I am Tom Riddle
2 Capítulo 2: Amor, amortentia.
"Ouviu-se um estrondo metálico. Mérope deixara cair uma panela.
— Apanhe isso! – berrou Gaunt para a filha. — Isso, fuce o chão como uma trouxa porca, para que serve a sua varinha, seu saco de estrume?
Marvolo continuava a proferir ofensas para a pobre Mérope que trêmula, fazia tudo que era ordenado já com o seu próximo passo em mente. Se passaram seis meses desde que Tom Riddle a tocou pela primeira vez, estava na hora de agir, não era certo continuar nesse tormento por mais tempo.
Terminou seus afazeres domésticos, serviu o jantar de seu pai e irmão e retirou-se com rapidez para o porão imundo daquela maldita casa. Ela sabia que a cada ofensa proferida por seu pai, sua mente não trabalhava bem e isso interferia em sua magia.
O caldeirão fumegava, o calor do líquido irradiando fazendo reflexo nos olhos sem cor da jovem. O brilho perolado e fumaça em espirais denunciavam o conteúdo que Mérope despejava em odres, seu coração trotava com tamanha força tanto pelo ato que estava praticando quanto pela expectativa de pô-lo em prática. Era a única chance de viver esse tal sentimento tão falado que os trouxas dizem sentir, ela sabia que era real porque ela o sentia, se este era o único modo de ter Tom Riddle para si, ela o faria sem pensar duas vezes.
Amor, amortentia; ela leu que essa poção seria capaz de fazer Thomas amá-la. Como faria Thomas bebê-la? Deixou a mistura e pôs-se a chorar, não cogitou as mínimas hipóteses de Tom voltar ao vilarejo, ele detestava esse lugar, só se aproximou pelas flores. Funcionaria se ela despejasse gotas nas pétalas? Provavelmente não, ele teria de beber como se fosse um copo d'água. Isso!
Mais dias se passaram, Mérope passava as horas no telhado a espera de Tom enquanto Marvolo tirava sua soneca diária, Morfino deveria estar atormentando trouxas na cidade vizinha mas ninguém se importava muito. Mérope se via á beira do desespero, nenhum sinal de que Thomas viria para esse lado da cidade. Ela tinha que agir, e seria no dia seguinte.
(...)
— Olá Cecília! — a senhora Riddle a cumprimentou com felicidade. Mérope engoliu em seco de tanto nervoso. Por enquanto estava tudo correndo bem, ninguém desconfiou que ela não era quem dizia ser. Cecília, a tal amada de Thomas estava voltando pra casa ao anoitecer do dia anterior, quando Morfino a surpreendeu. Apavorada de medo, ela confiou na primeira pessoa que pareceu te auxiliar, Mérope lhe enfeitiçou para que caísse em sono profundo, e com um fio de cabelo da moça produziu a Poção Polissuco.
— Soube que Thomas tem estado meio doente... — murmurou experimentando a voz da outra na sua. Senhora Riddle sorriu largamente e a acompanhou até o quarto de seu filho. Ele estava deitado, parecia um anjo ao dormir. — Eu posso esperar que ele acorde...
— Não minha querida, tenho certeza que ele amará te ver aqui, há muito que não nos faz uma visita. Vou trazer um lanche.
A sós no quarto, Mérope já suando em bicas se aproximou da cama do rapaz, ele estava incomposto vestido somente de calças, seu corpo desnudo a fez estremecer. Ela jamais imaginou que uma visão assim pudesse fazer seu corpo se aquecer de tal maneira e sem pensar, o tocou.
Thomas se remexeu e abriu os olhos, um sorriso de puro contentamento surgiu em seu rosto e ele a puxou para seus braços. Ela hesitou, não queria que seu primeiro beijo fosse com o rosto de outra mulher, tentou de tudo que foi jeito se livrar de Thomas, mas ele parecia inteiramente desperto e louco para beijar-lhe sem pudor algum.
— Céu minha princesa, não costuma afastar-se dos meus beijos — Thomas falou de um jeito sensual que fez Mérope para de lutar de imediato. — Muito bem, venha cá...
Mérope até que tentou relutar mas, acabou cedendo. Thomas não chegou a lhe beijar, porém suas ávidas mãos correram-na pelo corpo magro de Cecília. Então ela recobrou a consciência, aquele corpo que ele tocava não era o seu, seu calor não era o dela.
Estava na hora de Thomas amar a mulher certa.
(...)
O resultado foi momentaneamente positivo. Abandonando a família e causando um escândalo no vilarejo, Thomas Riddle, o filho dos ricos proprietários fugiu com a filha louca do pobretão vagabundo, deixando apenas um bilhete na velha casa dos Gaunt, Mérope partiu com o amor de sua curta vida.
O casal regressou algum tempo depois encontrando três dedos de poeira e um outro bilhete explicando a deserção da filha, fato que influenciou a morte prematura de Marvolo e evidenciou de uma forma curiosa o estranho, mas existente, amor que nutria pela filha. Do seu jeito, Marvolo Gaunt amou sua filha.
Passado algum tempo do casamento, quando Mérope já carregava em seu ventre aquele que se tornaria o bruxo das trevas mais temido de todas as eras, ela decidiu, convencida de que paixão tornara-se mútua e que a concepção de um filho seguraria Tom junto de si, interromper o uso de Amortentia e contar a seu amado a verdade sobre a sua condição.
Riddle retornou a Little Hangleton imediatamente, abusado em sua boa-fé e ludibriado (para não dizer que fora enfeitiçado), e nunca quis saber que destino tomara Mérope ou o próprio filho. Da pior maneira, ela descobriu que a poção não faz o amor, era só uma ilusão. Doce ilusão.
Daqui em diante os caminhos trilhados por Mérope são ainda mais obscuros, havendo poucos momentos em que se pode afirmar com certeza seus passos.
Sozinha e desiludida, não é difícil imaginar aquela menina estrábica andando descompassada pelas ruas de Londres acariciando o ventre sob o vestido velho e desbotado banhado por lágrimas. Mérope viveu à mercê do destino acompanhada apenas pelo filho e a única lembrança que levara de sua família: o precioso medalhão de Salazar Slytherin, que vendeu, levada pelo desespero e pela vontade de sobreviver, ao miserável Carátaco Burke por meros dez galeões nas vésperas do Natal.
A partir daí que começa a trajetória de nosso pequeno bruxo que um dia se tornaria o maior e mais temido bruxo das trevas de todas as eras."
Trechos finais: Créditos a Potterish.
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