I Will Come Back For Life...
1 keep coming back like a boomerang.
I’ll Come Back to Life (But only for you).
Os raios cortavam os céus da California, precisamente, Beverly Hills, cidade onde Shane havia ido morar com sua namorada Regan. Brendon Urie, entretanto, ao invés de se divertir como convinha a uma pessoa normal fazer, estava completamente apático num canto qualquer da sala. Seus amigos e sua namorada jogavam mais uma rodada de twist enquanto Brendon fixava seu olhar na televisão de plasma desligada enquanto sua real concentração estava em seu iPod. Os raios eram brilhantes, iluminados e os trovões seguintes eram barulhentos, mas assim como a chuva forte batendo na janela de vidro, não eram capazes de desconcentrar Brendon Urie. A música que tocava lhe trazia lembranças maravilhosas como os dias dentro dos ônibus das turnês, das camas pequenas...
Como na vez que Zack, Spencer, Jon e Shane Valdés que, de brincadeira, quebraram a beliche de Ryan e ele foi obrigado a dormir no mesmo espaço apertado a beliche em que Brendon dormia. Naquele episódio em especial, que havia acontecido em meados de dois mil e seis, nenhum dos dois haviam tido envolvimento, embora já se gostassem, já se desejassem. Justamente por isso os meninos haviam quebrado a beliche de Ryan. Naquele dia, Urie não dormiu enquanto não se enroscou completamente em Ross que parecia uma pedra enquanto dormia. Ou mesmo do episódio do VMA do ano de dois mil e seis. De quando comemoraram com um beijo escondido da namorada em potencial de Ryan. Era claro que Brendon Urie não queria estragar a felicidade da dançarina – Keltie Colleen – mas ele desejava ter consigo a mesma pessoa que ela. E como em todas as loiras que Ryan possuiu, o sentimento de revolta, o sentimento de incapacidade e uma certa dor com um quê de inferioridade lhe invadia. A única loira que ele, Brendon, realmente queria na sua vida era uma cerveja e era por esse motivo que o vocalista só tivera morenas em sua vasta carreira de colecionar corações e... Audrey (não classificaria Audrey como morena, mas sim como colorida).
Mas lembrou-se também dos menores momentos com Ryan Ross, do jeito que ele fazia a barba, ou do jeito peculiar que ele passava o shampoo na sua cabeça. Das juras de amizade acima do que estavam vivendo, as promessas de que estariam sempre juntos. Promessas e juras que eram descumpridas diariamente, e que faziam com que por trás dos wayferers de grosso aro de Brendon escondessem olhos feridos, preocupados, perdidos e, principalmente, orgulhosos. Um olhar que emanava uma saudade terrível que sufocava, que matava, que enchia os olhos de Brendon Urie de lágrimas sem ousadia. Um choro contido por um nó na garganta, pelo peso do orgulho que deixava não só seu olhar pesado como todo o seu corpo inerte, na vã tentativa de anestesiar a dor incômoda.
O vento barulhento, impiedoso uivava do lado de fora da casa, assustando as duas garotas vez ou outra. Os gritinhos assustados e divertidos delas também não traziam B de volta ao seu estado normal. Os galhos das árvores roçavam na janela com certa fúria, causando um barulho quase ensurdecedor, mas continuavam sendo ignorados pelo viajante Brendon Urie. Shane parecia ter sido o único a notar a distância do seu amigo. Pediu que as garotas fossem preparar um chá que ele queria fumar um pouco, sendo acompanhado, claro, por Brendon. Quando as garotas desapareceram da vista de Shane, ele se aproximou bem devagar e assentou-se junto ao outro no sofá. Umedeceu os lábios antes de começar uma conversa:
“Posso me sentar?” Perguntou bem baixinho, rompendo o silêncio. Brendon não esboçou qualquer reação, Shane então suspirou baixinho, percebendo que havia esquecido de tirar um dos fones que Urie usava. Ele continuava imerso em seus próprios pensamentos, lembrando-se do tamanho da falta que o guitarrista fazia para sua banda – não só por causa dos acordes simples, não só pelo fato de apenas ser a voz das palavras vindas dele, mas também pela segurança que Brendon sentia quando olhava para seu lado e via que Ross estava ali -, para sua vida. Como o seu coração apertava, doía, machucava com aquilo tudo. Toda comparação parecia insuficiente para descrever o que ele, Urie, sentia naquele momento tão difícil. “Brendon?” Shane chamou ao que, finalmente, tirou um dos fones de ouvido do vocalista que só então lançou-lhe um olhar repreensivo. Shane sorriu fraco. “Você tá bem?” A pergunta sem força veio seguido de um aceno em concordância de igual valor. “Não me parece bem.”
A segunda resposta foi mais um assentir fraco, quase que imperceptível, mas triste, em total concordância. Ele estava mesmo triste. Shane sabia que Urie poderia estar algo mais além de triste, sabia que Urie poderia estar tudo, menos bem e sabia que havia um motivo com nome, sobrenome e independência. Independência essa que matava o cantor aos pouquinhos.
“O que está ouvindo?” Shane tentou desviar o assunto, bem baixinho, olhando diretamente para o melhor amigo que tentou forçar um sorriso, sem emoção nenhuma. Manteve o silêncio por um tempo e por receio da reação que Shane teria ao descobrir, mas por pior que fosse a reação dele, estava certo, e ele se viu obrigado a responder com sinceridade.
“Nothing Matters, but You. Young Veins feat. Z Berg.”
“Você deveria parar com isso, hunf.” Brendon não conseguiu não sorrir fraco ao ver o adorável bico de Shane Valdés que aos poucos se desfez em um sorriso sem vontade, meio que uma cópia do sorriso do vocalista. “Ainda mais algo que ela canta para ele de um jeito apaixonado, Brendon. Não faz bem.”
“Eu sei disso, mas essa música tem uma linda letra.” Suspirou, fazendo Shane girar os olhos, na verdade, Shane segurou o iPod de Brendon e o desligou, com um pouco de raiva. “Eu vou superar isso um dia, Shane, mas não me peça nada desse tipo agora.”
“Uma pasta com Young Veins no seu iPod não é a melhor forma de começar isso.” O vocalista da Panic! at the Disco se viu obrigado a concordar e admitir para si próprio que não queria esquecer todos os belos momentos que passaram juntos desde quando eram apenas colegiais. “E, vamos, melhora essa sua cara feia, Urie. A Sarah já está preocupada com esse jeito apático seu. E dizer que estava ouvindo uma música que o seu ex-namorado está cantando pra a sua atual namorada, não é uma desculpa satisfatória.”
“Está tão evidente assim?” Shane, após assentir, não disse mais nenhuma palavra sequer. As meninas voltaram logo após e Brendon forçou um sorriso, chamando Sarah para sentar com ele. Ela sorriu sinceramente, e sentou-se com Brendon, entregando para ele uma xícara do chá que tinham ido fazer.
Começaram a conversar, os quatro, mas a verdade que Brendon estava completamente sem vontade de fingir que estava feliz. Naquela noite em especial, se fazia um ano de que ele e Ryan foram a San Diego, e ele ainda tinha a fantasia de mágico que testemunhou aquele momento. Tinha também, nela, o cheiro do autoritário Ryan Ross. Fazia um ano que aquele mágico fora feliz e completo de verdade. O coração dele ainda apertava, mas o sorriso estava lá, apenas para não preocupar a sua adorável namorada. Vez ou outra, quando estava em casa e sozinho, Brendon subia ao sótão, onde havia escondido a fantasia de mágico e sentia o cheiro que continha nela. Ele a apertava contra seu corpo momentaneamente. Não havia só vestígio de Ryan na sua fantasia, ele estava tatuado em sua vida, como sempre foi. Mesmo que não fosse profissionalmente, era assim no aspecto amoroso.
Give me envy (flash). Give me malice (flash)
Give me attention (baby, give me a break).
