I See You
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Elenor terminava de afivelar sua sela, sem deixar de proferir ordens para todos os lados. Os elfos caminhavam apressados e um belo grupo estava estacionado à frente do Grande Portão quando o capitão assistiu Lúthian passar por si.
Argon o contou tudo o que sucedera em Valle, assim como a participação do outro elfo e sua postura em relação à Luna. Apesar disso, Elenor não tomara nenhuma atitude, não após Lúthian jurar que não tinha parte com os planos de Eruwen e Annchir. E depois de muito meditar, ele decidiu que deixaria aquele julgamento para o próprio rei, quando este retornasse.
Os portões se abriram e o loiro assistiu Mithrandir atravessar a ponte apressadamente.
— Devemos partir agora, Elenor. O sol já vai nascer e eu quero estar em Erebor antes que ele se deite outra vez. — o mago proferiu quando se aproximou.
— Eu já est… — ele teve sua frase cortada pelo som de cavalos cruzando a floresta. As ferraduras esmagavam gravetos e a corrida agitava as folhas. O capitão estava pronto para perguntar o que estava acontecendo quando um grupo de cavaleiros adentrou o círculo de elfos, e entre eles estavam seu senhor e sua chefe da guarda.
Exclamações de alegria foram ouvidas por toda parte, e vários soldados correram para o palácio com o intuito de espalhar a notícia de que o rei da Floresta das Trevas estava de volta.
— Vossa Majestade! — Elenor se prontificou em saldá-lo, curvando-se sem cerimônias à frente de Thranduil e logo se voltando para a elfa. — Minha senhora! — repetiu o gesto, recebendo um sorriso agradecido em resposta. — Eru Ilúvatar nos abençoou!
— É bom revê-lo também, Elenor! — Luna exclamou ao descer de sua montaria, sendo imitada por Thranduil.
Aquilo encheu o coração do capitão de alegria. Vê-los sã e salvos lhe concedeu alívio, mas, ainda faltava alguém.
— E Nathrini? — Thranduil se tornou inexpressivo enquanto Luna sentiu seus olhos marejarem. Um silêncio triste engoliu qualquer comemoração depois disso, mas o capitão apenas assentiu, mesmo que estivesse arrasado. — Compreendo.
— Ele sacrificou a própria vida para salvar a minha, e eu jamais esquecerei disso. — o rei exclamou enquanto engolia todas as emoções. Elenor e Nathrini eram muito mais do que servos para ele, eram antigos amigos.
O outro elfo inclinou a cabeça levemente, sabendo que Thranduil era sincero em suas palavras.
— Bem — Mithrandir finalmente se pronunciou. — creio que uma parte do problema está resolvida.
— Não há tempo! — o rei recuperou sua postura altiva e sua rigidez, como se retornasse à realidade. Ele deixaria o luto para outro momento. — Eruwen é um traidor e está aliado às forças de Gundabad, assim como Annchir. Eu o quero dentro da prisão imediatamente!
— Isto já foi feito. — adiantou-se o mago. — Tive a iniciativa de fazer uma visita aos reinos do leste. Vim primeiro à Floresta das Trevas, mas me deparei com a sua ausência. — ele apertou o cajado entre os dedos. — O fato é que soou estranho para todos.
— Nós sabíamos que Vossa Majestade jamais seria capaz da atrocidade feita em Valle. Fomos mais a fundo nesta questão e acabamos nos deparando com a verdade. — explanou Elenor, retomando sua postura séria.
Luna encolheu os ombros minimamente, um tanto incomodada com a afirmativa do capitão. Seus irmãos confiaram até o fim na integridade de Thranduil quando ela o condenou na mínima menção de seu nome. Não pôde deixar de se envergonhar, apesar de sua expressão inalterada.
O mago percebeu aquilo e ergueu uma de suas sobrancelhas, intrigado com a cena.
— Precisamos fortificar nossas defesas e fechar qualquer brecha para Annchir. Nós vimos o tamanho de seu exército, e eles estão construindo mais armas. Fornalhas enormes que explodem em fogo, sons de metais sendo batidos, criaturas terríveis e uma escuridão que não se pode contemplar… aquele lugar é morte, e meu irmão está cheio de ódio. Ele fará de tudo para destruir nosso reino. — a chefe da guarda se pronunciou.
— Já reforçamos o que podíamos, minha senhora. Ninguém entraria em nossas terras se não permitíssemos. — Elenor a respondeu.
