I Think We Can

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem com vocês? Primeiramente, mil perdões por essa demora. Segundo eu estive em semana de provas, terceiro, eu tive uma prova que me estressou muito muito muito, mas todos os dias eu ficava pensando em um novo plot e acabou que eu escrevi umas quinze versões diferentes mas com conselho de duas lindas e maravilhosas pessoas, me deram uma ótima sugestão! Então é isso ai! Tenham uma ótima leitura! Ah sim, é na narrativa do lindo do Adam mwah.

Uma, duas, três horas e nada de Ryan chegar.

Ele tinha um horário fixo. Nossa aula acabava às três horas, e sua aula de basquete, começava às três e meia, acabando as cinco, e normalmente comprava comida para nós e comíamos no dormitório. Mas já eram oito horas, e nenhum sinal dele.

Não gostava do trabalho de me fazer ciumento, ou de preocupado, ou de qualquer coisa. Não queria parecer grudento, mesmo nem sendo seu namorado de verdade. Mas pelo fato de gostar dele.

Gostar mesmo, de verdade.

Chega era frustrante. Sempre imaginei que se fosse para Ryan me pedir, ele faria algo meigo, com caricias e coisas do gênero. Mas fora tudo um pedido para afastar seus exs e qualquer outro garoto que o quisesse. Mas não pude negar. Era a melhor chance que eu tinha de ficar ainda mais próximo dele, e fingir que éramos tudo aquilo, mesmo que dentre quatro paredes, nada realmente acontecesse entre nós, apenas brincadeirinhas e conversas bobas.

Por mais que evitasse tudo aquilo, não podia deixar a vontade ligar pra ele e manda-lo voltar nesse exato momento. Sua presença era mais que o suficiente para me alegrar, por mais que eu me negasse a demonstrar. Assim como qualquer outro sentimento.

Não conseguia manter os olhos focados no livro, lia a mesma linha várias vezes sem nem ter noção de fazer isso. Fechei o livro junto de meus olhos. Quem sabe quando acordasse, Ryan estaria ali, com um cavalo branco para fugirmos dali.

~

Acordei com o barulho da porta batendo. Dei um salto da cama, me deparando com Ryan fazendo-me uma careta.

–Desculpa, eu te acordei né? – Ele sorriu, deixando o casaco do time junto de sua bolas em cima da escrivaninha.

–Onde você estava? – Me sentei na cama, o encarando.

Não tenho como descrever duas coisas: primeiro, o quanto eu odiava suor. Achava uma coisa nojenta, desnecessária. Pensei por um momento que, por Ryan ter ficado três horas há mais que seu horário normal, ele voltaria para o quarto já seco, mas voltou como sempre voltava: completamente suado, o cabelo ensopado e a roupa de treino também.

A segunda é, como Ryan consegue sempre ser tão bonito, mesmo com seu nojento suor escorrendo por todo o corpo.

Seu rosto não é fino nem redondo, é quase que um meio termo. Tem o cabelo liso e meio volumoso, castanho que morrem no meio de seu pescoço, ele raramente o cortava. Normalmente, quando começava a achar grande, me pedia para diminuir um pouco. Mas o que mais me deixava fascinado nele, eram seus olhos. Azuis. Pareciam pedras preciosas, com belos cílios em volta.

–Bem, depois da aula de basquete, estava faltando alguns garotos no jogo de vôlei, mas acabou que demorou para eu entrar no jogo então só sai agora – Ele sorriu para mim – Agora se me da licença, vou tomar banho antes que me expulse do quarto.

Ele puxou algumas roupas de uma gaveta e foi para o pequeno banheiro de nosso quarto, bocejando.

–Adam – Ele se virou antes de entrar no banheiro, com a mão já na maçaneta.

Olhei para ele, como se perguntasse “O que?”. De verdade, esperava que ele falasse algo meigo para mim, como “senti saudades” ou qualquer coisa do tipo. Alguma coisa carinhosa.

–Você viu meus óculos? – Ele perguntou, sorrindo brevemente – Eu acho que perdi eles... De novo. – Ele abriu a porta do banheiro, mas permaneceu ali parado, me encarando.

–Vou procurar – Falei, ouvindo levemente meu estômago roncar. Acabou que, esperando-o chegar ao quarto com nosso jantar, nem sequer pensei em sair para comer.

