I Wish You Love
5 Capítulo V
Notas iniciais
Desculpa gente, mas eu não consigo evitar o drama ;_;
As duas desceram até o bar do hotel, todos estavam reunidos lá. Yuki sentia-se como se tivesse bebido, as imagens embaçadas, as vozes distantes, tudo parecia irreal. Tudo que ela via era Kai abraçado àquela moça bonita de cabelos longos e negros caindo brilhantes sobre os ombros, sorriso meigo, olhos castanhos e redondos brilhando, voz delicada e suave, uma princesa. Era como num sonho confuso, há alguns minutos Yuki estava nos braços dele o ouvindo dizer que a amava, beijando seus lábios, tocando sua pele e agora tudo mudara, completamente. Agora ele tinha outra mulher nos braços, parecia muito mais feliz e apaixonado. Os desejos de parabéns, os risos, as promessas, juras e esperanças se embaralhavam na mente de Yuki. Nada era tão mais claro quanto parecia há poucos segundos. Sentiu vontade de sair correndo, mas não pôde, seus pés ficaram colados ao chão, seus olhos não desviaram do casal abraçado no bar. Ela não chorou. Não sabia por que, mas parecia não doer. Estava tão confusa que até mesmo dor desapareceu naquele maremoto de sentimentos dentro dela.
— Yuki! — a voz surgiu como uma luz no meio da escuridão, iluminou o seu redor aos poucos, uma mão gentil tocou-lhe o ombro. Era como se ela estivesse se afogando e de repente alguém a tivesse puxado para superfície.
Quem quer que fosse o dono daquela voz e daquele toque reconfortante, Yuki lhe devia a vida. Ela sacudiu a cabeça de leve, como se tentasse afastar a confusão e enxergar melhor. Viu um rosto amigo, um sorriso conhecido, aqueles olhos redondos e incandescentes, os cabelos louros caindo graciosamente sobre o rosto eram inconfundíveis. Uruha. Yuki agradeceu em pensamento a existência daquele amigo.
— Que bom que você veio! Você sumiu ontem, eu ia te chamar pra ir passear comigo já que o Aoi ficou dormindo mas eu não te encontrei, fiquei preocupado. — a voz dele a recolhia para a realidade, a despertava gentilmente do sonho equívoco que haviam sido as últimas 24 horas de sua vida — Yuki? Você tá bem?
— Tô. — Yuki suspirou aliviada, como se estivesse segurando a respiração há muito tempo e somente agora pudesse sentir o ar preenchendo seus pulmões novamente. Ela sorriu.
— Vem, vamos tomar alguma coisa. — ele a puxou pela mão até o bar — Pelo jeito você ainda não entendeu o motivo da comemoração.
— Entendi, sim. A Asuka me contou. — ela disse, enquanto ele lhe alcançava o copo de vodca com laranja. — Aliás, preciso ir parabenizar o Kai e a namorada dele.
— Claro, eu vou com você. — ele ofereceu o braço, ela retribuiu, rindo. — Kai, chegou quem tava faltando.
— Ah, Yuki! — Kai pareceu ter tomado um murro no rosto, ele disfarçou a confusão e continuou — Essa é Yuriko, minha... Noiva.
— Hajimemashite. — Yuki sorriu educadamente — Parabéns, pelo filho, pelo casamento.
— Ah, obrigada. — a moça respondeu, sorrindo e acariciando a mão do rapaz sobre seu ombro.
— Vocês devem estar muito felizes. — Yuki comentou.
— Estamos, muito. Não é, meu amor? — Yuriko olhou para um Kai perplexo e não entendeu o motivo da expressão no rosto dele.
— Ah, sim... Muito felizes. — o baterista engoliu em seco e voltou a sorrir.
— Que bom. — Yuki teve coragem suficiente para fitá-lo no fundo dos olhos. Talvez fosse o braço de Uruha que ainda a apoiava como se estivesse lá para pegá-la se caísse, talvez fosse a expressão confusa de Kai diante a sua serenidade. — Tenho certeza de que serão muito felizes. Parabéns mais uma vez.