— Contudo, tanto cuidado acabou reduzindo os números do exército. Se este Annchir resolver chamá-los para um enfrentamento as flechas dos seus soldados não serão suficientes. — a intromissão do mago queimava os ouvidos de Thranduil.
— Eu sei o que você está sugerindo e a resposta é não.
— Quando estávamos em Valle percebemos que nossos soldados estavam desaparecendo. Era um número pequeno, porém, não devia acontecer. — Luna relembrou.
— Creio que os planos do seu irmão já haviam se iniciado. Ele pode não ter previsto que vocês escapariam, mas sabia que enfraqueceria as defesas ao reduzir o exército. — Mithrandir se voltou para o rei. — Considerando o risco em que seu reino se encontra, não é sensato ignorar as alianças que podem socorrê-lo na hora da necessidade. — aconselhou.
— Eu já disse não. Prefiro chamar Celeborn. — Thranduil proferiu com rispidez. — Se aquele anão é estúpido o suficiente para pensar que eu quebraria o acordo que fizemos, então… — foi interrompido.
— Como se você já não o tivesse feito uma vez… — Mithrandir alfinetou. — não peça que ele reflita quando seus olhos já lhe dizem tudo, Thranduil. Por ordem sua ou não, ele viu o seu exército incendiar uma cidade de homens inteira. Não se dê ao luxo de sentir orgulho, você sabe o que está em jogo aqui. — o mago bateu seu cajado contra o chão, ele o fazia sempre que estava irritado. — E eu já mandei Lórien à Lothlórien para pedir auxílio, contudo, acredito que três exércitos sejam ainda mais fortes que dois. Principalmente se o que dizem sobre a força do inimigo for verdade.
Apesar de ouvir tudo aquilo, o rei da Floresta das Trevas estava irredutível. E sua decisão estava explícita em suas feições.
— Vossa Majestade! — todos ouviram a voz de Argon, que saía da floresta com alguns soldados. — Abençoado seja o vosso retorno. — ele se inclinou rapidamente para Thranduil e Luna, porém, tinha algo ainda mais importante para dizer. — Eu e os guardas da fronteira noroeste acabamos de abater alguns Orcs. Quando iniciamos o ataque as criaturas tentaram fugir, então acredito que eram espiões. A notícia do vosso retorno foi levada até nós pelos guardas que os receberam na fronteira norte. As criaturas teriam relatado isso a alguém, mas nossas flechas os alcançaram antes que se afastassem.
— Annchir… — Luna exclamou no mesmo instante. Só podia ser ele.
— Com o não retorno de seus servos, ele saberá que algo está errado e chegará a conclusão de que você já está aqui, Thranduil. — Mithrandir exclamou, tentando acender as luzes do juízo do elfo. — Annchir enviará seu exército e você não conseguirá proteger o seu povo com tão pouca ajuda.
O mago tinha a irritante mania de se sentir na razão, mas, naquele momento, Thranduil não pôde contestá-lo.
— Elenor? — solicitou-o para que opinasse e todos pareceram surpresos. O soberano da Floresta das Trevas não pedia conselhos, sua vontade era sempre absoluta.
Na verdade, aquela era apenas uma forma de irritar sua chefe da guarda — que se esforçava ao máximo para manter-se calada — pois ele já sabia o que ela sugeriria. O loiro, no fundo, queria que o capitão dissesse aquilo que ele esperava ouvir, para silenciar a todos.
Era egoísmo ou puro orgulho, era Thranduil.
— Nossas forças somadas ao exército anão e os guerreiros de Lothlórien seriam imbatíveis, então é algo a se considerar. Ele pode estar certo, meu senhor. — Elenor meneou a cabeça, indeciso quanto ao que deveria dizer. — Seja qual for a sua decisão, eu o apoiarei.
Luna chegou a seu limite.
— Ora, todos nós sabemos que é a coisa certa a se fazer! — ela esbravejou e deixou evidente sua vontade em ir à montanha. Ao perceber seu deslize, tratou de se recompor. — Meu senhor sabe que devemos levar todas as possibilidades que mencionei em consideração. E se estiver certa, sabe que precisaremos da ajuda de Dáin.
— Possibilidades? — Mithrandir indagou com curiosidade. — Quais possibilidades?
— Tolices! — o rei tratou de dizer e recebeu um olhar seco de Luna. — O que ela sabe sobre guerras?
