I bet my life

11 Capítulo Final: Silent


Notas iniciais
Obrigada por chegarem até aqui comigo ♥ vou deixar mais uma vez o link da minha página yaoi! E logo teremos fic's de Harry Potter e mais KnB ~ https://www.facebook.com/rainbowdropskah/ OBS: No primeiro capítulo temos o retrocesso de seis anos, porém decidi mudar para três anos. É apenas uma mudança de "número" para não ficar muito fora de um senso lógico ~ não muda em nada a história. Obrigada.

Daiki trabalhou naquela Terça-feira querendo que o dia tivesse 48 horas. Estava com um enorme receio de voltar ao pequeno apartamento de Kise e encarar seu rosto preocupado, com mil perguntas rodando pela mente perturbada. Além disso, todos os minutos eram envoltos por um medo absurdo de Taiga descobrir a traição que ainda estava longe de ter um maldito final, seu anseio por encontrar o loiro era sim um tanto ruim, mas ao mesmo tempo seu corpo pedia por contato.

E isso era grave.

Depois de reencontrar Taiga e ter ótimos momentos duvidou que seu deslize voltaria a ser um problema, porém ao se sentar no escritório para mais um dia de trabalho sua mente voou para aquele lugar desejando abraçá-lo e pedir desculpas por não voltar para casa sem maiores explicações. Podia até não ser um beijo... um abraço seria o suficiente, algum carinho para fazer brotar aquele sorriso aberto que o mesmo sempre mantinha no rosto.

— Apenas amizade _disse para o nada enquanto desligava o computador.

— Tem certeza, Aomine-san?

— Oh-oh... _apontou para a menina indicando que ele sabia o que estava dizendo _meu namorado voltou ontem a noite.

— Que ótima notícia!... sexo a semana toda _murmurou evitando ser ouvida pelas outras pessoas _ mas algo me diz...

— Algo _riu.

— Sim! Algo me diz que o problema é outro.

— É _pegou suas coisas sobre a mesa e levantou afagando os cabelos macios de sua amiga.

— É como? Assim? _indicou sua altura mais ou menos.

— Um pouco mais alto! Loiro _riu ainda mais, já deixando a sala _e de olhos caramelo!

— Senhor, Aomine!!! Queria eu ter esse problema.

— Ah não queria _disse para si mesmo indo em direção à saída.

Daiki chegou ao apartamento ofegante, a breve caminhada se tornou uma corrida sem sentido; estava ansioso. Adentrou o local esperando o abraço que imaginou praticamente o dia todo, mas Kise não foi recebê-lo.

— Ah mentira _disse para o nada ouvindo o eco de sua própria voz.

Largou o corpo no sofá se decepcionando por um momento. Havia um recado sobre a mesinha de centro, Kise voltaria em menos de meia hora, tempo suficiente para um banho – e para ligar para Taiga. Pegou o celular fazendo alguns segundos de silêncio antes de discar. Tinha que se concentrar afinal. Era a primeira vez que fazia o papel de “agente duplo”, um canalha popularmente dito, mas o moreno aprendia rápido.

— E ai Taiga, como você está? _perguntou de imediato sentindo as mãos suarem.

— Bem, estou indo no Magi. Fudendo saudades daqueles hambúrgueres _sua voz era animada e não transpassava nenhuma desconfiança _quando você volta?

— Na Sexta.

— Podemos competir para ver quem come mais depois do um a um.

— Com certeza! _olhou de canto para o relógio de pulso _daqui a pouco vou jantar também... Taiga, você está bem com essa de eu ficar aqui mais essa semana, né? Não quero que fique pensando merdas ai ok?

— Eu sei Aho _resmungou _por menos que eu goste, confio em você.

— Certo. Então vou nessa, tomar meu banho e comer, já volto e a gente se fala pelo whats. Amo você _disse como um texto decorado, desligou depois da despedida do namorado.

Sensação de missão cumprida se livrou da calça jeans apertada e deitou no sofá sem real intenção de prosseguir com as tarefas da noite. Dormiu.

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Aomine acordou com o aroma gostoso do ensopado junto ao pão fresco e pensou por um momento ainda estar sonhando, mas ao sentir a coberta quentinha sobre si junto ao conforto de suas pernas apoiadas no colo do amigo despertou de vez.

— Boa noite _ganhou o imenso sorriso que estava acostumado, respirou totalmente aliviado _fiz o nosso jantar. Está com fome?

— Hum... _se espreguiçou _obrigado. Você está bem?

