I do not believe in love
11 11 - Planos

Misty entrou em casa rapidamente, percebeu que os pais e as irmãs estavam sentados no sofá à sua espera. Ela cumprimentou todos e foi na direção de sua família com certo receio. Seu pai a encarava com seriedade e a mãe e as irmãs com curiosidade. A ruiva engoliu em seco e sentou-se no sofá.
— Misty, pode explicar que história é essa de ter beijado o Ash? — Robert questionou, severo.
— B-bem, a gente se beijou, mas isso já faz um tempo…
— Quanto tempo exatamente?
As bochechas da ruiva começavam a arder, se contasse a verdade provavelmente nunca mais iria ver seu melhor “amigo”. Pensou bem para contar a sua melhor mentira, até se recordar do último dia de férias onde jogaram Verdade ou Desafio. Contou tal versão para o pai e o mesmo arqueou a sobrancelha, sentindo que aquilo era uma falsa afirmação.
— Querido, desculpe, mas o que vai fazer? Todas elas já cresceram, uma hora ou outra ia acontecer o primeiro beijo da nossa menina! — Clara exclamou, dando de ombros.
O homem suspirou, não tinha muito o que fazer além de aceitar esse fato: nenhuma de suas filhas era mais um bebê ou uma garotinha, todas estavam crescidas e mais velhas, já pensavam em meninos, se arrumavam, gostavam de passar muito tempo com os amigos e sair de casa para passear (as mais velhas sempre iam para as baladas).
A Sra. Waterflower deu um sorriso, em seguida se levantou e foi trazer um prato com um lanche para a filha mais nova, afinal todos já tinham jantado. Misty comia seu sanduíche extremamente satisfeita, enquanto seu pai apenas tentava se acalmar e não perder o controle diante de tal situação.
Quando terminou sua janta, Misty saiu em disparada para seu quarto, um pouco envergonhada com a situação que teve de explicar e torcendo para que suas irmãs ou sua mãe entrassem em seu quarto, isso só aumentaria sua vergonha e timidez. Ao fechar a porta do cômodo, se atirou na cama e começou a lembrar do beijo que dera nele na entrada de seu lar, dava alguns suspiros e risadas baixas, tentando não chamar atenção.
[...]
A manhã de sábado chegou rapidamente na casa dos Maple, May ainda dormia em seu quarto e percebeu que a energia da cidade voltara quando ouviu o som do rádio tocando Want U Back da Cher Lloyd. A garota esfregou os olhos azuis, espreguiçou-se e se levantou, caminhou até o guarda-roupa e trajou uma camiseta branca e cinza clara com os dizeres “Prison Girl” em vermelho, um shorts azul claro e calçou seus chinelos. Após por suas vestimentas, a garota saiu do quarto e desceu as escadas, se deparando com a mãe e a irmã tomando café da manhã.
— Bom dia maninha! Dormiu bem?
— Sim, — Respondeu May. — onde estão papai e Max?
— Foram até a casa do Prof. Carvalho, acho que iam resolver algum problema por lá… — Disse Caroline.
A recém-acordada pegou uma torrada e passou manteiga, deu algumas mordidas e depois tomou um gole de seu suco. A matriarca da família se levantou e foi arrumar seu quarto, enquanto Sapphire permaneceu sentada na cadeira comendo seu cereal. May suspirou, fitou a gêmea e a mesma a encarou de volta.
— Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava dormindo?
— Papai e mamãe discutiram, como sempre… ela disse que ele está cada vez mais severo e diferente do Norman que conheceu e blá blá blá…
As duas suspiraram, terminaram de comer e subiram cada uma para seu respectivo quarto. May colocou música para espantar aquela energia negativa de si, mesmo que já houvesse outra canção no ar, fechou a porta e ligou seu computador, fazendo tocar Scream do Michael Jackson. A morena pulava e dançava loucamente, sempre tentando se manter alegre e feliz. Não era a primeira briga dos pais e não seria a última, disso tinha certeza, mas não tinha motivos para se desesperar.
No outro lado da rua, Ash chegava em casa a passos lentos, se lembrando das palavras de sua mãe no telefone. Ele engoliu em seco e abriu a porta, dando de cara com a mãe e o irmão na sala. Ele os cumprimentou, foi em direção à escada e estava prestes a subir para seu quarto quando ouviu uma tossida forçada vir da única mulher da casa. Por um dado momento o garoto pensou em fugir direto para o cômodo onde dormia, todavia apenas se virou e viu Delia plantada ao pé da escada, com uma cara de poucos amigos.
— Hehe, oi mãe…
— Não vem com essa do “oi mãe”! Recebi uma ligação do Robert e ele estava furiosíssimo! O que você aprontou hein, Ash Ketchum?
Ele engoliu em seco, fitou Brock e o mesmo deu de ombros.
— Eu beijei a Misty… — O menor corou intensamente após a confissão.