— Nada. — a elfa retrucou, e mais uma vez os dois tornavam as discordâncias explicitamente pessoais. — Mas sei o suficiente sobre meu irmão. Eu o conheço, sou gêmea dele. O seu coração é o inverso do meu, sua alma é a outra metade da minha e eu não arriscaria tão alto se tivesse alguma chance de errar. — Luna cerrou os olhos e marchou na direção de seu senhor, que a fitou irritado e desconcertado. — Eu sou arqueira, eu não posso errar. Eu não erro.
O mago sorriu de canto, divertindo–se com a cena.
A respiração de Thranduil estava contida, mas era solta em pequenos espaços de tempo. Ele sabia que se permitisse com que seu peito trabalhasse com a mesma força de suas emoções se veria em uma cena humilhante de derrota, e esse gosto ele não daria à Luna.
— Se é assim que deseja, vamos ver se você realmente nunca erra. — foi sua última frase antes de se dirigir para o palácio, a fim de se aprontar para a viajem. Elenor e alguns soldados logo o seguiram, pois não poderiam perder tempo.
— Você me parece bem irritada… — Luna ouviu a voz do mago.
— Meu rei tem este dom. – ela o respondeu enquanto respirava fundo.
— Sinto um grande sentimento vindo de seu espírito, Dama da Floresta. Só não sei classificá-lo como bom ou ruim. — havia sido um palpite, mas a reação da elfa foi a melhor confirmação que Mithrandir poderia receber.
Ela respirou fundo, procurando respondê-lo da forma mais racional possível.
— Talvez seja os dois.
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— Deixe com que eu fale por mim mesmo, Mithrandir. Sou perfeitamente capaz disto. — adiantou-se Thranduil, insatisfeito em ter todas aquelas armas voltadas para si.
Já era quase final da tarde quando eles chegaram ao pé da Montanha Solitária — onde Valle descansava, mais uma vez, em ruínas. E a recepção não poderia ter sido pior.
— Você não está em condições de exigir nada, fadinha! — Dwalin vociferou ao apertar o cabo de seu martelo. Thranduil apenas o fitou com superioridade, em parte, sentindo pena da medíocre condição dos anões com relação a sua desprezível natureza troglodita.
— Mestre Dwalin, meu amigo, sejamos sensatos. — o mago estava tenso, apesar do tom amigável. — Precisamos falar com o Rei Sob a Montanha, imediatamente. Não há tempo a se perder com picuinhas do passado.
Balin suspirou, prevendo a explosão do irmão.
— Picuinhas do passado? — o anão riu com deboche. — Todas as vezes que este maldito elfo cruza o nosso caminho alguma desgraça acontece! — ele não media o volume de sua voz, estando totalmente alterado.
— Dwalin, por favor, nos deixe explicar! — foi a vez de Luna interceder. Ela estava posta firmemente entre seu rei e o anão com o intuito de impedir qualquer infortúnio motivado pela evidente ira de seu amigo.
— Não acredito que estou ouvindo isto vindo de você! — ele estava surpreso. — Esta criatura prendeu seus amigos e os levou amordaçados até aquele matagal amaldiçoado que chamam de reino. Ele mandou incendiar esta cidade INTEIRA — Dwalin ergueu os braços, se referindo as paredes negras e cinzentas das antigas casas que, junto com tantas outras, costumavam moldar a beleza de Valle. — e só parou porque você se entregou em troca. Ainda assim o defende?
— Escute, por favor… — Luna tomou fôlego, trocando olhares apreensivos com o mago. — Sua Majestade não foi o autor desta crueldade.
Todos os anões ficaram visivelmente surpresos com aquela notícia e logo um murmúrio começou entre eles.
— Como assim, Luna? — foi a vez de Balin se pronunciar.
— Deixe-nos entrar para falar com o rei — ela barganhou em tom de seriedade. — assim poderemos esclarecer tudo.
— O que nos garante que isso não é um truque? — Balin revirou os olhos com a inquisição de seu irmão mais novo. Dwalin era, dos dois, o mais truculento.
— Dou a minha palavra. — respondeu Thranduil.
— É pouco. — o capitão estreitou os olhos. — Meus dentes de ouro valem muito mais.
Os anões em volta gargalharam.
— Então dou-lhe a minha. — Luna tratou de dizer, ainda mais séria. — Esta vale algo?
Dwalin a fitou desconcertado. Com a estadia dos elfos, nos tempos da aliança com o povo da Floresta das Trevas, havia dirigido uma confiança profunda à elfa — o que não acontecia há muitos anos.