Ele sorriu novamente, soltando agora uma pequena risada.

–Se quiser, quando eu sair, podemos ir comer alguma coisa, eu me esqueci de trazer a comida. Desculpe. – Ele entrou no banheiro, fechando a porta agora.

Passei alguns segundos mirando a porta do banheiro. Vai que ele saia e se lembrava de algum detalhe. Mas a água do chuveiro começou a cair. Ele não iria se lembrar de nada pelos próximos vinte minutos; e nem sequer tinha algo para ele lembrar – ele não iria de repente sair e me amar. Jamais.

Levantei-me da cama e fui fuxicar a mochila de Ryan, às vezes ele perdia as coisas dentro de suas próprias coisas. Passei a mão por seu uniforme, por sorte estava seco. Estiquei-o em cima da cadeira, para que ele pudesse usa-lo no outro dia. Continuei tirando coisas dali: livros, cadernos, uma agenda e dois estojos, até ver, bem no final dentro de um bolso interno, a caixa dos óculos. Tirei-a dali e abri a caixa, os óculos sujos e que provavelmente estavam abandonados na mochila há dias.

Suspirei, os limpado na minha blusa e colocando as lente na direção da lâmpada, até estar completamente limpos, e os deixei em cima da escrivaninha. Era melhor guardar as coisas de volta na mochila. Tentei colocar todos os livros e cadernos de uma vez, mas deixei um caderno cair. Deixei os outros dentro da mochila e fui pegar o caído no chão, que caiu aberto.

Tinha uma carta lá.

Não uma. Duas. Três. Sete.

Eu não deveria agir como ciumento ou intrometido, afinal nem éramos namorados. Mas mesmo assim, foi mais forte, e senti a necessidade ler as cartas.

Por sorte, todas já estavam abertas, e todas tinham o nome de Ryan na frente, quando abri a primeira, fui direto para o final que continha o nome de Jack, abri mais duas, que também tinham o nome de Jack. Todas elas seriam dele?

Ouvi o barulho do chuveiro sendo desligado. Passei os olhos rapidamente pela primeira carta, guardando rapidamente as outras dentro do caderno, e por fim, a primeira, me deixando a penas uma coisa em mente.

Adam não precisa saber. Ele não precisa saber de nada que possa ocorrer entre nós. Me encontre depois da aula de basquete, sim?”

Jack era do time de vôlei. Tinha quase toda certeza disso.

Guardei a ultima carta no caderno, e o coloquei de volta na mochila, e fiquei olhando fixo para a mochila, como se ela pudesse me explicar algo.

–Ahh, eu adoro banhos gelados – Ele saiu, não estava olhando para ele, mas tinha quase toda certeza de que ele estaria se espreguiçando.

Não o respondi. Não me movi. Eu não sabia o que fazer, o que falar. Eu não deveria me sentir traído, não deveria desconfiar de Ryan. Não deveria vasculhar suas coisas, invadir sua privacidade.

–Adam? – Ele tocou meu ombro – O que houve?

Continuei em silêncio, umedeci meus lábios, e o encarei. Os olhos dele me olhavam fixo, parecia preocupado.

–Fome. – Menti – Ah, eu achei seus óculos – Peguei a caixa dos óculos, e lhe devolvi.

–Ah cara, obrigado – Ele sorriu, colocando os óculos – Até limpou eles, você é incrível. Vou pagar seu jantar, o que você quiser.

~

A cantina já estava fechando, e a única coisa que tinha lá era bolo de cenoura e apenas dois pedaços também, não podíamos comer na área da cantina por já estar tarde, e então fomos andando de volta a nosso dormitório.

Como não tinha quase ninguém do lado de fora, não segurei a mão de Ryan ou algo assim, andamos em completo silêncio. Uma vez ou outra ele tentava puxar assunto, mas eu acabava por sempre lhe dar respostas curtas e acabar rápido qualquer assunto que pudéssemos ter.

Eu não fazia aquilo por querer. Não mesmo.

Eu apenas não sabia como conversar por muito tempo. Quando criança, em que meu padrasto abusava de mim, ele sempre me falava que falar demais, me expressar demais, era ruim, e que eu seria punido logo depois.

