I See You
12 Capítulo 12
Notas iniciais
— Minha senhora, há sempre um motivo para discordância. — Lúthian dizia calmamente. — Mesmo que uma guarda seja mantida nas principais ruas da cidade os becos são inacessíveis a nós, elfos, pois há uma grande concentração dos que exercem um tipo de autoridade sobre Valle. Muitos desses homens são agressivos, grotescos e só respondem as suas próprias concupiscências.
— Lúthian tem razão, esses homens falam apenas a língua do desacordo e se recusam a nos escutar. A ordem de que não deveríamos feri-los foi bem clara, mas esse grupo tem potencial duvidoso e pode ser de grande perigo para o resto dos habitantes. — Argon ressaltou.
Luna fitou seus dois conselheiros com atenção.
— Entendo o que querem dizer, mas ainda é cedo demais para decisões drásticas. — ela cruzou os braços. — Chegamos aqui com o intuito de promovermos a paz e segurança. A minha primeira decisão não será a de aniquilar estes homens, por mais potencialmente perigosos que eles possam ser. — finalizou enquanto fitava o lado de fora da janela de um dos quartos, este que fora designado como sala de reuniões na hospedaria cedida aos elfos.
— Então, nossa única saída seria nos aliar a um homem que tenha algum tipo de crédito entre o povo. Isso nos ajudaria a ganhar a confiança dos habitantes e, aos poucos, fazer com que estes malfeitores percam seu poder de persuasão. — Argon sugeriu pensativo.
— Se considera esta opção suponho que já tenha alguém em mente. — Luna fitou seu conselheiro com curiosidade e viu a resposta em seus olhos castanhos. — Tem?
.o0o.
— Não há muito que eu possa fazer, Tilda. — Sigrid dizia ao mesmo tempo em que fitava cuidadosamente a pequena boneca de pano em suas mãos. — Você não deveria tê-la emprestado a Nira!
— O que Tilda não deveria ter emprestado a Nira? — indagou o arqueiro ao adentrar a cozinha inesperadamente. De imediato, a mais velha escondeu a pequena boneca atrás das costas enquanto fitava de esguelha a menor a seu lado.
Bard as fitou minuciosamente e então cruzou o recinto, se aproximando e se pondo em frente às suas filhas. Ele ergueu a mão na direção da mais velha, em um pedido mudo que Sigrid lhe desse o que escondia atrás das costas.
— Pai… — ela tentou argumentar.
Ele apenas permaneceu naquela mesma posição, irredutível. Sigrid fitou a irmã e meneou a cabeça, na tentativa de se desculpar pelo que faria. Ela moveu o braço e assim revelou a pequena boneca, colocando-a cuidadosamente na mão erguida de seu pai.
O arqueiro analisou o brinquedo com o semblante sério e depois voltou seu olhar para as meninas. Ele se pôs em frente a menor e se curvou até sua altura, vendo Tilda fitá-lo com a face entristecida.
— Desculpe, papai! — disse cabisbaixa.
Bard sorriu gentilmente, segurando e erguendo o queixo de sua filha caçula com sua mão livre.
— Tudo bem, querida… — respondeu para tranquilizá-la. — apenas quero que me conte da próxima vez que algo acontecer, sim? Por mais insignificante que seja, eu vou sempre ajudá-la! — ele retornou o olhar para a boneca de pano. — Vou pedir para uma das costureiras daqui consertá-la, tome mais cuidado com suas coisas.
Uma batida firme foi ouvida na porta e o som ecoou por toda a casa. O arqueiro se ergueu no mesmo instante, intrigado.
— Quem será? — Sigrid indagou com curiosidade. Ela fez menção em seguir para a porta, mas foi barrada por uma das mãos de seu pai.
— Fiquem aqui. — ele ordenou ao lhe entregar a boneca e assim foi de encontro à entrada.
Bard saiu da cozinha e caminhou por um pequeno corredor, um tanto escurecido pela pouca luz, e logo chegou a seu destino. Ele abriu a porta com brusquidão e se deparou com o que menos esperava encontrar ali; elfos.
Um deles se aproximou e o saudou:
— Bard, o Matador do Dragão.
— Não respondo por esse título. — retrucou em tom de desconfiança ao fitar o elfo minuciosamente. — Quem são vocês e o que querem comigo?
