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29 Capítulo 29
Notas iniciais
— O rumo das coisas não me parece agradável, e é preciso muito pouco para que minha desconfiança seja acionada. — o mago tinha o olhar perdido enquanto limpava seu velho cachimbo. — Nada nos últimos acontecimentos se encaixa e eu me pergunto a razão disto.
Se não fosse realmente grande a estima que sentia por ele, Elenor consideraria correta a opinião de seu rei em relação ao mesmo; às vezes, Mithrandir soava manipulador.
— O que quer dizer? — o capitão foi prático.
— Em todos os acontecimentos ficou evidentemente claro que tudo gira, de certa forma, em torno da Floresta das Trevas. — explanou. — Por isso a captura de Thranduil e Luna e a necessidade do rompimento do pacto entre anões e elfos, que o ataque à Valle traria. Eu só não entendo o real motivo por trás de todos esses acontecimentos… não consigo pensar direito. — o Maia bufou insatisfeito ao deixar a limpeza do cachimbo de lado.
— Esta é verdadeiramente uma questão perturbadora, mas não podemos nos dar ao luxo de ponderar mais. Está na hora de agir. Não acha que já podemos ir à Erebor? O reino está devidamente protegido, e o conhecimento de Annchir sobre o território agora é inútil. Nossas antigas fraquezas foram revisadas e nossas defesas reforçadas. — Elenor soou sério, contudo, apressado. E Mithrandir sabia que a fidelidade extrema do capitão mais antigo de Thranduil poderia levá-lo a uma derrota catastrófica em Gundabad.
Tudo deveria ser feito na mais profunda paciência e cautela, não apenas para que Thranduil e Luna saíssem vivos mas também para que eles descobrissem as reais intenções do inimigo.
— Você sabe que as coisas não são tão simples, meu amigo. — o capitão quis retrucar, mas engoliu as palavras no minuto em que sua razão iluminou sua mente.
— Eu tenho medo de estar conversando com você, aqui, protegidos por essas paredes, enquanto Sua Majestade está lá. Naquele lugar imundo e perigoso. Tenho medo de pensar em sua morte e descobrir que ela é real. — ele suspirou como se carregasse o mundo em suas costas. — E Luna, pelos céus, eu nem gosto de pensar nela. Não gosto de pensar no que Annchir pode estar fazendo, o que o ódio dele por ela… — Elenor parou a fala, incapaz de completar, e Mithrandir se compadeceu. — e Nathrini, meu amigo desde muito antes de Amon Lanc. Desde muito antes de tudo isso. — ele ergueu os olhos e contemplou as grandes paredes e pilastras dos Salões de Thranduil. — É por esse motivo que tenho pressa — fitou o mago. — é por esse motivo que não posso e nem consigo esperar.
— Mas você deve, sabe que deve. — Mithrandir franziu o cenho e olhou fixamente o rosto de Elenor. — Thranduil está vivo. — as íris azuladas dele foram preenchidas por algo que o elfo não soube definir, mas sentiu, em seu coração, que suas palavras eram verdadeiras.
— Acha que Lórien demorará a retornar com a resposta de Haldir? — o capitão indagou, após se dar por vencido.
— Não devemos esperar qualquer tipo de problema da parte dos elfos ao sudoeste, e sim dos anões ao nordeste. — ele relembrou. — Não será nada fácil convencê-los da veracidade dos acontecimentos. Anões são muito fechados para aquilo que naturalmente os desagrada, de um modo geral.
— Eles não podem ser indiferentes a nosso pedido quando descobrirem a verdade que cerca o ataque à Valle. — Elenor argumentou. — Nem mesmo a pior das rivalidades, mesmo que seja natural, pode sobrepor a justiça ou honra de um pedido desse porte.
— Você quis dizer um pedido de ajuda, meu amigo. Ajuda que foi negada aos anões pelo filho de Oropher quando eles foram atacados por Smaug e expulsos do próprio lar. — contra aquilo o capitão não soube como responder. — Honra e justiça são palavras bastante usadas, mas na maioria das vezes não passam disso; palavras. As atitudes têm mais peso em nosso mundo.
— Acha que Dáin usaria este motivo como desculpa para não nos socorrer? — a mera suposição preocupava o elfo.
— Dáin, como atual Rei Sob a Montanha, tem se mostrado muito acima dos meus palpites. Ele se tornou mais complacente que Thorin e mais sábio que Thrór, mas não é totalmente maleável. Ele concordaria em apaziguar o sentimento rancoroso se soubesse da terrível verdade por trás de tudo isso, mas, enviar seu exército como apoio os coloca na mesma situação de quando os anões foram expulsos de Erebor, quando Thranduil simplesmente deu as costas à linhagem de Dúrin. — Mithrandir meneou a cabeça. — As palavras que planejo dizer são adequadas e sagazes o suficiente para a situação, mas convencer Dáin a não pagar na mesma moeda ainda será um trabalho difícil.
