I See Fire
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Você sabe onde eu estou, beautiful. — deixou a frase no ar e, brincando com a sobrancelha, seguiu caminho na direção do café.
Apertei os lábios, perguntando a Deus o porquê de ter colocado Killian em Storybrook.
Ignorei a sua deixa e segui para a direção oposta, no sentido da escola. Henry já me esperava.
– Olá mãe. — beijou minha bochecha.
– Como foi seu dia?
– Muito bom! — sorriu. — Hoje conheci a Mariah e a Leah e...
Quando retornamos ao café eu já sabia tudo o que acontecera no seu dia e ele no meu... Bom, talvez eu tenha esquecido um pequeno promenor para sua segurança e sanidade. Não ia deixar Henry continuar imaginando coisas sobre Killian.
E qual o meu espanto quando chego ao meu trabalho e vejo quem, numa conversa animada, com minha chefe? Isso mesmo.
– Mamãe, ó o homem. — Henry observou.
Não conseguia compreender se ele ficava entusiasmado por o ver ou se ficava assustado. A segunda opção era, de longe, melhor.
Entramos e Henry foi sentar numa mesa, longe de Killian. Passei para trás do balcão e fui preparando alguma coisa para o garoto comer, sentindo um par de olhos nas minhas costas.
Tentei me concentrar na conversa que seguia atrás de mim.
– Eu lembro. — Killian comentou e eu mesmo sem ver, podia ouvir o sorriso. — Bons tempos.
– Você foi um dos meus melhores trabalhadores.
O quê? Jones tinha trabalhado para Granny? Eles se conheciam? A ponto de falarem "bons tempos" ? O que eu tinha perdido?
Ignorei a conversa e levei o lanche para Henry, entretido com a consola que eu lhe oferecera no seu aniversário.
– A Granny gosta dele. — Henry disse olhando os dois atrás de nós.
– Não sei como. — falei entre dentes. — Garoto eu tenho trabalho para fazer ali atrás, qualquer coisa me chama.
Concordou com a cabeça e fui arrumar o balcão, forçando os meus olhos a não irem na direção de Killian.
– Emma, querida, eu tinha sopa a acabar na cozinha, pode ir lá ver por mim? — Granny pediu, interrompendo a conversa com Jones.
– Claro.
Apesar do cheiro gostoso, a cozinha estava um caos de desarrumação e a sopa por ralar. Com Henry sozinho não queria demorar muito tempo. Impossível. Quando finalmente acabei, saí da cozinha sem estar preparada para o que iria ver.
Não, ele não teria essa coragem. Só podia ser uma visão!
A raiva subiu pelo meu corpo e o meu coração começou a bater mais rápido. Ah não...
Disparei em direção da mesa, batendo com a mão nela com toda a força.
– O que merda você está fazendo aqui, com meu filho?!- a minha voz saiu rouca e feroz.
Killian podia mexer comigo o quanto quisesse que eu sabia muito bem o que fazer com ele. Mas com meu filho?
Henry me olhou como se tivesse sido pego a fazer a maior asneira da sua vida e Killian pousou a consola que tinha nas mãos na mesa. A consola do meu filho.
– Calma, Swan. — o seu tom de voz calmo me irritou mais. — Eu e aqui o pequeno homem estavamos conversando sobre esse jogo. — apontou para a consola.
Senti o meu corpo ferver. Era bom que Henry não abrisse a boca.
– A conversa está terminada — elevei o tom de voz mesmo sem propósito de o fazer. — Pode sair, Jones.
Baixou a cabeça e olhou Henry brevemente.
– Como você desejar.
Se levantou e saiu, olhando para trás, para mim, antes de fechar a porta. Voltei a minha atenção para Henry. Não esperava que ele fizesse isso, confiar num perfeito desconhecido que sabia que já tinha sido procurado pela polícia e preso.
– Eu não te quero conversando com ele, Henry. — deixei a minha voz dura. — Imaginei que soubesse disso.
– Desculpa, mãe. — pediu, baixo.