Um cavalo se aproximou e chamou a atenção do arqueiro, fazendo sua expressão antes rígida se suavizar.
— Você não disse que o humano era arisco, Argon. — a dama se dirigiu a um dos seus. Ela desceu de sua montaria e, calmamente, se aproximou do elfo em frente a casa de Bard. — Temos algo a tratar, poderia nos disponibilizar parte do seu tempo?
Os olhos castanhos do arqueiro a fitaram de uma maneira profunda, em análise.
— E qual seria a questão?
— Vai saber se nos deixar entrar. — ela o respondeu educadamente.
Ambos se fitaram por longos minutos e, pelo olhar que recebia, Bard sabia que ela não desistiria. Ele suspirou e acabou dando passagem para que entrassem.
— Somente vocês dois. — se referiu a dama e ao elfo a seu lado. O arqueiro fechou a porta assim que eles adentraram, mas não sem antes enviar um olhar de desconfiança para os que permaneceriam do lado de fora.
Sigrid e Tilda observavam os visitantes escondidas, porém, no momento em que Bard percebeu o que faziam as meninas imediatamente sumiram de vista.
— Por aqui. — ele disse enquanto os guiava pelo curto corredor. O arqueiro abriu a segunda porta à sua direita, revelando um recinto modesto.
Haviam poucos assentos e todos eram extremamente simples. Uma mesinha estava posta perto da única janela do lugar e tinha sobre si um jarro de flores que davam um ar mais leve ao ambiente. Três lanças estavam suspensas em uma das paredes, presas por ganchos de metal, e, em um dos cantos, uma estante não muito grande e com aparência antiga estava posta. A mesma era repleta de livros de todos os tamanhos e de todas as cores.
Tudo era de uma simplicidade extrema que refletia nos olhos azulados da elfa, que fitava o lugar com admiração.
— Peço desculpas, minha casa não pode ser comparada aos palácios élficos. — exclamou o antigo barqueiro ao cruzar os braços e se colocar próximo à janela.
— Não se desculpe, não há motivos. — ela disse ao assumir um ar de cordialidade. — Acho que não fomos devidamente apresentados. – o fitou com seus olhos fixos e profundos. — Me chamo Luna, chefe da guarda real do reino da Floresta das Trevas. Este é Lúthian, meu conselheiro.
— Bard, somente Bard. — a respondeu antes de baixar os olhos.
As íris azuladas de Luna o fascinavam ao mesmo tempo em que o intimidavam. Eram tão belas quanto as pedras preciosas dos grandes salões do rei anão. Cintilantes e vistosas, profundas e misteriosas.
— Viemos em busca de um acordo. — pronunciou-se Lúthian, objetivo.
— Acordo? — o arqueiro repetiu em confusão.
— Pelos grandes acontecimentos do passado você tem autoridade entre o povo, um certo tipo de influência. Ajude-nos a acalmar os ânimos e a descobrir como vencer os rebeldes sem atos grotescos de violência. — Luna tomou a palavra. — Se nos auxiliar talvez tenhamos uma melhor recepção e sejamos mais bem-vistos pela população. Valle voltaria a ser um lugar repleto de paz.
Bard ergueu uma das sobrancelhas e a observou com os lábios entreabertos.
— O quê?
— O daremos qualquer coisa que pedir como recompensa por sua ajuda. — a elfa completou, mantendo a firmeza. Ela não desistiria facilmente.
— Estão me comprando?
— Estamos pedindo o seu apoio. — Luna explanou. — Viemos para conter conflitos e não para criar. Estou ciente da desaprovação de nossa presença por parte da população, mesmo que estejamos aqui por motivos benéficos.
— A natureza humana é incompreensível. — Lúthian se pronunciou indiferentemente.
Bard balançou a cabeça em negativo, na tentativa de organizar o turbilhão de pensamentos que vagavam por sua cabeça.
— Vocês compreendem o que a minha afiliação aos elfos poderia causar a mim e a minha família? — ele questionou enquanto gesticulava com as mãos. — No meio desses homens existem pessoas boas, pessoas que realmente querem que Valle volte a seu esplendor de outrora. Assim como existem pessoas que eu simplesmente ignoro por suas atitudes condenáveis.