— Eu devo discordar. — Elenor exclamou com uma confiança indiscutível. — Se a aliança entre os dois povos for refeita qualquer tipo de acontecimento ou ressentimento deve ser deixado para trás. Dáin não poderia nos negar auxílio.
— Não se esqueça de que a Cidade de Valle foi praticamente devastada e o rei anão, possivelmente, deve estar tomando os prejuízos para si. Ele é muito amigo dos homens, e não há aliança mais forte do que a amizade. — Mithrandir fez uma pausa. — Disponibilizar seu exército, levando em consideração a necessidade de seus amigos em relação à proteção, não é algo que ele faria.
— Precisamos tentar, mesmo que ele diga não, precisamos tentar. Será necessário um exército forte e grande o suficiente para derrubar as defesas de Gundabad. — o elfo suspirou. — Se os anões nos ajudassem, por mais que sejamos desmerecedores, nós teríamos uma dívida imensurável com eles. Algo que vai além de nosso rei, algo que chega até nós; os servos. Dirigiremos nosso respeito ao Rei Sob a Montanha e a sua descendência eternamente. Isto deve valer alguma coisa para ele. — o capitão fixou seus olhos negros em Mithrandir. — Eu farei tudo que estiver a meu alcance para salvar meu rei e meus amigos.
O mago repuxou seus lábios em um sorriso sincero.
— Sua lealdade a Thranduil é admirável, Elenor! — ele proferiu calmamente.
O loiro retribuiu o sorriso, mas não evitou ponderar.
— Eu falhei com meu rei uma vez, com muitos amigos também. A vontade de não repetir este erro é minha maior impulsionadora.
— Aquilo não foi culpa sua ou de qualquer um, meu amigo. As coisas acontecem quando devem acontecer.
— Enterrei muitos soldados que eu mesmo treinei, Mithrandir, alguns que vi nascer. Enterrei pais, mães, filhos, irmãos… e enterrei a minha rainha. — ele fez uma pausa e finalizou com determinação. — Isso não deve acontecer outra vez, isso não vai acontecer outra vez. Não no meu reino.
O Maia sorriu e assentiu na direção do capitão. Os elfos silvestres podiam ser menos sábios que seus parentes, mas sua lealdade era incontestável.
.o0o.
O Rio da Floresta!
Luna exclamou em pensamento e se permitiu sorrir minimamente por estar em um lugar familiar, pelo menos em comparação aos ambientes a que fora exposta naqueles últimos dois dias.
O lugar não estava muito diferente desde a última vez em que ela estivera ali. O verde dominava a margem e as árvores permaneciam belas e frondosas, intocadas pela doença que assolava a maior parte da floresta. Luna sorriu mais uma vez e apreciou toda aquela linda paisagem, esta que era emoldurada pelo rio que desceria na direção do palácio… e encontraria o Lago Comprido no final de seu caminho.
Aquilo imediatamente levou seus pensamentos para Valle, e para Bard. Ah, Bard… ele deveria estar inconsolável. Ela quase conseguia ouvir a angustia gritar de sua alma, quase conseguia sentir o desespero dele em não poder mudar as coisas.
Mesmo distantes, a elfa conhecia o arqueiro suficientemente bem para saber que ele sofria com tudo aquilo. Sua família e o povo de Valle eram tudo o que ele tinha, e mais uma vez o destino fora cruel consigo — apesar da extrema bondade em seu coração.
Luna queria vê-lo, queria olhar em seus olhos e dizer que estava tudo bem. Que ele não precisaria se preocupar porque, no final, tudo ficaria bem. Queria dá-lo esperança, e também queria se desculpar por não ter evitado aquilo, por ser a culpada pelo ódio de Annchir ter se derramado sobre eles.
Mas a realidade voltou a se fazer presente quando Thranduil tomou lugar a seu lado. A elfa percebeu que não guardava muita esperança para si, então não podia passá-la ou sequer inspirá-la no coração do antigo barqueiro, não sem soar hipócrita.
— Eu consigo sentir a inquietação em sua alma. — ele exclamou friamente, de alguma forma, sabendo o que se passava em seus pensamentos.
— Não espere que eu negue. — foi tudo que Luna conseguiu dizer. Ela suspirou e então passou a descer o rio, caminhando na direção que os levaria até o palácio. — Vamos? — soou séria, como qualquer um dos súditos de seu rei faria.
O loiro apenas a fitou intrigado, mas preferiu ficar em silêncio. Não estava disposto a engajar em mais uma discussão sentimentalista com sua chefe da guarda. Já haviam ultrapassado o próprio limite de desentendimentos, e Luna parecia se esquecer cada vez mais da hierarquia que os separava.