Claro que, com Ryan eu sempre chorava tudo que eu não chorava em casa e pedia para ele não contar pra ninguém, eu não queria que meu padrasto descobrisse que o Ryan sabia. Não queria nem que soubesse da existência de Ryan. Não queria que ele o machucasse.

Mas depois que descobriram o que houve, e durante o processo de divorcio de minha mãe, eu fui para Itália, e fiquei com meu pai e sua noiva Laura, junto da filha dela, Flora.

Meu pai se negou a me deixar voltar pra casa até que aquele homem sumisse da vida de minha mãe, fosse preso. Laura havia me acolhido super bem, pediu para me chamar de “mãe”, mas eu não consegui, por mais que ela fosse uma pessoa legal, não era minha mãe.

Flora me contará que o seu pai maltratava ela e Laura. E eu não conseguia entender o porquê, elas eram tão boas. Assim, se divorciaram e, Flora tinha medo de meu pai, achava que ele iria fazer o mesmo com sua mãe.

Acabou que fiquei bem próximo dela também. Ela acabou se tornando uma irmã para mim, e nas semanas que nos tornamos amigos, meu pai começara a agir estranho, sempre ficava tentando me mimar junto a minha nova irmã, e às vezes Laura até brigava com ele por isso, e no dia de voltar para casa, para junto de minha mãe agora divorciada, ele conversou comigo na mesa de jantar, apenas nos dois.

Ele havia me sugerido de morar com eles na Itália, abandonar minha vida na América, para que eu não sofresse lá. Para que eu vivesse com aquela família já formada.

Não. Não mesmo. Não posso abandonar mamãe. Nem Ryan.

Mas não respondi isso, fiquei em silêncio olhando para meus pés que não alcançavam o chão, ele também não me pressionou nem nada, e também Laura chegou às pressas, falando que eu já estava atrasado para o voo, e acabei voltando para casa sem lhe dar a resposta, e sempre que eu ia para casa do meu pai, ele fazia a mesma proposta. E eu nunca o respondi.

Depois disso, eu não consegui mais conversar direito com ninguém. Ficava imaginando meu ex-padrasto me falando para ficar quieto, não falar nada. Em meu pai me querendo tirar de minha mãe, de Ryan, para ficar na Itália. E, como quase sempre, eu fazia e falava coisas sem pensar, tinha medo de falar a coisa errada no momento errado.

–Adam, venha cá – Ryan puxou a gola de minha camisa, murmurando – Eu descobri um lugar quieto, aonde ninguém nunca vai.

–Mas...

–A gente só vai comer e voltar pro quarto, ok? – Ele sorriu, agora me puxando pela mão, por mais que não tivesse ninguém lá, segurei sua mão de volta, e fomos para o tal lugar.

No bloco da biblioteca e de uma cantina, tinha uma escada subterrânea, que dava até um corredor que levava a piscina das crianças, quase ninguém usava aquele caminho já que havia um mais "amigável", então as vezes acabavam por esquecer de trancar as portas das escadas.

E era lá o local genial que Ryan havia sugerido. Sentamos no ultimo degrau da escada, e comemos nosso bolo em silêncio, me recusava a olhar para ele.

–Aconteceu alguma coisa? – Ele murmurou. Odiava o fato dele saber quando tinha alguma coisa errado.

–Não – Respondi no mesmo momento.

–“Não” – Ele repetiu – O que houve, Adam?

Continuei garfando o bolo, fingindo que ele nem estava ali.

Ele pousou a mão na minha, a que estava prestes a levar o pedaço de bolo à minha boca. O olhei por algum tempo, até desistir, eu não resistia àqueles olhos.

–Seus óculos estavam no fundo de sua mochila. Seu caderno caiu no chão. Eu vi as cartas de Jack. – O encarei por algum tempo, não conseguia entender se ele estava com raiva ou constrangido por tê-las achado – Eu sei que você não foi só jogar vôlei hoje. Você foi se encontrar com Jack antes de ir jogar, não foi?

Ele não respondeu, ficou me encarando e soltou minha mão. Retirou seus óculos e os guardou no bolso, e ainda ficou me olhando.

–Sim, eu fui falar com Jack. – Ele disse então, coçando sua bochecha.

–E “Adam não precisa saber”, não é? – Lhe lancei um olhar frio, estava prestes a levantar e voltar para o quarto.

