I See You

31 Capítulo 31


Notas iniciais
Amores! ^^

— Sou todo ouvidos. — Dáin proferiu sarcasticamente enquanto fitava Thranduil com a mesma intensidade com que era fitado.

— Antes do ataque à Valle, eu enviei um de meus capitães para buscar Luna e os soldados alojados na cidade. Meu reino estava sendo constantemente ameaçado e eu necessitava de toda ajuda disponível. As tropas que estavam aqui reforçariam nossas defesas. — Thranduil ergueu o queixo e cruzou as mãos atrás das costas. — Quando Luna recusou retornar decidi que viria buscá-la pessoalmente, também cometendo o terrível erro de levar meu exército comigo. E não me pergunte o motivo para tê-lo feito. — Mithrandir revirou os olhos. — No meio do caminho fui enganado com magia negra, o que acabou me afastando dos meus soldados. Um encanto sutil e imperceptível, mas poderoso o suficiente para me seduzir. — ele sentiu um gosto amargo em sua boca ao se relembrar do acontecimento.

— Então, o rei da Floresta das Trevas caiu em um mero encanto?! — satirizou o anão sobre o trono. — Eu confesso que esperava mais dessa sua historinha, Thranduil. — seus lábios estavam repuxados em um sorriso de escárnio.

Aquele desrespeito ofendeu o filho de Oropher a um nível extremo, mas este apenas respirou fundo e — com um esforço descomunal — engoliu o orgulho. O que estava em risco ali lhe era muito mais caro do que seu próprio ego.

— Como eu dizia — o elfo continuou, dessa vez com uma ponta de amargura. — acabei descobrindo que tudo era um complô contra mim. Eruwen, um dos líderes em meu reino, era um dos traidores.

— Um problema típico da sua raça… — debochou Dwalin, arrancando risos de Glóin e Óin.

— Mestre Dwalin, por favor! — Luna interveio em tom de censura. — Estamos falando de algo realmente sério e muito mais relevante do que uma inimizade entre raças. — ela respirou fundo, digerindo seus próprios sentimentos. — Se é possível resumir tudo isto, então digo: meu irmão mais novo, Annchir, é o verdadeiro culpado do acontecimento em Valle. — por mais duro que fosse admitir, aquela era a verdade absoluta. — E eu creio que este fato acaba com toda a dissensão entre os dois reis aqui presentes.

Dáin pareceu engolir uma rocha e sua expressão se tornou impassível. Já Thranduil permanecia da mesma maneira; silencioso e indiferente.

— Se seu irmão é o causador de toda esta desgraça, acho que temos o direito de saber a razão. — Balin se pronunciou. Seu tom de voz gentil era um acalento para o coração pesado de Luna.

— Meu irmão serve às trevas, mestre Balin. Esta é a principal justificativa para o que aconteceu em Valle. — ela preferia deixar o ponto familiar longe daquela história. — Mas, se quer saber, eu meditei e tirei algumas conclusões dos acontecimentos. Não as tome como uma verdade absoluta, eu peço, são apenas possibilidades.

— Creio que a dama esteja se referindo às possibilidades que mencionou anteriormente. — relembrou o mago. — Quais seriam elas?

— Conversando com meu senhor sobre os motivos que levaram Annchir a tais atitudes… — Luna foi interrompida por seu rei.

— Não fale como se não soubéssemos dos sentimentos desprezíveis de seu irmão.

— Ele não teria o apoio de Sauron para concretizar uma vingança que de nada vale em termos de conquista ou poder. — a elfa repetiu o que havia lhe dito da última vez, retrucando assim a afirmação do loiro.

— Apenas prossiga, Luna. — Dáin interveio.

— Como dizia, eu e meu senhor questionávamos as motivações, não familiares — ela fitou Thranduil de esguelha. — que levaram meu irmão a cometer tais monstruosidades. Em meio a ponderações, ele me lembrou que nosso reino faz fronteira com Lothlórien, ao sul da Floresta das Trevas.

— O reino de Celeborn e Galadriel… — o mago pronunciou lentamente.

— Sim.

A elfa repetiu cada palavra dita a seu rei, horas antes, frisando seu ponto de vista e o quanto temia estar certa. Ela também citou a questão de Valle e o possível intuito de Annchir em romper a aliança entre elfos e anões. Todos a ouviam atentamente, mesmo que vez ou outra ela fosse interrompida para esclarecer alguma dúvida.