— Está com medo, arqueiro?
— Lúthian. — Luna o repreendeu e logo um silêncio se instalou no ambiente.
A elfa tinha conhecimento do desafeto de seu conselheiro pelos homens. Ele os considerava fracos e mesquinhos durante sua curta existência, mas, por detrás de todo desprezo, ele os invejava. Os homens eram limitados por anos, e após cumprirem sua sina partiam para descansar do peso da vida em lugares que eram desconhecidos até mesmo pelos Valar.
Somente O Único tinha ciência de seu futuro, somente Ele sabia o que viria a seguir. Porém, o destino dos elfos era distinto. Enquanto a terra existisse os Primogênitos permaneceriam.
Eles não conheciam a morte como os homens. O tempo e o cansaço não os venciam, a velhice não vinha a seu encontro e a força e sabedoria eram seus estandartes. Assim viviam, vendo as Eras passarem diante de seus olhos. Contudo, aos mortais os anos avançados sempre chegavam e assim os mesmos davam seu suspiro final, libertando o último resquício de vida ao vento, este que se misturaria a brisa da manhã.
Cansado dos longos anos de sua existência e com medo das mãos cruéis e violentas do inimigo, Lúthian invejava a partida pacífica da vida humana pelos anos de seu envelhecimento. Invejava o abraço calmo e sereno da morte, como uma velha amiga.
— Eu tenho filhos e aqueles homens são vingativos. Isso, elfo, não é medo. É cuidado. — o arqueiro cuspiu as palavras. — Medo é dizer o que quer por saber que alguém irá livrá-lo. Você está em minha casa, então sugiro que meça suas palavras.
Um silêncio devastador reinou no local enquanto Lúthian e Bard se enfrentavam em uma batalha de olhares.
Luna suspirou.
— Me espere lá fora. — ela ordenou ao conselheiro, que não fez menção em escutá-la. — Lúthian, vá! — disse com mais veemência.
O elfo nada respondeu, apenas respirou fundo e deu as costas ao arqueiro. Ele se voltou para sua senhora, fez uma leve reverência com a cabeça e se retirou. Os dois ouviram seus passos ecoarem pelo corredor, assim como ouviram a porta principal ser aberta e depois fechada.
Luna fixou seus olhos na figura de Bard e ele a deu as costas, passando a observar o lado de fora da janela.
— Henio, aníron, boe ammen i dulu lîn… — ela disse quase em um sussurro.
O homem suspirou, envergonhado.
— Não entendo a língua dos elfos. — a presença de Luna preenchia o local de um modo diferente. Seu perfume suave dançava pelo recinto e o inebriava.
— Entenda, por favor, nós precisamos da sua ajuda… — ela explanou gentilmente.
Ele se voltou e a fitou levemente irritado.
— Existem homens de valor em Valle, homens que mesmo não tendo matado um dragão são tão valentes e honrados quanto. — Bard endureceu a expressão. — Não, vocês não precisam da minha ajuda.
— Você não entende.
— Não, é você quem não entende. — ele retrucou.
O arqueiro se sentia perfurado pelo modo que ela o observava, seus lábios estavam entreabertos e suas bochechas levemente avermelhadas. Luna estava irrefutavelmente contrariada com sua recusa.
— Tudo bem. — ela assentiu e desviou o olhar para um ponto qualquer no recinto. — Se esta é a sua decisão eu não posso forçá-lo. — a elfa caminhou em direção à porta, mas, antes de se retirar o fitou por cima dos ombros. — São as nossas escolhas, mais do que as nossas capacidades, que mostram quem realmente somos. — disse e saiu.
Bard ainda pôde ouvir o som da porta de entrada bater fortemente, assim como ouviu o grupo de soldados se retirar da frente de sua casa e partir para outro ponto da cidade. O antigo barqueiro praguejou contra si mesmo, mas o que poderia fazer? Seus filhos eram seu mundo, e de forma alguma ele os colocaria em perigo.
Bain adentrou o recinto com uma expressão de irritação e revolta.
— Algum problema? — o mais velho indagou confuso. — Pensei que estivesse nos campos.
— O senhor fez de novo, não fez? Fugiu, outra vez.
— Do que está falando?