Ele franziu o cenho e suas grossas sobrancelhas marcaram ainda mais seu rosto austero.
— Balin. — chamou pelo irmão, que se aproximou no mesmo instante. Eles se colocaram de costas, aos cochichos, aparentemente debatendo a questão.
Elenor estava alheio a tudo que se passava, assim como os soldados élficos a seu lado. Eles se encontravam mais preocupados com as armas pontiagudas dos anões direcionadas para o grupo, com exceção de Luna e Mithrandir. Já Thranduil se concentrava na figura de sua chefe da guarda, que mantinha sua áurea firme e altiva. Ele se questionava como ela havia se afeiçoado a seres tão grotescos como anões.
— Pois bem. — Balin iniciou após a conversa com seu irmão ter sido concluída. — Gandalf… — se direcionou para o mago. — você tem a nossa total confiança, assim como a dama. — referia–se a Luna, que sorriu minimamente. — Mas receio que, em vista dos acontecimentos, o rei Thranduil não tenha tanto… — ele procurava um termo. — crédito com nosso reino. Apesar das suas declarações ainda restam muitas dúvidas a serem tiradas, e somente por este motivo permitiremos com que ele entre na montanha. — Mithrandir sorriu satisfeito. — Entretanto, os outros elfos devem permanecer aqui — Thranduil ergueu uma de suas sobrancelhas. — por precaução. — o anão tratou de esclarecer.
— Justo. — o Maia respondeu, evidentemente tranquilo.
— Espere um segundo. — Elenor se pronunciou. — Meu senhor vai aceitar estes termos? Vai entrar em Erebor sozinho? — ele se referia ao fato dos soldados não poderem acompanhar o rei, já que nem Luna ou Mithrandir poderiam salvá-lo de uma montanha cheia de homens e anões que o odiavam.
O soberano da Floresta das Trevas também não sentia-se totalmente confortável com o acordo pois havia muita mágoa entre ele e os anões de Erebor, e agora Valle também estava incluída.
— Sim, eu irei. — Thranduil foi prático. — Fiquem aqui!
Balin sorriu.
— Bem, sendo assim, acho que podemos ir! — o anão mais velho se apressou em caminhar para a montanha, tendo Dwalin de um lado e Gandalf do outro.
Luna sabia que estavam indo melhor que o esperado. Eles foram recebidos com uma armaria não tão ameaçadora e Balin estava incluído no grupo que os abordou, o que já era um ótimo sinal. Dwalin não era adepto de diálogos e teria tornado a situação ainda mais complexa. Sim, foi tranquilizador. Pelo menos para quem esperava uma chuva de flechas incendiadas para expulsarem o tão odiado rei da Floresta das Trevas… no mínimo.
A elfa riu do próprio pensamento.
— Vamos. — Thranduil exclamou e Luna logo sentiu a mão deste repousar em um ponto abaixo de suas costas, incentivando–a a seguir em frente.
— O que está fazendo? — ela indagou em um sussurro quando se viram distantes do grupo de elfos, no encalço dos dois anões e do mago, mas atrás o suficiente para que não fossem ouvidos.
— Me certificando de que você não fugirá outra vez. — ele respondeu com seu habitual tom de indiferença, que fazia companhia a um olhar frio e inalterado. — Aprendi com a primeira experiência.
Ela riu em escárnio, compreendendo o que o rei queria dizer.
— Não fale como se não fosse o culpado por isso, ou se esqueceu das palavras que me dirigiu? — Luna fez uma pausa. — Foi o suficiente para me fazer querer nunca mais olhá-lo de novo.
— Suponho que este pensamento esteja no passado… — ela arqueou uma das sobrancelhas com aquela frase. — levando em consideração as circunstâncias, deixar de fitar um ao outro é uma impossibilidade. — Thranduil estava sendo, explicitamente, sarcástico.
— Por que o senhor, de alguma forma, sempre faz questão de que retornemos ao mesmo lugar? — ela exteriorizou com irritação a pergunta que tanto lhe assombrava.
O elfo estagnou seus passos e retirou a mão que repousava sobre as costas de Luna, passando ao olhá-la com firmeza.
Eles estavam na metade do caminho para o Portão Dianteiro e os sentinelas assistiam atentamente a pequena cena — o que fazia com que a elfa se envergonhasse do vexame público, mesmo que Thranduil não se importasse nem um pouco.
A face dela tomou uma coloração rosada.