Thranduil também estava atento à Luna, mas, após alguns minutos, se dedicou a observar as expressões dos presentes no recinto — podendo contemplar a admiração nos olhos de cada um deles. E, por um segundo que quase lhe passou despercebido, ele sentiu orgulho de sua chefe da guarda.

Em algum momento, o rei permitiu com que seus olhos repousassem sobre a figura do arqueiro, que durante todo o período em que estiveram ali não se pronunciara uma única vez. Ele o fitou de cima a baixo, avaliando suas vestes e assim concluindo que o mesmo havia assumido sua posição como Senhor de Valle. A pompa que agora o adornava era algo que não podia ser ignorado, e o elfo riu por dentro ao imaginar que o homem considerava conquistar Luna com sua nova condição.

Patético.

— Está nos dizendo que o ocorrido em nosso reino nos tempos de Thorin tinha por motivo o reino de Lothlórien? — Balin indagou.

— A questão de Erebor também incluía Smaug, mestre Balin, e isto sempre nos foi claro. Ter um dragão como aliado seria o trunfo de nosso maior inimigo e um grande prejuízo para todos nós. — Gandalf explanou. — Mas, também acredito nas declarações de Luna. Se Smaug está morto, a melhor forma de causar terror por toda Terra Média é derrubar um dos últimos grandes reinos ainda de pé; Lothlórien. E se até mesmo a poderosa senhora da Floresta Dourada cair haverá muito mais do que dor e lágrimas…

— São apenas suposições. — Thranduil se pronunciou. Ele não procurava irritá-la, não desta vez, apesar de Luna pensar o contrário. — Não há como ter certeza de que essas são realmente as intenções de Annchir.

— Ela é irmã dele, deve saber o que diz. — defendeu-a Dwalin, lançando um olhar de escárnio para o rei élfico.

— Não somente por isto, mas sim porque verdadeiramente há fundamento no que Luna nos apresentou. — Gandalf interveio, vagando nas profundezas de suas lembranças. — Após toda farsa ter sido descoberta, interrogamos Eruwen e este nos mencionou certo ponto.

— Ponto?

— Sim. — o mago assentiu. — Primeiramente se tratava da Montanha Solitária, mas com a derrota dos Orcs e seus aliados na Batalha dos Cinco Exércitos isto se tornou inviável. Depois, por decisão deste Annchir, este ponto veio a ser a Floresta das Trevas. — ele meneou a cabeça. — Ainda há lacunas neste pensamento, contudo, não pode ser mera coincidência de que haja certa relação. Sempre estive convencido de que Erebor seria de grande utilidade por ser um ponto estratégico, apesar de não saber exatamente para o quê.

— Lothlórien e a montanha são reinos relativamente próximos. — nem mesmo Thranduil pôde discordar, convencendo-se da suposição da elfa gradativamente.

— De fato. Se eles tivessem tomado Erebor teriam mais facilidade em reabastecer suas hordas em Dol Guldur. De meu trono eu vejo o mal dançar sobre as ruínas daquela fortaleza, mesmo que o dono dele não resida mais lá. — o rei anão estava irrefutavelmente esclarecido, e um tanto receoso com o que tudo aquilo significaria para seu povo. — Com um número grande o suficiente de Orcs e tendo um posto tão próximo, a senhora de Lothlórien precisaria de muito mais que magia para proteger seu reino.

— Inegável, meu caro amigo. — Gandalf concordou. — Eruwen também acrescentou que Annchir serviu de lampejo após apresentar uma opção que seria de maior serventia a seu senhor, e é aí que a Floresta das Trevas é incluída no plano, por fazer relativa fronteira com os domínios de Celeborn. — ele concluiu ao apertar o cajado em mãos, contendo sua ansiedade.

Um silêncio profundo e pesaroso reinou no recinto, silêncio este que nem mesmo os rudes anões ousaram quebrar.

— De qualquer forma — Thranduil não se deu por vencido. — como Annchir pensa ser capaz de derrotar dois exércitos de elfos sem sofrer com as perdas da batalha? Digo, como ele pretende dominar nosso reino sem que Lothlórien não saiba do ataque? Apesar de terem alguma noção de controle e estratégia, ao menos os de alta patente, Orcs não são silenciosos ou sutis. Seria uma imensa tolice…

A verdade era que o rei élfico se sentia ofendido por ser subestimado daquela forma. A mera suposição de que o irmão de Luna pensava ser capaz de derrotar seus exércitos com tanta facilidade esquentava–lhe o sangue.