— Eu os vi em frente a nossa casa, e eles estavam conversando entre si. Ouvi quando a elfa disse que não aceitou ajudá-los.
Bard revirou os olhos.
— Quando tiver uma família para cuidar você vai me entender. — ele disse ao caminhar para a saída, mas se surpreendeu ao ver seu filho barrar sua passagem.
— O senhor disse a mesma coisa quando deveria ter tomando o seu lugar como Senhor de Valle, essa é sempre a sua desculpa. Sempre as mesmas palavras. — Bard dirigiu seus olhos para o chão, contendo-se. — Eu sei que tudo o que quer é proteger a mim, Sigrid e Tilda, mas não pode nos usar como desculpa para não lutar. Para não se tornar aquilo que nasceu para ser!
— Isto vai muito além da sua compreensão, meu filho! — o arqueiro exclamou.
— Retaliação? É isso? — Bain indagou retoricamente. — Essas pessoas o seguirão, pai. Não tenha medo!
— Esses homens são perigosos. — as feições do mais velho se contraíram pela angustia. — Se ao menos as consequências das minhas escolhas caíssem sobre a minha cabeça… não, não será em mim em quem eles descontarão sua fúria. Os elfos podem cuidar disso.
— E quando eles forem embora? — Bain persistia. — E se nem mesmo conseguirem resolver o problema? Esses bárbaros, com certeza, controlarão a cidade a seu bel prazer. Valle se transformará em uma sombra esquecida e amaldiçoada. Primeiro pela destruição do dragão e depois pela cobiça e impureza dos homens. O perigo nos atingirá de qualquer maneira e talvez em escala maior! — para aquilo Bard não pôde encontrar resposta. — O senhor sabe que eu estou certo, não sabe, pai?
O antigo barqueiro desviou seu olhar para o chão, inevitavelmente ponderativo.
— Perdoe-me… — ele descansou uma das mãos sobre o ombro do filho. — não estou dando um bom exemplo para você.
Bain sorriu minimamente.
— É o melhor exemplo que eu poderia ter! — o garoto o respondeu. — Ajude os elfos, pai. E quando tudo estiver em seu devido lugar, faça o que tem de fazer. Assuma o seu posto como Senhor de Valle e mantenha a paz.
Bard não o deu resposta, mas seu peito transbordava de orgulho pela coragem de seu filho.
— Vejo que anseia em me ver como líder da cidade… — ele iniciou enquanto forçava uma expressão séria. — não está fazendo isso com o intuito de se exibir para as filhas dos mercadores, está?
Bain riu alto.
— Para falar a verdade, isso seria de grande ajuda. — o arqueiro revirou os olhos e sorriu. Ele bateu em um dos ombros do filho, suspirou e então caminhou para a saída. — Aonde o senhor vai?
— Resolver algo importante.
.o0o.
— Então, o que faremos agora? O povo está visivelmente insatisfeito com nossa presença aqui e seus corações se inclinam para aqueles que provocam a discórdia. — Lúthian exclamou ao se sentar sobre uma cadeira como se estivesse esgotado.
— O que ele diz é verdade, minha senhora, uma verdade incontestável. Ontem, após a partida de nosso rei, fui informado de que alguns dos nossos soldados foram atacados por um pequeno grupo de homens armados com pedaços de metal e cacos de vidro. — Argon mantinha seus olhos fixos em Luna enquanto falava. — O grupo foi facilmente contido e os homens fugiram como ratos. Entretanto, a facilidade de refreamento não desqualifica o fato de que esses rebeldes indignos estão dispostos a tudo.
— Mortais… — debochou o outro elfo.
— Lúthian. — Luna o repreendeu. — Não podemos desistir. Eles sabem que não revidaremos com violência e usarão isso contra nós. Devemos ser prudentes.
— Prudência não resolve problemas. — Argon comentou.
— Mas é um dos fatores necessários. — respondeu uma voz vinda da entrada. A elfa se voltou e seus olhos caíram sobre a figura do arqueiro, este que a fitava profundamente. — Desculpe a demora, precisei descobrir onde encontrá-la.
— Fico feliz que tenha mudado de ideia. — ela tinha um sorriso mínimo em seus lábios.