***
Deitei a cabeça na almofada. Ainda estava muito chateada com o que tinha acontecido de tarde. A ideia de Henry e Killian como companheiros de jogos não equacionava na minha cabeça.
Tanto que eu protegera Henry do meu trabalho e bastara uns 20 minutos sem a minha supervisão para dar de caras com ele conversando com um dos meus casos, como se fossem amigos.
No meio de tudo, a sorte que eu tinha era que Killian podia ser um filho da puta provocador, mas perigoso... ele não era. De alguma forma eu tinha certeza disso. Sabia que Jones não machucaria Henry e que tudo fora provavelmente um jeito de me provocar.
Por tanto tempo que o segui, tanto sozinho como acompanhado, suas atitudes nunca foram ameaçadoras para ninguém.
Pelo contrário.
Era por isso que eu não entendia como alguém como ele fugia à lei como fugiu. Até onde eu sabia sua vida era "normal", se essa palavra se podia aplicar a alguém como ele.
Bufei. As dores de cabeça não faziam intervalo. Não era de admirar, dada a quantidade de pensamentos e emoções que o dia me oferecera.
Após o pequeno incidente com Killian, Granny quis saber se eu o conhecia e de onde. Demorei algum tempo para explicar que o conhecia de Nova Iorque, deixando o assunto do meu trabalho de parte. Pelo que me pareceu, a sua relação com Killian era próxima. Aí estava outra coisa que eu não conseguia entender.
Entre tantas.
***
Outro dia se passava. Sábado, dia de trabalho. Dia de trabalhar de noite porque, segundo o que Granny me explicara, no último sábado do mês o café ficava aberto até de madrugada e todo mundo passava por lá o que gerava um enorme lucro.
Tinha a manhã de folga e eu, agradecida aos céus, aproveitei para passear com Henry pela nossa nova cidade. Tomámos o pequeno almoço, fizemos compras, conhecemos lugares novos, rimos e conversamos. Uma manhã de familia, como se estivessemos ainda em Nova Iorque, vivendo uma vida normal.
Ao meio dia, antes de entrar ao serviço, almoçámos no café. Devo admitir que de quando a quando fitava a porta por instantes, não fosse um criminosozinho entrar.
Mas nada.
A tarde estava a ser tão cheia de clientes que eu nem tinha tempo para pensar nisso. A única preocupação que eu tinha era Henry — ele estava comigo no café e estaria a tarde toda.
Por isso, agradeci aos céus pela existência de David e Mary, que foram tomar café e se ofereceram para sentar com o garoto. Pareciam se dar muito bem os três, tanto, que eu ouvia as risadas da voz que eu melhor conhecia no mundo, ecoando pelo café. Jantaram os três e eu, quando pude, fui me juntando a eles por minutos em que o ambiente acalmava.
Mas eram apenas minutos.
– Emma? — ouvi Mary chamando o meu nome, no balcão.
– Sim?
– Eu e o David vamos indo — avisou — mas se quiser nós podemos levar Henry. Isso aqui vai piorar daqui a pouco.
Parei o que estava a fazer. Mary era a pessoa mais amorosa que eu já conhecera. E David também. Mas eu não queria dar trabalho a ninguém.
– Oh, obrigado mas não vou incomodar.
– Não incomoda Emma. Henry é um excelente menino e a gente tem uma PlayStation em casa... — tentou me persuadir.
E conseguiu. Se não fossem eles eu estaria fo-di-da. A quantidade de pessoas que entrou no café durante a hora seguinte me fez repensar no tamanho de Storybrook.
Bebidas para aqui, café para ali. Shots. Chãs. Sucos. O meu corpo já não reagia ao que eu mandava. Era completamente automático. Eu ouvia alguma coisa e fazia sem pensar.
– Um copo de rum, love.
Realmente... era o que faltava. Peguei no copo, no rum e o servi, me forçando a aceitar que ele era só mais um cliente e ignorando a raiva que eu ainda sentia.