Umas horas depois, Brendon já havia saído da sala com Sarah. Os carinhos da sala resultaram nos dois sem roupas em cima da cama. Ele deitado por cima dela que dormia com toda a graciosidade de uma verdadeira dama, enquanto ele tentava imitá-la, mas seus olhos não o respondiam, seu cérebro parecia estar em total hiperatividade, como no palco. Mas essa não era a primeira vez que aquilo acontecia e talvez não seria a última. Não era a primeira vez que as palavras de Ryan naquela noite em San Diego lhe invadiam a mente após dormir com a sua Sarah. E as malditas palavras o atormentavam, maltratavam, machucavam mais que deveriam. A silhueta bonita era iluminada para o menino com cada raio longo e forte que acontecia no céu, como se a natureza mostrasse para Brendon que realmente valesse à pena. Como se aqueles raios dissessem “Olhe sempre para ela antes de amar o Ryan com tanta intensidade, porque essa mulher debaixo de você, te ama mais que tudo e talvez até menos que Ryan, mas você deve ter um pouco de amor a si próprio.” Um raio a mais cortava o céu, este agora iluminava a tristeza daquele vocalista que não se permitia chorar por orgulho. Naquela noite, pela milésima vez, como um mantra sendo sussurrado, sentindo ardência nos olhos das salgadas lágrimas presas em seus devidos lugares. As palavras de Ryan saíam de seus lábios, lhe fazendo mais uma visita indesejada. E dessa forma elas foram remoídas, ressuscitadas, repetidas e reaprendidas. O vocalista da The Young Veins não saída de si mesmo que Brendon teimasse em expulsá-lo diariamente. Não precisando de sua presença física para se fazer lembrar.
“Ryan, o que quer que eu aprenda?” E sussurrou para si mesmo, tomando todo o cuidado para não acordar sua namorada adorável. “’Que você é meu, que vai ser para sempre. Que você respira o meu corpo, que eu sou o único com quem você alucina. Seus desejos são meus, eu sou dono dos seus sonhos eróticos. É em mim que você vai pensar quando estiver com outras e é pra mim que você vai ligar quando terminar de foder alguém.’ Eu aprendi, meu amor. Aprendi do pior jeito existente.”
Com todo o cuidado do mundo, ele levantou do corpo dela, mas como estavam muito entrelaçados que foi impossível ser imperceptível. Brendon parou no meio do caminho quando ela se mexeu, e voltou ao seu objetivo inicial. Pegou seu maço de cigarros e o isqueiro em cima do criado-mudo após colocar uma boxer e um jeans, foi então que Urie deparou-se com os olhos claros de Sarah e sorriu para ela, murmurando baixinho:
“Eu só preciso fumar um pouquinho, querida.” Ela assentiu, voltando a fechar os olhos com doçura. Para completar o pacote, Brendon pegou seu iPhone. Não importava se a chuva deixava tudo mais frio, ele só queria ficar um pouco sozinho e decidir se devia ligar para Ryan Ross e escutar sua voz. Lembrou-se que Ryan havia dito que se ele o quisesse, deveria procurá-lo e vontade naquele momento era o que não lhe faltava.
Ao descer aos poucos, o cantor foi direto para a cozinha e, conseqüentemente, para a cafeteria. Não existe combinação melhor que nicotina e café, mas a insônia seria apenas um prêmio para seu comportamento indevido. Observou a cafeteira trabalhar em silêncio e acabou lembrando-se do dia em que Ryan fora visitar sua família junto com Brendon. Eles já haviam trocado alguns beijos e Grace, sua mãe, havia dito “tenha cuidado com o barulho, meu amor, a Kara tem uma criança dormindo com ela” e tinha apenas uma cama de solteiro em seu antigo quarto. Aquele clima familiar incomodava Ryan porque ele não tinha uma relação tão boa assim com a sua. Agora Brendon estava dividido entre continuar com aquelas lembranças ou pensar nas vezes em que Sarah esteve naquela mesma cama de solteiro que testemunhou o amor de Ryan para com Brendon.
Urie decidiu que ligar para Ryan e marcar um encontro era o melhor a se fazer naquele momento. Quem sabe ouvir a voz de Ryan viesse a diminuir um pouco da angústia em seu peito. Aos pouquinhos, passou as fotos que estavam em seu iPhone e parou na foto onde Ryan estava com o grande Rojer Fojas [n/a: http://twitpic.com/4aqcx3] que havia roubado em uma comunidade qualquer do LiveJournal, já que suas antigas fotos do Ryan estavam escondidas em algum lugar de seu sótão-altar-para-Ryan. Brendon sorriu e discou o número que já tinha de cor a alguns anos e esperou. Ligou uma, duas, três vezes e não ouviu a voz de Ryan. Talvez porque já fosse tarde para fazer alguma ligação. Então, ele andou uma mensagem de texto para que deixasse registrado a vontade de conversar com ele. “Se puder me atender, responde. B ♥” e esperou. Esperou. Esperou. Algo extremamente dolorido e angustiante, mas o café e o cigarro eram os únicos que conseguiam consolar Brendon de alguma forma. Provavelmente, Ryan não podia atendê-lo.
Ele sabia muito bem que era tarde da noite, que havia tomado um bocado de café e as fotos em seu iPhone não lhe faziam bem. Também havia ligado seu iPhone e estava escutando em volume máximo o álbum da Young Veins. De novo, e de novo. E de novo. Decidiu que precisava desesperadamente conversar, mas não seria justo acordar alguém para suprir aquela necessidade esmagadora. Twittou então uma parte de uma música qualquer, que na verdade o lembrava muito de Ryan – que ultimamente era tudo o que conseguia fazer – e as mentions começaram a chegar. Lendo aquilo, e muitas das vezes em línguas estranhas e inutilidades, Brendon se animou um pouquinho, mas aquilo não o animou e sequer o tempo havia passado. Ligou para Spencer que era o único que poderia lhe entender naquele momento e talvez sua sensatez lhe viesse a mostrar o que ele precisava fazer para ser um pouco mais feliz.
“Alô?” Spencer atendeu sonoleto. “Brendon?”
“Ahn, oi, Spenny.” Brendon falou sem jeito, coçando o rosto da forma que Ryan fazia quando estava tímido. “Desculpe se acordei você, mas eu... precisava de um amigo pra conversar.”
Spencer fez um sinal para que Haley, sua amada, [n/a: é complicado pra mim escrever a Haley como a garota perfeita pro Spencer, porque eu realmente acho que ela não seja, mas se eles estão juntos a tanto tempo, ela deve ter alguma qualidade que eu não vi ainda em três anos de ódio puro] voltasse a dormir. Franzindo o cenho e sem entender muita coisa, ela deu um beijinho em Spencer e voltou a se deitar. Spencer sorriu meio bobo e a cobriu, protetoramente, antes de apagar a luz do abajur que havia acendido e ir arrastando suas pantufas para fora do quarto. Spencer, enquanto andava até a porta e, em seguida, até o sofá da sala enrolado em uma coberta fina pensava o quanto era sortudo por ter uma garota maravilhosa como aquela em sua vida.
“Pronto, estou fora do quarto. Aconteceu alguma coisa, Brenny?”
“Desculpa mesmo te acordar, mas eu precisava conversar ou eu realmente ia pirar.” Brendon não viu o assentir manhoso de Spencer, mas continuou. “Eu vou procurar o Ryan, Spencer. Eu preciso vê-lo e desfazer tudo o que foi feito em San Diego ou eu jamais conseguirei ser da Sarah por inteiro. Ela é confortável, ela me inspira, eu adoro estar com ela, mas o desgraçado do Ryan fez alguma coisa comigo que eu não consigo me entregar totalmente.”
“Oh, Brenny.” Spencer coçou os olhos, mordendo o cantinho do lábio. “Você não pode ficar assim se torturando por alguém que está sendo feliz com outra pessoa. Por alguém que te troca todo dia por algo pequeno.”
“Eu sei, mas é mais forte que eu.” Choramingou. “Eu te contei o que houve em San Diego, não é? Não é possível que ele tenha esquecido aquilo.”
“Eu ainda acho que você deveria pôr sua mente na Sarah e deixar que ela te faça bem, Urie.” Suspirou. “Não cometa a loucura de se mostrar fraco para quem gosta de ser superior e está agindo feito um completo idiota. Ainda mais que o que ele anda falando por aí é só para te atingir em cheio.”
“Eu não li nada que ele tenha dito...” Brendon encolheu os ombros. “Vi alguma coisa do Jon, mas não do Ryan. Só acho que ele não compreendeu o que nós estamos fazendo Spencer e, pra mim, é difícil seguir sem aquilo ao meu lado.”
“No dia que nós nos encontrarmos com o “Dreamer” nós perguntamos para ele se ele compreende nossos motivos. Nossa ‘preguiça’ em compor.” [n/a: ‘Dreamer’ é como a Keltie chama o Ryan no seu livro: Rockettes, Rockstars and Rockbottom.] E Spencer riu bem baixinho, fazendo Brendon acompanhá-lo nisso. Ao término da risada, Smith sorriu, a final, Urie estava completamente triste e agora ria. Mas amigos serviam mesmo para essas coisas. “Você vai mesmo procurar o Ryan? É loucura... E a Sarah? Porque nós dois sabemos que se você vê-lo, é a mesma coisa de saber que vocês vão pra cama.”
