I Was born to die
1 Untitled
Notas iniciais
Ain Q ansiedade!
Falem oq vcs acharam pf!
Tori
How could this happen to me?
I've made my mistakes
Got nowhere to run
The night goes on
As I'm fading away
I'm sick of this life
I just wanna scream
How could this happen to me?
As gotas de chuva caiam cristalinas sobre a janela de vidro, eu gostava de observá-las, de observar as pequenas gotinhas de água batendo e se dissolvendo no vidro da janela, isso me acalma. Eu estava sentada em meu banco que ficava exatamente em baixo da janela, minhas medeixas ruivas estavam presas em um coque no alto de minha cabeça, usava um moletom largo e escutava “Simple Pleasures” de Jake Bugg.
“Nossa Alice, que vida agitada a sua só faltou o jogo de xadrez", vocês devem estar pensando, mas realmente não há muito que fazer, principalmente se for focar em mim, uma garota quieta com problemas de aprendizado e emocionais sendo eles o suficiente para não relacionar-se com ninguém.
•••
Já passara mais de meia noite e fazia mais ou menos 10 minutos, no qual o meu tranquilizante natural havia parado e há dez minutos todo o meu mundo caiu sobre mim. Dizem que a noite todas as aflições caem sobre os aflitos, definitivamente quem falou isso não errou.
Meu coração pulsava rapidamente, meu peito subia e descia em um ritmo acelerado devido a respiração descontrolada, lágrimas escorriam pelo meu rosto e os pensamentos não paravam de gritar em minha cabeça, tudo vinha a tona tão rápido. Eu simplesmente não aguentava tudo aquilo, então como sempre levantei-me andando até o criado-mudo e abri a gaveta da mesma e tirando uma pequena lâmina que havia retirado de um apontador, olhei-a por um momento e logo fiz um pequeno corte em meu braço e continuei ate que as batidas do meu coração acalmaram assim como meu pulmão, sobrando apenas um pulso ensangüentado e a fadiga, estava muito cansada a fraca então enrolei meu pulso em um pano e me joguei na cama, dormindo logo em seguida.
•••
O despertador tocou, olhei, seis horas da manhã. Levantei-me e sentei na cama olhei para o meu pulso no qual estava apoiado em uma das minhas pernas, o sangue havia secado e o pano avermelhado também.
Fui ao banheiro, estava com olheiras até. Tomei um banho rápido e fiz um curativos nos machucados, arrumei minha mochila afinal era o primeiro dia de aula, em seguida coloquei uma calça jeans com uma meia calça grossa de lã por baixo — o inverno estava rigoroso — e uma blusa de tricô quentinha roxa com corvos desenhados em seu colo, calcei uma Ugg preta e minha toca preta.
Enquanto descia a enorme escada de casa, flashes de Zoë descendo-a correndo com sua blusa de cachemir rosa bordada com pequenas pérolas vieram em minha mente,rapidamente fazendo com que meu coração se apertasse e meus olhos enchessem de água.
Chegando na cozinha encontrei minha mãe tomando seu café com canela, a mesma me olhou e revirou os olhos com desprezo se retirando da mesa, aquilo doía tanto,era simplesmente inexplicável então novamente engoli o choro, peguei minha garrafa de água enchendo-a até a boca, era com isso que iria sobreviver por hoje e sai de casa em direção do colégio. Quando cheguei todos me olhavam torto.
No intervalo caminhei até o amplo jardim e sentei embaixo de uma macieira que havia por ali. Peguei a minha garrafa de água e comecei tomá-la distraidamente enquanto observava o movimento e o barulho que fazia quando a folhagem quando misturada com vento, dei um pequeno sobressalto com um vulto vermelho que parou em minha frente, era a garota nova. Amber scher, a mesma olhava-me curiosamente, quando pareceu tomar alguma segurança soltou:
—Ei, você não é a garota depressiva? – olhei-a cética sem dizer palavra alguma, ela continuou então – Quem cala consente. Bem, na minha opinião você não parece bem uma pessoa depressiva sabe – continuou com a sua voz extremamente aguda e irritante.
—Poxa, te desapontei? – perguntei com certo tom de ironia – Desculpe-me se esqueci de vestir minhas roupas pretas e se meu cabelo não está na cara o suficiente – ela me olhava indignada.
—Escuta aqui..
—Olha Amber, falta um minuto para o sinal bater. Se me der licença – assim que me levantei o sinal tocou e então me dirigi à próxima aula. Na verdade a pior de todas, matemática.
•••
Eu me encontrava na aula de redação no momento quando o professor proferiu suas palavras para toda a sala:
—Bom alunos, vocês farão um trabalho em dupla – falou o professor Abraham, com sua voz suave.