– Obrigado. — sorriu torto e eu não respondi, limitando-me a atender o próximo cliente.
Quando, passados alguns minutos, o clima acalmou, me permiti finalmente olhar para Killian.
Maldição.
Senti o arrependimento no mesmo instante mas deixei os meus olhos repousarem nele por um momento. Olhando o copo de rum e de cabeça baixa, o que era novo para mim, Killian parecia ter os seus pensamentos a léguas de distância. E foi, por incrível e estranho que pareça, nesse momento em que eu o achei mais atraente.
Talvez fosse a sua jaqueta de couro, talvez a sua posição que emanava masculinidade e sexualidade em todos os sentidos. Eu não sabia o que era.
Ah, foda-se.
Não tinha mais ninguém para atender e eu, de costas para os clientes, servi uma porção grande de vodka para mim e virei abaixo. Precisava de alguma coisa que me fizesse animar a noite e parar de apreciar um criminoso. Repeti a dose duas vezes e voltei a encarar o meu trabalho.
– Pode servir outro, por favor. — Killian pediu antes que eu pudesse pensar em fazer outra coisa mais.
Era o quarto copo que eu lhe servia. Talvez eu não fosse a única a precisar de animar a noite.
Servi o rum, calada. Não podia esquecer que ele utilizara Henry para me atingir. Mesmo que ele parecesse mais bonito do que nunca.
Repeti a dose. Três e quatro vezes.
Sabia que isso ia definitivamente dar um novo alento à noite. Não era muito resistente ao álcool. Aliás, assim que girei o meu corpo para atender a um pedido de chã de uma cliente, senti alguma rotação a mais. Whoa!
Ouvi Killian dar uma risada rouca. Filho da puta estava atento a mim. Claro que ele estava atento a mim. Servi o chã. Granny conversava com Regina, cujo nome eu descobrira durante a tarde, no outro lado do balcão. Algumas pessoas tinham saído e o café estava mais vazio. Mas fodidamente cheio.
Deixei as mãos descansarem sobre o balcão, me dando ao luxo de só observar as pessoas conversando nas mesas. Famílias, casais, amigos. Era um ambiente agradável, de risos e vozes altas devido ao entusiasmo.
– Distraída, Swan?
E pronto. Lá estava a puta voz baixa e diabolicamente rouca.
– Nunca.
Meus olhos pousaram nos seus. Ah merda, eu estava tão fodida. Aquele azul devia ser proibído por Deus.
Virei costas e voltei a engolir uma porção considerável de vodka. Por algum motivo que eu não sabia qual era, o fato de saber que Killian me observava, me fazia sentir quente.
– Emma? — minha chefe chamou.
– Sim, Granny?
Graças a Deus eu não estava bêbada. Bem, talvez um pouco. Porém ainda conseguia parecer completamente normal.
– Isso está mais calmo, porque não vai pegar Henry e descansar?
***
– Até amanhã mamãe. — Henry se aconchegou nos cobertores e eu apaguei a luz do seu quarto.
Aceitara a proposta de Granny sem pensar muito. David e ele estavam jogando uma coisa qualquer quando o fui pegar e agradeci ao casal por me ajudar. Era bom saber que podia contar com alguém.
O único problema é que a bebida estava a subir um pouco na minha cabeça. Henry não percebera e com o sono que eu via nos seus olhos, 5 minutos depois de eu o deitar já estava sonhando.
Sentei no meu sofá e olhei em volta. Ugh. Estava demasiado acordada e animada para ir dormir. Queria alguma coisa diferente, alguém.
Enchi um copo com um Whiskey maravilhoso que comprara em Nova Iorque e oops, lá foi ele. Voltei a encher o copo e fui até ao sofá, bebericando.
Quando me preparava para ir buscar mais um pouco de Whiskey um barulho ecoou na sala. Parecia uma batida na porta. A essa hora? Não.
De novo. Senti uma vontade de rir do barulho que eu não sei de onde veio e avancei para a porta.
– Quem é? — bêbada mas cuidadosa!
– Eu, love.
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