“Eu não vou pra cama com o Ryan dessa vez.” Brendeon disse com falsa firmeza. “Eu não sou tão fácil assim, Smith.”
“Um pouco de álcool e música, Urie, o Ryan consegue tudo o que ele quer de você.”
Brendon não teve resposta para aquilo. Era mesmo uma verdade o que Smith tinha dito, exceto que não precisava de bebida para Ryan ter o que ele queria. Já que a segunda parte de San Diego ele estava sóbrio. Sabia que estava fazendo, gostava do que tinha feito, mesmo sabendo que isso machucaria uma das pessoas que mais lhe amava. Spencer e Brendon ficaram mais uns minutos conversando. O maior tentava pôr o mínimo de juízo na cabeça de Brendon que parecia certo de que ver Ryan Ross era a melhor saída pra sua vida.
If only I could be in that bed again
If it were only me inteased of him.
O líder da Panic! at the Disco passou o dia inteiro fora de si. Mesmo estando com Sarah, Shane e Regan em uma sorveteria, tomando sorvete. Sarah se empenhava em fazer Brendon se acalmar que fosse por alguns segundos, mas parecia inútil. Ninguém soube das ligações que ele havia feito para Ryan ou para Spencer. Ninguém sabia do desespero que Brendon sentia em seu peito; desespero de acabar de uma vez por todas com o domínio que Ryan Ross exercia sobre ele. Ninguém soube como seu coração batia apertado e mesmo assim, Brendon tentava ser o mais doce que conseguia – dando algumas gafes de vez em quando -. Shane olhava em silêncio a agitação de Brendon e a preocupação evidente de Orzechowski. Ninguém ousou tocar no assunto.
Com o dia transformado me noite, com o cansaço de todos o olhar de Brendon se transformou em algo triste. O que havia enchido-o de esperanças agora o enchia de tristeza e com um quê inevitável de frustração e, junto com isso, o desespero era quase marjoritário no coração de Urie. O desespero começara a ser visível em seus atos e em seus olhos. Shane, Ryan, Sarah e Brendon foram jantar. As batucadas do vocalista na mesa eram um modo de tentar extravasar todo a ansiedade . nenhuma ligação sequer, nenhum torpedo, O que Ryan estaria fazendo para não responder uma maldita mensagem? Na mesa do restaurante chinês, os convidados de Brendon tentava enturmá-lo na conversa, mas sua mente parecia não se esforçar para se inteirar da mesma.
Finalmente o iPhone de Brendon Urie tocou, tendo um SMS. De tanto que seu pensamento o distraía que até aquela esperada SMS o assustou e a mesma dizia: “Desculpa, agora eu posso atender você. Agora você pode? Me liga que eu atendo antes que você volte a esquecer da minha existência. Ryan.” E Brendon riu com aquilo, porque jamais havia , nem por um minuto, esquecido que Ryan existia ou mesmo o poder que tinha sobre ele.
I missed your skin when you were east
You clicked your heels and wished for me.
O cantor de Time to Dance deu uma desculpa qualquer – como, por exemplo, ir fumar, coisa que ele já tinha feito muito naquele dia – e levantou-se da mesa. Ele saiu do restaurante e realmente foi fumar. A fumaça era sua companhia, sua testemunha em algo sujo e era também o seu calmante. Discou o número de Ryan – que ainda tinha de cor –e esperou que ele atendesse e demorou alguns curtos minutos para isso.
“Mais uma vez, me desculpe pela demora.” Falou Ryan com seu tom de voz grosso. “Nós estamos parecendo dois adolescentes fugindo dos nossos pas.” E riu baixinho.
E que saudades daqueles som, do sorriso largo que dava brilho ao dia de Urie. Saudades de ser o único apaixonado que lhe fazia sorrir como nenhum outro poderia, que por mais que tentasse achar outras risadas, nada poderia substituir o barulho meigo emitido por Ryan Ross quando o fazia. Nada era capaz de substituir a sensação de dever cumprido que aquele som lhe dava e, naquele momento, faltava.
“Bons tempos...” Brendon disse em tom nostálgico.
“Está certo, era engraçado.” Ryan mordeu o lábio. Os dois suspiraram e passaram algum tempo em um silêncio confortável que seria cabível um abraço forte e saudoso, mas no telefone só se ouvia as respirações.
“Mas então... como anda tudo pra você?” B perguntou receoso, deixando a fumaça sair do seu corpo com tranqüilidade.
“Estou ótimo, acredito.” Ryan disse reticente. “E você, como está?”
“Hm...” Brendon repetiu, meio sem vontade e em meio a uma tragada mais longa, aos poucos, Brendon soltou a fumaça tanto pelo nariz quando por seus grossos lábios. “Tá aonde?”
“Echo park.” Ryan respondeu quase sem pensar. “Com meus amigos, Alex e Mike.”
“Oh.” Brendon grunhiu. “Eu estou em Beverly Hills, visitando a nova casa do Shane. Mas para ser um pouco mais sincero, eu liguei porque você me disse em San Diego que eu deveria procurá-lo se quisesse te ver outra vez. E agora eu quero. Quero muito.”
“Eu volto pra Los Angeles amanhã.” Ryan explicou, novamente reticente. “Se tiver por Los Angeles amanhã, a gente pode pegar uma Starbucks ou qualquer relativa a isso.”
“A gente não poderia se ver na sua casa?” Bden perguntou baixinho, frustrado, confessando baixinho para que só Ryan Ross fosse capaz de escutar, ao mesmo tempo para que ele fosse capaz de entender o motivo da nítida frustração que ele sentia naquele momento. “Eu quero falar sobre a gente num lugar mais reservado. Sobre San Diego.”
“Ah, a Z sabe muito bem o que houve em San Diego.” Ryan argumentou, suspirando fraquinho. Brendon agora encarava a fumaça desaparecer no ar. “Eu não quero magoá-la com... isso. A final, nós conhecemos a dor de ir embora e quem são as pessoas que ficam a nos consolar, depois de tudo. Ela vai estar em casa amanhã, mas eu adoraria sair pra beber um pouco com você. Aceita?
“C-claro.” Urie disse contrariado. “Starbucks mesmo ou algum bar?”
“Naquela Starbucks de sempre, lembra?” Brendon resmungou qualquer coisa em concordância, mas era claro que ele não queria aquilo. Ele queria um pouco mais de privacidade naquele encontro, queria conseguir roubar pelo menos um beijo, mas em público era quase impossível de acontecer, principalmente se houvessem fãs por lá. “As oito e não se atrase.”
“Eu não vou atrasar.” Sorriu fraco, encerrando a ligação e o cigarro. Amanhã seria um novo dia e um novo dia para mentir para Sarah e tentar reviver um pedacinho do passado, mesmo sabendo que ele nunca voltaria. Nunca mais voltaria.
This love is killing me but you’re the only one
it's not over.
No dia seguinte, Brendon disse que tinha algo importante pra resolver em Los Angeles e inventou um punhado de mentiras para seus amigos e sua namorada. Ele não gostava de mentir para ninguém, muito menos para eles, mas naquele momento se fizera necessário. Enquanto arrumava uma pequena mala, Bden não parecia estar de bom humor, mas ao mesmo tempo cantarolava baixinho uma música do Frank Sinatra – I’m in Heaven – que ele tanto gostava. Parecia que, ao menos naquele momento, a parte do Urie que eles conheciam estava ali: o doce e feliz Brendon Urie.
“Querido?” Sarah o abraçou por trás enquanto ele terminava de se trocar. Estava apenas com a calça jeans naquele momento, olhando-a pelo espelho. Sorriu grande para ela que entregou uma cafeteira preta para que ele viajasse bem melhor. Ele colocou a garrafa em cima de um móvel e os dois mantiveram o sorriso. Ela ergueu seus pés, encostando o queixo delicado no ombro dele.
“Ooi.” Arrastou carinhoso e ela lhe mandou um beijo estralado e infantil através do espelho. “Eu tô me sentindo meio moído antes de ir...”
“Quer uma massagem pra você relaxar, hm?” Perguntou num murmúrio, tomando sua posição correta e escondendo seu rosto nas costas largas do seu amado Brendon Urie, deixando também uns beijinhos carinhosos no local em que apoiava seu rosto. Ele assentiu várias vezes de forma infantil para a massagem e Orzechowski o sentou na cama do quarto que ocupavam e começou uma massagem que na verdade era apenas um pretesto para entrar no assunto verdadeiro. “Você não quer mesmo esperar pra ir embora, Brendon? Quer dizer, você diz que volta e eu tenho a impresão que não...”
“Eu volto ainda nessa semana.” Falou ele totalmente relaxado com a massagem da garota. “Quantas vezes eu descumpri minhas promessas, Sarah?”