Ele é baixinho e possue cabelos da cor mel encaracolados, sempre usava uma gravata borboleta. Eu gostava disso... de observar as estampas de sua gravata.
Então continuou com sua voz calma.
—Eu irei sortear os parceiros e não quero reclamações – suspirei. Não gosto de trabalhos em dupla, na verdade há muito tempo não tenho constante contato com pessoas – vocês terão de fazer uma carta por dia e depois trocar com o seu parceiro, será dado um tema por aula – ele deu uma pausa para respirar – e no final terão de me entregar.
Então iniciou o sorteio das duplas, vaguei voltando a realidade somente quando ele falou meu nome e de minha parceira.
—Alice e Isabel.
Isabel era uma garota um tanto quanto divertida e tem um irmão gêmeo chamado Jake no qual não posso negar que ele é lindo, são fraternais, mas ambos possuem os olhos azuis e cabelos loiros, mas os seus são mais claros. Ela cortava as pontas de seu cabelo próprio com gilete desfiando-os, nela fica muito legal.
Olhei para trás entre as pessoas procurando-a, quando a vi ela lançou-me um pequeno sorriso, no qual não retribui apenas virei para frente rapidamente.
Quando a aula acabou, arrumei minha bolsa e estava saindo da sala para ir para casa ouço alguém me chamando:
—Alice! – tento ignora-la, mas ela é bem persistente – ALICE! – gritou mais alto.
—Hm, oi Isabel – havia um lenço vermelho em seus cabelos repicados, um moletom estampado de bocas, uma calça preta com um rasgo no joelho e uma ankleboot preta.
— Que tal nós começarmos o trabalho hoje?
Hesitei um pouco ao responder, mas com um pequeno aceno de cabeça acabei concordando.
—Ótimo! – exclamou toda alegre – Então, nós vamos com meu irmão, pois hoje viemos com carro dele, o problema é acha-lo, vem. Acho que ele deve estar no estacionamento – saiu puxando-me pelo pulso.
Depois de andar quase todo o estacionamento o encontramos. Ele estava debruçado sobre o próprio carro com Amber-a-garota-nova entre seus braços. Isabel olhava-o com irritação para ele, pigarreou sutilmente.
—Jake, irmãozinho – disse com ironia em sua voz – não quero estragar sua festinha, mas seria demais para você parar de agarrar sua dançarina de carnaval e nos levar pra casa?
No mesmo instante ele se virou com um olhar de escárnio para ela ainda segurando Amber pela cintura, estava pronto para responder quando seu olha se encontrou com o meu. Perdi o fôlego.
Jake abriu e fechou a boca varias vezes, até que suspirou e concordou com a cabeça e soltando Amber-a-garota-nova-dançarina-de-carnaval que olhou indignada e saiu rebolando os quadris. O irmão gêmeo de Isabel destrancou o carro e entrou. A loira sorria divertida enquanto me puxava para dentro,o ar de meus pulmões foram acabando aos poucos.
Desde o acidente tenho certo pavor de carro e festas, porém, ainda respirando pesadamente, me acomodei no banco de trás e o carro ligou acelerando. Cravei as unhas no banco de couro e respirei pausadamente.
O edge prata estava em silêncio, só dava para se ouvir o barulho de Isabel teclando em seu celular e a respiração de Jake. Depois de quinze minutos chegamos a uma grande casa branca. O garoto parou o carro na garagem lateral, descemos e entramos pela entrada da cozinha conjugada com a garagem, uma mulher apareceu na cozinha, me olhou e sorriu.
—Olá! Você a nova namorada do Jake? – corei no mesmo momento e com um menear de cabeça neguei – Aí, perdão meu bem, tratando-se dele nunca se sabe. Então quem é você?
Olhei para o procurando Isabel para me socorrer, mas ela não se encontrava no recinto no momento. Suspirei.
—Sou a Alice. Vim fazer um trabalho com a Isabel.
—Ah, sim! Isabel deve ter ido se trocar – falou simpaticamente – Pode subir. O quarto dela é o segundo a esquerda e peça para ela lhe emprestar uma roupa assim poderá ficar mais confortável. Vocês devem estar morrendo de fome, não? – mudou de assunto fazendo-me olhá-la confusa – A cafeteria do colégio nunca foi muito boa, mesmo. Ah, se não for incomodo poderia pedir para Jake descer quando subir? E assim que se trocarem vocês descem, esta bem?
