I Will Never Forget You
11 Cap. 11 - Valentine
Notas iniciais
4 Anos Antes — Nova Roma
Os primeiros raios de sol da manhã iluminaram o quarto, fazendo Annabeth se remexer na cama. Ela abriu levemente os olhos, sonolenta, ao perceber que algo estava faltando ali.
Ou melhor, alguém.
Percy.
Ela já tinha se acostumado a acordar todos os dias com ele dormindo tranquilo ao seu lado, sentindo o calor de seus braços em volta dela, a suavidade de sua respiração e cada batida do coração dele em sintonia com o seu.
Mas naquele dia, ele não estava lá.
Os dois estavam vivendo em Nova Roma já há algum tempo, e ambos tinham iniciado a faculdade, Annabeth cursando Arquitetura, enquanto que Percy optara por Biologia. As coisas finalmente pareciam se ajeitar, e eles enfim poderiam aproveitar a paz que aquele lugar lhes oferecia.
Ela sentou-se procurando por ele pelo quarto, até seus olhos se prenderem na pequena rosa vermelha cuidadosamente deixada em seu criado mudo. Sorrindo, ela estendeu a mão para pegar a flor e o pequeno cartão logo abaixo dela.
Você sempre será a melhor parte de mim.
Amo você, Annabeth.
Feliz Dia dos Namorados
Percy.
Sorriu ainda mais ao ler a pequena mensagem deixada pelo namorado, seus olhos ficando rasos d’agua sem que ela percebesse. Ainda que os dois tivessem passado por muita coisa juntos, eram momentos e gestos como aquele em que ele conseguia surpreende-la.
E isso só fazia ela o amar ainda mais.
Ela relia o bilhete pela terceira vez, quando o cheiro de café inundou o quarto, fazendo-a levantar-se rapidamente, indo para o banheiro e trocando de roupa, seguindo para a cozinha logo depois e finalmente o encontrando.
Encostada no batente da porta, Annabeth observou-o com um sorriso, enquanto ele fazia café para eles usando somente sua calça de moletom e distraído cantarolando alguma música.
Ali estava outra das habilidades desconhecidas do senhor Jackson: ele era incrivelmente habilidoso para cozinhar.
Graças aos Deuses, ela pensava toda vez que ele se oferecia para preparar as refeições.
Silenciosamente ela se aproximou, abraçando-o pelas costas e ficando na ponta dos pés para beijar seu pescoço.
– Feliz Dia dos Namorados para você também, amor. – ela sussurrou em seu ouvido,
– Hey — ele disse se virando, abraçando-a pela cintura com um sorriso — Feliz Dia dos Namorados.
Incapaz de fazer ou dizer qualquer coisa, ele apenas a encarou por algum tempo, perdendo-se por um momento em um cinza tão escuro como uma tempestade, antes de trazê-la para si em um beijo de verdade, que só teve fim quando sentiram o cheiro de queimado.
– Santo Poseidon! – ele falou, correndo para tirar a panela do fogo — Essa foi por pouco. Não pode ficar me distraindo assim quando estou cozinhando, Sabidinha – ele brincou, rindo junto com ela.
– Me desculpe Chef Jackson, mas eu não pude resistir. – ela riu, abraçando-o e beijando-o mais uma vez.
Como sempre acontecia quando a filha de Athena o beijava, Percy sentiu o mundo todo ao seu redor desaparecer, esquecendo-se de qualquer outra coisa que não fosse a mulher em seus braços naquele instante.
– Você vai me enlouquecer assim, sabia?! – ele murmurou em seus lábios, ao que ela se afastou com um sorriso que fazia toda a sua vida valer a pena – Vamos tomar café?
Ela assentiu, e eles sentaram-se para apreciar o café da manhã que ele havia preparado, com os pratos preferidos de Annabeth.
– E então... – ele perguntou mais tarde, enquanto terminavam de lavar a louça – Quais os planos para hoje?!
– Porque você não me diz Cabeça de Alga? – sorriu – Tenho certeza que já tem tudo armado, não é mesmo?
– Talvez. Você sabe como sou incrível né?! – ele implicou, piscando para ela.
– E humilde também! – ela riu, passando espuma na bochecha dele.
– Você não fez isso Sabidinha...
– Oops – ela riu, correndo em seguida com ele atrás dela.
Eles correram pela sala, brincando como duas crianças, antes de Percy conseguir segura-la pela cintura, levantando-a e jogando-a por cima dele sofá.
Ela riu, firmando-se em seu peito para encara-lo, ao que ele passou a mão suja de sabão em seu nariz também.
– Perseu!
– Oops... – ele gargalhou, não se importando quando ela bateu em seu braço – E então, quer saber os planos de hoje?
– Fale logo, Cabeça de Alga. – ela riu também, limpando seu rosto e o dele.
– Bom, nós temos que ir para a faculdade, e depois, eu preciso que você venha direto para casa.
– E depois...?
– Depois... Nós veremos. – ele sorriu.
– Não vai me contar?
– Não.
– Percy... – ela disse, fazendo biquinho.
– Annabeth. – ele imitou, lhe dando um selinho.