“Isso é uma promessa?” Ela perguntou recuando.
“É sim. É uma promessa.” Ele virou seu rosto para a garota e sorriu. “Eu volto pra buscar você ainda essa semana. Curta nossos amigos enquanto eu estiver fora e logo eu volto pra cá. Só tenho que resolver algo pendente.”
Percebendo que não ia conseguir fazê-lo ficar e com uma intuição à flor da pele a respeito dessa viagem repentina, Sarah deu-lhe um beijo calmo, tentando com isso fazê-lo compreender o tamanho da falta que faria pra ela, mas amanhã era um novo dia e ela podia perceber o quanto Brendon ansiava por aquela viagem. Ele dormiu algumas horas por causa da massagem e assim que acordou só havia um pensamento em sua mente. Constante e intenso: George Ryan Ross. O medo de perdê-lo para sempre e continuar tendo aqueles dias tão difíceis que parecia que tudo só seria melhor quando Ryan dissesse o quanto ele estava errando nas notas.
Por mais que não tivesse mais a presença de Ryan, de que não havia mais as longas conversas, as confidências trocadas ao pé do ouvido... confidências bem bobas, a final, o que um não conhecia do outro? Não havia mais, também, as comemorações com beijos após premiações, mas o sentimento de medo estava presente no vocalista e o maior dos sentimentos naquele momento, que impulsionava Urie a fazer tudo como se fosse um adolescente era um misto de muito amor reprimido, com orgulho ferido e uma pitada – grande – de saudade.
Ao acordar Brendon pegou sua mala – que era pequena – sua garrafa térmica com o café renovado e se despediu de todos, sentindo um misto de satisfação com uma pitadinha de indecisão. Os olhos de Sarah lhe imploravam pra ficar enquanto a garota em si, o apoiava incondicionalmente. Era por isso que ele lutava de todas as formas para amá-la e sabia que enquanto San Diego fosse tão vivo em sua mente, ele jamais conseguiria. Brendon dirigiu algumas poucas – mas não menos longas – horas sem parar. Ouviu Young Veins, Beatles, Sublime, Sinatra e chegou até a ouvir Muse... porque Sarah gostava dessa banda e porque ela era realmente muito boa. [n/a: a probabilidade da sarah ser fangirl de muse – como ela é de twilight – é muito grande. Visando essa possibilidade foi que eu escrevi aqui] A ansiedade aumentava a cada quillômetro que era rodado, cada cigarro que ele fumava e cada gole de café que ingeria. Tudo parecia conspirar para que a sua ânsia pela presença de Ross aumentasse. Agora era apenas uma questão de horas para vê-lo e nunca havia ficado tão feliz em ver a placa “Welcome to Los Angeles”.
Seu plano maléfico era sequestrar seu amado em casa e antes mesmo de sair do carro, beijá-lo. Pensou também em levá-lo para seu hotel e fazê-lo entender de uma vez por todas que agora só precisava da sua Sarah para sobreviver, que Ryan era uma carta fora do baralho, mesmo que seu amor por ele continuasse intacto e que seria apenas para ele. Naquele momento, por mais insano que soasse, ele só queria ficar sozinho com seu Ryan Ross para mostrar que a lição foi aprendida, mas que ele a superou completamente, mesmo sendo uma mentira sem tamanho. Por um ano inteiro havia evitado aquela busca inútil, mas agora nada importava mais que... Ryan Ross.
(I promise) It’s tearing me apart
No matter how far away I go, I’ll come back for you
(I promise) It’s tearing me apart
What I would do to be there with you?
Ao chegar, Brendon ligou para Sarah apenas para avisar que chegou bem e deu uma desculpa qualquer para desligar antes de conversar com Shane. Ele estava mesmo exausto e decidiu tentar dormir um pouco para ficar apresentável, mas não conseguiu sequer manter as pálpebras fechadas. Na verdade, ele estava vivendo um dia após o outro, como um viciado em álcool que não sente o gosto dessa substância há algumas semas. Ao abrir a janela do quarto de hotel a brisa delicada o acariciou, porém era uma brisa com variante de temperatura. Do frio pro um pouco mais quente, como Ryan que mudou muito após Keltie. No começo era encantador, era simples, inocente, mas aos poucos ele começou a se fechar sem motivo aparente, tomando uma nova personalidade, passando a se entregar apenas quando ele queria, a controlar de uma forma sedutora todas as coisas possíveis. Brendon até gostava, pra ser sincero consigo mesmo ele admitia que aquilo lhe mantinha vivo. Da janela mesmo mandou uma mensagem de texto pra Ryan: “Estou em L.A. Aindaa quer me ver? B.”
Uns minutos depois a resposta de Ryan com um endereço de onde deveriam se encontrar. O endereço de uma Starbucks e um “♥”. Feliz com aquela resposta. Urie saiu meio correndo e tropeçando nas próprias pernas para ir tomar um banho relaxante. Cantava alto, músicas pela metade, porque as lembranças não o deixavam se concentrar em nada que não fosse nelas. Apenas Ryan Ross conseguia bagunçar com seu corpo, sua mente e sua alma, daquela forma devassaladora. Tentou esconder as olheiras por trás dos óculos escuros e, também, não chamar atenção dos populares – a final ele teria muito o que falar com Ross – e saiu para o endereço indicado usando algumas de suas melhores roupas porque queria parecer bem, não para tentá-lo a fazer algo, mas para mostrar com essas atitudes que o havia superado.
Chegando na Starbucks indicada, Urie pediu capuccino e sentou-se numa mesa bem remota e em um lugar aberto. Sabia que a sua própria ansiedade exigiria que ele fumasse pelo menos um cigarro. Brendon esperou por horas a fio, tomou vários capuccinos, fumou vários cigarros. Quando foi reconhecido por um grupo de garotas, atendeu-as com simpatia, disfarçando a falta do sorriso com caretas infantis pra cada foto que elas tiraram. As meninas lhe fizeram companhia por mais uma hora e isso impediu de ver que Ryan ficou um tempo no balcão, tomando o expresso que tinha pedido e observando Urie de longe. Como o menor não vira nada e quando conseguiu olhar pela cafeteria, já não havia mais ninguém, quando as meninas se foram, a tristeza invadira seu peito. Tristeza e frustração por Ryan não ter ido ao encontro e então apenas enviou uma SMS para ele dizendo: “Eu fiquei feito um idiota a sua espera, mas sabe que valeu à pena para eu aprender a valorizar quem está na minha casa e aprender de uma vez por todas que eu tenho que esquecer você de uma vez por todas. B.”
Are you worth your wigh in gold?
Cause you’re behind my eyelids when I’m all alone.
Ryan respondeu a mensagem com um seco pedido de desculpas e isso irritou o vocalista da Panic! at the Disco, sem saber que estava sendo completamente injusto. Ele pegou seu carro e arrancou – após pagar a conta – até a casa de Ryan que não era muito longe da Starbucks que ele havia indicado. Brendon não se importou com as leis rígidas de trânsito, com radares ou com prisão. Dirigiu rápido e com o nervosismo a flor da pele. Já que ele havia mentido pra sua amada, deixado Shane em alerta, era mais do que justo ele ter, pelo menos, um minuto de atenção de Ross. Não aguentava mais uma nova despedida sem toques, sem renovar suas forças.
Tocou a campainha de Ryan, ainda ensaiando – mentalmente – milhares de jeito de pegar Ryan quando ele abrisse a porta e o beijar sem se importar com quem o visse, ou então socá-lo sem que ele esperasse. Estava desesperado e com vontade de chutar a porta desesperadamente, mas não o fez. Conteve-se apenas mordendo seu grosso lábio com força, mas algo fora do script fez com que Brendon perdesse qualquer vestígio de coragem que existia em seu ser escapasse por seus poros. Alex Greenwald, ex-vocalista da banda Phanton Planet, que estava sem camisa e com a barguia aberta. Então ele disse meio sem força:
“Ehr... Eu acho que bati na porta errada.” Foi o que conseguiu dizer e esboçar um sorriso extremamente falso. Na verdade, Alex e Brendon se conheciam de viista há algum tempo, por causa da Fueled by Ramen e, com isso, vez ou outra, se encontravam pelos corredores. Brendon notava que, todas as vezes que se encontravam nos corredores, nos camarins, os olhos de Alex estavam sempre fixados em Ryan. Às vezes, Urie tendia a acreditar que os olhos de Alexander estavam apaixonados por Ryan desde aquele tempo.