— Cl-claro que sim, você que não durma mais sem cobertas ou pegará um resfriado.

O silencio veio de repente deixando ambos constrangidos, Kise iria perguntar a qualquer momento sobre o beijo. Tinha certeza que sim.

— ...Aominecchi _apertou a coberta tentando se livrar da ansiedade _você está bem?

Não foi direto como achou que seria, mas foi uma pergunta válida.

— Ontem eu dormi fora... ah... olha, também não sabia que isso ia ser assim, não fazia a menor ideia mas... o Taiga voltou para o Japão de surpresa e me avisou quando já estava no aeroporto de Narita. Me desculpe.

Foi tão ruim quanto um soco no estômago, realmente não queria trazer ao loiro nenhum desconforto ainda mais por sua culpa. Os olhos do amigo encheram de densas lágrimas, apesar disso tentou um sorriso forçado se voltando para a TV fingindo estar interessado no programa de música.

— Por que está se desculpando?

— O que eu faço? Não quero ver essa expressão no seu rosto _murmurou.

— São coisas que acontecem, apenas isso _deu duas batidinhas em seus pés e se levantou _vamos jantar.

Kise encerrou o assunto, Daiki se sentiu estranho. Talvez esperasse uma reação diferente com algumas caretas e a voz firme dizendo que era o momento de tentarem algo. Decepção, um sentimento amargo que veio com a força de uma tempestade; estaria ele realmente gostando do amigo? Apesar de sua razão estar apontando para uma direção, o coração se recusava a segui-la. Queria a insistência, queria sua atenção, queria coisas que nunca tinham passado por sua cabeça até o momento; além disso, os olhos marejados foi algo que de imediato partiu seu coração, precisava parar com a super proteção, sabia que sim, mas se sentia tão bem em saber que ele era responsável por confortá-lo e mais ninguém. E apesar da melhor coisa a se fazer era deixar o assunto morrer ali, não conseguiu simplesmente ignorar indo atrás de Kise.

— Oe, Kise _parou no batente da porta, cruzando os braços e exigindo atenção _precisamos conversar. Sério.

— Não vou contar ao Kagamicchi, esqueça.

— Caralho, já disse que precisamos conversar! Você enxerga o que está acontecendo? _descruzou os braços.

— Foi... sem querer não foi? Minha culpa por dormir ao seu lado _deu os ombros, falava com falsa atenção no armário de copos _dó ou... qualquer outra coisa. Só esqueça, que seja minha culpa e pronto.

— Por que está se fazendo de vítima?! _elevou a voz dando passos largos até o loiro, tudo dentro de si estava embaralhado, pesando cada vez mais.

— E vou dizer o que?!... _fechou o armário num estrondo _por acaso está apaixonado por mim? Acho que não, então só esquece! _disse de maneira desesperada.

O impulso fora maior do que a razão, Aomine agarrou os pulsos de Kise o beijando de forma bruta; o loiro não teve – ou talvez não quisesse ter – forças para empurrá-lo.

— Me escuta... _disse entre ofegos pelo ato repentino _para por favor, você está se machucando! Já não foi o suficiente tudo o que passou? Kise só quero ficar ao seu lado, não sei que bosta de sentimento é esse, mas é o que sinto agora. Não briga comigo... hey, olhe pra mim.

— Se você falar essas coisas... como vou seguir em frente depois? _disse entre soluços _Kagami Taiga é a pessoa que ama.

— Não fale dele agora _fechou os olhos _só me deixe pensar com calma antes de fugir de mim _afrouxou o aperto em seu braço.

O loiro tremeu e chegou a dizer algo inaudível antes de se arrepender, saiu da cozinha em passos largos até o quarto e se trancou.

O que tinha acabado de fazer mesmo? Que merda foi aquela Aomine Daiki?! Acabou de beijar Ryota Kise pela segunda vez indo contra toda a lógica do universo por um impulso ridículo. O loiro manteve a cabeça no lugar o rejeitando, simples e como realmente deveria ser, então o moreno imbecil achou um absurdo não vê-lo correndo atrás de si e de repente foi atrás dele.

— Não... _fechou os olhos _eu mereço o inferno. Sério _disse para si mesmo entre um riso e um xingamento _Aomine seu idiota!

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— Ele está se protegendo _Momoi prendeu os cabelos num coque antes de voltar a falar _ ah, Dai-chan... olha o que você fez. Tudo errado.

