I See You
35 Capítulo 35
Notas iniciais
A escuridão cobria o céu como um manto negro e sombrio, destacando as poucas estrelas que podiam ser vistas no firmamento. A lua se escondia atrás de algumas nuvens e o vento não soprava, como se estivesse se resguardando para o grande acontecimento que estava por vir.
Todos eles eram engolidos pelo silêncio e pela expectativa, e Luna suspirou como se lhe faltasse ar, sentindo uma sensação estranha atingir seu corpo — um presságio.
A cobertura de sua capa lhe cobria a cabeça, camuflando sua expressão dos soldados atrás de si e destacando seus olhos nublados pela preocupação. Seu cavalo se mantinha quieto, tudo estava quieto, entretanto, mesmo a suposta paz não a privava dos tantos pensamentos que a perturbavam.
Luna movimentou a cabeça de maneira imperceptível para fitar Thranduil de esguelha e viu que ele se mantinha paralisado, com seus olhos azuis fixos no horizonte como se estivesse perdido em pensamentos.
Ela arfou pesadamente e então suas mãos foram mais rápidas do que sua razão. Por mais que soubesse que deveria permanecer em seu posto, a elfa agitou as rédeas do cavalo e seguiu em direção ao rei.
Por conta do silêncio que imperava entre eles, o som de seus movimentos ecoou de forma audível o suficiente para atrair a atenção de todos, contudo, Luna não se importou. Até mesmo Thranduil a fitara, se perguntando o que ela faria, mas soube a resposta quando a elfa acomodou o cavalo ao lado do seu.
Luna retirou o tecido que cobria sua cabeça e assim permitiu com que o sereno da noite a tocasse. Apesar da relativa proximidade, ela se mostrou indiferente a Thranduil ao direcionar suas íris para os campos à frente, e ele acabou por fazer o mesmo.
— Está tudo tão calmo. — aquilo foi quase um sussurro, mas o rei a escutou.
— É o grande respiro antes do mergulho.
Ela ofegou como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros, e apertou as rédeas do cavalo entre os dedos antes de dizer:
— Como se retorna ao curso de uma antiga vida? — fez uma pausa. — Como seguir em frente quando, no íntimo, se começa a entender que não há volta?
Thranduil piscou algumas vezes, analisando a questão.
— Se eu soubesse a resposta para esta pergunta teria evitado muitos acontecimentos, não acha? — a força do hábito fez com que ele soasse irônico, porém, estava absorto demais para se importar. — Você não devia ter vindo.
— O senhor sabia que não conseguiria me afastar deste entrave.
O elfo uniu as sobrancelhas e assumiu sua derrota.
— Ao menos não faça nenhuma tolice. — voltou os olhos para ela. — É uma ordem.
Luna meneou a cabeça e sorriu minimamente, devolvendo-lhe o olhar.
— Acho que esta eu posso cumprir. — ela mal terminou a fala e todos ouviram o estrondo de uma marcha que vinha do interior da floresta, pelo mesmo caminho que eles fizeram. — Nad no ennas… — a elfa estreitou os olhos, mas relaxou ao constatar do que se tratava. — Dáin!
O rei da Floresta das Trevas logo conseguiu reconhecer as armaduras prateadas e os escudos simétricos. Um som de trombeta ecoou, elevando o estrondo que já preenchia a fronteira noroeste, e os guerreiros anões aumentaram a velocidade de suas espaçadas. Com eles, não muito atrás, seguia um pequeno grupo de cavaleiros devidamente armados. Cavaleiros de Valle, Thranduil supôs.
À frente de todo aquele exército vinha o Rei Sob a Montanha, segurando a rédea de seu javali em uma mão e o machado na outra.
Imperante.
Luna, por sua vez, não sabia se sentia-se descansada pela presença do exército de anões ou se permitia com que seu desespero viesse à tona por saber o que a chegada destes significava.
Os elfos iam abrindo espaço a medida que os residentes de Erebor se aproximavam, para que assim adentrassem os campos e se posicionassem devidamente. Minutos depois, a poderosa marcha chegou ao fim e os anões se alinharem à frente dos Primogênitos de Eru.
— Le suilon. — Thranduil saudou ao inclinar a cabeça.
— Não seja fingido. Desde quando é receptivo com a minha raça? — Dáin zombou quando se aproximou do outro monarca. — Vejo que reuniu todos os seus soldados. — ele comentou ao fitar a extraordinária fileira dourada que se estendia tanto para o leste quanto para o oeste da fronteira. — Os corvos que enviei para vigiarem as saídas de Gundabad retornaram com a notícia de que a horda de Orcs está marchando para cá. Logo estarão às portas do seu reino.
— Você é simplório e minimalista quando quer, Dáin. Horda é um termo sutil para classificar o que vi quando estive naquele inferno. — Thranduil exclamou com sarcasmo e o anão estreitou os olhos, mas, acabou sorrindo de canto.
