I See Fire
19 Capítulo final
Notas iniciais
O que eu senti no meu coração quando Killian Jones me olhou, sorriu e fechou os olhos para dormir, ficará para sempre guardado em mim. A sensação de adormecer com os nossos corpos nus misturados, entrelaçados, unidos, também ficará para mim.
Era muito mais que felicidade.
1 mês depois
– Parabéns garotona!
O susto que eu apanhei foi tão intenso que o meu corpo ficou a tremer. Henry aparecera do nada a correr pela cozinha, onde eu tomava um café perdida em pensamentos.
– Obrigado meu amor! – subiu para o meu colo e me abraçou.
Pois é. Esse era o meu 29º aniversário. Estava a ficar velha e acabada. Os anos iam passando à velocidade da luz e era olhando para Henry que eu me apercebia disso. Não tinha feito coisas memoráveis em 29 anos, mas tinha criado um pequeno grande homem.
Era provavelmente o primeiro aniversário em que a minha vida estava realmente calma, assente e encaminhada. Storybrook era a melhor definição de “lar” que eu alguma vez tivera, o meu garoto estava feliz e por consequência, eu também.
E depois ainda tinha Killian Jones. O homem que me fazia um bem danado e que não pediu licença para entrar e se colocar à vontade no meu coração.
Depois daquela noite, as coisas entre nós ficaram mais… frequentes. Os jantares em casa eram normais, as tardes passadas com Henry, as suas visitas à lanchonete, as noites juntos… Aliás, ele acabara de sair para o seu novo trabalho na garagem de Grumpy. O seu jeito de me dar os parabéns foi tão… intenso na noite passada que dormimos juntos e agarrados. A verdade era que a cada vez que estávamos juntos, eu ficava a deseja-lo mais e mais.
Por outro lado, Henry adorava a ideia de ter Killian perto por tanto tempo. A relação entre os dois era especial e emocionante para mim. Sabia que era um risco introduzir uma figura masculina na nossa vida de mãe e filho, mas tinha a certeza que Killian seria um bom exemplo.
Eu estava finalmente ganhando uma breve ideia sobre ter uma família completa. E isso fez daquele aniversário foi um dos melhores da minha vida.
Apesar de Granny insistir em me dar o dia de folga, fui trabalhar de tarde. Henry estava na escola e Killian no trabalho. Na lanchonete eu podia pelo menos estar com Mary e Regina. As três gritaram tão alto quando me viram que eu acho que nunca superarei o trauma auditivo.
– E aqui está o seu presente! – Regina colocou uma caixa de presente no meu colo.
Olhei as duas, pelo sorriso que tinham, não seria nada muito educativo. Abri lentamente, me assegurando que ninguém olhava a mesa onde estávamos. Olhei o que tinha dentro e bem, consegui me surpreender.
Umas algemas. A lingeria mais rendada, transparente e curta que eu alguma vez vira na vida. Mais alguns brinquedos sexuais que eu não pude tirar da caixa. Senti as bochechas imediatamente quentes.
– Tcharam! – Mary bateu palmas, entusiasmada.
– Nós só queremos que tenha uma vida saudável, alegre e quente! – Regina.
– E tenho a certeza que Killian vai achar os presentes muito interessantes! – Mary.
– E que logo à noite… vai rolar festa! – Regina.
– Henry fica na minha casa! – Mary.
Gargalhei, abanando a cabeça. As duas eram completamente loucas. Malucas! Mas devo confessar que Killian iria realmente gostar dos presentes. A nossa vida sexual sem essas coisas já era muito… inovadora.
As duas doidas continuaram com a conversa dos presentes e eu acabei com dor nas bochechas de rir. Era incrível ter amigas assim. Só pedia a Deus que nada as separasse de mim, nunca.
O dia foi passando. As minhas bochechas não pararam de doer porque cada pessoa que entrava no Granny’s ficava a saber que era o meu aniversário: minha querida patroa fazia questão de informar todo mundo. Eu morria de vergonha mas me sentia muito acarinhada e feliz, uma autêntica estrela de Hollywood.
Porém, assim que se aproximou a hora do jantar comecei a perceber que se passava uma coisa muito estranha. Henry não apareceu na lanchonete. Por aquelas horas ele já devia ter saído da escola e ido ter comigo, pular no meu colo e voltar a me dar os parabéns. Mas não.
Killian também não aparecera a tarde inteira, nem para uma dose de rum. Provavelmente estavam juntos. Ou então não. Alguma coisa podia ter acontecido. Olhei o relógio, 20h. A lanchonete estava praticamente vazia, Granny limpava umas mesas apressada por alguma coisa.
– Emma porque hoje não fechámos mais cedo? – perguntou se aproximando.
– É boa ideia. Até porque estou preocupada com Henry.