— Não se esqueça, Vossa Majestade, que ele residiu por quase seiscentos anos em seu reino. Annchir conhece cada pedaço daquela floresta e usará isso a seu favor. — Bard se pronunciou pela primeira vez, capturando a atenção de todos para si e sentindo o peso do olhar de Thranduil. — Talvez não seja loucura que o mesmo considere uma vitória sobre dois exércitos élficos. Ele me pareceu bastante lúcido em vista de suas estratégias, que se mostraram eficazes até o presente momento. Annchir parece ter a força necessária para não temer a Casa de Celeborn, e muito menos a de Thranduil. Ele serve a um mestre suficientemente capaz de lhe garantir um exército numeroso e temível.

A colocação foi como um golpe no orgulho e inteligência do rei da Floresta das Trevas, como se ele fosse um mero menino que ainda não raciocina.

Um calafrio subiu pela espinha de Luna.

— Eu não havia pensado desta forma… — disse ao direcionar sua atenção para o antigo barqueiro. Até aquele momento, ela não havia considerado a vitória de Annchir algo possível, pelo menos não contra os dois reinos élficos.

— Sim, sim. — Gandalf resmungou. — Peço perdão em dizer, minha dama, mas o seu irmão está nos saindo um belo de um estorvo. — ele suspirou pesadamente.

— Então, o que vamos fazer? — Balin indagou com apreensão.

— Com o desaparecimento de Thranduil e Luna, tomei a liberdade de enviar alguém para avisar Haldir sobre a possível necessidade de auxílio. As fronteiras de Lothlórien estão em alerta, se este era realmente o plano de Annchir ele já fracassou. — Gandalf findou com seriedade e os anões comemoraram.

— Se Bard tiver razão, então deveríamos realmente nos preocupar. Mesmo que o plano inicial de meu irmão já tenha falhado, ele não se dará por vencido e terá força suficiente para contornar o problema. — a elfa se apressou em dizer, interrompendo o festejo precipitado dos moradores de Erebor. — Se este for o caso, suponho que ele receberá reforços. Geralmente é o procedimento para um ataque desta proporção, o que aumenta nossa margem de derrota.

— Todo o peso do atual poder de Annchir se concentrará na Floresta das Trevas, e com seu possível sucesso ele partirá para Lothlórien. — o mago comentou com uma leve sugestão, esperando algum pronunciamento dos dois reis com relação aquilo. — Quando o reino de Celeborn ruir todos os outros serão apenas uma questão de tempo e estratégia. Suponho que esta não seja apenas uma tentativa de alastrar o medo, mas também um teste de força… se bem-sucedidos, eles poderiam ousar enfrentar e até derrotar outros lugares. Como Erebor, por exemplo.

— Mahal! — Balin suspirou.

— O meu povo resistirá! — Thranduil foi seco e orgulhoso, sobretudo convicto. Sua confiança nas espadas e flechas de seus guerreiros era incontestável.

— Não duvido disso — o Cinzento era objetivo. — mas, não ignore o fato de que precisam de ajuda.

— Você mesmo disse que Haldir está de prontidão.

— Ora, Thranduil. Sua terrível dificuldade em relevar os meus conselhos é absurdamente desencorajadora. Deve ser o único em toda Terra Média… — o mago resmungou, estando estupefato com o orgulho excessivo do rei.

— Majestade, por favor! — Luna estava cansada de toda a discussão desnecessária.

Thranduil a fitou de esguelha e foi o suficiente para se dar por vencido. Apesar da gritante significância de seu ego, a segurança de seu povo — o que incluía a própria elfa — era algo indiscutível para si e estava acima de qualquer egocentrismo ou autossuficiência de sua parte.

Ele fixou suas íris nas do Rei Sob a Montanha.

— Indiferente as reminiscências, está mais do que na hora de honrarmos o pacto que fizemos. — seu tom gélido transformava aquilo no lembrete de um antigo acordo, mas, por dentro, Thranduil temia não ser bem-sucedido naquele pedido. — Provei minha inocência perante o fatídico acontecimento em Valle, e volto a afirmar que minha parte em nosso acordo de paz se mantém imaculada. Então, como rei do reino da Floresta das Trevas, venho pedir por meu povo. — o elfo inclinou a cabeça elegantemente e Dáin teve de conter um sorriso de satisfação ao vê-lo engolir o próprio orgulho. O anão sabia que aquilo estava sendo difícil para o rival. — Que o seu exército seja o meu para que juntos lutemos contra aquele que assola o meu povo.