— Onde estão mestre Balin e mestre Dwalin, Vossa Majestade? — Luna indagou de maneira gentil.
— Eu os deixei tomando conta da montanha, mesmo que Dwalin quisesse participar da festinha que vamos ter aqui…
— E Bard? — ela voltou a questionar.
Thranduil torceu o lábio, imperceptivelmente.
— Não permiti que viesse, apesar dos protestos dele. Esta não é a primeira e nem será a última batalha em nosso mundo, de qualquer forma, vou poupá-lo enquanto puder. — Dáin respondeu com sua voz grave, e ela apenas assentiu.
O ruivo se afastou o suficiente para se aproximar dos cavaleiros de Valle, assumindo a primeira linha e adotando um silêncio que se tornou quase obrigatório.
Uma, duas, três horas… todos perderam a noção do tempo, mas sabiam que logo amanheceria.
Involuntariamente, Luna se lembrou de todos os acontecimentos passados. De seu crescimento, seu treinamento, de quando assumiu a liderança da guarda real. Se lembrou também de Annchir e em como ele sempre bufava quando ela o superava.
A elfa foi mais fundo em suas lembranças, indo para uma época onde o brilho perverso nos olhos de seu irmão ainda não existia. Quando eles corriam pela floresta, sorrindo felizes e despreocupados, quando eram verdadeiramente irmãos.
Apesar de tudo, sempre estariam unidos e, por mais corrompido que o coração de Annchir pudesse estar, o amor que ela sentia por ele era absoluto e imutável. Um amor que ia muito além de suas diferenças e que era capaz de perdoar até mesmo as faltas graves e inaceitáveis cometidas pelo mais novo.
Com esse pensamento, Luna girou a cabeça e fixou seus olhos em Thranduil — que, assim como ela, estava mergulhado em seu próprio mundo. Foi nesse momento em que a elfa soube que com ele não era diferente, contudo, ao contrário de Annchir, o rei tinha motivações muito mais nobres para cometer seus tantos erros. Seu medo em sofrer por um sentimento tão enigmático e, ao mesmo tempo, tão belo como o amor era sua principal justificativa.
Ela sentiu seu coração aquecer ao se lembrar do que ele a dissera, ao vê-lo derrubar todas as suas barreiras e abandonar seu orgulho para esclarecê-la sobre seus conturbados sentimentos. Ouvi-lo expor os medos que o levaram a tão reprováveis ações já fazia toda a diferença, a fazia vê-lo como via antes de se conhecerem; com compaixão, respeito, lealdade…
Já Annchir se deixara levar pela própria ganância, inveja e até cegueira, atribuindo a ela a culpa pela indiferença de seu pai. Mas, o que Luna poderia ter feito? A verdade era que se sentia aliviada por ele nunca acompanhá-los, preferindo vê-lo sob o olhar amoroso de sua mãe do que pelo frio de seu pai — que tanto o reprovava por sua suposta fraqueza.
A elfa não compreendia tal julgamento na época, já que seu irmão sempre fora um guerreiro extraordinariamente excepcional, porém, agora tudo lhe era claro aos olhos.
Fraqueza não por questões de habilidade e sim de espírito, de caráter.
— Não tenha medo. — Thranduil se pronunciou, causando-a um leve susto.
Luna o fitou nos olhos de maneira profunda enquanto sorria gentilmente. Ela ergueu a mão em sua direção, procurando o seu conforto, mas o viu hesitar.
— Você também não precisa ter medo — sussurrou para ele. — é apenas uma mão…
Thranduil ponderou alguns segundos e abriu um sorriso mínimo, mergulhando com ela naquele momento tão belo e reconfortante. Contudo, quando ele fez menção em aceitá-la, o som de uma marcha poderosa ecoou e alarmou a todos.
— Man cenich? — o rei se voltou para o filho.
— Sy telir… — Legolas murmurou com os olhos cerrados.
A negritude crescia gradativamente no horizonte e logo todo o campo era preenchido por urros e sons de ferro batendo contra o chão. As lanças negras e pontiagudas, as armaduras grossas e os rostos e corpos desfigurados tornavam aquele exército macabro.
À frente deles vinha Annchir, montado em um Warg. Ele era evidentemente destacado por sua diferença física das demais criaturas, porém, suas vestes negras e amaldiçoadas não o tornavam muito desigual. A certa distância, ergueu a mão direita e os Orcs estagnaram seus passos, o que apenas piorou a tensão que pairava sobre todos.
O elfo desceu de sua montaria, deixando Húrthak à frente de seu exército, e caminhou tranquilamente para o meio do campo — o que foi um chamado indireto para Luna. Esta fez menção em ir a seu encontro, mas Thranduil se esticou o suficiente para segurar uma de suas mãos antes que ela movimentasse as rédeas.
— É uma armadilha. — ele proferiu com rispidez.
