I always loved you
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Sei que deixei vocês desesperadas, mas se acalmem...
Em questão de segundos os lábios e as pálpebras de Kate adquiriram uma coloração azulada devido à falta de oxigênio. Os dedos aflitos de Ryan procuraram um ponto de pulso no pescoço da detetive, mas ela já não tinha mais nenhum sinal de vida. Rick percebeu o que tinha acontecido e o pânico o despedaçou mais uma vez.
Ele sacudia o corpo de Beckett enquanto Esposito tentava tirá-lo de cima dela para que Ryan pudesse aplicar os primeiros socorros. A imagem do policial tentando reanimá-la sem sucesso foi a última coisa que Castle registrou sendo acometido por uma forte dor no peito que roubava o seu ar.Beckett não conseguia responder aos estímulos de Ryan, mas mesmo assim ele não parava. Castle estava tão perdido na dor de não ter mais sua inspiração que seu próprio corpo estava entrando em colapso, e ele apenas gemia terrivelmente. As lágrimas tomavam conta do olhar dos três homens ali e os dois policiais estavam temendo a perda não só de Kate, mas também de Rick.Felizmente, no meio de toda essa agonia o som das ambulâncias foi ouvido, mesmo que ninguém ali tivesse condições de raciocinar o que isso significava. Os paramédicos entraram rápido em ação, assumindo o posto de Ryan que finalmente se permitiu chorar livremente com as mãos lavadas pelo sangue de sua amiga.Outra equipe também socorria Rick, levando-o em uma maca para o veículo enquanto ele permanecia delirando o nome de Kate. Finalmente ergueram Beckett do chão e, sem pararem os movimentos cardiorrespiratórios, introduziram-na na ambulância seguindo o mais rápido possível para o hospital. Dentro das duas ambulâncias as atividades eram intensas e o pulso de Beckett começava a dar os primeiros sinais de retorno, porém extremamente fracos e instáveis. Em aproximadamente 15 minutos as duas ambulâncias chegaram ao hospital e os dois pacientes foram conduzidos para receberem os cuidados especiais. Cerca de duas horas mais tarde, Castle recuperava-se da sedação e pode sentir o suave toque das mãos de sua filha. Ele abriu os olhos e não apenas viu o doce rosto da ruivinha, mas também o de sua mãe que deu um sorriso aliviado quando o viu acordar. O semblante de Rick sorriu ao ver suas duas mulheres preciosas, mas percebeu que havia algo diferente em Alexis.– Cortou o cabelo, pumpkin? — ele comentou.– Sim, pai. Quis mudar um pouco o visual. — ela sorriu disfarçadamente. Ele não precisava saber dos detalhes, não ainda.– Ficou muito bonito... — ele sussurrou antes de ser atingido pela imagem de Beckett. — Kate...Em menos de um segundo o pensamento de sua musa desfalecida em sua frente o abateu e ele começou a debater-se agoniado enquanto o som das máquinas ligadas ao seu corpo confirmava a sua agitação. O estado dele ainda era muito delicado e recebendo outra dose de sedativo da enfermeira Rick adormeceu sem saber que Kate ainda não havia saído da mesa de cirurgia. Beckett perdeu uma enorme quantidade de sangue e as agressões de Jack debilitaram ainda mais o seu estado. Parecia que ela estava mesmo destinada a morrer ali. Após quatro horas de dúvida e angústia, tanto dentro quanto fora da sala de cirurgia, Kate parecia dar os primeiros indícios que finalmente iria sobreviver. Algum tempo depois Rick ouviu que Beckett estava fora de perigo, embora permanecesse ligada a alguns tubos para ajudar em sua recuperação. Ele praticamente jogou-se para fora da cama quando ouviu a notícia, mas foi impedido tanto pela inabilidade de seu corpo quanto pelo gemido de sua filha e protestos da enfermeira chefe. Entendendo suas limitações e que Kate não tinha possibilidades de acordar tão cedo devido à dose espetacular de medicamentos que