O silêncio perdurou por algum tempo enquanto ambos os reis fitavam-se profundamente.

— Se o exército do elfo desertor é tão grande assim, isto não representaria algum tipo de perigo para o nosso? — Óin indagou, rabugento como sempre. — Auxiliá-los seria suicídio!

— Está com medo, mestre Óin? — Gandalf retrucou. — Pois se esta questão foi o reflexo dele, o aconselho a ficar por aqui. Deixe a guerra para aqueles que não temem a morte! — o anão murmurou palavras inaudíveis, mas se deu por vencido. O mago se voltou para o ruivo sentado sobre o trono. — Então, Rei Sob a Montanha, o que nos diz?

Luna sentia suas mãos tremerem pelo nervosismo.

— Eu lhe dou gemas da pura luz das estrelas e você me chama para a morte, Thranduil? Não imagino melhor forma de agradecimento. Vamos chutar alguns traseiros! — a elfa sorriu alegremente, sendo acompanhada por Balin, Mithrandir e até mesmo Dwalin.

Dáin se levantou de seu trono e caminhou com autoridade até o rei élfico. Ele o fitou com uma expressão austera, respirou fundo e então ergueu sua mão, que foi prontamente apertada por Thranduil. Aquele gesto solene selou, de uma vez por todas, a aliança entre os dois povos.

A expressão do filho de Oropher era de altivez, mas ele estava alegre, à sua maneira.

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— Organizarei minhas tropas e enviarei um mensageiro a Celeborn, contando-lhe todos os detalhes dos acontecimentos. — ele se dirigiu ao rei anão. — Por conta das dificuldades da floresta, deixarei dois soldados em Erebor. Eles guiarão o seu exército pelo melhor caminho até o campo de batalha, assim vocês chegarão mais rápido até nós.

— Sim, esta é uma boa estratégia. — Dáin exclamou ao menear a cabeça. — Para termos alguma vantagem, mandei corvos vigiarem as saídas de Gundabad. Eles informarão caso avistem qualquer movimento do exército de Orcs. Sem surpresas.

Mithrandir se despedia dos amigos que fizeram parte da antiga companhia de anões que retomou a montanha. Seu ar preocupado estava explícito em sua expressão, e ele o deixou transparecer ainda mais quando cruzou seu olhar com o de Luna — após um comentário de Dwalin.

— Quero lhe entregar isto. — a voz grave de Dáin a chamou de volta para a conversa. O rei ergueu uma pequena caixa que ela reconheceu no momento em que avistou. — Você as deixou aqui quando foi levada por aquele elfo maldito.

A chefe da guarda tomou-a em mãos com os olhos transbordando alegria. Em meio a tantos acontecimentos, acabou se esquecendo das joias de sua família, que havia deixado na segurança da montanha.

Hannon le, mellon nîn! — Luna agradeceu ao inclinar a cabeça de maneira respeitosa, mas quando voltou a se erguer ela mal pôde ouvir o que o anão a respondia. Seus olhos haviam repousado sobre a figura do arqueiro, que a fitava fixamente em uma espécie de chamado silencioso.

— Luna. — Thranduil exclamou em um tom extremamente sério após perceber o que acontecia.

— Com licença. — a elfa se despediu e fez menção em se afastar, contudo, uma mão segurou um de seus braços. — Eu não demorarei. — ela exclamou com suavidade, mas seu rei relutou em soltá-la. — Por favor…

— Da última vez que a deixei ir você não quis mais voltar… — ele disse ao olhar por cima dos ombros dela, percebendo que Bard esperava por Luna determinadamente.

— Não demorarei, Vossa Majestade. — a elfa garantiu, sem qualquer sombra de dúvida do que queria, ainda que tivesse sentido os efeitos daquela frase tão cheia de significados.

Thranduil respirou fundo e a soltou lentamente. Ele disse duas ou três palavras ao Rei Sob a Montanha — que assistia a cena em silêncio — e então se retirou a passos rápidos. O anão fitou Luna como se esperasse uma explicação, contudo, a elfa apenas sorriu serenamente e também se retirou de sua presença.