— Ele quer conversar. — Luna argumentou e aquilo evidenciou seus sentimentos. — Preciso dá-lo esta chance.
— Você me prometeu que não faria nenhuma tolice. — a relembrou com uma ruga de preocupação.
— Eu menti.
Luna apoiou o pé no estribo enquanto sua outra perna rodeava o cavalo para assim pisar no chão. A montaria bufou ao notar que seria deixada e, para acalmá-la, a elfa massageou parte de sua pelagem branca — procurando algum acalento na doce criatura. Após aprumar a postura e respirar fundo, ela passou a caminhar para o meio do campo, sendo tocada por um vento estranho durante todo seu percurso.
Thranduil quis protestar, mas foi contido pelo pigarro de seu filho.
— Deixe-a, meu senhor. Os arqueiros estão de prontidão para o caso dela precisar. — Legolas sussurrou de maneira imperceptível, tentando tranquilizá-lo.
Annchir contemplava os dois exércitos à sua frente com satisfação, mas não pôde deixar de se sentir minimamente frustrado por não encontrar os soldados de Lothlórien naquele meio, pois, ele esperava que o rei da Floresta das Trevas reunisse todas as forças a seu alcance para proteger seu reino miserável.
— Tôr. — Luna disse quando se colocou diante de si.
— Thêl. — um sorriso venenoso pairava sobre seus lábios. — Não sabe o quanto me sinto feliz em revê-la.
— Pare, Annchir… desista desta loucura! — a elfa tentou persuadi-lo e aquilo fez com que ele alargasse seu sorriso. — A si i-Dhúath ú-orthor, ú or le a ú or nin. — ela fez uma pausa e sorriu amorosa. — Edra le men, men na guil edwen, haer o auth… a nîr… a naeth.
— Você não compreende mesmo, não é? — Annchir estalou a língua entre os dentes após balançar a cabeça em negativo, com uma falsa decepção. — A sua ingenuidade me dá náuseas, minha irmã.
— O caminho que está trilhando o levará a morte! — ele a interrompeu com uma gargalhada. — Eu não poderei salvá-lo!
— EU NÃO QUERO QUE ME SALVE. — o mais novo esbravejou e todo seu divertimento se esvaiu. Sua expressão agora era sombria. — Você me condenou, nosso pai me condenou…
— Nosso pai o amava!
— Ele me desprezava.
— NÃO!
— SIM! Orodreth sempre preferiu você, SEMPRE! Sua primogênita… — Annchir voltou a sorrir com sarcasmo. — mas, o compreendo e até agradeço. Se não fosse assim eu estaria limitado a um lugar entre os soldados deste reino maldito, talvez na guarda real, se tivesse sorte. Olhe para mim agora, irmã! — ele se voltou para trás, fitando as faces desfiguradas de alguns de suas centenas de Orcs, e então retornou o olhar para a elfa. — Há males que vem para o bem.
— Você está louco… — Luna exclamou desolada, sentindo seus olhos marejarem.
— É necessário a um príncipe que aprenda a ser mal para alcançar o poder desejado.
— Você não é um príncipe!
— Vou ser! — Annchir garantiu e seus olhos de jade brilharam como joias malignas na escuridão. — Preciso apenas alastrar o terror aqui, destruir reinos acolá, e então serei um príncipe no futuro reino de meu mestre — desembainhou sua espada e a levantou na direção de sua irmã, esta que deu um passo para trás. — e nele não há lugar para você. — ele ergueu a mão livre e Húrthak entendeu a ordem muda.
— SHO GAD ADOL! — o general rugiu e a legião de Orcs avançou para o ataque. — MATEM TODOS, SEUS VERMES!
As flechas do exército da Floresta das Trevas foram posicionadas enquanto os anões de Erebor entravam em formação.
— TANGADO HAID! TANGADO HAID! — Elenor ordenava ao mesmo tempo em que cavalgava de um lado a outro do extenso exército de elfos. Ele esperou mais um pouco, até as bestas estarem ao alcance de seus arqueiros, e então ordenou: — LEITHIO I PHILINN! — uma chuva de flechas tomou conta do céu e percorreu todo o campo, como um raio dourado e temível que levava a própria morte até as criaturas amaldiçoadas. Fez-se a curvatura e toda parte frontal do exército de Gundabad foi abatida de uma única vez, derrubando centenas de Orcs.
— NÃO TEMAM, FILHOS DE MAHAL. MEUS AMIGOS, GUERREIROS DE VALLE! — esbravejou Dáin. — ATACAR!
Os homens agitaram as rédeas de suas montarias e os anões ergueram suas lanças de metal polido, e juntos correram para a batalha com seus olhos e corações sedentos de vingança.
