.
Na mesa haviam alguns mapas, um deles era o da muralha.
Sentei me e comecei a analisar o mapa, a muralha possuía dezenove castelos, mas apenas três em uso, um era o Castelo Negro e os outros dois não lembrava os nomes. Minha Septa havia contado historias mortos que assombravam os castelos abandonados e vagavam a noite pela neve, mas era apenas histórias para crianças.
O mapa também mostrava passagens que levam de uma fortaleza à outra e túneis do sul ao norte. Um desses túneis ficava bem no meio do Castelo Negro, era de fácil acesso, uma cavalgada até lá não faria mal a ninguém.
Desci até o estabulo e peguei meu cavalo, fui rápida para que ninguém notasse que eu havia saído. Fui na direção em que o mapa mostrava o início do túnel, o caminho estava livre e não havia ninguém por perto.
O túnel era uma passagem que fora aberta no meio da muralha, as paredes e o teto eram todas cobertas por gelo que com o reflexo parecia ser azul, o percurso era todo iluminado por tochas nas paredes que por vezes faziam o gelo ter uma cor quase roxa. O lugar me lembrava os tuneis que as árvores formavam nos bosques em Fenrir. Eu adorava cavalgar por aqueles bosques o que me fez conhecer cada centímetro dele. Aquele túnel era de certa forma bonito, nunca tinha visto nada com aspecto parecido.
Quando cheguei ao final me deparei com o portão que delimitava o fim do túnel aberto, alguns patrulheiros deviam ter saído para alguma inspeção da área ou coisa do tipo.
Não consegui resistir à tentação de avançar mais um pouco até atravessar o portão e estar ao norte da muralha, continuei avançando mesmo assim.
O chão estava todo coberto por neve e não havia nada mais ao redor o que dava a impressão de estar cavalgando sobre nuvens. Aquilo era tão bonito e tão diferente de tudo que tinha visto que nem percebi o tempo passar. Olhei para traz e não conseguia mais ver o portão. Não conseguia nem mesmo avistar a muralha. Aquele lugar era tão imenso e tão belo, me sentia livre nele. Ali não havia ninguém para me dar ordens, era só eu e meus pensamentos.
Comecei a cavalgar mais rápido, sentia o vento cortando o meu rosto e os flocos de neve enfeitam o meu cabelo.
De repente me deparei com uma árvore no meio do meu caminho. Ela uma enorme árvore com o tronco branco e grandes folhas vermelhas da cor de sangue brotavam dos galhos da árvore que possuía um enorme rosto sorridente em seu centro. Ela era tão bela e tão diferente de todas as outras que já havia visto, já tinha ouvido histórias sobre estas árvores e dos bosques sagrados dos deuses do norte, diziam que os deuses do sul não tinham poder no norte, e pareciam também não ter no sul pois eles nunca atenderam minhas preces, não mostraram misericórdia quando orei pela vida de minha mãe nem quando supliquei pela de Finn.
Não sei porque mais achava que talvez os deuses do Norte pudessem talvez me ouvir, desci do cavalo e comecei a admirar aquela árvore, não havia me dado conta de que já tinha começado uma oração na minha cabeça. Pedi para que descem sabedoria a Jake para que ele pudesse se tornar um grande lorde responsável quando assumisse o lugar de meu pai, orei pedindo proteção a Ser Patrick que o guiassem em todas as lutas e batalhas que ele algum dia viesse a lutar pelo reino, pelo país ou até por mim. Agradeci por ter Miranda, Megga, Margot e Septa May ao meu lado nessa viajem e agradeci também por elas sempre estarem por perto quando eu precisei, e por último orei por mim, pedi para que não houvesse mais dor em meu coração, para que me ajudassem a superar as perdas do passado e para me ajudarem a criar um novo futuro sem dor e sem perdas. Também pedi para que me enviassem um sinal algo que me mostrasse que minhas preces iriam ser atendidas.
Não sabia se minha oração seria atendida ou seria ignorada como as outras e essa seria apenas mais uma oração para os vários falsos deuses.
Ao olhar para baixo de deparei com uma rosa azul crescendo no meio da neve ao pé da árvore, resistindo contra o frio e ao vento. A rosa estava intacta e em perfeito estado. Aquela era uma rosa do inverno, nos torneios os vencedores costumavam a coroar a mais bela donzela presente no torneio com uma coroa de rosas do inverno, esta era chamada de rainha do amor e beleza.
Ajoelhei-me enfrente a rosa e comecei a admira-la, não tive coragem de arranca-la pois devia ter sido muito difícil uma flor nascer no meio da neve enfrentando o frio.
Mas talvez aquela rosa fosse o sinal que eu esperava, talvez aquela rosa nascera ali somente para mim.
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