Subi pro meu quarto, abri meu armário e escolhi a roupa “perfeita”. Penteei meu cabelo, coisa que eu fazia quase que raramente. Passei uma camada leve de lápis no olho, passei perfume.

Depois desci as escadas e encontrei meus pais na sala.

— Eu vou sair mão! –eu gritei enquanto fechava a porta de casa, minha mãe gritou algo pra mim, mais eu não liguei, apenas continuei andando.

A casa dele não era tão longe da minha, andei por uns 10 minutos mais ou menos. Parei na porta de sua casa, olhei em volta. Havia um grande jardim, com um pequeno lado no fundo, um aspecto um tanto familiar. Respirei fundo e toquei a campainha.

Esperei por algum tempo, até que aquele ser lindo abre a porta e abre um largo sorriso. Chega perto de mim, e me da um forte abraço, o que fez com que eu me assustasse e fosse um pouco pra trás. Ele me soltou, sentindo-se envergonhado, eu sorri pra ele, aproximei-me e beijei seus lábios de leve, nossas línguas se mexendo perfeitamente juntas.

— Gee, vamos entrar? –ele disse se separando do beijo, eu apenas concordei com a cabeça e ele segurou minha mão me puxando pra dentro de casa.

Sua casa não era muito pequena, talvez morassem poucas pessoas, havia um monte de quadros de pessoas felizes, pude ver uma foto dele pequeno brincando com alguém que eu não pude reconhecer, sorri comigo mesmo.

- Minha mãe não esta em casa, ela costuma viajar aos domingos, sabe, ela é enfermeira. –ele disse enquanto subia as escadas ainda segurando minha mão.

- E só moram vocês dois aqui? –eu perguntei.

- Uhum, meu pai morreu quando eu tinha 13 anos. –ele abaixou sua cabeça parecendo triste.

- Eu sinto muito.

- Esqueça isso, foi melhor pra ele. –Frank disfarçou um sorriso.

O andar de cima não tinha muitos cômodos, apenas duas portas. Um deles era o quarto do Frank, e outro o banheiro. Frank abriu a porta do quarto, abrindo espaço pra eu entrar.

Olhei em volta, um quarto pequeno, organizado. Uma cama no canto, com uma mesa próxima com um computador, do lado, vários papeis. Posters de algumas bandas na parede, nada muito diferente do meu quarto.

— Já volto, vou ao banheiro. –ele disse me deixando sozinho no quarto.

Andei pelo quarto. Olhei alguns dos papeis em cima da mesa, me interessei por um. Peguei-o, e comecei a ler. Parecia uma daquelas listas de sonhos que toda criança faz sabe? Li rápido algumas coisas escritas, não entendendo muito bem. Até que parei em um que me chamou a atenção.

“Estar em dois lugares ao mesmo tempo.”

Ri comigo mesmo, como uma pessoa conseguiria estar em dois lugares ao mesmo tempo? Frank entrou no quarto, e olhou pra mim assustado.

— Que feio mexer nas coisas dos outros. –ele disse se aproximando de mim e tirando o papel da minha mão.

- Você ainda faz esse tipo de lista? –eu perguntei rindo dele, ele continuou serio cortando completamente a minha graça.

- Faço. Não vá me dizer que você nunca fez algo do tipo?

- Eu já fiz, há muito tempo atrás Frankie. –eu ri dele de novo, ele ficou levemente corado.

- Tanto faz, isso é realmente útil as vezes sabe? –eu apenas fiz uma cara confusa, e continuei.

- Por que o numero “1” esta apagado? –perguntei.

- Porque é uma coisa que nunca se realizaria.

- Mas são sonhos Frankie, e pelo que eu sei, sonhos são feitos pra sonhar. E nada é impossível, não? –eu o virei, ele ficou de costas pra mim. Puis meus braços em volta de sua cintura, e sussurrei no seu ouvido. –Eu faria de tudo para realiza-lo.

Ele tremeu de leve.

— Faria mesmo? –ele virou apenas sua cabeça, pudi sentir sua respiração roçar no meu pescoço.

- Faria, tudo que você quisesse.

Ele sorriu, e depois se virou, puxou meu pescoço de leve e me beijou. Seus lábios macios moviam-se lentamente.

Puis meus braços em volta de sua cintura, e comecei a leva-lo para perto da cama ainda o beijando. O deitei, e deitei por cima. Ele beijou meu pescoço seguido de uma leve mordida.

Subi sua blusa um pouco, e puis minha mão sobre sua pele, ele tremeu, provavelmente porque minha mãe estava fria. Subi mais sua blusa.

— Gee... –ele sussurrou. –Eu não quero isso ainda.

Tirei minha mão de baixo de sua blusa e o encarei.

— Claro, não tem problema.

Ele sorriu, ficamos lá por horas. Conversando, nos beijando. Até que ouvimos o barulho de um carro entrando na garagem, me afastei de Frank.

— Não tem problema Gee, não se preocupe. –ele disse sua voz doce e calma. Não entendi, apenas continuei com ele. Alguns minutos depois, a mãe dele abre a porta do quarto. Eu me assusto.

— Mãe, esse daqui é meu namorado.