Kai continuou irresoluto, sem entender porque Yuki agia tão naturalmente, como se nada tivesse acontecido, como se a noite passada tivesse sido apenas uma noite qualquer. O rapaz ficou se perguntando por alguns instantes se ela tinha mesmo a capacidade de esquecer tudo aquilo tão rápido, mas sua ponderação foi interrompida por Miyavi que chegava rindo e o abraçando, chamando-o de "otousan". Yuki olhou pro lado e viu Uruha rindo da cena, riu junto com ele, sem perceber. Ruki e Asuka chegaram e se juntaram ao grupo, parando ao lado de Yuki e Uruha.
— O Kai parece muito feliz. — Ruki comentou.
— Realmente, mais do que nunca. — Uruha completou.
— Yuki, você tá melhor? — Asuka perguntou. — Quando nós estávamos no quarto você não parecia muito bem.
— Eu também percebi quando ela chegou, tava meio pálida. — disse o guitarrista, tomando um gole de sua bebida.
— Ah, é... eu tava com um pouquinho de dor de cabeça, mas agora passou. — Yuki respondeu. Ela notou que Asuka não havia engolido aquela desculpa, mas percebeu que amiga notara que não era algo sobre o que ela queria falar ou até mesmo recordar.
— Tem certeza? — o loiro perguntou.
— Tenho. — ela sorriu, acenando com a cabeça.
— Já vi que tem alguém que cuida da minha imouto quando eu não tô por perto, fico mais tranqüila assim. — a ruiva comentou, observando a cena. — Obrigada, Uruha.
— De nada. Eu me preocupo com essa menina. Deve ser difícil ser a única garota no meio de todos esses caras.
— Ei, ei! Eu não preciso de babá tá? — Yuki riu dos dois agindo como se fossem seus pais.
— Ah, Yuki, você sabe que pra mim você vai ser pra sempre aquela menininha de 16 anos perdida no shopping center tentando comprar um sorvete. — a mais velha riu.
— Perdida no shopping tentando comprar um sorvete? — o loiro riu.
— Longa história. Longa e velha. Outra hora eu te conto. — a vocalista respondeu, sorrindo.
— Ei, vocês! — Aoi se juntara aos quatro. — Nós vamos almoçar num restaurante aqui perto, pra comemorar, vocês vem?
— Claro. — Ruki respondeu.
O grupo seguiu para um restaurante ao lado do hotel. Todos sentaram numa mesma mesa grande e comprida. Brindes e risos foram e vieram, e não pareceram atingir Yuki. Mesmo quando o casal feliz riu e chorou e se beijou, Yuki conservou o sorriso no rosto. Agora era muito claro, Yuriko e Kai foram feitos um pro outro. O casal perfeito, com filhos perfeitos, na casa perfeita, empregos perfeitos, uma vida perfeita. Mas Yuki não tinha nada de perfeita. Ela era confusa, num minuto sorria, no outro chorava, podia odiar e amar alguém em segundos, era temperamental, cheia de fases e reviravoltas, longe de ser estável, longe de ser a princesa que Kai merecia. Yuki não sabia dizer não aos pecados, à preguiça, à gula, à ira, à avareza, à vaidade, à luxúria, somente talvez à inveja. Kai tinha um coração bom, era puro, Yuki tinha o seu lado de malícia, maldade e intolerância. Yuki agia por instinto, se deixava levar e Kai era racional e sensato. Yuki era passional e Kai não era o cara certo para desacelerá-la e acalmar-lhe os instintos.
Yuki não pensou mais no que aconteceu, tudo voltara ao normal para ela. Era como se aquela noite fosse um livro velho e empoeirado na sua estante de memórias. A turnê continuava de vento em poupa, Yuki continuava com a mesma energia, se divertindo no palco, conquistando mais e mais fãs. Não comentou com ninguém o assunto, até que Kai foi procurá-la na passagem de som do último show da turnê em Tokyo.
— Yuki... — ele chegou ao camarim quando Yuki estava sozinha procurando suas credenciais.
— Kai. — ela virou-se e sorriu pra ele. — Por acaso você viu as minhas credenciais?
— Não. Yuki, será que... Nós podemos conversar?
— Claro. — Yuki parou e fitou-o confusa, passando a mão pelos cabelos.
— É sobre o que aconteceu... aquele dia... em Kamakura.
— O que tem aquele dia? — Yuki realmente não queria falar sobre aquilo, não queria revirar suas recordações.
— Sabe, eu... eu não esqueci aquela noite. — ele corou.