precisava receber para permanecer estável, Rick de certa forma conformou-se e permitiu-se dormir até o outro dia. Todos aguardavam que o novo amanhecer trouxesse resultados positivos para ambos os pacientes. Rick havia melhorado da desidratação e, fora algumas dores — que ele esforçava-se em ignorar-, achava que já estava em condições de sair dali. Não é preciso dizer o quanto ele estava terrivelmente contrariado por saber que ainda precisava ficar em observação e em repouso, o que significava que ver Beckett imediatamente seria impossível. O quadro da detetive oscilou algumas vezes durante a noite, mas nada que não pudesse ter sido rapidamente corrigido pela equipe de plantão. Mesmo assim, decidiram aumentar a dosagem de sedativos para melhor controlarem sua situação. Além do tiro em seu peito esquerdo ter passado alguns milímetros distantes do seu órgão vital, duas costelas quebradas dificultavam sua respiração. Seu pulso direito também estava enfaixado e os médicos acompanhavam atentamente sua resposta aos medicamentos.Mais um dia se passou e novamente o quadro daqueles dois pacientes não era alterado. Rick impaciente querendo ver Kate e ela sedada ao nível máximo para evitar complicações. Na manhã do terceiro dia, desde o resgate, Rick ainda estava dormindo quando foi despertado por uma certa movimentação do lado de fora do quarto. Castle virou a cabeça de lado tentando entender o que estava acontecendo através da porta do seu quarto, e viu alguém deitado ali em uma maca deixada no corredor, coberto dos pés até a cabeça. Repentinamente um vento frio correu por toda a cena erguendo o tecido que cobria aquele corpo fazendo com que o escritor encarasse dois olhos vidrados em sua direção. Olhos verdes sem vida. Os olhos de Beckett.
Rick acordou desesperado e sem fôlego puxando com muita força o ar para dentro de si. Olhou ao redor e percebeu que estava ali sozinho ao mesmo tempo em que percebeu que tudo não passou de um pesadelo sombrio e macabro. Entretanto, isso não fazia diferença para ele. Precisava vê-la, exatamente agora. Supostamente ele não deveria estar acordado, mas aquela sensação horrível em seu peito tornava qualquer sedativo inútil. Aproveitando que Alexis e Martha estavam na cantina, Castle tratou de colocar-se de pé. Lentamente posicionou seus pés firmes no chão e começou a dar alguns passos tateando sua cama. Arrastava consigo o suporte com o soro que irrigava suas veias e agora lhe fornecia algum apoio. Estava se saindo muito bem, em sua opinião, mas ao dobrar um dos cantos da cama seu corpo vacilou e ele deixou cair o suporte fazendo um grande barulho, chamando a atenção de todos, inclusive de Alexis e de Martha que voltavam do café da manhã.– Meu filho! O que diabos você pensa que está fazendo? – Martha disse tentando segurá-lo.– Eu estou indo vê-la! – ele disse como se fosse a coisa mais lógica do mundo.– Mas pai... – Alexis tentou falar algo. – Eu quero vê-la! – ele disse firmemente decidido.– Você não pode. Ela ainda não acordou – a enfermeira tentou explicar calmamente. – Por que vocês estão mentindo para mim? – dessa vez Castle gritou.As três mulheres ali ficaram confusas e assustadas com o comportamento de Castle. Ele estava com o rosto incrivelmente vermelho, e tremendo muito. Parecia que estava à beira de outro ataque. Entretanto, a dor que ele expressava sentir ia além da física, era uma dor profunda em sua alma que emanava por seus olhos.– Me digam a verdade! — Ele tomou fôlego. — Beckett... Ela... Ela... Está m-morta? – As lágrimas rolavam violentas por sua face. — É por isso que vocês estão me prendendo aqui?Todos ficaram pasmos com a pergunta.– Claro que não, Richard! – Martha antecipou-se em esclarecer. — Como você acha que seríamos capazes de esconder isso de você?