“Namorado? Eu? Namorado do Frank?”

Eu o olhei confuso, e ele sorriu envergonhado.

— Namorado? –sua mãe perguntou. –Que ótimo Frankie, tava na hora mesmo de você arrumar um namorado, apenas cuidem-se. –ela sorriu, e logo em seguida fechou a porta.

Eu virei pra ele.

— Não, você não é meu namorado. É que ela vem enchendo meu saco a semanas, pedindo pra eu arrumar um namorado ou namorada, desculpe. –ele disse, corando. Eu sorri.

- Não tem problema Frankie, eu te entendo. –eu beijei de leve seus lábios. -Um dia nós vamos namorar, você vai ver. Mais...sua mãe não liga de você namorar...bem..um homem?

- Claro que não, ela sabe que eu sou gay dês de quando eu era pequeno. Mais Gee, ta escurecendo, vamos sair? –ele perguntou.

- Não, amanha você vai sair comigo, eu tenho uma surpresa pra você.

- Surpresa? Que surpresa? Gee, amanha é segunda, nós temos aula no dia seguinte.

- Frankie, é surpresa, se eu te contar não vai ser mais surpresa, e não tem problema que terça tem aula, afinal, o que é faltar um dia da aula, não? –eu disse, enrolando meus dedos em seu cabelo.

- Tudo bem, eu vou dar um jeito de sair com você.

Eu sorri pra ele, lhe dei um ultimo beijo e levantei.

— Você abre a porta pra mim? Eu vou embora.

- Claro. –Frank sorriu simpaticamente, e levantou da cama.

- Você vai na frente. –Eu sorri maliciosamente, o que fez com que Frank me olhasse estranho.

Fui até a mesa onde estava jogado o pedaço de papel amassado, aquele da lista. O peguei discretamente e segui Frank. Descemos as escadas, sua mãe estava na cozinha, aparentemente fazendo o jantar. Ela se virou, e abanou a mão pra mim, eu fiz o mesmo sorrindo.

Frank abriu a porta, me aproximei para beija-lo, um beijo rápido, me despedi. Andei pelas ruas vazias e escuras, incrível como a cidade ficava ainda mais calma e parada de domingo a noite.

Andei rápido até minha casa, procurei minhas chaves no bolso da calça, e logo depois abri a porta.

— Onde você estava Gerard? -Minha mãe estava sentada no sofá da sala, me olhando seria.

- Eu fui à casa de um amigo. -eu respondi.

- E isso é hora de voltar pra casa? São nove horas da noite você tem noção disso? Amanha você tem aula mocinho. –Sim, ela era completamente ridícula.

- A mãe, eu me atrasei, fiquei lá conversando com ele, acabei esquecendo do tempo. Alias, eu não sou mais criança. –Eu subi as escadas, a deixando falar sozinha.

Mikey estava deitado, assistindo televisão. O encarei, e ele fez o mesmo por alguns segundos, mais voltou sua atenção rápido para a televisão. Deitei-me na cama, e fiquei assistindo aquele programa completamente inútil.

E sim, ele fazia aquilo só pra me irritar, de novo. Ele adorava isso. Eu pensei que a briga não fosse durar muito tempo, mais esta durando mais que eu imaginava.

— Você pode desligar a televisão? Sabe, eu preciso dormir, amanha tem aula. –eu perguntei, não esperando alguma resposta positiva, ou ao menos educada da parte dele.

- Okay, eu vou desligar. –ele desligou imediatamente, e logo em seguida apagou a luz. –Boa noite.

Ele estava completamente seco, eu fiquei algum tempo parado, tentando pensar no que acabara de acontecer.

Me deitei, e dormi quase que imediatamente.

*** *** *** *** ***

— Acorda logo, eu quero ir pra aula, vai Gerard, acorda. –Mikey me balançando, creio que um tanto indelicadamente. Abri um dos meus olhos, e o olhei, ele me encarava, estava a centímetros de mim. Logo ao ver meus olhos abertos, ele se afastou e me olhou emburrado.

- Levanta e troca de roupa que nós estamos atrasados. –ele disse, enquanto sentava em sua cama e me olhava impaciente.

- Mais porque você não foi sozinho? Quer dizer, você nunca vai comigo pra escola. –eu disse medindo as minhas palavras, evitando qualquer aliteração de voz, não queria brigar de novo.

- Er, olha, ta chovendo, e a mãe vai levar agente. –ele apontou pra janela, e parecia que estava caindo o mundo lá fora. Eu me levantei rápido.

- Brigada por esperar.

Eu sorri, abri meu armário, escolhi uma roupa qualquer. Tirei meu pijama, fiquei só de samba-canção. (ridícula por sinal.)

Ele me olhava, creio que olhou meu corpo inteiro, me deixando envergonhado. Eu me virei, ele continuava olhando, não piscava não fazia nada, apenas olhava. Eu já estava de roupa, sorri.

— É...vamos? –eu disse, o fazendo “acordar”, enrolando seu cabelo com os dedos, corou um pouco.

- A, desculpe. –Mikey corou mais ainda.

- Não tem problema, nada que você não tenha visto antes.