— E você acha que eu não sei?! Foi um impulso idiota _disse mais para si mesmo do que para a amiga _mas se eu não tivesse o feito iria me arrepender. Sei que sim.

— Afinal de quem você gosta, Dai-chan?

— O Taiga está chegando _encerrou o assunto assim que viu a cabeleira ruiva passar pela porta de entrada do bar. Acenou para o mesmo até que o encontrasse _demorou ein!

— Foi mal, dormi demais _sorriu sem graça _olá, Momoi, quanto tempo.

— Tudo bem, Tai-chan? _o cumprimentou com um aperto de mãos _bom meninos, tenho que ir.

— Oe, não precisa sair só por que cheguei _chamou o garçom _um chope, por favor.

— Não é por isso, juro que foi apenas uma coincidência _riu.

Taiga olhou sem entender.

— Quem diria que ela e o Tetsu formariam uma família uh?

— OI?! _o ruivo engasgou com a própria saliva.

Um dos motivos para Daiki ter se encontrado com sua amiga de infância fora justamente pela novidade de que a menina estaria, não apenas namorando Tetsuya, mas também grávida do mesmo. Aconteceu por acontecer como em muitos casos e felizes resolveram firmar o namoro.

Kuroko se aproximou cumprimentando o casal, perderam alguns minutos antes de deixarem o bar. Kagami ouvia tudo um pouco distante como se aquilo ainda não fosse real, não via ambos como adultos fadados a carregar aquele peso.

A palavra “peso” vagou por sua mente... família é realmente um peso?

Ficou a refletir, se tivesse um filho naquela altura da vida estaria totalmente fora de si, desesperado. Como sustentar uma criança? E todas as coisas que ainda tinha em mente para seu futuro? Teria que pensar no hospital, criação, escola, passeios recreativos, roupas, alimentação... sua cabeça girou. Com certeza ter um filho estava totalmente fora de cogitação naquele momento – não sabia nem ao menos se teria um momento.

— Taiga? _estalou os dedos.

— Oh... _levantou a caneca até a altura da boca _foi mal.

— Legal não é?! A Satsuki disse que vou poder cuidar dele sempre que quiser _riu _já pensou? Desse tamanho _indicou sua cintura _aprendendo a jogar basquete. Muito foda, meu caralho!

— Hn _sorriu _ah, Daiki, já sabe o que fará no final do ano? Podemos ir viajar _cortou o assunto inventando outro qualquer.

Só de pensar em família, surpreendentemente, a sensação de prisão vinha em sua mente. Parece que acabou criando um pequeno desgosto ao mundo fechado que conhecia até então, ter conhecido Michiru fez algo realmente mudar dentro de si – ou libertar o que já estava ali, apenas adormecido.

— Ah... tá, vamos fazer algo legal _respondeu um pouco desconcertado _onde quer ir?

— Talvez para a França _divagou _enfim... ah, vou pedir algo para comer _pegou o cardápio e afundou atrás dele.

A noite seguiu tranquila até pegarem o rumo para casa, horas depois, a cerveja pesando no estômago e a música alta fez o casal tomar a decisão de encerrar o encontro por hora. O clima ameno deu ao ruivo muito sono, caminhava lentamente arrastando seus pés ao lado do namorado.

— Você teve uma reação estranha ao saber da gravidez da Satsuki _Daiki comentou a esmo, mas prestando atenção aos movimentos do namorado _achou tão chocante assim uma menina engravidar sem casar?

— O-o que? Não, é... algo que acontece _coçou a nuca disfarçando o embaraço _não imaginei mesmo alguém tão próximo a nós engravidar assim de repente.

— ...hn, pode ser _jogou as mãos atrás da cabeça diminuindo o passo _bom, preciso voltar. Nos encontramos na sexta, certo?

— Com certeza _parou em frente à estação e alcançou Daiki num abraço apertado jogando seu peso sobre o mesmo_ vamos jogar e comer e transar o final de semana todo _murmurou no ouvido desse provocando pequenos arrepios _queria te levar agora mesmo.

— Também queria ir. De verdade. Infelizmente tenho trabalho amanhã...