“Brendon?” Alexander franziu o cenho ao ver o outro daquele jeito, mas principalmente pela frase de Urie já que ele sabia muito bem aonde era a casa de Ross e como o cruzar dos olhos deles o abalara. “É mesmo a casa do Ryan, ele só ta no banho. Entre, tenho certeza que ele vai adorar de te ver aqui.”
Brendon se viu obrigado a entrar, pé por pé, passinho por passinho na casa de Ryan e encarar a roupas jogadas e as fotos dele com... Z Berg espalhadas pela casa. No momento ele sentia um misto de ódio com impotência, com ciúmes. Mais uma das loiras de Ryan. E quanto tempo essa ia durar? Quatro anos? Três anos? Um ano? Naquele momento a resposta era vazia e isso lhe doía o coração apaixonado. Coração que prometera não se sentir mais assim por causa de Ross a partir daquele momento constrangedor.
Michael Runion também estranhou a presença de Brendon, principalmente a forma deslocada que ele entrava e a forma nostálgica que ele procurava pelas paredes algo especial. O jeito de Alex com a presença de Brendon também era estranho, talvez porque Alex soubesse do sentimento que havia no coração dele e por causa de San Diego. Ele conhecia a história muito bem. Urie agradeceu num sorriso meio sem graça e sentou-se num dos sofás em meio às roupas dela.
“Ela sabe disso?” Mike perguntou baixinho. Alex havia dito apenas parte da história de San Diego a Mike, sem contar que Z Berg tentou impedir ou a história dos dois, a promessa que fizeram antes da banda se separar. Eles realmente davam sempre um jeito de permanecer unidos.
“Todo mundo sabe dos dois...” Respondeu Alex. “Só fecham os olhos enquanto não se resolvem de vez.”
Brendon abaixou sua cabeça e esperou em silêncio. Alex estava com a razão, todo mundo apenas fechava os olhos pro sentimento grande que existia entre Ross e ele enquanto não se resolviam, mas aquilo acabaria muito em breve. Já que ele estava se prestando ao papel ridículo de procurar Ryan, que fosse pra acabar de vez com o sentimento que os mantêm próximos um do outro. Quando Ryan finalmente rompeu a porta, os dois – Alex e Michael – se despediram do dono da casa deixando-os a sós. Urie, só então percebeu, que estava sem saber o que dizer, fazer ou falar naquele momento, então Ross começou:
“Eu pedi desculpas.” Urie girou os olhos, sentindo os motivos de sua procura se estabelecerem ainda mais fortes que no começo.
“Não é o suficiente pra mim.” Respondeu rápido. “Só me dissesse que hoje aqueles seus amigos estariam num ménage com você.”
Ryan arregalou os olhos e começou a rir do bico infantil que se formou nos lábios grossos de Brendon, riu também daquele absurdo, já que jamais havia pensado em um ménage com aqueles dois até o presente momento. Brendon elevou sua sobrancelha ao ponto máximo, como se perguntasse qual o motivo da risada que foi se desfazendo aos poucos.
“Eu não sabia que eles viriam pra fazer o ménage hoje.” Explicou encolhendo os ombros, mas em tom de brincadeira. “Eu tinha marcado a brincadeira pra amanhã, mas sabe como é, ninguém resiste a mim.”
“Idiota.” Boyd riu baixinho ao notar a brincadeira.
“Bom, eu não trabalho na Starbucks, mas acho que ainda sei fazer o seu café, quer?” Ryan perguntou educadamente. Os dois pareciam fugir do que realmente queriam falar ou fazer, mas seria por pouco tempo. Ninguém controla o coração.
“Quero.” Brendon sorriu fraco. “Desculpa ter aparecido assim do nada, mas eu precisava mesmo ver você.”
“Como anda a vida?” Ryan perguntou entregando a xícara para seu amigo, que sorriu em agradecimento. “Digo, a banda. Eu parei de acompanhar faz algum tempo, por falta do mesmo.”
“Uh.” Na verdade, ao tomar um gole do café, ele decidiu mentir, a final, falar que havia se passado um ano da separação e ainda não havia caído a ficha não era a melhor impressão a se causar. “Estamos bem. Compondo bastante, trabalhando com o John e com o Butch Walker.”
“E Spencer?” Perguntou após assentir.
“Spencer está bem.” Sorriu. “Ele em me ajudado muito nessa nova fase da minha vida e da minha banda.”
“Ele é mesmo um excelente amigo.” Ryan sorriu em concordância, encostando-se ao balcão da cozinha.
O silêncio desconfortável chegou mais rápido que os dois esperavam. Um ano de ausência parecia ter sumido e não havia mais nada a ser dito. Urie olhava diretamente para sua xícara, procurando dentro delas palavras banhadas por café. Perguntava a si mesmo se aquela era a hora perfeita para uma crise de ciúmes, se puxava algum assunto mais tranqüilo até chegar onde ele queria, mas então ele mandou a pergunta mais óbvia que lhe veio à cabeça:
“Cadê sua namorada?”
“Foi ver a Charlotte junto com a Tenn.” Encolheu os ombros, terminando a explicação: “Charlotte, Tennessee e Z são como Spencer e eu. Desde a infância que agora fazem parte de duas bandas distintas.”
“Eu não ouvi a banda da sua namoradinha ainda.” Foi a vez de Urie fingir que não se importasse, mas logo mordeu seu grosso lábio, condenando-o de vez e Ryan assentiu fraquinho. “Aliás, eu não ouvi Christina Perri até você terminar com a Keltie Colleen.”
“A Christina é romântica demais, B.” Ryan mordeu o lábio e terminou seu café com um sorriso. “Ela consegue ser mais romântica que a Keltie, e olha que ela é irremediavelmente romântica.”
“Wow! Mas eu conheço uma música dela, escuta: Who do you think you are? Running around leaving scars. Collecting a jar of hearts, tearing Love apart. You’re gonna catch a cold from the ice inside of your soul, so don’t come back for me. Who do you think you are.” Abaixou os olhos ao terminar de cantar, entregando a xícara vazia para o garoto que a ajeitou na pia. Vendo que depois daquilo, não ia mais ter como fugir, perguntou baixinho, meio hesitante: “V-você ainda acorda... quero dizer, você acorda a noite me procurando?”
Ryan franziu o cenho, piscando algumas vezes para si mesmo algumas vezes, como se absorvia o que lhe era perguntado. Demorou um bocado para ajuntar as palavras de Brendon para tentar respondê-lo sem confessar qualquer coisa amorosa ou meiga demais.
“A minha namorada é magra o suficiente, mas não alta o suficiente.” Falou meio reticente, sem deixar de ser seco. Urie girou os olhos, engolindo a seco aquelas duras palavras.
“Então eu sou substituível, Ryan?” Perguntou mais irritadinho, batendo o pé no chão, como uma criança mimada o faria. Na verdade, ter aquelas palavras consigo doeria muito mais que não tê-las. “Eu não sei por que eu insisto em te procurar, merda! Merda, merda, merda! Você nunca se importou mesmo, não é?”
“Bem que eu queria, Brendon...” Suspirou. “Eu jurei em San Diego que não te procurar até você vir atrás de mim, mas ao contrário do que eu planejei, você demorou um ano inteiro pra me procurar, e coisas acontecem em um ano.”
“Eu não ia me arrastar por você, de novo, Ryan Ross.” Foi o que Brendon conseguiu dizer, tão fraco que quase não foi ouvido, mas ao mesmo tempo, a irritação de Urie era evidente. Estava se segurando para não mostrar o motivo pra o qual realmente tinha vindo, mas apenas disse: “Eu não consegui agüentar, Ryan.”
“Não agüenta o quê?” Ryan desafiou e Urie o fulminou com o olhar. Ao que a resposta em palavras não veio, então ele cutucou um pouco mais. “Responde, Brendon!”
“Não agüento mais você na minha mente, Ross! Não agüento mais me apaixonar pela metade, tudo porque meu coração ainda está em suas mãos e pra piorar não tem cuidado bem dele. Nem se importar com o meu sentimento, comigo, com o que a gente foi, você se importa!”
“Eu não sou assim.” Ryan abaixou os olhos. “Eu posso até ser ambíguo, mas eu não sou assim.”
“Então que porra você fez comigo em San Diego, Ross?” Brendon praticamente gritou, meio entre os dentes, mas soltando fora de si todo aquele desgosto que estava dentro do seu coração. “Tem algum tipo de antídoto pra essa maldita praga que me lançou, seu idiota? Eu não agüento mais conhecer alguém maravilhoso feito a minha Sarah, me entregar pra ela cada vez que eu me deito, mas ter o desprazer de ouvir sua voz. A final, a mágica aplicada naquele dia funcionou só comigo!”