Thranduil os imitou ao cavalgar na direção do inevitável confronto, sendo seguido por todos os seus soldados. Ele não proferiu nenhum tipo de frase inspiradora ou grito de guerra, somente cavalgou em silêncio enquanto sentia seus músculos tencionarem sob a armadura. Elenor e Legolas estavam a seu lado, o capitão desembainhava sua espada e o príncipe posicionava uma flecha em seu arco.
Os olhos azulados do rei élfico contemplavam tudo a seu alcance, varrendo os campos de maneira apressada à procura de sua chefe da guarda. O caos tomou conta de todo o lugar quando os aliados finalmente se encontraram com o inimigo no combate corporal. A expressão de Thranduil parecia inabalável, mas seu coração batia descompassadamente e só havia uma pergunta em sua cabeça:
Onde você está, Luna?
Distantes dali, os filhos de Orodreth travavam uma batalha não muito diferente do que se era esperado; o mais novo investia impiedosamente contra sua irmã e esta apenas se defendia, por não querer enfrentá-lo. Eles quase foram mortos pelas flechas dos soldados de Elenor, mas os séculos de treinamento os ensinaram a serem precisos.
Os Orcs não podiam intervir à favor do elfo, fora uma ordem. Ele queria ter o prazer de vencê-la sozinho.
— EU NÃO VOU LUTAR CONTRA VOCÊ! — Luna exclamou enquanto se desvencilhava dos ataques do mais novo. — ISTO É LOUCURA! — ela baixou a guarda por segundos.
— EU SOU LOUCO! — Annchir aproveitou o deslize dela para cortá-la na perna, ultrapassando o couro de suas botas e a fazendo se curvar pela dor. Ele viu a chance de acertá-la mais gravemente e então desceu a espada sobre o corpo da elfa, contudo, a lâmina de Luna foi mais rápida e esta bloqueou seu ataque a tempo.
Os olhos deles se cruzaram e a chefe da guarda se ergueu outra vez, forçando sua espada contra a do caçula e fazendo com que as lâminas se arranhassem ferozmente até, enfim, se separarem.
Annchir se desequilibrou com a força que Luna exerceu no ato e acabou recuando alguns passos. Ele se recompôs após arfar e colocou sua espada, já suja pelo sangue de sua irmã, em frente ao corpo.
— Dandolo na nin, e gohenatha!— ela exclamou, referindo-se à Thranduil.
— U-‘ohenathon. Cí dadwenithon, ú-‘ohenathon im! — o elfo retrucou e avançou contra sua irmã.
Ela girou o corpo de maneira precisa e Annchir se agachou muito rapidamente para dá-la uma rasteira. Luna caiu com violência e sentiu suas costas serem agredidas pelo rochedo sob si, o que colocou um sorriso de satisfação no rosto pálido de seu irmão.
— Você perdeu o jeito… — Annchir murmurou com deboche. — é uma pena. — ele ergueu sua espada e se preparou para cravá-la no corpo de Luna, mas a elfa rolou rapidamente para o lado e assim a lâmina encontrou o vazio quando chegou a seu destino. E por conta da brutalidade do ataque, esta acabou sendo fincada na rocha pelo seu portador.
Luna se pôs de pé e sentiu o corte em sua perna latejar, mas, ainda assim, ela manteve a firmeza e fitou o mais novo sem qualquer sinal de sua costumeira compaixão.
— Você quer lutar? — a elfa respirou fundo. — Então, vamos lutar.
Ela correu na direção de Annchir enquanto este puxava sua espada ainda presa com agitação e desespero. Vendo sua desvantagem e não pretendendo feri-lo mortalmente, Luna fechou a mão em um punho e desferiu um golpe bruto e cruel contra o rosto do irmão — no mesmo instante em que ele havia conseguido desprender a lâmina da pedra.
Annchir foi impulsionado para trás e acabou deixando sua espada cair, pois, todos os seus sentidos estavam desorientados. E sem qualquer piedade ou pretensão em dá-lo uma chance para se recompor, Luna se apressou em fechar a outra mão em punho e assim desferiu outro golpe de igual impacto, o que finalmente derrubou o mais novo.
A elfa respirou fundo e movimentou as mãos, sentindo os nós de seus dedos latejarem por conta das agressões. Contudo, sua própria dor parecia insignificante se comparada a visão de Annchir quando este levantou a face e lhe mostrou os resultados de seus socos. Seu nariz se encontrava quebrado e terrivelmente sangrento, e seu olho direito era emoldurado por um inchaço que logo estaria profundamente arroxeado.
Quando a dor se aplacou e ele se deu conta de sua própria condição, o elfo tocou o líquido carmim que escorria por sua boca com uma expressão colérica.
— Maldita… — praguejou ao se levantar cambaleante.
Ele ajuntou sua espada e então voltou a acometer contra sua irmã, feroz, mas inevitavelmente zonzo. Luna, por sua vez, se desviava dele sem dificuldades enquanto sentia desprezo por aquele ser miserável que o mais novo havia se tornado. E esse desprezo foi o responsável por fazê-la tomar coragem para finalizar aquilo de uma vez por todas.