Possivelmente estavam descontando o tempo considerável sem discordâncias que a distância ocasionou, ou talvez precisassem apenas extravasar a onda mista de sensações que os últimos acontecimentos os causaram.
Não que aquilo fosse realmente relevante. Sim, por hora, ele preferiu pensar que não era.
O som das águas correndo preenchia o ambiente quando eles passaram a andar lado a lado, e o rei conseguia ver de relance os cabelos negros balançando suavemente, por conta da caminhada. Os fios encontravam-se ainda mais escurecidos pelo fim da madrugada que se deitava sobre eles, mas a lua — que brevemente desapareceria para dar lugar ao sol — os fazia contrastar com a pele leitosa e levemente suja.
Thranduil não evitou um sorriso.
— Quando chegarmos ao reino é imprescindível que o senhor ordene aos soldados que montem guarda em toda a fronteira, de norte a sul. — ela iniciou com um ar pensativo. — Annchir provavelmente deve se lembrar da abertura ao sul da floresta, pela proximidade à Dol Guldur, onde nossas guardas não são constantes.
— Creio que não. — ele respondeu e sorriu minimamente ao notar o tom autoritário na voz de sua chefe da guarda. — Seu irmão não arriscaria o exército de Orcs em um ponto tão próximo à Lothlórien. As flechas de Haldir e seus soldados não o perdoariam, mesmo que eles não avançassem para seu território.
— Sim, sim, tem razão. — ela sentiu um arrepio subir por sua espinha e então franziu o cenho. Aquilo era um mau pressentimento. — O reino da Floresta das Trevas faz fronteira com Lothlórien… — Luna se ouviu pronunciar.
Os olhos azulados de Thranduil repousaram sobre si.
— Sim. — ele ergueu uma das sobrancelhas. — Obviamente.
Luna crispou os lábios.
— O que Annchir lhe disse no dia em que foi levado à Gundabad? — tudo parecia confuso.
— Aonde quer chegar com isso?
— Apenas me conte! — a elfa murmurou com impaciência.
— Não disse nada que venha fazer alguma diferença neste momento. — o loiro foi prático. — Se espera que seu irmão tenha feito alguma menção do que pretendia com todo este episódio, saiba que eu mesmo já ponderei sobre o assunto e não cheguei a lugar nenhum. Ele é astuto. — concluiu.
Eles pisavam em gravetos e se esgueiravam pela margem do rio, mas Luna apressou seus passos o suficiente para se colocar à frente de Thranduil e assim impedi-lo de continuar. Ambos estavam paralisados debaixo das folhas de uma das árvores quando o rei revirou os olhos e suspirou.
E lá vamos nós…
— Apesar do renome, nosso lar não pode ser considerado um reino verdadeiramente relevante em termos de poder neste mundo. — a sinceridade dela era ofensiva.
— Eu o fiz assim. — ele admitiu, inexpressivo.
— Sim, sim… a questão é: qual o motivo de Annchir e seu mestre estarem interessados em nossa ruína?
— Você fala como se seu irmão não se achasse no direito de vingança. — o elfo foi maldoso.
— De qualquer forma, ele não teria o apoio de um exército de Orcs por um motivo sentimentalista como vingança familiar. Então, qual seria o propósito? — Luna o fitava como se ele fosse débil demais para compreender o que ela estava dizendo. — Pense! Lothlórien é um dos reinos élficos mais poderosos da Terra Média, governada pelos senhores Celeborn e Galadriel, uns dos últimos e grandes inimigos da escuridão deixada pelo Primeiro Senhor do Escuro. — ela dizia tudo no exato momento em que sua mente processava cada ponto. — Nem mesmo Gondor, com todo seu poder e glória, resistiu ao declínio vindo com o passar do tempo. — a elfa se aproximou para tentar fazê-lo entender. — Lothlórien pode não ser o maior problema de Sauron, mas senhora Galadriel mantém seus olhos sobre o mal, percebendo seus propósitos e sempre lutando contra seu progresso, por isso seu reino é o mais odiado pelo Inimigo. E ele faz fronteira com a Floresta das Trevas.
— É um bom palpite, admito, mas consigo encontrar várias falhas nele. — Thranduil retrucou e então desviou-se dela, continuando seu caminho tranquilamente.
— Falhas? — ela questionou quando voltou a andar a seu lado.
— Ele não arriscaria seus Orcs em nosso território, Luna. Não se esqueça de que nosso exército é fervoroso e jamais se daria por vencido, o que poderia ocasionar em uma derrota para Annchir. Logo os rumores da batalha chegariam aos ouvidos de Celeborn, na própria Lothlórien, e aos de Elrond em Valfenda. E, me atrevo a dizer, até aos de Dáin. — ele exclamava convicto de suas palavras. — Os reinos estariam em alerta e os exércitos de prontidão, caso algum aliado necessitasse. — Thranduil franziu o cenho. — Me ofende ao superestimar a inteligência de seu irmão e relacionar fraqueza às nossas defesas.