“O mágico aqui é você, Urie.” Ryan encolheu os ombros em falso descaso. “A única coisa que eu fiz foi te mostrar o quão meu você é.”
Hey stranger I want ya to catch me like a cold
You and god both got the guns
When you shoot I think I’d duck.
“Você está me vendo com cartola agora?” Brendon desabafou, finalmente gritando. “Eu quero acabar com isso de uma vez por todas. Quero que suma da minha vida que era muito melhor quando eu não sabia o quão seu podia ser. Era muito mais fácil não saber.”
“Você está falando da boca pra fora, Urie.” Ryan falou bem baixinho, cortando a pequena distância que havia entre eles. “Você está nervoso e pode se arrepender do que está falando. Relaxa, querido, sou só eu.”
“Esse é o problema, querido, é só você.” Suspirou, dando-se conta do tamanho da distância – quase inexistente – entre eles.
“Você sabe o que nós somos, Brendon, só te basta aceitar. Não tem mágica, não tem antídoto, não tem o que fazer: você pertence a mim e eu pertenço a você.”
“Isso é ridículo...” Brendon girou os olhos. “Somos ex-namorados, sabemos o que nos liga, mas...” Parou de dizer quando percebeu que ia parar no mesmo ponto. Os dois sabiam com clareza absoluta os sentimentos que os ligavam, que sempre ligariam os dois independente de com quem estavam, de quantas vezes tentassem.
“Já parou de falar besteira?” Ryan abraçou Brendon fraquinho. “Não sou como você pensa que eu sou, Urie e é isso que tanto te fascina em mim.”
“Isso acaba comigo, mas é o seu jeito.” Deitou o rosto no ombro do seu ex-namorado enquanto começava a corresponder o abraço de Ryan que sorriu para si mesmo. “Você sempre some, Ryan. Sempre some sem deixar rastros do seu paradeiro.”
“E você me ama por isso, também.” Ryan brincou, dando um beijinho na têmpora do vocalista. “A verdade é que eu me prometi que não ia mais infernizar a sua vida. Eu to me esforçando para fazer isso, pra estar com a Z, mas você sabe. Eu só me mostro até onde posso ir.”
“Então me prova tudo isso?” O vocalista pediu enquanto levantava o rosto. Percebeu que começara ser puxado de volta para a sala. O suspiro de Brendon revelava que ele não estava nada contente em não ser respondido com atos, que agora sequer a proximidade lhe trazia algum alento. Não percebeu qual a forma de Ryan provar tudo aquilo que dizia, mas, cego pela insatisfação e fúria de Ryan sempre se conter, não o deixava perceber tudo o que era recuperado ao seu lado; a inocência do garoto trêmulo querendo impressionar em seu primeiro encontro, o sorriso, a guarda mais baixa. Até mesmo o suposto coração de gelo de Ross estava exposto através dos olhos de Ryan. Tudo ali era para Brendon e do Brendon, mas ele simplesmente não podia ver.
“Eu acho melhor eu ir, foi um erro ter vindo aqui.” Brendon disse baixinho, quase que como se lamentasse a situação que haviam entrado. “A final, a Sarah não merece isso e eu sou levado muito fácil por suas palavras, Ross. Infelizmente você sabe que tem tudo o que quer de mim.”
“Depois de tudo o que eu já disse hoje, Brenny, eu vou fingir que eu não ouvi o que disse.” Ryan suspirou baixinho, mordendo o cantinho do lábio. “Eu me deixei levar tanto hoje que falei demais.”
“Ahn, sim, claro.” Girou os olhos e saiu pela porta, sem realmente se importar com a tempestade que caía aquele dia. Ryan seguiu Urie sem se importar com a água que molhava seu corpo – e ele odiava água de chuva – com o foco voltado apenas em falar para Brendon que qualquer prova de amor que ele quisesse estava bem na frente dele. Que a magia feita em San Diego o havia atingido também. Sem dizer palavra nenhuma, Ryan puxou o menor pelo braço e os lábios quase se encostaram tamanha a fora que Ross empregou ao puxá-lo. As respirações se chocaram, os corações pareciam disputar uma batalha de qual deles quebraria primeiro a caixa torácica de seus donos e a água da chuva os fazia bater os queixos ruidosamente.
“Você fala de mim, mas só me procura ou se rende a mim quando está alcoolizado.” Ryan falou e B tentou recuar uns passinhos, mas o primeiro manteve o aperto no braço dele com tanta força que não tinha escapatória. O medo de Brendon naquele momento era se deixar levar pela respiração, cair de novo pelo olhar intenso e não conseguir mais desfazer tudo aquilo.
“Porque eu tenho uma mulher incrível em casa que te substitui, Ross.” Brendon falou com a intenção de ferir, de deixar uma marca que ninguém conseguisse curar se não fosse ele mesmo. E ele conseguiu, feriu bem no fundo. Só quando um raio cortou o céu, Brendon viu o tamanho da dor causada dentro dos olhos de Ryan e então Urie falou baixinho: “Desculpa.”
“Eu conheço você e sei muito bem que não estava bêbado quando me ligou aquele dia.” Ryan desviou o assunto, mas o aperto continuava ali. Já não estava mais sentindo como se pisasse e ovos, porque a dor é uma péssima conselheira. “Então eu não sou substituível pra você.”
“Isso deve derrubar sua teoria, certo?” Ryan soltou o braço dele aos poucos e negou com a cabeça. Afastou-se do ex-namorado com muita dificuldade e suspirou de forma longa. Urie sentiu uma raiva momentânea tomar conta de si, mas não fez mais nada que olhar pro frágil Ryan bem à sua frente.
“Não. Você está indo embora sem se render a mim.” Apenas disse, indo para casa. “Boa noite, Brendon. Eu espero que você seja muito feliz com a Sarah. Tão feliz quanto você foi comigo, mesmo que eu ainda me negue a acreditar que você vá ter felicidade sem eu estar em sua vida.” E fechou a porta.
Brendon Urie ficou meio perplexo com o que ouviu. Não sabia exatamente o que sentir. Se era fúria, se era amor, se compaixão de Ross. Sabia que ele havia provocado uma reação tão dolorosa e sabia que não tinha direito de machucá-lo daquela forma, embora ele o tivesse feito por várias e várias vezes. Andou até a porta, ensaiando bater por alguns minutos e o fez, deixando ser levado por seu coração apaixonado e agora com a desculpa de curar a ferida que havia causado. Quando Ryan abriu a porta, Brendon o puxou para si e começou a andar com ele para a chuva – só pra ser romântico e já que estava todo molhado, pra alguma coisa isso deveria servir – com certa relutância de Ross e disse pra ele, baixo:
“Eu não resisto a você, Ry, nem mesmo sóbrio.” E quebrou a pequena distância que os lábios tinham. Segurou docemente o rosto do maior, erguendo os pés com doçura e se deixou levar pelas sensações causadas pelo beijo que estava começando naquele momento.
O beijo era intenso, mas saudoso, inevitável. As línguas dançavam com necessidade e o suspiro insatisfeito de Ryan era abafado pelo som da chuva. Brendon acariciava o rosto delicado de Ryan como se ele fosse uma rara porcelana, enquanto o maior puxava seu amado para si e andava de qualquer jeito para dentro de casa, de onde nunca deviam ter saído. Eles se amavam, sabiam a quem pertenciam e nada. Absolutamente nada. Seria capaz de separá-los agora, exceto eles mesmos.
I led the revolution in my bedroom
And I set all the zippers free.
We said “no more wars! No more cloches!
Give me peace! Oh kiss me!”
Então quando entraram em casa separam os lábios em busca de ar. As respirações estavam tão agitadas quanto os corações. A água molhava o chão da sala de Ryan que sorria grande, sincero. Brendon, ao reabrir os olhos, fez o mesmo, mantendo as mãos no rosto de Ryan com doçura que ainda batia o queixo ruidosamente.
“Você é incrível ou eu que sou idiota.” Disse, juntando os lábios aos dele e ficou assim, sem começar o beijo e continuou o que dizia: “Tão incrível que transforma minha fúria em vontade de você...”
O guitarrista sorriu em resposta, desvencilhando-se do amado para ir até o som e o ligou, colocando um CD do Frank Sinatra. Brendon sorriu, não só porque ele gostava daquele cantor incrível, mas porque Ryan tinha algo por ali que lembrava o amor deles. Lembrava o filme “Top Hat” e a “Green Mile”. Bredon gostava de cinema e Ryan sabia disso?