— COM SUA ARROGÂNCIA E ESTUPIDEZ — ela passou a investir firmemente. — VOCÊ EXPÔS ESSES REINOS PACÍFICOS E VIDAS INOCENTES A DEVASTAÇÃO DA GUERRA! — o som das lâminas se encontrando de maneira violenta passou a ser brutal à medida que Annchir recobrava seus reflexos.
— VIDAS INSIGNIFICANTES!
— NÃO É DIGNO DA SUA RAÇA! — após inúmeras tentativas e agressões cruéis, a espada de Luna finalmente alcançou o braço ativo de Annchir e sua lâmina impiedosa o feriu. O loiro urrou pela dor e se viu obrigado a trocar a arma de mão, erguendo-a na horizontal e se colocando em modo de defesa. — NÃO É DIGNO DA SUA LINHAGEM! — ela desceu a placa de metal contra a de seu irmão e, pela violência do ataque, aquilo a fez se partir. Annchir agora estava vulnerável. — NÃO É DIGNO DO MEU AMOR! — Luna acertou o rosto do elfo com o cabo de sua espada, fazendo-o se desequilibrar, tombar para trás e logo ir de encontro ao chão rochoso. Ele estava derrotado. — Nin gwerianneg.
A elfa estava ofegante, com sua face marcada pelo suor e arranhões causados pelas investidas do irmão. Ela o observou de cima, com superioridade, e o viu como uma figura derrotada e desprezível. Era a imagem deplorável de um ser decadente e, pela primeira vez em séculos, a chefe da guarda teve vergonha de tê-lo como irmão.
Erguendo sua espada decididamente, Luna jurou para si mesma que Annchir nunca mais machucaria alguém. Aquilo terminaria ali.
— THÊL! — ele exclamou com uma das mãos em frente ao rosto ensanguentado, vendo que ela realmente pretendia matá-lo. — VOCÊ ME AMA?
A pergunta a atingiu como um baque, perfurando o coração de Luna e a fazendo fitar com horror a própria mão segurando a espada. Ela estava prestes a assassinar o irmão, sangue do seu sangue. Céus, no que havia se transformado? Quais eram os limites de suas conturbadas emoções?
A elfa voltou seus olhos para Annchir com pesar e remorso, com se retornasse à si, e ele lhe sorriu ternamente ao erguer uma das mãos para que a mais velha o ajudasse a se levantar. Luna o fitou com desconfiança, mas, algo a impeliu a aceitar a “paz” que era erguida para si. Isso porque ela viu o rosto do menino tímido e sonhador de sua infância, ali, chamando-a com arrependimento e carinho. E aquilo foi o suficiente para que tudo fosse perdoado.
A chefe da guarda soltou sua espada, ouvindo quando a lâmina foi de encontro ao chão rochoso, e segurou a mão que lhe era estendida com toda a confiança de seu puro coração.
— Você nunca aprende. — Annchir exclamou e não houve tempo para reação. No instante seguinte, Luna sentiu seu corpo ser puxado e jogado contra a rocha, e seu irmão logo se colocou sobre si.
Annchir capturou a espada recém-solta da elfa e a ergueu na direção desta, pronto para cumprir o que há muito tempo havia planejado. Ele parecia um ser distorcido, de alguma forma, pois havia sido tocado pela Sombra que um dia se deitara sobre Arda.
Foi rápido, rápido demais para que os olhos azulados de Luna pudessem acompanhar. Tudo o que ela pôde sentir em seguida foi dor, como se lhe rasgassem o peito impiedosamente, e então, mais dor… somente dor.
Annchir soltou a espada, que sequer chegou a cumprir seu propósito, e a deixou cair ao lado do rosto de sua irmã. Ele baixou os olhos e fitou com amargura o ferro da lança que havia transpassado os dois, tamanha a agressividade e força de quem a lançara. Tão rápido quanto entrou, ela foi retirada, o que fez o sangue de Annchir espirrar sobre o corpo de Luna e se misturar ao dela.
O elfo fitou a irmã e suas lágrimas pingaram sobre seu rosto.
Verdes e azuis.
Como quando nasceram e, apesar das várias mudanças trazidas pelo tempo, ainda eram as mesmas cores vivas e cintilantes. Até incomuns…
Verdes e azuis.
Annchir entreabriu os lábios e deixou um suspiro de agonia escapar de sua boca antes de tombar o corpo para o lado de Luna, dando-a a visão de Húrthak, que segurava a lança que os ferira ao lado de si como um prêmio. O Orc se aproximou dos dois e sorriu sarcástico, agachando-se ao lado do elfo e cuspindo sobre seu corpo debilitado.