–Realmente, não – Ele grunhiu – Porque ele foi me pedir hoje. De novo. E também tentou ficar comigo. De novo – Ele bateu as palmas da mão nas pernas, como um sinal de frustração – Mas eu o neguei. Completamente.

De certo modo, fiquei tão aliviado.

–Eu falei que não iria te trair de forma alguma, nem mesmo te deixar. Mas ai ele me disse que sabia que tudo isso era mentira, que sabia que estávamos apenas fingindo, e que não queria ter que espalhar tudo. – Ele apoiou seu rosto em sua mão, me olhando torto.

E assim tudo parou. Fiquei imaginando que iríamos parar com tudo isso, iríamos parar com esse fingimento. Eu não estava triste por isso, mas também não estava contente. Eu gosto da atenção que Ryan me dava, gostava de que neste último mês, ele sempre me colocava em primeiro lugar, que me dava afeto, mesmo que apenas em público, o que me deixava de certo modo com vergonha. Mas eu gostava, eu realmente gostava muito.

–Então você acha melhor parar? – Murmurei, deixando meu prato de plástico ao meu lado, e o encarando de volta. De certo modo, me sentia até constrangido de olhar Ryan diretamente nos olhos, como se estivesse tentando competir quem tinha os olhos mais bonitos, sabendo que ele iria ganhar de qualquer jeito.

–Não – Ele sorriu levemente –Na verdade você pode escolher. Acho que é o melhor.

–Escolher? – Arquei as sobrancelhas.

–É. Jack é um belo de um fofoqueiro. Se ele sair falando que não estamos realmente juntos, as pessoas vão descobrir uma hora ou outra, tanto você quanto eu sabemos que não somos bom mentirosos – Ele bufou – Então se quiser, podemos parar com aqui e você me ajuda a me limitar.

–E tem outra opção? – Aquela parecia a única opção que tínhamos, não queria que as pessoas ficassem contra Ryan, que zombassem dele; o que provavelmente já faziam só pelo fato de ele andar comigo.

–Sim. Tem. Mas eu não sei se você vai gostar muito dela. – Ele tirou seu braço debaixo de seu rosto, agora sorrindo ainda mais.

–E qual seria a outra opção? – Perguntei secamente. Eu realmente só conseguia imaginar que a tal outra opção fosse achar outro namorado para fingir estar em um relacionamento, um que não precisasse de tanto esforço ou algo do gênero.

Mas ao invés disso, ele se aproximou mais de mim, pousando a mão em meu queixo, me puxando para perto, e contradizendo tudo que eu poderia imaginar, ele beijou o canto de minha boca.

–Podemos levar isso realmente a sério. – Ele permaneceu me fitando com os olhos, como se avaliasse minha reação.

Senti meu rosto inteiro esquentar, aquilo foi meu primeiro beijo, mas ao mesmo tempo não foi, por mais direto e indireto que tenha sido. Não conseguia formar nenhuma frase, nenhum argumento, nenhuma reposta. Nada, apenas permaneci olhando perdidamente para ele, diretamente nos seus olhos, quase como se hipnotizado pelos seus lindos olhos.

–Se você não quiser, pode me falar, Adam. – Seu sorriso desaparecia lentamente, assim como sua mão se afastava de meu rosto. Ele parecia triste... Triste por eu não estar mostrando o mesmo interesse? O mesmo interesse que na verdade eu tinha há anos?

Nunca, jamais havia sido bom com palavras, e não seria agora que eu seria, também não iria jamais admitir para ele o que eu realmente estava sentindo, que eu também ansiava por ele. Se é que ele estava falando a verdade.

–Não... Eu vou... Apenas te ajudar a se controlar – Falei pausadamente e me levantei, não queria ouvir sua resposta. Não queria saber se ele estava sendo verdadeiro quando me beijou. Eu apenas queria estar longe dele.

Não sei o quão errado isso pode parecer, mas eu apenas queria estar longe dele. Longe da pessoa que eu amo desde criança.

Notas finais
Primeiro, Adam é um grande baby. Segundo, ele secretamente lê livros de contos de fadas desde criança, e seu príncipe é o Ryan. Terceiro, ele é fresco. Quarto, desculpem por isso. Vou tentar postar o próximo o mais rápido possível gente mwah mwah mwah < beijinhos!