Taiga o beijou de forma demorada e lenta antes de desaparecer na estação, Daiki ficou observando as pessoas passarem antes de dar as costas e voltar pelo longo caminho até o apartamento, sozinho voltou a pensar num pequeno fato que lhe desconcertou durante o jantar: havia pedido emprestado o celular do namorado para fazer uma ligação, por falta de créditos no seu, e enquanto o mesmo estava no banheiro aproveitou para fuçar no aparelho... quer dizer, faziam isso desde sempre, nunca foi algo realmente sério. Encontrou então aquelas mensagens que não saiam de sua cabeça, não era nada além de algumas conversas bobas sobre filmes e basquete, mas eles começaram daquela mesma forma – falando coisas triviais – o ciúme veio à tona quando percebeu que a estadia de Taiga no exterior pode não ter lhe rendido uma traição, mas sim uma liberdade que o ruivo não tinha percebido que existia. Sempre que mencionava os antigos planos de morarem juntos, Taiga dizia que iria pensar o enrolando a dar uma resposta concreta. Isso era mais do que perturbador. Deveria ser obvio que ambos estivessem ávidos para alugar um lugar, continuar o namoro, oficializar para todos. O tempo trouxe mudanças.

Antes que percebesse tinha chego ao apartamento, assim como na noite anterior, provavelmente Kise já estaria trancado em seu quarto. Refletira sobre a briga que tiveram, realmente tê-lo beijado não foi uma boa ideia – óbvio que não!— deu esperanças para uma pessoa judiada. Sua cabeça doeu, só precisava vê-lo naquele exato momento e deixar suas dúvidas para trás.

Era suas ações erradas, a dúvidas de Taiga, seu coração que não se decidia... muita coisa para um ser humano só. Muita coisa para ser vivida ao mesmo tempo.

— Kise? _bateu na porta, mesmo se o menor estivesse dormindo, iria acordá-lo _hey, fala comigo, por favor.

Silencio, por que o silencio com Kise era sempre ruim?

— ...me desculpe, não queria que ficasse chateado. Sério —frisou a ultima palavra tentando ser sincero ao extremo _abre a porta? Hum? _encostou a testa na madeira e sentiu o aroma bom que vinha dela _por favor...

Ouviu a chave girar depois de alguns segundos e então a porta se abriu com um pequeno estalo.

— Hey _sorriu minimamente _podemos conversar?

— Hum _fez um aceno positivo _entra _abriu a porta totalmente voltando para debaixo das cobertas _foi mal, fiquei... sei lá, um pouco sem graça de falar com você depois daquele dia. Depois de todas aquelas coisas.

— Não foi sua culpa _estalou os dedos sentindo o nervosismo aumentar _me perdoa.

— ...como posso culpar alguém que me deu uma das maiores alegrias na vida? _Kise abriu um sorriso lindo sem conter a emoção _como posso ficar bravo com a pessoa que eu... _secou as lágrimas com as costas das mãos aproveitando para respirar fundo _enfim. Esquece isso, foi bom, foi ótimo. Mas você tem seu namorado, eu não sou mais criança... essas coisas.

Aomine percebeu que o loiro explicou, explicou e ao mesmo tempo não explicou nada. Ficou a fitar a penumbra do quarto enquanto refletia sobre as coisas que estavam acontecendo naquele momento em sua vida; traição, paixão, curiosidade, medo e um monte de outros sentimentos que não podia barrar.

Se aproximou da cama acariciando os cabelos de Kise, sentiu através do toque suave que o mesmo ainda chorava baixinho.

— Nos conhecemos desde o fundamental _comentou _faz um tempão... você sempre chorava quando acontecia alguma coisa _sorriu com a nostalgia _nem sei quando foi que ficou tão forte. Tá, eu sei que está chorando agora, mas você é mais do que tudo isso. Muito melhor do que eu... você entendeu _desistiu de sua filosofia, o álcool não estava ajudando.

— Não sou nada disso _sua voz saiu abafada com o travesseiro _sou apenas um azarado...

Daiki não soube o que responder, depois de alguns minutos se despediu e deixou o quarto. A sexta-feira chegaria enfim.

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Aomine saiu da estação carregando a mala vermelha como de costume, voltar para casa nunca mais foi a mesma coisa desde que pisou em Tóquio; deixou para trás um coração partido, um erro e um amor que talvez nunca mais alguém fosse lhe dar da mesma forma. Incondicional e inocente. Mordeu o lábio sentindo os batimentos se descontrolarem.

— Por favor, não volte _disse para si mesmo _você não o ama, não adianta! _quase gritou, girou os calcanhares e correu.

Flash Back – 2 horas antes

— Minha mãe vai adorar te receber, sabe disso _disse por fim, sorrindo _nos vemos em breve uh!

— ...eu.