“Dança comigo?” Ryan pediu baixinho, fazendo uma pequena reverência. Brendon assentiu e o abraçou forte, como se nunca mais fosse soltá-lo, escondendo seu rosto no pescoço de Ryan Ross. “Heaven, I’m in heaven and my heart beats so that I can hardly speak.” Ryan cantou baixinho e Brendon continuou, também baixinho:
“And I seem to find the happiness I seek when we’re out together dancing cheek to cheek.” E sorriu. Os dois se embalavam com doçura e com todo carinho do mundo. Vez ou outra eles trocavam alguns beijos tão doces quanto o ato em si. A verdade era que os dois sabiam muito bem que não dava para separá-los, mesmo se quisessem. E eles queriam. E eles tentaram por várias vezes, mas seus corações jamais compreenderam qualquer motivo que a razão expusesse.
Quando a calma e romântica Cheek to Cheek acabou e um romântico beijo também se encerrou, Brendon se afastou de Ryan Ross e foi até o som, trocando Frank Sinatra por uma música mais agitada. Ryan ficou em silêncio instantâneo quando o corpo magro de Brendon Urie começou a se mover no ritmo da música. Ele se virou, ficando de frente para o maior, sem parar sua dança, seu rebolado, com um leve sorriso cínico no rosto. Os dois se reaproximaram, os olhares estavam irremediavelmente dentro um do outro, passando para seus corpos o que os lábios não pronunciavam. Para o amor não era necessária nenhuma das palavras.
Ryan sentiu as mãos de Brendon em seu quadril, sentindo-o se mexer de acordo com a mão do outro. Aquela tentativa de dança era o que magnetizava o menor de forma irreversível, que lhe fazia perder a cabeça e se entregar nas mãos do que tentava dançar sem reservas. Brendon, por sua vez, se empenhava em dançar com o objetivo claro de se aquecer – já que ainda estava com a mesma roupa da chuva – e de seduzir seu grande amor. Ryan estava tão atraído por aquilo seus olhos sequer piscavam. As mãos de Urie foram soltando o quadril do maior e a proximidade ficou quase inexistente entre os lábios dele. Ryan segurou docemente na cintura de Brendon que não parou de dançar um momento sequer, mesmo quando começou a distribuir beijinhos carinhosos pela mandíbula de Ross.
“Se lembra em San Diego quando me viu dançar?” Perguntou baixinho, entre os beijinhos, dividindo sua atenção entre a dança, os beijos e os raios. “Na minha cabeça, bêbado, se eu dançasse com tudo o que havia em mim, me vendo fantasiado de mágico eu te provaria que sua atitude não havia me afetado, que toda minha vida estava começando naquele momento, mas eu falhei..”
“Eu falhei.” Ryan falou baixinho, arrastando por causa dos lábios de Brendon. “Falhei porque eu usava a mesma fantasia que eu usei no VMA, porque eu não resisti a você, porque eu estraguei a sua vida por causa de um ciúme idiota. Tudo o que eu fiz aquele dia foi movido pelo meu ciúme, então, me perdoa. Ciúmes não são bons conselheiros.”
“Seu ciúme fez com que eu me sentisse vivo mais uma vez.” Confessou, quase de forma inaudível. “Quando eu te vi, como nos velhos tempos, eu só quis ser completo novamente. Até o momento, ninguém havia feito parte de mim como você fez, Ryan. Eu não provei pra você que estava bem, provei que eu era um idiota sem você.”
“O idiota mais sexy do mundo, devo confessar.” Ryan riu baixinho, sendo jogado ao sofá de forma delicada. Ryan franziu o cenho para atitude do garoto que deixou mais um sorriso cínico ultrapassar seus grossos lábios.
“Eu precisava me sentir desejado por você, mesmo que nunca fossemos nos aproximar de fato.” Bden falou baixinho, dançando novamente para Ryan, deslizando as mãos pela camisa que usava, sedutoramente. Um a um os botões se desfaziam e a pele branca – e tentadora – de Brendon aparecia através da camisa branca molhada de chuva. “Então você me pegou pelo braço e me mostrou quem mandava em mim. Me mostrou quem eu era, o que eu era e pra que eu vim ao mundo.”
“Eu só não podia vê-lo daquele jeito decadente e não agir.” Claro que Urie não se ofendeu com as palavras, porque ele sabia que a decadência descrita por Ryan se referia à bebida que ele ingeriu, uma quantia incontável de garrafas, de qualquer coisa. A voz de Ryan ao pronunciar a frase estava inebriada pelo encantamento do maravilhoso Brendon Urie dançando, desatento às palavras, mas completamente preso ao que via. Totalmente entregue às mãos de Brendon. “Mas talvez agora eu devesse te emprestar uma roupa, já que a sua está toda molhada.”
“Decaí por falta de você.” Confessou, por fim, puxando o maior de volta para si através da camisa. Mais que depressa, Ryan mostrou o que Brendon gostava nele; envolveu sua cintura de forma autoritária, com certa força e possessividade. “E agora eu decaio de novo nos seus braços.” E sorriu, porque tinha conseguido parte do que queria.
O espaço entre eles era quase inexistente, e Brendon não teve resistência nenhuma quando Ryan decidiu beijar o amado por um tempo longo, curtindo cada detalhe daquele beijo que era dado naquele momento. Pela primeira vez dentro de um ano, Urie conseguia se focar plenamente no sexo. Com Sarah era maravilhoso, mas no final de tudo a culpa por estar traindo a quem pertencia, mesmo que nesse momento Brendon só quisesse acabar com aquela maldita culpa.
Então se afastaram e o menor sentou o maior. Aproveitando o som sexy que tocava naquele minuto. Urie voltou a rebolar como nunca tinha feito e retirar devagar o resto da roupa. Ryan por sua vez fitava ao outro como se nada mais lhe importasse, como se seu último objetivo de vida fosse tocar aquele que, agora, era dançarino. Urie sabia que o homem à sua frente o desejava como nunca e por isso, se precipitava e mantinha uma distância considerável. Longe o suficiente para enlouquecê-lo, perto o suficiente para que cada movimento de Urie fosse detalhadamente visto. Estava conseguindo o que ele queria, descontando a raiva na dança e ao mesmo o tempo, demonstrando todo o sentimento guardado em seu coração. Os olhos desesperados de seu amado também eram como combustível para todo o espetáculo de Urie.
Peça por peça as roupas foram ao chão e o objetivo cada vez mais próximo, cada vez mais claro; fazer com que Ryan sofresse o mesmo que ele já que não havia como desfazer o amor já feito. O mais novo ficou completamente nu e o outro já nem ousava se mexer, porque todos os movimentos de Brendon controlavam o guitarrista. Brenny se aproximou devagar, sentindo o coração disparado, quase que fora de controle. Colocou a mão de Ryan sobre sua ereção da forma mais delicada e doce que encontrou e ficou observando o sorriso malicioso se formar nos tão desejados lábios róseos do outro. Era a hora do controle retornar para aquele que sabia o que fazer.
Puxou Brendon para si e sem que ele precisasse, começou a mover sua mão por toda a extensão do que estava em pé em sua frente. A única reação que ele teve foi se entregar ao toque, porque não tinha como não se render a algo que lhe proporcionava prazer e lhe enlouquecia de amor. Enquanto isso, Ross se deliciava na pele branca do menor, dando pequenas mordidinhas na parte interna das coxas dele enquanto ensaiava chegar ao ponto em que sua mão se movimentava.
O vocalista só conseguia pensar no que aquilo lhe passava, no quanto havia esperado para ter algo tão maravilhoso para si. Maravilhoso ao ponto de inebriar, maravilhoso ao ponto de perturbar. Ryan soltava alguns resmunguinhos prazerosos quando seu cabelo era puxado com mais força, o que lhe soava como uma sinfonia de Beethoven, na verdade era melhor que qualquer coisa. Ele sentia falta do toque irresponsável em seu corpo – porque ele sabia que Ross já havia perdido o controle sobre seus atos há algum tempo –, os olhos apertados devidos ao coração que queria arrebentar sua caixa torácica. Aquilo era a melhor coisa em um ano que lhe acontecia. Não o sexo, mas a entrega dos dois corações naquele ato.
“Ryaaan...” Brendon puxou a cabeça de Ryan cuidadosamente e se posicionou mais perto, com aquele sorriso cínico que encantava o mundo. “Por favor.”
O que fora chamado vagarosamente abriu os olhos e pôs-se a olhar para seu homem. Ponderou momentaneamente ao ver o bico que se formou nos lábios daquele garoto porque era sim mais um jeito de implorar por um toque mais profundo de seu amado. Ryan sorriu e negou com a cabeça, levantando aos poucos da posição que estava. Ross não precisou dizer uma palavra sequer, a ordem foi dada pelo olhar firme do guitarrista e meio atrapalhado por causa de seus próprios instintos, a ordem foi acatada; as roupas de Ryan fizeram companhia às de Brendon ao chão.