Bard sentiu-se pequeno diante da áurea que emanava dos três elfos ali presentes, pois era intimidante saber que ele não passava de uma criança para eles. Mas, o olhar gentil e receptivo de Luna tranquilizou seu coração, e foi na direção dela que o arqueiro caminhou.
— É impossível progredir sem mudanças, e aqueles que não mudam suas mentes não podem mudar nada. — Bard exclamou e os olhos azulados da elfa o fitaram com uma surpresa contida. — É a coisa certa a se fazer.
Lúthian e Argon se entreolharam.
— Bem… — Luna iniciou enquanto se afastava e passava a caminhar calmamente pelo recinto. — nosso problema agora é como ganhar a confiança do povo e, ao mesmo tempo, em como lidar com os rebeldes e seus ataques a nossos soldados.
— O caso é que somos obrigados a sentar enquanto nossos guerreiros lidam com esses homens grotescos com o risco de serem feridos, mas não podendo ferir. A balança está absurdamente desequilibrada e nós não podemos fazer nada. Que bela missão nos foi concedida… — murmurou Lúthian em tom sarcástico.
— A linha tênue entre elfos e homens será completamente destruída se vocês revidarem. Os rebeldes fariam disso um discurso ao povo e todos nós sabemos como terminaria. — Bard comentou.
— Como se permitem serem influenciados por esses homens? — Argon estava abismado. — Mesmo conhecendo a laia a qual esses mortais pertencem, a população de Valle parece respeitá-los como nós elfos aos Valar…
— Não é respeito, é medo.
— E a você? — Luna se dirigiu ao arqueiro. — Eles o temem ou o respeitam?
O mesmo pareceu ponderar um instante antes de responder:
— Tudo o que sempre desejei foi o bem de todos. Nada de poder ou hierarquia. Somos todos livres e senhores de nós mesmos. — ele fez uma pausa. — Com este tipo de pensamento, me diga você, eles me temem ou me respeitam?
A elfa apenas assentiu antes de sorrir minimamente. As exclamações sábias e inesperadas de Bard a impressionavam cada vez mais, chamando sua atenção.
— E o que faremos? — intrometeu-se Argon.
— Mantenham os soldados em seus postos e mostrem-se irredutíveis. Amanhã a noite é lua cheia e nessa ocasião uma grande festa é feita na cidade. — o arqueiro dizia e todos se mantinham atentos as suas recomendações. — Será uma boa oportunidade para falar com os líderes das principais famílias de Valle.
— E o povo? — Luna indagou.
— A grande maioria tem a mente fraca. Devemos ir por partes. — ele aconselhou.
Ela assentiu em concordância.
— Ótimo, o acompanharei nesta conversa. Quero deixar claro o motivo de nossa presença na cidade e de que a falta de confiança em nosso povo é definitivamente desnecessária.
— Está disposta a enfrentá-los? — Luna fitou o antigo barqueiro e assumiu uma expressão de indiferença.
— E por que deveria temê-los? — a elfa retrucou com altivez. — Já escurece, vou voltar para a montanha. Mandem um emissário caso necessitem da minha presença. — deu as costas a todos e se retirou do recinto.
Bard fitou os elfos com um olhar confuso. Ele disse algo errado?
— Ela é sempre assim?
Lúthian apenas o ignorou e passou a observar o mapa da cidade em cima da mesa central.
— Ultimamente. — foi Argon quem o respondeu. — O irmão de minha senhora partiu de nosso reino faz pouco tempo e não se sabe para onde. Ela o amava profundamente e o triste acontecimento mudou seu coração. — após terminar sua fala o elfo se pôs ao lado do companheiro e também passou a estudar toda a geografia de Valle, deixando o homem se afundar em seus pensamentos.
Luna…
O nome ecoou como um sussurro em sua mente. Ela era diferente dos elfos que ele havia conhecido, algo em seu olhar era distinto. E agora que a conhecia, ao menos parcialmente, ela o intrigara ainda mais. Bard riu de si mesmo, sentindo-se um completo tolo. Luna era uma elfa e ele apenas um homem.
Após balançar a cabeça negativamente, o arqueiro tratou de apagar tais pensamentos e se aproximou dos dois elfos. Ele resolveu que ocuparia sua mente e se esqueceria de Luna.
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