– Conta.
– Não.
– Só um pouquinho?!
– Nadinha de nada, Sabidinha. É surpresa, como todos os anos. – ele riu, fazendo-a suspirar e rolar os olhos.
– Tudo bem Cabeça de Alga. — ela o encarou, sem conseguir esconder o pequeno sorriso, antes de se levantar puxando-o pela mão — Vamos logo então, não podemos nos atrasar!
^-^
Eles seguiram para a faculdade juntos, onde passaram a maior parte do dia, encontrando-se sempre nos intervalos. Quando sua última aula terminou Annabeth foi direto para casa como Percy havia pedido, ansiosa para saber o que ele estava tramando.
Ela sabia que ele teria planejado aquele dia para eles há um bom tempo, e como todos os anos ele daria um jeito de surpreendê-la ainda mais.
Chegando a casa, ela foi direto para seu quarto e em cima da cama, havia um vestido lindo, verde-água de alças, que batia na altura do joelho.
Junto com o vestido, Percy tinha deixado mais um cartãozinho:
Espero que tenha gostado do vestido; tenho a impressão de ele ficará ainda mais lindo quando você estiver o usando.
Passarei em breve para te buscar.
Amo você.
Sempre seu, Perseu.
Ela sorriu guardando o cartão junto com o primeiro, e depois de um bom banho, ela colocou o vestido, que ficou perfeito para ela, seus cachos dourados caindo em cascatas pelas suas costas, a maquiagem leve realçando seus olhos e um pequeno salto, que a deixaria quase na altura de Percy.
Não demorou muito até que ele chegasse também, batendo na porta e logo entrando.
– Annabeth?! – ele chamou, procurando por ela ainda na sala.
– Estou indo, só um minuto Percy. – ela respondeu, pegando a caixa com o presente dele e indo até ele.
Quando Percy viu-a, ele não conseguiu conter o Uau que escapou por seus lábios.
– Tente não babar, amor. – ela falou, analisando-o também. Ele usava uma camisa social de botões num tom mais claro com as mangas arregaçadas até o cotovelo, calça jeans escura e sapatos sociais. Lindo, ela constatou por fim.
Ele pareceu finalmente voltar à realidade, quando sentiu a mão dela em sua nuca, trazendo-o para um beijo rápido.
– Você está linda Annabeth. – ele sussurrou, fazendo-a sorrir.
– Digo o mesmo, Cabeça de Alga – ela respondeu, estendendo-lhe uma pequena caixa de veludo com o relógio esporte fino que comprara para ele – Feliz Dia dos Namorados amor.
Ele abriu e seus olhos brilharam ao encarar a edição limitada que ele tanto procurara em suas mãos.
– Annabeth, mas esse... Esse é...
– Eu sei. – ela riu – Não chega nem perto desse vestido, e de tudo mais, mas mesmo assim...
Ele a cortou, beijando-a e deixando-a sem fôlego.
– É perfeito Annabeth. Obrigado. – eles sorriram – Pronta para ir?
– Claro. Aonde nós vamos?
– Você vai ver. – ele segurou sua mão e caminharam em direção à saída de Nova Roma — Lembra-se daquele Museu que você queria muito ir, mas não comprou as entradas porque elas haviam esgotado uma hora depois das vendas começarem?
– Uhum – ela assentiu, entrando no táxi que já esperava por eles.
– Então, um amigo de um amigo, talvez possa ter conseguido essas duas entradas para mim. – ele sorriu, mostrando a elas os ingressos que estiveram em seu bolço.
Os olhos dela cintilaram de encontro aos dele.
– Ai meus Deuses, Percy, isso é incrível! – ela disse olhando-os com cuidado, como se fosse uma obra de arte muito frágil que poderia se desmanchar – Mas... Você detesta Museus, Percy.
– Você vale a pena o sacrifício – ele riu, passando o braço pelos ombros dela e beijando sua bochecha.
Ela riu, encarando-o longamente enquanto ele olhava pela janela do carro agradecendo mentalmente a Afrodite por ter alguém tão perfeito como Percy para amar.
^-^
Eles passaram horas juntos no Museu, Annabeth admirada com cada uma das peças trazidas do Egito que estavam em exposição, falando sobre cada uma delas com entusiasmo enquanto Percy se esforçava para prestar atenção ao que ela dizia.
O filho de Poseidon realmente não via muito de especial sobre Museus e arte, e seu TDAH tornava tudo ainda mais difícil, mas ver o brilho nos olhos de Annabeth e o sorriso que não deixou o rosto dela durante todo o tempo era mais que suficiente para fazer tudo valer apena.
Eles andavam novamente pelas ruas de São Francisco, Percy abraçando a cintura de Annabeth, levando-a para a próxima parada da noite.
– Obrigada Percy. De verdade. – ela sorriu para ele, colando seus lábios outra vez com carinho.
– Qualquer coisa por você, Sabidinha. – ele piscou, com um meio sorriso.
Seguiram até chegar à pista de patinação no gelo que havia próxima a praia, e Annabeth encarou Percy.
– Não!
– O que foi? – ele riu.