A despedida que acontecia de forma normal até então, de repente tomou um ar melancólico. Kise segurou as lágrimas o máximo que pode antes de dizer a frase que ficaria marcada na vida de Aomine para sempre.

Eu aposto minha vida em você, fica comigo! Não vai embora, fique comigo para sempre _disse com um fôlego surpreendente _...não tenho muito para te oferecer além dos meus sentimentos, mas vou me esforçar! Só pude ser forte assim, pois você estava sempre na minha frente e tentei te alcançar esse tempo todo. Apenas... _sua voz sumiu _vamos morar juntos e construir uma pequena família.

Aomine percebeu então que o loiro estava agarrado a sua blusa, sua mão se fechou em torno da barra de forma firme, como uma criança agarrada a sua última esperança.

— Kise... ah, Kise não chore por favor _acariciou seus cabelos _vai encontrar alguém que-

— Não diga _o cortou _não me console. Amanhã... _respirou fundo procurando a coragem que havia lhe abandonado _irei para França começar uma carreira nova, me desculpe por marcar no dia seguinte à sua volta, mas se não fosse assim eu... _olhou para cima evitando mais lágrimas _meu Deus, jogaria tudo fora por uma resposta positiva. Te amo, eu te amo tanto...

Flash Back — Fim

Essa seria a última vez que Aomine veria Kise Ryota, ele sabia disso.

— Meu caralho, não volte _murmurou mais uma vez entrando num beco qualquer e jogando sua mala no chão, precisava respirar.

Ficou algum tempo com a mente girando, relembrou todos aqueles dias na companhia do amigo e já não podia mais chamá-lo assim: Kise Ryouta havia se tornado alguém que ele amaria para sempre. Não exatamente como um amante, era impossível definir, mas ali ele se despedia silenciosamente, enclausurando o loiro em alguma parte de sua mente.

Retomou a caminhada, minutos depois, em passos lentos como se aquilo fosse imprescindível para que decidisse de vez o rumo que estava tomando em sua vida, precisava colocar pontos e vírgulas em sua história. Estava decidido.

— Taiga _seus lábios se moveram de forma mecânica.

É óbvio que ele o amava. É óbvio que ele se arrependeria se ficasse com Kise. A ligação entre eles era muito diferente, tudo nele o encantava – Aomine era atraído por Kagami Taiga em sua totalidade. Algo entre ele e o loiro sempre seria morno e unilateral, talvez se nunca tivesse conhecido o ruivo então o desfecho poderia ser diferente. Não, com certeza seria. Estabilidade, amor, confiança.

Aomine chegou em casa largando as coisas pelo caminho, deitou em sua cama na esperança que sofresse um ataque cardíaco e tudo tivesse um fim. Não queria ouvir nada além do som da goteira na calha ao lado da janela do quarto; infelizmente sua mãe apareceu logo atrás de si querendo respostas para aquela atitude incomum.

— Por favor _ela parou no batente da porta.

Por favor digo eu... _resmungou _quero só dormir.

— Espero que não tenha magoado o Kise-kun _sua voz era fria, não o deixaria em paz tão cedo _nem o Taiga-kun.

— ...não _mentiu _só que... o Kise vai para a França. Isso me deixou um pouco chocado.

— Chocada estou eu, nunca achei que o meu Daiki trairia a si mesmo, onde foi parar aquele garoto honrado?

Ela não poderia saber. Como?

— Mãe eu...!

— É só isso que tenho para dizer, vá descansar.

As palavras inquietantes trouxe a Daiki medo, muito mais medo do que já estava sentindo até então. Se levantou descendo as escadas e passando por cima de qualquer coisa que estivesse em seu caminho, não calçou nem mesmo o tênis, saiu de chinelo pela rua forçando ao máximo seu corpo de atleta até o prédio cor pêssego à cinco quadras dali.

— Ka-Kagami Taiga _respirou o mais fundo que pode sentindo o cérebro girar pela falta de oxigênio, o porteiro suspeitou de sua atitude.

— Você está bem, jovem?

— Perfeitamente. Kagami Taiga, terceiro andar, por favor—repetiu impaciente.

Daiki fora liberado em alguns segundos, subiu de escada até o apartamento e tocou a campainha diversas vezes até um ruivo de cabelos extremamente bagunçados abrir a porta.

— Daik-

— Taiga! Precisamos conversar!! _praticamente gritou o empurrando para dentro.

— Oe, o que aconteceu?! _sentiu o nervosismo percorrer seu corpo, segurou Daiki pelo ombro numa tentativa frustrada de acalmá-lo.