— Estou apenas sendo sensata! — ela se defendeu e continuou a insistir. — Mas, mesmo que meu senhor tenha completa razão, vamos supor que os soldados falhem em proteger o reino… — foi interrompida.
— Isto não vai acontecer, Luna! — o rei foi impassível e seu tom de voz levemente ríspido.
— Mas, e se acontecesse? Se ele dominasse nossas terras e se concluísse esse possível plano, o que isto representaria para Lothlórien?
— Levando em consideração o fato de não sermos oficialmente aliados, seu repentino interesse por este reino me intriga.
— Caso minha suposição tenha fundamento, isto também envolve a Floresta das Trevas. — a elfa explanou. — A fronteira entre os dois reinos torna ambos parcialmente indefesos, já que nenhum dos dois lados espera algum tipo de ataque, não na divisa dos territórios.
— Pertinente. — Thranduil se limitou a dizer.
— Nosso reino, apesar de forte, não é significativo. — ela recebeu um olhar de reprovação, mas o ignorou. — Porém, a queda de Lothlórien teria um grande impacto e alastraria o medo entre os reinos da Terra Média. Destruiria por completo os alicerces que com tanto esforço foram construídos desde a Batalha da Última Aliança, e o senhor sabe que é muito mais fácil ganhar uma guerra quando o inimigo está amedrontado. Um retorno triunfal, não acha?
Thranduil respirou fundo, ainda com os olhos fixos no caminho à sua frente.
— Vamos ver se eu compreendi… — ele fez uma pausa. — está dizendo que se Annchir e seu exército dominassem nosso reino, ele teria como invadir o de Celeborn inesperadamente? E, caso também tivesse algum êxito nisso, isto alastraria o medo e encurvaria os povos pelo retorno de Sauron? — Luna assentiu. — Tem ideia de como soa desesperador a parte em que seu irmão pensa que pode derrotar não apenas um, mas dois exércitos élficos? E como o ataque seria inesperado se os reinos são vizinhos? Tudo deveria ser feito cuidadosamente, e nós estamos falando de um exército de Orcs. — Thranduil riu sarcasticamente. — É tolice!
— Eu não lembro de ter dito o contrário. — Luna retrucou. — Mas não espere que meu irmão tenha pensado nisso ao arquitetar seu plano. Annchir é muito bom em criar e avaliar ideias, por isso é um excelente estrategista, mas suas habilidades sempre falham quando ele se superestima. — ela deu de ombros, frustrada. — Foi apenas um pensamento. Errada ou não, seria impossível deixar de tentar encontrar uma explicação para tudo isso.
Ele a fitou de esguelha, ergueu o queixo e exibiu seu porte altivo.
— Agoreg vae. — se limitou a dizer ao sorrir minimamente.
Thranduil jamais lhe dirigira qualquer elogio relacionado às suas tarefas com o reino, e aquilo mostrou que finalmente encontravam algum tipo de paz — pelo menos enquanto se limitassem a assuntos do reino ou derivados. Aquela era a zona segura deles, e Luna apreciou aquele momento.
Toda a atmosfera entre os dois se desfez quando ambos escutaram um movimento entre as árvores. Thranduil e Luna cessaram seus passos e ficaram atentos no mesmo instante, mas baixaram a guarda após perceberem do que se tratava.
— HÎR VUIN! — os soldados exclamavam, um a um, enquanto desciam das árvores. Outros cortavam caminho entre as folhas e entre os troncos enormes, atraídos pelas vozes de seus companheiros. Logo, todos os guardas da fronteira norte estavam ali, curvados diante de seu soberano e sua chefe da guarda.
Luna sorriu ao vê-los outra vez, reconhecendo vários rostos de seus dias como guardiã das fronteiras. Os olhos de Thranduil se fixaram nela, observando sua explícita felicidade, mas logo se voltaram para os soldados à sua frente.
— Levantem-se. — ordenou com cordialidade e um dos elfos se aproximou.
— Vossa Majestade, todos estamos emocionados e agraciados pelo seu retorno e o de minha senhora — ele dirigiu um breve olhar para Luna. — mas, devemos levá-los até o palácio imediatamente. Mithrandir, o Mago Cinzento, está em nosso reino. Ele e capitão Elenor logo partirão para Erebor, no intuito de pedir ajuda aos anões para resgatá-los.
Thranduil e Luna se entreolharam.
— Vocês estão a pé? — ela indagou.
— Não, minha dama, temos algumas montarias no último posto antes do limite da fronteira.
— Eu sei onde fica. — Luna exclamou e o soldado os deu passagem. Ela e Thranduil tomaram a direção do local mencionado e alguns guardas os seguiram no mesmo instante.
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