– Então vamos fechar! – respondeu baixinho, talvez com demasiada animação.
Estava apenas um homem lendo um jornal. Tinha um café na mesa e nada mais. Granny foi até à sua mesa, pegou o café e disse alguma coisa que eu não ouvi. O senhor sorriu e rapidamente saiu.
A minha patroa fechou as portas e veio até mim.
– Mas porque está preocupada com Henry, querida?
Havia qualquer coisa no seu tom de voz que soava estranho. Talvez fosse o cansaço.
– Não sei. Ele provavelmente está com Killian em casa preparando o jantar. – tirei o meu avental. – Eu achei que ele fosse passar por aqui depois da escola. De qualquer jeito, quero ter certeza que ele está bem.
– Claro! Vamos, vamos.
Rapidamente fizemos as contas do dia e saímos.
– Então até amanhã! Obrigado por hoje. – fui me despedindo.
– Não, não, eu preciso ir comprar umas coisas numa loja perto de tua casa. Será que pode me levar querida?
Estranho.
– Claro.
Entrámos no carro e assim que Granny fechou a sua porta, riu sozinha.
Muito estranho.
Tudo parecia muito esquisito. Mas eu esqueci essa ideia e conduzi até casa. Nem 5 minutos de distância era e rapidamente chegamos e saímos do carro.
– Obrigada pela carona, querida. Até depois!
Quando eu me virei para ir me despedir dela, já a encontrei do outro lado da rua, se afastando. Será que a idade estava levando a melhor dela?!
Abanei a cabeça e fui até minha porta. Tudo estava muito silencioso e eu começava a ficar cada segundo mais preocupada. Será que tinha realmente acontecido alguma coisa?
E quando eu abri a porta, tive a sensação de que o meu coração caiu para os meus pés e voltou a subir.
– SURPRESA!!!
E esse foi o momento da minha vida em que eu quase morri de susto.
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Todo mundo estava lá: Henry, Killian, Granny que tinha ido a uma loja comprar o meu bolo de aniversário, Mary, Regina, David, Robin, pessoas mais próximas que eu conheci no Granny’s e Graham, que me abraçou apertado quando me aproximei. Todo mundo estava lá.
Não esperava uma festa surpresa. Tinha pensado nisso uns dias antes mas nunca suspeitara de nada. Nem mesmo com as maluqueiras de Granny e o desaparecimento de Henry e Killian. Claro que os dois tinham montado tudo. Os sorrisos de ambos foram a primeira coisa que eu vi depois de gritarem “surpresa”. E vi tanta felicidade, ternura, carinho, amor… tudo tão genuíno e real. É óbvio que mais tarde os dois se gabaram por demais do que fizeram, mas eu fui a culpada pela quantidade de elogios que dei.
Foi o presente mais especial que eu podia receber. Todo mundo que eu amava e estimava ali, comigo. Foi a primeira vez que eu tive tanta gente para cantar o “parabéns a você”. Foi incrível e certamente algo que eu não esquecerei nem depois de morrer.
Os abraços que recebi, os sorrisos que vislumbrei, as palavras carinhosas, o calor no peito que eu senti… foi como um sonho que eu sonhava quando era adolescente.
A casa estava toda enfeitada, com balões, fachas, cores e desenhos. A mesa cheia das coisas que eu mais gostava de comer, Henry tinha se esmerado nesse ponto. A música que passava era animada e festiva, ninguém estava parado. Acho que nunca troquei tanto de par numa só música.
Mas houve um momento. Um momento em que eu me senti mais especial do que qualquer pessoa no mundo. Começou a rodar uma música que eu adorava: Human de Christina Perri. Todo mundo parou de dançar e só me apercebi de que algo estava realmente acontecendo quando se formou um corredor e as pessoas foram me empurrando para eu chegar à frente. Henry estava com um microfone na mão, me encarando. Killian estava a seu lado, com um sorriso enorme.
– Mãe eu espero que gostes da festa. – Henry falou. – Quero dizer que eu te amo muito, muito, muito e que quero muito, muito, muito que sejas feliz. – Killian se abaixou à sua altura e sussurrou qualquer coisa no ouvido. – E obrigado por seres a melhor mãe do mundo!
Preciso mesmo dizer que podia literalmente lavar o rosto todo com as lágrimas? O meu coração batia tão rápido e forte que eu me senti muito frágil. Não estava preparada para ouvir aquilo. Henry correu para os meus braços e o abracei tão forte quando podia. Amava aquele pequeno homem mais do que a mim própria.
Ainda apertava o meu pequeno homem quando ouvi um pigarrear alto. Levantei a cabeça e vi Killian com o microfone, me olhando fixamente. Oh. Merda. Isso não podia ser bom para a minha sanidade e para o meu canal lacrimal.