— De uma vez por todas, Taiga, você aceita morar comigo? Você aceita se casar comigo?!... eu... _olhou para os lados _preciso saber o que pensa. Seja honesto!

O silêncio transcorreu sem pressa, Taiga se sentou no sofá largando Daiki no hall de entrada. A apatia do namorado o deixou preocupado.

— Por que isso de repente, Daiki?

— ...de repente? _murmurou _estou falando disso desde antes da sua ida ao exterior! De repente?! É essa a resposta que vai me dar? Apatia e mais voltas?

— Está fora de si, olhe pra você... veio até aqui correndo de chinelos, assustou meu porteiro e agora está me pressionando a casar? _ergueu os braços num gesto de indignação.

— Você não jogaria tudo para cima por nós?

— Óbvio qu- ...que não é assim, e os pés no chão? Acorda Aomine, o que você tem meu amor?

Daiki abaixou a cabeça.

— Eu te amo. Quero morar com você, tenho um emprego e você uma chance no time nacional, somos adultos, nossos pais aprovam nosso relacionamento. O que impede? E daí se vim correndo de chinelos...? Vim correndo por você, não consigo dormir sem saber da resposta que insiste em não me dar; qual é Taiga... eu apostei a minha vida em você.

A declaração não pegou Taiga de surpresa, já era mais do que claro a insistência do namorado sobre o assunto e uma hora ou outra ele iria explodir. A resposta pronta veio como uma flechada para Daiki.

— Não quero morar com você ainda. Nem sei que quero ficar no Japão _chacoalhou os ombros _lá fora é... um mundo tão grande. Precisamos nos descobrir melhor! Vamos sair e viver coisas no-

— Ok, entendi _o cortou _ já saquei... _ o silêncio deu brecha para Daiki sair batendo a porta de entrada. Taiga não o seguiu.

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O irritante barulho da chuva acabou por acordar Daiki de seu precioso sono da tarde, conferiu as horas no celular que apitava pela falta de bateria e resmungou qualquer coisa antes de voltar a dormir.

Havia se passado três meses desde a conversa entre ele e Taiga e a ida de Kise para a França. Terminaram o namoro dias depois, nunca contara sobre a traição, assim como Taiga também nunca contara sobre seus anseios por Michiru ou Kuroko, uma conversa mais rápida do que deveria ter sido. Daiki se surpreendeu com a frieza de Taiga e só então percebeu que o ruivo já estava muito mais distante de si do que imaginava, e chegou até a duvidar se algum dia o namoro fora algo realmente sério. Todas as promessas que fizeram, quantas mais as faria para pessoas aleatórias em sua vida? Quando não cumpridas não passam apenas de mentiras e aprenderam isso da pior maneira possível. Bom, a vida tem dessas afinal.

Os dias passaram então mais calmos, Daiki voltou ao posto policial de sua cidade vibrando pela prisão dos meliantes que atacaram Kise, e por falar no loiro, nunca mais tivera notícias do mesmo.

As apostas que fizeram deram todas erradas, sentimentos profundos por fim não valeram nada diante do orgulho e apatia alheios. Ryota, Taiga e Daiki viveriam por caminhos diferentes dali em diante, cada qual com seu remorso.

Três anos depois

O moreno continuou a percorrer as ruas até voltar para sua antiga casa, estacionou a moto em frente ao portão branco e o destrancou.

— Mãe?

— Oh! Daiki, chegou cedo _a senhora acenou já estendendo os braços.

— É... mais do que gostaria _resmungou, a mulher não ouviu.

— Como vão as coisas em Tóquio?

— Os crimes de sempre _sentou no sofá ligando a TV imediatamente procurando o jogo local que estava sendo exibido, sorriu ao ver a cabeleira ruiva atravessar a quadra com uma velocidade estúpida, muito acima dos outros jogadores _idiota, vai se cansar antes do último quarto _resmungou.

— AH! Não amasse a minha revista _espantou o filho para o lado, viu de relance a mãe desamassar a capa e novamente se deparou com Kise, agora fazendo merchandise de uma marca de roupa.

E de todas as coisas que poderia ter dito para si mesmo naquele momento, escolheu talvez a decisão mais sábia de todas: o silêncio.

Notas finais
OBS: No primeiro capítulo temos o retrocesso de seis anos, porém decidi mudar para três anos. É apenas uma mudança de "número" para não ficar muito fora de um senso lógico ~ não muda em nada a história. Obrigada. TY s2
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!