— Nem eu. E não vou esquecer nunca.
— Eu queria te pedir perdão...
— Perdão? Por quê?
— Ãh... — ele se surpreendeu com a pergunta dela. — Pelo o que aconteceu logo em seguida.
— Pera... — ela riu um pouco — Perdão por aquela história da gravidez da sua namorada e do noivado?
— É. — ele engoliu em seco.
— Kai, a sua ingenuidade me diverte. — a resposta dela fez ele arregalar os olhos — Eu não fiquei magoada com aquilo. Confesso que fiquei um pouco confusa na hora, mas depois eu fiquei feliz por você. Você realmente merece toda essa felicidade, você e a Yuriko são um ótimo casal, e volto a repetir... serão muito felizes.
— Então... quer dizer que... está tudo bem entre eu e você?
— Por que não estaria? Kai, eu te admiro muito, o seu talento, a sua sinceridade, sua honestidade, o quanto você é responsável, mas fala sério.. eu e você.. — ela apontou o próprio peito e então o dele — Nós não iríamos a lugar nenhum.
— É, talvez. — ele riu, encarando os pés.
— Então, vamos fazer o seguinte, vamos guardar aquilo que aconteceu só pra nós dois, como uma lembrança secreta de outras vidas, sei lá.
— Tá. — o baterista riu da simplicidade com que Yuki resolveu aquilo tudo — Amigos, então?
— Claro. — ela abraçou o rapaz, que por um segundo não soube como agir, mas correspondeu ao abraço.
Yuki achara que ao abraçá-lo alguns dos sentimentos voltariam como aquela repentina ânsia de vômito que nos pega de surpresa no meio de uma festa. Mas isso não aconteceu. Abraçar aquele corpo conhecido, sentir aquele mesmo perfume, foi como reencontrar um antigo amigo de escola, alguém que estimara muito mas que tinha ficado guardado no fundo de suas lembranças. E além do mais, nem teve tempo de deixar qualquer resquício de sentimento vir à tona, pois alguém entrou de súbito no camarim.
— Yuki, nós vamos jogar sinuca, você vem? — era incrível como Uruha sabia exatamente a hora certa de aparecer, sempre.
— Claro. Matta ne, Kai-chan. — ela saiu, sorrindo e acenando. Quando estava no corredor com Uruha ele perguntou:
— O que tava acontecendo ali? O Kai pareceu meio envergonhado quando eu cheguei.
— Ah, besteira... ele só me pediu ajuda pra comprar um presente pra Yuriko, eu ri da confusão dele e agradeci por ele ter confiado no meu palpite. Só isso.
— Ah, tá. Você vai no casamento?
— Aham. — ela respondeu, entrando no elevador com ele. — E você?
— Pergunta besta, menina! Eu sou padrinho! — ele riu dela.
— Cala boca. — deu um tapa de leve no ombro dele. — Cadê o Aoi e o Reita?
— Já tão lá na cobertura. Você sabe do Ruki?
— Ah, sim, ele saiu com a Asuka, foram tomar café não sei onde logo depois do ensaio de vocês.
— Eles tão firmes, né? — ele disse, segurando a porta do elevador para ela passar.
— Tão sim. E é muito bom, a Asuka tá muito feliz.
— Realmente, eu nunca vi o Ruki tão feliz.
— Finalmente! — disse Aoi quando os dois chegaram — Não agüentava mais ganhar do Reita sozinho.
— Cala boca. — o baixista cutucou as costelas do moreno com o taco.
— Ai! Doeu! — o guitarrista se afastou com a mão nas costelas, franzindo o cenho.
— Coitado, Reita! Se você joga mal a culpa não é dele, tadinho... — disse Yuki se aproximando para afagar os cabelos do moreno, rindo.
— Como coisa que você joga alguma coisa. — o baixista revirou os olhos, cruzando os braços.
— Eu não, mas o Uru joga por nós dois, né Uru?
— Claro. — o loiro sorriu.
Os quatro jogaram sinuca até duas horas antes do show. O show daquela noite foi o último da turnê. As bandas se divertiram ao máximo, todos deram seu melhor. Lágrimas rolaram na despedida final do show, todos estavam felizes pelo sucesso da turnê.
Notas finais
Gente, reviews são amor
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