Uma outra música começou a tocar: I See Fire – Ed Sheeran https://www.youtube.com/watch?v=2fngvQS_PmQ (por favor oiçam, fica tudo muito mais lindo!)
– Emma Swan. – a risada que saiu dos seus lábios entoou pela sala. – Sempre houve um fogo dentro de nós os dois, não foi? A nossa história é tão nossa que eu não conseguiria explicar por palavras. Mas não sou um homem de dizer o que sinto, prefiro manter para mim. Você sabe disso.
A visão de Killian Jones se aproximando de mim e se ajoelhando, quase me causou um ataque cardíaco.
– Porém não vou deixar passar essa oportunidade para admitir que… — pegou a minha mão. Eu ia desmaiar. Ele não ia fazer aquilo! – O seu rum é o melhor que alguma vez alguém me serviu.
Apesar da gargalhada alta que saiu da minha boca e da de todo mundo que assistia, os meus olhos se encheram ainda mais de lágrimas. Idiota!
– Acho que você escolheu algum feitiço e colocou dentro.
Voltei a rir. Conhecia Killian bem o suficiente para entender as entrelinhas das suas palavras e sabia que fazer aquilo não devia ser muito fácil para ele.
– Não vou te pedir em casamento mas… — beijou a minha mão. – Enquanto o efeito desse rum durar, eu prometo que vou fazer de ti, Emma Swan, a mulher mais adorada e estimada desse mundo e do outro.
E pronto, as lágrimas rolaram pelo meu rosto novamente. As pessoas em nossa volta fizeram um “awww” que eu mal ouvi. Estava tão focada numa imensidão de azul que nada parecia existir. Era um sentimento tão forte e arrebatador que eu não conseguia pensar em mais nada.
– E se por acaso o efeito do rum algum dia estiver a acabar eu te peço um feitiço igual, e dessa vez que seja eterno. Você sabe, loiras em um vestido vermelho fazem totalmente o meu género.
Como era possível esse sujeito me fazer chorar e rir ao mesmo tempo?
Filho da mãe!
Bastardo.
Idiota…
– Parabéns, love. E obrigada por ter me enfeitiçado, a minha vida ficou muito melhor.
Quando dei por mim Killian estava já à minha altura, me beijando. Limpou as lágrimas do meu rosto e depois me abraçou mais forte do que qualquer outra vez. Acho que alguém batia palmas, mas pareciam tão distantes.
Eu estava tão perdida em Killian, em mim, em nós os dois, que nada parecia existir ao nosso redor. Aquele homem… aquele homem me amava. Do seu jeito tão próprio e único, mas amava. E eu… amava aquele homem. Mais do que algum dia amara qualquer outro.
Ele tinha razão: sempre existira um fogo dentro de nós os dois. Sempre. Desde que o perseguira por noites e noites dentro. Desde que dizia a mim mesma que a coisa mais forte que sentia por ele era o desejo de o ver na cadeia. Desde que o seu olhar azul cruzara a primeira vez com os meus.
Era um tipo de fogo que eu nunca sentira por ninguém. Um desejo, algo inexplicável. E agora eu me sentia feliz por não ter resistido. Por ter jogado o seu jogo e me rendido aos seus braços. Por ter me permitido perdoar, lutar e amar.
Killian era o homem para mim. Enchia as minhas medidas, o meu coração, o meu tudo. Killian completava a minha família. Ele era família. Um porto seguro para eu e Henry abarcarmos. Um pai para o meu filho. Era algo que eu nunca pensara vir a ter. Aliás, tudo o que estava ali era algo que eu nunca pensava vir a ter. Uma casa para mim e Henry. Amigos, irmãs. Família. Amor. Conforto. Segurança.
Quando Killian tirou os braços da minha volta, vi que Henry estava do nosso lado, me encarando, sorridente. Ele estava tão feliz por tudo aquilo que o seu sorriso parecia iluminar a sala. Olhei todas as pessoas que nos olhavam sorridentes e verdadeiramente felizes e sorri também. Ao mesmo tempo que sorri, chorei. Não por tristeza. Por felicidade.
Era o momento mais feliz da minha vida.
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Momentos depois, a parte emocional tinha passado. Agora todo mundo dançava animado. Killian estava me liderando na coreografia.
– Eu vou te servir todo o rum que você quiser, Jones. Até ao fim dos seus dias. – sussurrei no seu ouvido.
– Ah é? – perguntou sorrido malicioso.
– É. Sabe porquê?
Abanou a cabeça, com os olhos postos nos meus lábios.
– Porque o nosso fogo nunca vai apagar.
And if we should die tonight
We should all die together
Raise a glass of wine for the last time
Calling out father
Prepare as we will
Watch the flames burn auburn on
The mountain side
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