— Apesar das inúmeras discussões e tudo que lhe contei, você parece não compreender absolutamente nada do que tento dizer. E não adianta falar o contrário. — ele a refreou quando percebeu que ela ia discordar. — Você é demasiadamente estúpida e eu não insistirei mais nisso, pense o que quiser. — Thranduil lançou-lhe um olhar de escárnio e seguiu seu caminho, deixando-a para trás.
Luna se sentiu confusa, mais uma vez. Por que eles nunca tinham um diálogo normal? No fim, ela se recompôs e fez o mesmo que seu senhor; marchou em direção à Erebor a passos pesados.
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Tanto homens quanto anões gritavam palavras grotescas, cheias de ódio e ofensa, e os salões de Dáin se encheram com o som ensurdecedor das vozes que pareciam competir em questão de volume. A grande porta que dava entrada para a Sala do Trono foi fechada assim que eles adentraram, e aquilo abafou imediatamente qualquer barulho fora do recinto.
Os olhos azulados de Thranduil varreram o local, e ele se relembrou da última vez em que esteve naquele grande salão. Tudo parecia-lhe exatamente igual, com exceção do rei sentado sobre o trono. Ao lado deste, o loiro pôde avistar a figura de mais dois anões e um homem, a quem reconheceu automaticamente.
— Salve Dáin, Rei Sob a Montanha. — iniciou o mago, tomando à dianteira e tentando amenizar a tensão formada no ambiente. Já os dois elfos se colocaram em um ponto à frente do trono, no início do caminho estreito que levava até a saída.
— Gandalf. — a voz grave do rei anão ecoou enquanto seus olhos permaneciam fixos na figura, aparentemente indiferente, de seu maior rival; o rei da Floresta das Trevas. — Você está com ele?
Sua frase nada mais era do que uma forma sutil de questionar a quem a lealdade do Cinzento pertencia.
— Nos encontramos pela manhã, e você não acreditaria na grande história por trás deste acontecimento. — Gandalf simulou uma risada, sabendo se desvencilhar da inquisição mal-intencionada ao dar a entender que não havia compreendido o real significado da pergunta. — Na verdade, é exatamente sobre isso que quero falar. Nós viemos aqui para esclarecer certas… confusões. — seus lábios estavam curvados em um sorriso sutil, mas seus olhos denunciavam a preocupação que o assolava.
— Você nos insulta ao trazer este elfo para dentro dos nossos salões, Gandalf! — Glóin se pronunciou enquanto acariciava a barba ruiva.
— Sim. — Óin concordou de imediato, não menos irritado que o irmão.
— Calem-se! — o Rei Sob a Montanha ordenou, ainda extremamente sério. Houve silêncio por alguns segundos e então Dáin se dirigiu ao rei élfico. — Eu poderia deixar minha honra de lado, poderia me esquecer de tudo apenas por alguns minutos. Se eu me permitisse fazer aquilo que meu instinto deseja… — o ruivo respirou fundo. — contudo, o escutarei. Não por você e nem por Gandalf, mas sim pela dama que o acompanha. Ela jamais estaria aí, do seu lado, se não existisse um motivo muito convincente. — ele se referia a Luna, que sorriu agradecida pelo respeito que havia conquistado da parte dos anões.
— Estou tocado. — a frieza e o sarcasmo de Thranduil preencheram o recinto e aquilo atiçou a ira de Dáin. — Eu não sou obrigado a suportar isto. — ele se preparou para sair dali, mas a elfa se colocou em seu caminho.
— Meu senhor — ela o fitou nos olhos. — pense em nosso reino.
— É nele em que estou pensando neste momento e é para lá que estou me dirigindo. — Thranduil foi cortante, fazendo menção em se desviar dela e continuar seu caminho.
— O senhor uma vez me disse que a proteção de seu povo, para um rei, é mais importante do que sua honra, lembra-se? Eu acredito que o orgulho também esteja incluso nisso. — a tentativa de Luna era quase suplicante. Eles haviam ido longe demais para que a arrogância de seu soberano estragasse tudo.
O loiro parou um instante — indeciso e irritado — mas acabou se voltando para o anão sentado sobre o trono, este que mantinha sua áurea prepotente e até mesmo grosseira.
— Bem, vamos ao que interessa. — Thranduil iniciou e logo um suspiro de alívio foi ouvido por parte de Luna que, mesmo estando concentrada no que acontecia, não pôde ignorar o peso do olhar do único homem presente:
Bard.
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