– Então por que vocês não me deixam vê-la? – ele bradou inconformado. — Eu só quero vê-la. Só quero senti-la. Sentir que ela está bem. Sentir que ela está... viva!Castle chorava descontrolado como um bebê. Sua alma estava em pânico, pois a última imagem que se recordava de Beckett não trazia nenhuma esperança. Além disso, aquele sonho mórbido parecia ser um terrível sinal. Percebendo que só havia uma forma de consolar aquele homem, a enfermeira providenciou a liberação para que ele fosse vê-la. Alguns minutos depois trouxeram uma cadeira de rodas que poderia transportar Castle até o quarto de Beckett. Não poderia passar muito tempo ali, mas só de saber que finalmente poderia vê-la e tocá-la já trazia alívio para seu coração.Rick foi transportado cuidadosamente até o quarto onde Kate estava internada. O som das máquinas ligadas a ela fez seu corpo estremecer e ele entendeu o quanto não estava preparado para ver aquela cena. Lentamente ele foi posicionado ao lado dela pelo enfermeiro que, antes de deixá-los a sós, deu uma ordem expressa: “só quinze minutos”.Castle concordou mecanicamente com a cabeça enquanto seus olhos checavam o corpo de sua musa ali. “Deus, por que ela foi tão machucada?!” ele questionou em seu pensamento enquanto via o peito de Kate recoberto por bandagens, subir e descer tranquilamente. Em meio às lágrimas ele tomou a mão dela cuidadosamente entre as suas e suspirou sentindo o breve calor daquela pele macia.– Kate... Sou eu... Rick – ele começou com a voz falha. – E-eu sinto muito, meu amor. Se eu pudesse trocar de lugar com você... Tirar de você toda dor...Rick desabou. Novamente, a culpa o assombrou e ele se sentia responsável por aquilo. Desde o começo era sobre ele, sobre o livro dele, sobre ela estar na vida dele. E agora mais uma vez, ela estava ali ferida por causa dele. Para salvar a ele.– Eu amo você tanto, minha flor. Por favor, não me abandone. Eu não sei viver sem você, Kate... Eu não quero viver sem você... – disse ele convulsionando enquanto acariciava aquele rosto sereno.Castle colocou seu rosto apoiado na mão de Kate, que repousava novamente sobre a cama, ignorando toda a dor que aquela posição lhe causava. Queria ficar ali o tempo inteiro, ter certeza de que ela estava ali, bem, em segurança. Também desejava que ela soubesse que ele estava lá. Infelizmente o tempo se esgotou e então o enfermeiro voltou para levar Rick de volta ao seu quarto. – Tem certeza de que eu não posso ficar aqui? – ele perguntou com o coração esmagado. — Eu não queria deixá-la sozinha. O escritor nem tentou argumentar, pois sabia que seria inútil. Ainda havia tanta coisa para ser dita, tanta coisa que ela precisava saber, mas ele esperaria outra oportunidade. Preparou-se para dizer as últimas palavras daquele momento.– Kate... Amor... Eu tenho que ir agora. Não me deixam ficar mais tempo aqui com você – ele disse com sua alma doendo. – Fique boa depressa, pra gente poder sair logo daqui... e eu prometo que eu não vou sair um minuto de perto de você, não vou deixar que nada de mal aconteça, Kate... Nunca mais... Ele ainda beijava as mãos dela quando sentiu o enfermeiro começando a movimentar sua cadeira. Ambos sabiam que se dependesse de Castle ele não sairia dali nunca. – Eu te amo, Kate... Eu te amo, minha vida... Eu estou esperando por você... – ele continuou sussurrando antes de sentir suas mãos vazias sem o calor da mão de Kate.Castle se manteve olhando para ela até sair completamente da sala. Lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto, mas dessa vez não era mais de vazio, nem de perda. Pela primeira vez eram lágrimas de esperança. As mesmas lágrimas que agora, escorriam pelos olhos ainda fechados de Beckett.
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