A Sra. Ketchum arregalou seus olhos, começou a dar um sorriso que depois ficou enorme. Ela dava alguns gritos de felicidade junto de pequenos saltos, a mulher abraçou o filho menor e o parabenizou por umas três vezes. Ash não sabia o que fazer, apenas coçou a nuca quando foi solto e pediu licença para ir para seu quarto.
Assim que entrou o moreno se atirou na cama, deu um longo suspiro e abraçou o travesseiro, relembrando a noite anterior mais uma vez. Sonhou com o beijo entre a amiga e ele, e cada vez mais aquilo o deixava contente, adorava sentir os carnudos lábios de Misty e sentir o gosto doce que tinha sua boca.
Ele aproveitou que estava em seu quarto, correu para a janela e ficou observando a vizinha ruiva, que permanecia sentada na escrivaninha fazendo algo no computador. Ash deu sorriso, abriu a janela e desceu a mesma, indo até a casa ao lado e subindo até o quarto da amiga. A garota tomou um susto ao vê-lo pendurado na janela, rapidamente abriu-a e deu passagem para o garoto entrar.
— Você é dodói Ash?!
— Hahaha! Bom te ver Cenourinha!
Ela fez um bico ao ouvir o apelido, viu o moreno caminhar até sua cama e se atirar na mesma, dando algumas risadas baixas para não chamar a atenção dos familiares da ruiva. Se bem que ninguém se importaria tanto com o fato dele mais uma vez ter entrado na residência pela janela, era tão costumeiro que muitas vezes nem ligavam com o fato dele estar ali. Ash deu uma espreguiçada, se levantou e abraçou Misty por trás, fazendo-a corar de leve.
— Tá escutando o que?
— Pra ser Feliz, dos Aliados… — A de olhos verdes disse, sorrindo e fechando os olhos ao mesmo tempo que balançava a cabeça. — Escuta, meus pais saíram, quer dançar um pouco?
Ash encarou Misty e sorriu, colocou Hound Dog do Elvis Presley e começou a dançar com a amiga. Faziam os passos ensaiados que aprenderam na infância, numa dança de fim de ano da escola, logo em seguida ela colocou Shape of You do Ed Sheeran, ficou encarando a amiga enquanto dançavam, o cabelo curto dela dava algumas balançadas, o corpo dela requebrava e suas curvas estavam bem mais nítidas. Ela não deixava de notá-lo também, o cabelo desgrenhado do garoto esvoaçava e bagunçava mais que o normal, a camiseta levantou por um momento, mostrando o começo de tanquinho que ele vinha definindo.
Enquanto dançavam Violet passou em frente ao quarto, segurando uma pilha de roupas passadas, encarou o local onde a irmã menor dormia e levou um baque ao ver a dupla unida no cômodo. A de cabelos azuis deu um sorriso, Misty já estava com idade suficiente para passar um tempo a sós com meninos, e prometeu para si mesma que não iria dedurar a menor. Ela deixou as vestimentas no quarto dos pais, retornou ao cômodo e ficou observando os dois dançando.
Algumas casas ali perto era a casa da Berlitz, a mesma estava no banho, tentando descansar e recordar de seu retorno para o lar.
— Paul… — Ela murmurou rindo, enquanto se vestia.
A manhã começou com ambos acordando abraçados, o cheiro do café de Mary pairava no ar e os amigos menores dormiam no chão. A azulada se levantou e deu a mão para o arroxeado ficar de pé também. Ambos cumprimentaram a mulher e sentaram-se à mesa.
— Dormiram bem?
— Sim! — Dawn respondeu, sorrindo.
— É, — Paul se espreguiçou e encarou Mary. — dormi sim…
A Sra. Hayden deu um largo sorriso, serviu café com leite para a dupla e os mesmos agradeceram, comendo junto o pão com manteiga e uma fatia de queijo no meio. Enquanto degustavam, o telefone tocou e Mary se levantou para atender. Era Johanna, pedindo para que assim que a filha acordasse fosse direto para casa.
Após o término do café-da-manhã, Dawn saiu da cadeira, despediu-se da anfitriã e pegou sua mochila, abriu a porta de entrada e começou a caminhar em direção ao seu lar. Tinha uma sensação estranha percorrendo sua espinha, era como se alguém a perseguisse. Virou-se num súbito e lançou um Sopro de Gelo no indivíduo, que para sua surpresa era Paul. A garota arregalou os olhos, reverteu o ataque e descongelou o amigo.
— Foi sem querer, eu juro!
— Pra mim você tinha total intenção… — Ele respondeu, revirando os olhos.
— Achei que fosse um ladrão ou algo assim. — A Berlitz suspirou, encarando-o. — Já saiu do Drew? Achei que ia esperar eles acordarem.
— Queria te acompanhar, posso?
O Shinji pareceu não ser grosso na pergunta, a jovem sorriu e deu a mão para ele, de modo que o fez corar. Ambos andavam até a casa dela, todavia iam devagar e sem nenhuma pressa, era como se quisessem ficar lá até o mundo terminar, precisando somente da companhia um do outro. Não demoraram para chegar na casa dela, que era a mais próxima.