A chuva estava cada vez mais feroz naquele dia em Los Angeles, mas parecia não incomodar aos amantes, por mais forte que a mesma estivesse e se chocasse contra as janelas. Os raios pareciam dar mais brilho aos olhares dos dois apaixonados, dos dois extasiados com seus corpos, seus corações, suas almas. Estava tudo entregue, toda uma vida se fundia mais uma vez naquele momento único. Nos beijos, nos toques, nas declarações veladas de amor ditas tão baixo que não conseguiam ser ouvidas, mas altas o suficiente para que os corações as captassem e as codificassem. Coisas que nem um ou o outro poderia esquecer. A única coisa que incomodou, foi o celular de Ryan rompendo a música e acabando com a concentração do garoto. Urie deu um resmungo irritado – e um xingamento – e consentiu que seu amante fosse atender o telefone que tocava insistentemente.
“A-alô?” Atendeu contra a vontade, meio ofegante. Ryan sentou-se e Urie se viu com uma oportunidade infalível de vingança com a garota do outro lado da linha. Ele sabia que quem ligava era a namorada, a mulher com quem Ryan dormia toda noite com ele, mas não tinha seu coração. Nunca teria, porque Brendon havia percebido que Ryan nunca deixaria de ser dele, não importa quanto tempo viesse a passar, não importava todas as garotas que se deitassem com ele, o coração de Ross sempre estaria em suas mãos.
Brendon ajoelhou-se atrás de Ryan, abraçando seu pescoço e ao mesmo tempo começando a distribuir carícias pelo lóbulo de Ryan que tentava conter o prazer que o de lábios grossos lhe proporcionava. Dentro do ouvido livre do que atendia ao telefone, Urie dizia com a voz mais sedutora que conseguia: “Deixe-a pra lá e fica comigo essa noite, Ross.” E aquilo fazia com que Ryan perdesse as estribeiras, sentisse sua pele encontrando o incinerante Brendon Urie, arrepiasse todos os seus pêlos e também, assentisse. Eles queriam muito mais que uma noite, mas enquanto a Lua estivesse no céu, um pertencia ao outro.
“Eu fiquei preocupada. Você ta vindo me buscar?” Z perguntou, com um tom de voz mais doce que o usual. Enquanto isso, Urie continuava entretido com a pele de Ryan, resmungando qualquer injúria contra aquela ligação e sabendo de quem de quem se tratava, lá estava aquele aperto no coração lhe sufocar novamente, a final, como ficar confortável sabendo que o amor de sua vida tinha alguém que – o pouco que conseguia ouvir – era doce, parecia ser uma boa pessoa. “Eu vou voltar pra casa, pra ficar com você. Você fica tão sem jeito perto da Charlotte.”
“N-não precisa, querida.” Ryan falou rápido e o tratamento carinhoso fez Urie torcer os lábios. Não gostou em nada do jeito encantador que Ryan a tratava, a final, ele gostava muito quando a doçura de Ryan era guardada só para ele. Urie parou com as carícias em seu lóbulo e deitou-se no colo de Ryan que começou uma carícia nos cabelos escuros dele. “A chuva está terrível. Fica aí que eu vou te buscar amanhã cedo, quando a chuva passar.”
O tempo estava limitado e isso fez Brendon torcer os lábios de forma manhosa. Todo o clima lindo de outrora se desfizera em uma ligação apenas. Brendon sentira-se como um amante; mas o fixo que não quer perder o homem que ama para a mulher dele. Ross abaixou-se e deu um beijo em seu amado, longo, sem se importar com que Z argumentava do outro lado da linha que ao final da ligação disse: “Eu te amo”, mas Ryan não disse mais que “um beijo, querida,” e desligou.
“Deita aqui comigo?” Pediu baixinho e foi atendido de pronto. Urie pegou o celular do outro e o desligou, jogando-o longe dele sem se importar onde tinha caído, torcendo os lábios de forma infantil – pela milésima vez naquela noite. “A sua sorte é que eu entrego qualquer coisa por um pouquinho de tempo ao seu lado.”
“E eu entrego tudo por essa noite ao seu lado.” Ryan enroscou as suas pernas nas de e arrancou um sorriso bobo de seu amado vocalista. Começaram então um novo beijo onde ambos se entregaram ao mesmo, deixaram serem levados pelas sensações.
Hey, hey!) we are a hurricane
Drop our anchors in a storm.
They will never be the same, a fire in a flash to keep us warm.
“Sabe o que eu acho?” Brendon disse baixinho, entre os lábios do outro, aproveitando-se de seu antigo dom. sabia que tudo o que pudesse aproveitar de seu amado seria exatamente naquele minuto, porque Ryan estava completamente entregue ao sentimento, sensações e qualquer outra sensibilidade. Estava em suas mãos. “Acho que a gente devia esperar essa chuva passar e depois você fugiria comigo pra um lugar tão longe onde ninguém fosse capaz de nos achar...”
Ryan reabriu os olhos devagar, mostrando seu espanto e surpresa ao ouvir aquela proposta baixa, carregada com beijos carinhosos que Urie fazia questão de distribuir. Claro que ele sabia que ia ouvir o que não queria, mas não podia deixar a oportunidade de tentar Ryan. A verdade é que sequer Brendon sabia se valia a pena ter aquele amor tão próximo a ele, porque cedo ou tarde um dos dois se arrependeria de ter feito aquela escolha... George Ryan Ross se arrependeria de ter feito aquela escolha e Brendon estaria sem a Sarah. Suportar a ausência de Ryan sem aquela garota seria, com certeza, impossível. Ele a adorava. Ele a reverenciava. Ele fazia questão que sua amada Sarah fosse tão feliz quanto ele era com Ryan Ross, mas até nisso ele falharia. Falharia porque não tem como alguém ser feliz como ele era quando estava com Ryan Ross se a pessoa que estivesse com ele não o amasse daquele jeito, falharia porque sempre falhou em amar outras pessoas que não fosse o guitarrista e ambos sabiam disso. Até mesmo Sarah sabia disso.
“Você não sabe como vai me doer dizer isso.” Ryan começou, fraco, deitando a cabeça no peito de Brendon e ouvindo o seu coração bater com força, querendo romper aquela caixa torácica e entregar-se literalmente aos braços do amado. Urie sentia que o chão fosse sair de seus pés quando os colocasse de volta ao solo, sentia que seu coração ia explodir de tanta dor e ao mesmo tempo ia estar feliz por ouvir uma verdade, a final, durante aquele ano ele ansiou que viesse algo que o ferisse, a final... bem, aquele era Ryan Ross. “Mas nós somos melhores separados.”
“Você só pode estar brincando...” Brendon riu sem vontade. “Como podemos nos amar assim, Ryan, e sermos melhores separados? Em que mundo você vive?”
“Eu sou sensato.” Abaixou os olhos. “Eu sei que estar longe dói em nós dois, mas sempre que trocamos a ausência para ficar perto um do outro, saímos muito mais feridos do que entramos. Porque sempre acontece algo entre a gente que acaba com nossa felicidade...”
“É claro, Ryan, sempre sou eu quem enxerga tudo errado e mete os pés pelas mãos.” Girou os olhos, suspirando baixo quase que como um lamento. Embora Urie não quisesse admitir, seu amado era duro, mas estava certo. Completamente certo, tanto que chegava a lhe encher ainda mais de raiva. Ross segurou seu ex-namorado com tanta força que foi impossível o outro se livrar dos seus braços. Ryan lhe beijou com cuidado e o outro não conseguiu resistir ao contato apaixonado. Brendon se deixava levar, da mesma fora que seu amante ali fazia. “O que a gente faz agora?”
“Espera a chuva passar, depois a gente decide.” Ryan disse baixo. “Talvez ela dure mais do que a gente consiga aproveitar.”
Brendon só queria que naquele momento o céu se desfizesse em água, porque mesmo se todo azul do céu caísse sobre ele naquele exato momento, não seria tempo o suficiente para aproveitar tudo o que ele queria com seu amado, ao mesmo tempo tinha a Sarah, a mulher por quem ele estava fazendo tudo aquilo, a mulher que ele estava disposto a viver e a amar para todo sempre. Os corações estavam acelerados, mas apenas o suficiente para dizer que como um bumerangue aquela história chamais terminaria ali, mesmo que os dois implorassem pelo final dela.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Mas quem imploraria para perder o amor de sua vida? Talvez fosse a hora de Ryan começar a pensar na possibilidade já que a chuva não os uniria como a lua fazia todas as noites.
FIM.
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