A mulher falava rápido, era baixinha e meio gordinha com cabelos loiros curtinhos. As bochechas eram rosadas e transmitia bondade, o que combinava com o cheiro de cookie de chocolate da cozinha. Engraçado eu lembrar o cheiro.
“Faz tanto tempo que não como um” "óbvio que você não come, não faz parte da dieta" pensei enquanto concordava com a cabeça.
Então me dirigi a escada com o nervosismo a flor da pele, não sabia ao certo o que fazer, mas em fim bati na primeira porta a esquerda, ninguém falou nada então com muita vergonha e nervosismo a abri muito cautelosamente; Então eu o vi, estava apenas de jeans jogado em sua cama com fone de ouvido, seu rosto estava enterrado no travesseiro e seus fios de cabelos puxados pra trás.Não queria invadir mais o quarto, então resolvi bater na porta Nada, ele nem se moveu! Bati novamente. Nada.
Percebendo que não adiantaria nada continuar batendo, principalmente considerando a minha falta de força. Nervosamente adentrei mais no quarto e andei até a cama onde ele se encontrava deitado, estremeci tocando levemente seus ombros nus, que eram largos e macios. Também não houve resposta; novamente cutuquei seu ombro com mais força fazendo-o levantar a cabeça, desta vez, meio zonzo e fez uma careta. Eu já estava me preparando pra ser ofendida, mas tudo o que ele fez foi sorrir levemente.
—Alice, não? – assenti – Minha mãe mandou me chamar, certo? – disse com sua voz rouca.
—Sim – falei baixinho– Bem, vou indo – falei regredindo em direção à porta, mas parei subitamente e o olhei com certa confusão e bem... parece que ele entendeu pois ele me respondeu sorrindo com um simples “quarto ao lado”.
Concordei com a cabeça e sai de seu quando indo na direção do quarto ao lado, quando levantei a mão para bater na porta Isabel me puxou para dentro.
—Ali, rápido, pegue qualquer roupa, porque eu estou com muita fome e quero comer – para um pouco, rebobina a fita. Ela havia me chamado de que, Ali? Só uma pessoa me chamava assim e essa pessoa era Zoë. —Tá. Pegar uma roupa assim não deve ser tão confortável certo? – ela disse ao ver minha expressão de estupefada mas acenei com a cabeça positivamente – Então vejamos – disse entrando em seu closet.
De lá de dentro ela jogou em cima de sua cama um moletom do Bob Esponja, uma calça de moletom cinza e um par de meias com estampas de abacaxi. Peguei-os olhando para os lados me perguntando onde diabos eu iria me trocar. Isabel parece que entendeu a minha duvida silenciosa.
—Pode se trocar aqui. Se quiser que eu saia, eu saio – falou suavemente.
—Não. Não precisa, sério mesmo – falei hesitante, mas não queria incomodá-la também.
Despi-me rapidamente fazendo de tudo para esconder as cicatrizes e machucados em meus pulsos além do curativo que havia feito hoje de manha. Quando vesti a calça da menina ela caiu fazendo-a me olhar impressionada.
—Wow! Ou eu sou gorda de mais ou você é magra demais.
—Ahn... – senti-me nervosa e tentei desviar do assunto – você poderia me ajudar a dar um laço na calça para ela não cair? – Isabel deu uma risada, na qual eu não entendi e fez um laço bem apertado.
Terminei de me vestir fazendo um rabo de cavalo normal ouvindo um "aleluia" de Isabel em seguida, não aguentei e soltei um riso suave. Pegou-me pelo pulso machucado – mas ela não sabia disso, então não a culpo – fazendo-me fazer uma pequena careta para então me puxar até a escada. Soltei um gemido de dor baixo, mas parece que ela notará então me soltou no mesmo momento.
Chegando na cozinha a mesa já estava posta com bolachas recheadas, água e sal, cereais, geleias, manteiga, pães e bolos e é claro cookies de chocolate. Meu estômago roncou e eu me repreendi mentalmente. Sentei a mesa ao lado de Isabel e de para frente seu irmão gêmeo, logo sua mãe apareceu com uma jarra de suco de laranja e uma outra de água gelada.
—Bem queridas, comam e depois vocês começam o trabalho. Jake, não atrapalhe as meninas. Vou ao Wallmart, beijos. E Alice meu nome é Chelsea, acho que me esqueci de lhe dizer – disse Chelsea rápido pegando sua bolsa e mandando beijos para o ar – era impressão minha ou Isabel tinha um jeito parecido de falar?
—Alice, não liga não, ela é assim mesmo – falou a dos cabelos repicados.
—Sua mãe é um amor, Isabel – falei com um pequeno sorriso no rosto.