– Você sabe que eu não sei patinar Percy! – ela choramingou.
– Não se preocupe, eu cresci em Nova York, então sou o cara quando o assunto é patinação no gelo. Vem, você vai ver que é simples! – ele a incentivou, puxando-a para dentro.
Colocados os patins, Percy conseguiu convencer Annabeth a pelo menos tentar, e se levantou segurando as mãos dela para lhe ajudar a se equilibrar, puxando-a pelo gelo de costas.
– Viu, não tem perigo nen... — antes que pudesse terminar sua frase Percy escorregou, caindo de costas no gelo e fazendo Annabeth cair sobre ele, rindo – Não tem graça Sabidinha – ele murmurou com uma careta, gemendo de dor.
– Não tem perigo, não é Cabeça de Alga?!
– Acho que estou um pouco enferrujado. – ele riu, colocando-se de pé e a ajudando outra vez.
Desta vez, ao lado dela, olhando bem para onde iam, eles conseguiram patinar sem mais tombos constrangedores. E após mais de uma hora ali, eles saíram novamente, Annabeth seguindo Percy sem saber realmente para onde iriam.
– E agora, Perseu? – ela perguntou, com um sorriso bobo, balançando a mão dele entrelaçada a sua.
– Olhe para frente, Srta. Annabeth.
E ela fez. Já era tarde da noite, e a lua cheia iluminava a praia, com as ondas calmas quebrando na areia clara. Antes que ela pudesse reagir, Percy a agarrou colocando-a facilmente em suas costas correndo com ela para a água.
– Perseu Jackson! Nem pense nisso! – ela gritou batendo no ombro dele inutilmente – Percy, não!
Ele riu, enquanto ela gritava, segurando-a firmemente em seus braços antes de se jogar com ela na água, que com uma pequena ajudinha de seu pai não estava tão fria naquela noite.
– Ai, eu odeio você! – ela falou, encharcada, jogando água no rosto dele.
– Odeia nada – ele sussurrou, abraçando- a pela cintura e se inclinando para beijar seu pescoço lentamente – Você me ama, Annabeth Chase.
– Seu idiota – ela não pode conter seu sorriso, enlaçando suas mãos pelo pescoço dele para beija-lo de verdade. Ainda que estivesse toda molhada, ela estava feliz por aquela noite com Percy.
Nada poderia ser mais perfeito.
– Eu te amo, Sabidinha.
– Eu também te amo, Cabeça de Alga. Embora você tenha me jogado no mar! – ela se afastou, empurrando-o de volta na água, pegando-o desprevenido, sem permitir que ele conseguisse se manter seco.
– Ah, você vai pagar caro por isso Annabeth! – ele brincou, correndo atrás dela pela areia molhada, e quando a alcançou a abraçou pela cintura mais uma vez, beijando-a profundamente.
Eles se soltaram sorrindo, sentando-se na areia para observar as estrelas no céu límpido, cujo brilho era refletido pela água.
– Hoje foi perfeito Percy.
– A noite ainda não acabou, Annie. – ele riu, beijando atrás da orelha dela, se colocando de pé e lhe estendendo a mão.
– Sério?
– Muito sério. — ele assentiu.
Ela o acompanhou, segurando sua mão e entrelaçando seus dedos mais uma vez, enquanto caminhavam pela beira mar.
O cheiro de maresia — o mesmo cheiro de Percy — inebriava os sentidos de Annabeth, todos amplificados ali com eles tão perto dos domínios de Poseidon, fazendo a suspirar.
– E então, chegamos ao presente final! – Percy falou brincalhão.
Annabeth viu bem a sua frente um urso de pelúcia gigante. Ela olhou para ele atônita, os olhos brilhando e a boca entreaberta, um sorriso surgindo em seu rosto.
Ele era bege, e deveria ser quase do tamanho dela, e ao chegar mais perto, ela não pode deixar de notar que ele tinha algo amarrado em sua mão.
Percy se aproximou, rapidamente desatando o nó que prendia o embrulho ao urso, retirando de lá uma pequena caixinha azul que entregou a ela.
Maravilhada, ela abriu a caixa, vendo um colar prata com um pingente em forma da letra P.
– Percy, isso... Isso é... Você... – ele murmurou, literalmente sem palavras.
– É, eu sei. Sou demais, né?! – ele sorriu, pegando o colar com cuidado e voltando-se para ela – Posso?
Annabeth se virou, tirando o cabelo para que ele pudesse colocar o colar em seu pescoço. Terminado, ele a abraçou mais uma vez, colocando um beijo em seu ombro.
Ela girou em seus braços, levando suas mãos instantaneamente para os cabelos dele.
– Sabe, acho que você merece uma recompensa Perseu.
– Sério, Srta. Chase? – ele sorriu levemente malicioso, apertando-a mais contra ele, vendo os dedos dela roçarem nos botões de sua camisa.
– Muito sério – ela mordeu o lábio inferior – Mas acho que precisamos ir para casa, para você poder recebê-la.
– Concordo plenamente. – ele sorriu, finalmente unindo seus lábios aos dela, apaixonado.
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