— Agora pode desfrutar de sua vingança… em sua morte. — ele sussurrou para Annchir, este que ainda tentou erguer uma das mãos, mesmo com dificuldade, mas acabou falhando. Suas forças estavam sendo drenadas e sua vida se esvaia, tamanho seu ferimento.
— LUNA! — Thranduil gritou enquanto se aproximava apressadamente em meio a todo tumulto da batalha. Ele decapitou as criaturas que cruzaram seu caminho e continuou correndo em direção ao rochedo. — DAGO HAN! DAGO HAN, LEGOLAS!
O príncipe, ainda distante, atirou uma flecha na direção do general-Orc e este apenas se curvou o suficiente para evitar ser atingido. Sem dizer mais nenhuma palavra, Húrthak deu as costas aos dois irmãos mortalmente feridos e sumiu entre o conflito.
— Annchir… — Luna exclamou ao puxar o ar de maneira desesperada, como se não conseguisse encher seus pulmões. Ela virou o corpo para o irmão e viu que ele fitava o céu ainda escurecido em silêncio. — Annchir… — chamou-o outra vez, aos prantos.
— Estou com frio, Luna… — o mais novo respondeu e sua voz falhou. Lágrimas silenciosas saíam de seus olhos quando ele voltou o rosto para fitá-la, mostrando-a que o brilho em suas íris escureceria e aos poucos se tornava memória, se tornava passado. Contudo, suas lágrimas ainda mantinham alguma cor significante, como se isto fosse o resto de sua vida. — você ainda me ama, irmã? Depois de tudo? — ele indagou e sua voz pareceu apenas um sopro. Ela pôde sentir o medo.
Luna moveu sua mão e entrelaçou seus dedos aos dele, respondendo:
— Eternamente… eu o amarei eternamente… — ela chorava com ele, chorava por ele.
Annchir deu seu último sorriso para Luna.
— Que bom…
De súbito, alguém se aproximou dela e puxou sua mão para afastá-la do irmão.
— Luna, não se mexa. — com o som ensurdecedor do tilintar das espadas, no terror da guerra, ela não pôde reconhecer a voz que a chamava. Porém, quando a mão fria tocou seu rosto e a fez fitá-lo, Luna enxergou Thranduil. E ele tratou de pressionar seu ferimento para estancar o sangue que escorria de maneira exorbitante de seu abdômen. — Não se mexa. — repetiu tentando conter o próprio desespero, tentando manter a calma.
A elfa respirava com dificuldade, não conseguindo mais sentir o corpo.
— Irmão… — ela retornou sua atenção para Annchir e o encontrou sem vida, com os olhos abertos e direcionados para si, como se ainda a fitassem. A dor foi insuportável e Luna juntou as forças que lhe restavam para gritar.
— Shii… — Thranduil trouxe-a para seu colo da maneira que pôde, escondendo a cabeça da elfa em seus braços protetores na tentativa de consolá-la. Ele agora evidenciava sua angustia diante daquela infindável tormenta, sofrendo junto com ela.
Luna repousou uma de suas mãos sobre a de Thranduil, que ainda pressionava seu ferimento, quando sentiu uma pontada. O sangramento havia se intensificado e tudo rodou a seu redor, como um aviso de que não lhe restava muito tempo. Aos poucos, a vista da elfa embaçava. Logo tudo ficaria distante e se transformaria em tristeza e escuridão.
Ela o fitou com pesar, esforçando-se ao máximo em sua luta contra a morte.
— Os meus olhos estão cansados…
— Olhe para mim. — Thranduil segurou seu rosto com a mão livre e sua expressão era indecifrável. — Mantenha os olhos em mim. — ele exclamava de maneira apressada. — É uma ordem!
Luna esboçou um sorriso, apenas uma leve curva no canto de seus lábios.
— Não acho… — ela suspirou. — não acho que eu consiga… cumprir…
— Você consegue, você é forte! Sempre foi… — o rei retrucou ao pressionar o ferimento com mais força, ainda tentando estancar o sangue. — mais forte do que eu, mais forte do que qualquer um.
Legolas mantinha os Orcs afastados com suas flechas, não permitindo com que nenhuma daquelas criaturas se aproximasse dos dois.
— É como se… como se tudo que passamos nos trouxesse até aqui… — Luna dizia entre as pausas de sua pesada respiração. Ela sentia que engasgaria com o próprio sangue a qualquer instante. — como se nada tivesse sido em vão… — os olhos de Thranduil se enchiam de lágrimas, independente de seus esforços em retê-las.
Ele ouvia o tilintar das espadas e os gritos dos guerreiros como se ambos estivessem distantes de tudo aquilo, de todo o horror da batalha.
Soltando o ferimento dela, o rei passou a acariciar seu rosto frio e que aos poucos se tornava extremamente pálido, quase cadavérico. Os olhos azulados de Luna — olhos que tanto o encantavam — agora brilhavam como nunca antes, em seu ápice de beleza, se despedindo do mundo.