—Ei, não precisa me chamar de Isabel, me chame Bel, apenas Bel está bom – sorriu para mim.
—Hm, okay – disse hesitante.
—Bem vamos comer, antes que esse saco sem fundo acabe com tudo – a menina comentou.
—Ei, ei – reclamou – não posso fazer nada se sou capitão do time de natação, além disso, tenho 16 anos, fazer o que. Tenho minhas prioridades! – disse com falsa indignação em sua voz – mas é verdade, Alice, é melhor você comer antes que esta gorda acabe com tudo – falou com um sorriso maroto.
—Escuta aqui! Você me respeita porque eu sou 1 minuto mais velha que você!
—Wow, que ousada você, não?
—Ah, chega! Não vou perder meu precioso tempo discutindo com você, seu idiota! Vamos comer Ali.
Minha parceira de trabalho havia me oferecido todo o tipo de comida que estava em cima da mesa, mas no final só aceitei apenas três bolachas de água e sal e dois copos de água gelada fazendo com que o garoto me olhasse estarrecido e a menina um tanto duvidosa.
Estávamos sentadas a mais de 20 minutos na sala de jantar com papéis de folha almaço na nossa frente, a loira escrevia freneticamente sobre seu "vestido azul de inverno" favorito, o Sr.Abraham havia mandado para introduzir trabalho que nos escrevêssemos sobre um dos nossos objetos preferidos, e sinceramente eu não tinha a mínima idéia de como fazer aquilo, tudo que passava na minha cabeça simplesmente desaparecia e perdia o foco quando colocava a ponta da caneta no papel.
Passados cinco minutos, Bel entregou sua folha para mim e me estendeu a mão para que eu entregasse o meu, então meio encabulada olhei para ela e falei:
—É que bem..e e e eu não consigo escrever..
—Entendo- falou com compreensão- vamos fazer assim, como nós estamos adiantadas,só temos redação de terça, pera, seu horário é igual ao meu, certo? Certo- respondeu a si mesma- então ta, voltando ao foco, o próximo tema será passado só semana que vem, ou seja, faz com calma quando estiver com a cabeça mais limpa, oka?- meneie a cabeça concordando.
—Então...que tal nós assistirmos um filme?- falou ela com a empolgação tomando sua voz.
—Bem, é..pode ser
—UHULLL- seu entusiasmo era tão evidente e contagiante- vou fazer pipoca e brigadeiro de panela que achei em um site brasileiro para nós! Vamos a cozinhaaa!- disse direcionando a mão esquerda para cima como se fosse o superman. Eu a segui.
Chegando na cozinha encontramos Jake encostado na pia com um copo de água bebendo rapidamente, assim que reparou nossa presença, deu um ultimo gole e nos olhou, bem, me olhou, pois Isabel já estava do outro lado da cozinha pegando uma lata de achocolatado
—Ela vai fazer o tal do brigadeiro, né?
—Uhum
—Tenta não deixar ela queimar, porque essa ai na cozinha é O desastre- falou dando ênfase no "o" e sorrindo com escárnio- da ultima vez ela SOZINHA conseguiu explodir o um copo no micro-ondas!
— Ei seu loiro oxigenado!
—Bom maninha, eu vou sair- Falou ignorando a indignação das palavras gêmea.
—Posso saber com quem?
—Amber- Proferiu calmamente
—Deus..
—Ah, deus digo eu Isa, o encontro é meu, a boca é minha, as mãos são minhas eu sou meu e eu faço o que quiser.-
Decidido. Mas tonto. Porém decidido. Eu definitivamente não tenho (mais) metade da decisão dele. Não tenho muitas coisas, muitas características.
—Bem vou indo, tchau meninas- disse gesticulando mandando um beijo para Isabel.
Parou em minha frente; Olhei para cima e ele para baixo, então segurou meus pulsos com delicadeza, ficou com o dedão em cima do corte um pouco a baixo da mão então se abaixou um pouco deixando a boca rente a minha e desviou para o meu ouvido e falou:
—Não deixa a Isa queimar a casa, okay?
Voltou a altura normal com um sorriso e depois beijou minha bochecha; As mesmas ruborizaram,a muito tempo não sentia algo parecido,bem, a muito tempo não sinto algo, é como se tivesse tudo,eu sinto tudo, mas não sei descrever nada. Então uma buzina soou, e ele se afastou se despedindo com um aceno, me dirigi a bancada de mármore e fiquei observando Isabel, a pessoa que esta me trazendo emoções boas por um dia, fazer o tal brigadeiro, no qual eu não posso comer.
Notas finais
Me digam please!
XOXO
Vic
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