A medida em que se aproximava, Luna pôde observar melhor o antigo barqueiro e quase não o reconheceu. Apesar da longa conversa na Sala do Trono, a nova aparência de Bard lhe passara totalmente despercebida.

Os cabelos dele estavam mais curtos, na altura dos ombros, e se encontravam devidamente arrumados. Sua vestimenta grossa era feita de couro e malha de aço, o que o transformava em uma visão marcante, e, complementando sua imagem, uma capa de peles com traços escurecidos lhe cobria.

Bard estava trajado como um verdadeiro nobre e não havia nenhum sinal do homem com características de camponês, porém, os olhos de Luna ainda captavam certa simplicidade. Sim, apesar da explícita mudança, ele ainda era o mesmo homem humilde e sem pretensão.

Luna se pôs à sua frente e esperou um segundo antes de dizer algo.

— Bem… — ela se calou no momento em que o arqueiro a abraço. O ato havia sido inesperado, e a elfa não soube o que fazer. Mas, aos poucos, acabou retribuindo.

Eles ficaram assim por algum tempo, pois Bard parecia absorto em seus pensamentos.

— Pensei que nunca mais a veria… — ele sussurrou com pesar. — não sabe o quanto me senti feliz ao ver o seu rosto outra vez… — a apertou ainda mais.

— Eu estou aqui, Bard… — Luna disse com carinho. — estou aqui! — ela afrouxou seus braços e o arqueiro entendeu que aquilo era um sinal de que eles já chamavam a atenção de muitos. Ele a soltou, mesmo relutante, e Luna sorriu. — Senhor de Valle?

— Senhor de Valle. — o homem confirmou com pouca animação e ela sorriu ainda mais. Segundos depois, Bard ergueu suas íris castanhas e seu olhar cruzou com o de Thranduil, que os observava de longe, e logo toda alegria se esvaiu de sua face. — Não vá… — ele pediu em um sussurro ao se voltar para Luna.

Ela suspirou.

— Por favor, não me peça isso.

— Por que não? — o arqueiro indagou. — Eu tenho certeza que não é de sua vontade participar de um confronto… — Luna balançou a cabeça em negativo, indisposta a ouvir aquilo. — principalmente contra o seu próprio irmão!

— Annchir escolheu por quem lutar e pelo que lutar, eu também. É uma infelicidade que estejamos em lados opostos, sim, mas isto vai muito além de nossos laços familiares. — a elfa retrucou, mantendo a paciência.

— Você fala como Thranduil!

— Talvez! — sua resposta pairou no ar, como um eco, e então Luna abaixou a cabeça. Ela não havia ido até ali para iniciar uma discussão. — Fico feliz que tenha assumido a liderança da cidade, o povo precisa de você. — a elfa agora tinha uma expressão harmoniosa, preferindo mudar o rumo da conversa.

— Ele também precisa de você. — Bard insistiu. — Nós precisamos!

Tudo pareceu silenciar ao redor dos dois, mesmo que estivessem cientes da constante movimentação de homens e anões.

Luna o fitou nos olhos.

— Ah, Bard… o que quer de mim? — ela questionou com pesar, mesmo que já estivesse ciente da resposta.

— Você não sabe? — aquilo dilacerou o coração dela, como uma adaga.

— Um grande golfo separa o meu povo do seu, meu querido, e nenhuma ponte pode ser construída para nós. — ela já havia lhe dito aquela frase uma vez. Sua voz se encontrava embargada pelo choro preso em sua garganta, mas sua decisão já estava tomada e nenhuma lágrima poderia mudá-la. — Me perdoe, eu não posso… — um vento frio soprou sobre os dois e os olhos do arqueiro ficaram nublados.

A elfa fez menção em lhe dar as costas, contudo, o toque de Bard em um de seus ombros a refreou.

— Você o ama? Thranduil, o ama? — Luna se sentiu desconcertada com a pergunta.

— Eu o odeio, sempre odiei! — ela quase cuspiu as palavras, estando totalmente séria e convicta do que lhe dizia.

O homem meneou a cabeça.

— Então, talvez o ame.

Notas finais
Hannon le, mellon nîn - Obrigado, meu amigo ... Sim, no livro O Hobbit os corvos de Erebor podem falar. Nos tempos de Thrór, eles "trabalhavam" para o Rei Sob a Montanha em troca de "objetos brilhantes que cobiçavam para esconder em seus ninhos." Beijocas!