— MEU SENHOR, MITHRANDIR CHEGOU COM OS GALADHRIM DE LOTHLÓRIEN! ELES ESTÃO AQUI E AGORA NÓS VAMOS PROTEGÊ-LOS! — Elenor gritou ao se aproximar com seu cavalo, que estava agitado, e então montou uma barreira com parte da tropa élfica e anã, cercando o rochedo.
— Ele está tão frio… — Luna fitou o rosto morto de Annchir e observou suas pedras de jade agora sem vida. — logo nos encontraremos nos Salões de Mandos…
— Não! Você não vai a lugar nenhum! — Thranduil a afastou do irmão. — Eu não posso perder você… não posso, não agora. — suas lágrimas caíam silenciosamente, marcando sua bela face e deixando explícita sua dor.
— BERIO I RAM! — o rei ergueu a cabeça e avistou Haldir vociferar sobre seu cavalo, o que o fez se relembrar do que acontecia a seu redor.
A madrugada já havia se encerrado, apesar do céu estar desprovido de qualquer luz significante, e Thranduil levantou os olhos para observar a estranha escuridão que ainda os envolvia. Nuvens nebulosas cobriam o que seria o azul e escondiam os primeiros raios da alvorada.
Chuva!
Tão rápido quanto o pensamento lhe veio à mente um trovão foi ouvido, ainda distante, confirmando suas suspeitas.
O rei desceu os olhos para o corpo em seus braços e procurou vida nas íris da elfa, tudo enquanto gotículas de água começavam a cair do alto e um vento frio passava a rodeá-los.
— Goheno nin, Luna…
— Ú-moe edaved… novaer, Thranduil. — ela sussurrou entre suspiros de dor, e então sua voz falhou. — Gi melin… — seus olhos se fecharam lentamente e tudo em seguida se tornou escuridão.
Thranduil sentiu como se o mundo inteiro se tornasse silencioso, e seu sangue gelou em suas veias.
— Luna. — ele chamou ao deitar o corpo inerte no chão de pedra, segurando-a pelos ombros e sacudindo-a levemente. — Luna! — seus clamados se mostravam vãs e ineficazes, pois, ela não reagia. Um minuto inteiro se passou, ou talvez um curto segundo, Thranduil não soube distinguir. E após ser atingido pela inescapável realidade proveniente da morte, o rei foi retirado do silêncio absoluto para ser agredido pelo barulho quase ensurdecedor da batalha. — LUNA! LUNA!
— THRANDUIL! — Mithrandir se jogou desajeitadamente ao lado do corpo da antiga chefe da guarda, e uma nuvem de preocupação cobriu seus olhos após observá-la imóvel.
O mago ergueu a mão para tocá-la, mas o rei o impediu.
— NÃO SE APROXIME DELA! — esbravejou de maneira enlouquecida e assim trouxe o corpo da elfa para seu colo. Estava desolado. — Luna… — ele sussurrou contra o rosto pálido e gelado. — volte, volte, volte para mim… — o loiro a balançava como se ninasse uma criança que dormia e então depositou um beijo em seus lábios frios, não se importando em ser assistido.
A lembrança de seu sorriso aberto e de seus olhos brilhando ao desafiá-lo invadiu a mente de Thranduil e o fez gritar de dor. Uma dor familiar e que, pela segunda vez, o consumia como fogo.
A chuva agora era densa e pouca coisa podia ser distinguida em meio a tamanha agitação. O caos e a morte dominavam os campos e até mesmo os guardiões, proibidos de saírem de seus postos, corriam em direção à batalha sob o comando de Lórien — em vista das perdas de seu exército.
— A ERUCHÎN, Ú-DANO I FAELAS A HYN AN UBEN TANATHA LE FAELAS! — Elenor exclamou com fervor ao erguer sua espada, estando decidido a lutar ao lado de seus corajosos irmãos. — GURTH ENINGOTH! — seus soldados repetiram suas últimas palavras e o seguiram até a batalha, deixando a barreira de anões protegendo o rochedo.
— MEU PAI — Legolas proferiu com aflição. — DEIXE-O AJUDÁ-LA! — ele puxou o braço do mais velho e foi repelido de maneira bruta.
— SAIA DAQUI! SAIAM TODOS DAQUI. — Thranduil os expulsou. — DEIXEM-NOS EM PAZ!
O príncipe não se deu por vencido e voltou a investir contra o rei, conseguindo, enfim, afastá-lo do corpo de Luna — isso após duras tentativas. Thranduil se debatia contrariado e furioso, mas Legolas o mantinha rendido com um dos braços rodeando seu tronco enquanto o outro enlaçava suas mãos.
Mithrandir se aproximou de Luna cuidadosamente, e então respirou fundo. Ele apoiou a cabeça da elfa em um dos braços e começou a passar o cajado por toda a extensão de seu corpo imóvel com o outro.