— Escuta, por que você só me dá beijo antes de dormir? — O rapaz questionou.
— Como assim Paul? — Dawn deu risada e encarou o amigo.
Ele não respondeu, pegou a garota pela cintura e colou seus lábios nos dela. Ela estava de olhos arregalados, mas o que poderia fazer? Amava beijar a boca do Shinji, fazer sua língua cruzar com a dele e dar mordiscadas leves no beiço do jovem. Ficaram naquele beijo por um bom tempo, até o ar se fazer preciso e forçá-los a se separarem.
A azulada se encarou no espelho, usava uma camiseta preta com uma Poké-bola e escrita “I choose you!”, uma calça jeans escura com alguns rasgos e calçava um All Star azul que ganhara de sua mãe no seu aniversário. Ela encarou seu amado Piplup que encontrava-se deitado na cama dormindo como uma pedra. A jovem riu baixo, abriu a porta do quarto e desceu para almoçar com sua mãe.
Moravam apenas as duas na enorme casa, o pai de Dawn separou-se de Johanna há quase oito anos, porém fazia questão de ver a filha todos os anos, amava aquela garota mais do que tudo no mundo.
— Voltou bem alegre, o que aconteceu?
— Nada, a gente só ficou falando um monte de besteiras… — A menor disse, sabia que a mãe era muito ciumenta em muitos sentidos.
— Sabe, eu ia dizer para você voltar para casa assim como o Norman e o Robert disseram para as meninas, contudo sou muito amiga da Mary e confio nela.
Tal frase foi o suficiente para a garota revirar os olhos, detestava o ciúme da mãe, e tinha certo receio de algum dia conseguir namorar qualquer pessoa. Mesmo que já tivesse dado o primeiro beijo em algum garoto da cidade Johanna não permitiria aquilo. Namoro? Era quase que um assunto proibido na casa das Berlitz.
Após o término do almoço Dawn tirou os pratos e os talheres da mesa, colocou-os na pia e lavou tudo em seguida. Assim que acabou de lavar a louça, foi em direção à porta e despediu-se de sua mãe, caminhou correndo para a casa de May, iria chamar todos para irem até o morro passar a tarde. Chegando na casa da família Maple a azulada deu de cara com Sapphire, cmprimentou a gêmea de sua amiga e pediu para que ela descesse.
— MAY! A DAWN TÁ AQUI NA PORTA!
— JÁ TÔ DESCENDO! — Berrou a jovem.
A Berlitz riu um pouco quando viu a amiga descendo de forma desastrosa as escadas, ambas deram um abraço e saíram correndo em direção à residência da família Waterflower. Chamaram a ruiva do grupo e junto dela desceu o menor de poderes elétricos, coisa que as surpreendeu depois da confusão de ontem, logo foram buscar os outros dois amigos para poderem finalmente subir o morro e aproveitar a brisa de outono.
O sexteto caminhava tranquilamente, davam risada de situações inusitadas que ocorreram durante a semana e recordavam da descoberta do pai de Misty ontem à tarde. Era óbvio que a menor do grupo ainda encontrava-se envergonhada com o ocorrido, entretanto não tinha muito o que fazer além de aceitar aquilo, por pouco ficaria sem ver seu melhor amigo de anos pelo resto de sua adolescência.
Chegaram no local e apostaram uma corrida até o topo, mesmo que aquilo fosse cansativo acabava sendo engraçado e divertido. No fim das contas o vencedor foi Ash, de maneira que o fazia se vangloriar de tal ato, todavia acabou levando um tapa leve na orelha, que foi dado por Paul.
— Ah… amo o cheiro desse lugar! — Exclamou Dawn, inflando seus pulmões com o ar do gramado e do pé de laranja lima próximo à eles. — Escutem, que tal viajarmos no próximo feriado?
— Viajar pra onde? E como? E com que autorização? — Drew questionava, contando as perguntas no dedo.
— Pra Cinnabar, com o Brock e com a autorização dos nossos pais.
Todos deram altas gargalhadas após a resposta.
— Dawn, você conhece sua mãe, ela ia ser uma das primeiras a negar. — O arroxeado disse, pegando uma laranja da árvore. — E outra, Cinnabar é uma ilha, teríamos que pagar uma taxa para ficar num hotel!
— E quem disse que vamos ficar num hotel? Existem cabanas para serem alugadas, e a maioria é R$120 no feriado! Quem topa?
O grupo se entreolhou por um momento, tinham certo receio do que seus pais diriam. Não eram mais crianças, é claro, entretanto era assim que os familiares o viam, não era algo que se mudava do dia para a noite.
Esqueceram do assunto por um momento, colocaram músicas no celular de Misty e apenas se deitaram na macia grama. Aproveitavam o som de Good Times da Carly Rae Jepsen feat. Owl City, cantarolavam o refrão e davam leves sorrisos, sempre lembrando das deliciosas memórias que criaram juntos durante toda aquela vida de amizade.
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