— Lasto beth nîn, Luna. Tolo dan na ngalad... — o mago murmurou em élfico e logo não pôde ser mais compreendido. Uma luz ofuscante e azulada irradiou da ponta de seu cajado, e seus lábios se mexiam freneticamente enquanto ele balbuciava palavras em uma língua desconhecida.
— BIRIZ TORAG KHOBDUDOL! — Húrthak esbravejou ao erguer uma espada na direção do rei da Floresta das Trevas, pretendendo finalizar seu plano inicial. Ele se aproximava rapidamente com seus guerreiros, e o rugido de suas bestas era feroz e faminto.
Os anões que guardavam o rochedo esperaram o momento certo, pois, estavam em menor número e teriam que fazer bom proveito da única chance que tinham de saírem vitoriosos dali.
Quando as criaturas estavam próximas o suficiente os guerreiros de Dáin revelaram suas lanças, perfurando-os em uma defesa útil e cruel. Alguns Orcs rolaram sem vida para o lado enquanto outros se erguiam para tentar lutar, mas estes eram contidos pelas flechas dos soldados élficos que se apressavam em se aproximar após perceberem o perigo a seu rei.
Sangue negro e fétido jorrava aos montes e se misturava com a água da chuva quando Húrthak caiu por cima de uma das criaturas, agonizando por seu grave ferimento. O general-Orc ainda resistiu e quase conseguiu erguer sua espada outra vez, mas, duas flechas perfuraram sua cabeça e ele foi enviado no mesmo instante para o vazio da morte.
Legolas sentia o corpo do pai pesar em seus braços e ele o apertou como se assim pudesse passá-lo algum conforto, mesmo que não conseguisse medir a dor que o mais velho estava sentindo.
— Vamos, Luna… — murmurou o príncipe, sentindo o luto começar a abatê-lo. As lágrimas de seu pai logo pingaram sobre seu braço e aquilo o massacrou. — vamos, não desista!
O Cinzento continuava suas tentativas, mas não havia retorno e a esperança se esvaía. Ele passou a ser mais veemente e convicto, como se implorasse, e até os dois elfos próximos de si conseguiram sentir a áurea poderosa que o envolvia. De súbito, uma luz pareceu penetrá-lo, como se sua forma celestial tomasse espaço em seu corpo mortal, e ele sentiu dedos finos apertarem suas vestes.
Luna abriu os olhos com uma expressão de desespero enquanto puxava o ar como se estivesse afogando, e o brilho que antes irradiava do cajado do mago se apagou.
— Thranduil… — ela sussurrou de maneira soprada e no instante seguinte seu corpo voltou a imobilidade nos braços de Mithrandir.
O rei tentava se desprender de seu filho, mas este se encontrava impressionado demais com a cena para sequer pensar em soltá-lo. Vendo a inércia de Legolas, Thranduil forçou seus braços e o empurrou, arrastando-se até o corpo da elfa e a tomando dos braços do Maia.
— Luna! Luna! — Thranduil segurou o rosto dela entre os dedos de uma das mãos e a balançou levemente. O fato de sentir a respiração da elfa, ainda que fraca, fez com que seu peito se aquecesse em uma tranquilidade contraditória a seus modos bruscos para acordá-la.
— Ora, seu tolo! Deixe-a descansar. — Mithrandir o repreendeu e foi ajudado por Legolas a se levantar, tamanha a fraqueza que o abateu pela magia. — Seu retorno foi concedido com muito esforço, não estrague tudo. — ele murmurou contra o rei. — E levem-na para um lugar seguro, ela ainda precisa de cuidados!
— Majestade, os Orcs estão recuando. Dáin e seus soldados já derrubaram as bases, agora precisamos ajudar Elenor e Haldir a aniquilá-los de uma vez por todas. — o príncipe argumentou ao se aproximar de seu pai. — Ela vai ficar bem.
Thranduil dividia seu olhar entre Legolas e Luna. Ele não poderia abandoná-la, ele não queria.
— Ela vai ficar bem. — o príncipe insistiu pacientemente. — Precisamos ir! — o rei assentiu, mesmo relutante, e então tomou Luna nos braços para entregá-la a seu filho.
Legolas a recebeu sem hesitar, mas estava visivelmente confuso.
— Tire-a daqui e a leve de volta para o palácio, à Sala de Cura. — Thranduil ordenou e retomou sua áurea fria e cortante. — Eu lutarei. — após desembainhar sua espada, o rei curvou a cabeça para depositar um beijo cálido na fronte de Luna, e não sentiu mais a frieza em sua pele. Ele se afastou e então desceu do rochedo, dirigindo-se aos elfos e anões que os protegiam: — Vamos!
Seus soldados o obedeceram prontamente, mas, os guerreiros de Dáin ainda se entreolharam indecisos. No fim, eles o acharam digno e decidiram segui-lo.
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