I See Fire
17 Capítulo 17
Notas iniciais
– Não, não. – disse entre um sorriso. – Duas. Hoje me sinto confiante e quero pagar uma dose à lindíssima mulher que trabalha aqui.
Meu Deus do céu.
Eu ia morrer. Lentamente. Dolorosamente. E a culpa seria dele. Killian Jones não tinha o direito de fazer aquele tipo de comentário, de um jeito tão fodidamente atraente.
Filho da puta.
– Está com azar, cavalheiro. Acho que ela acabou de sair. – tentei parecer completamente normal mas alguma coisa na minha voz falhou.
E é provável que o calor que eu sentia nas bochechas também denunciasse alguma coisa.
– Oh, não. Tenho a certeza de que ela está parada bem na minha frente. – pronto, fodeu.
Decidiu, casualmente, como qualquer outra coisa normal que todo mundo faz, humedecer o lábio superior com a língua. Lentamente.
Eu precisava mesmo de uma bebida.
Peguei em outro copo e servi rum nos dois. Nem preciso mencionar que Killian estava todo sorrisos para mim, certo?
Bebi num gole só.
E quase morri com o fogo que senti descer pela garganta. Ugh!
– Calma m’lady. – riu. – Rum é uma bebida forte. Precisa ser saboreada lentamente. Tal como algumas coisas na vida.
Talvez pela bebida, talvez pela sua conversa, eu estava realmente confusa. Não percebera nada do que ele dissera além de que rum era uma bebida forte.
– É realmente forte. – concordei.
– Precisa assistência para respirar?
Rolei os olhos. Mesmo confusa, ainda percebia as frases insólitas de Killian. Que ele queria voltar a tocar os seus lábios divinamente macios e quentes com os meus, sabia eu.
– Não, cavalheiro. Mas obrigada.
O sorriso que dançou na minha boca foi tão inconsciente como respirar. E os lábios de Killian responderam, se curvando num sorriso que só ele tinha.
Era tão difícil esconder o sorriso a Killian.
Naquele momento alguma coisa pareceu parar, as pessoas pareceram parar de falar, o meu coração pareceu parar de bater e eu prendi a respiração. Foi estranho e inesperado. Ali, frente a frente com ele, senti um click. Na minha cabeça, na minha consciência e no meu coração.
Aquele sorriso.
Eu estava me apaixonando por Killian. Era tão claro como a água e infinitamente mais forte que uma dose de rum.
Eu estava me apaixonando.
Era impossível não o fazer. Era impossível fugir. E simplesmente impossível não sentir medo de tudo isso. Eu não podia me dar ao luxo de ser enganada e machucada de novo. Não quando Jones já estava tão envolvido na minha vida e na de Henry.
– Se alguma vez for necessário, eu estarei por perto, Swan. – continuou sorrindo.
– Eu sei.
Mas eu não conseguiria fugir.
E não ia. Alguém uma vez me dissera que “É preciso abrir o coração ao amor e manter a mente desperta em busca de obstáculos”. E além disso, eu confiava em Killian. Ele não ia me machucar.
O momento de “iluminação” da minha parte passou tal como veio. Jones continuou sorrindo e eu me obriguei a tirar os olhos dos seus e ir atender alguns clientes. Aliás, o resto da noite foi assim. Killian ficou lá. Não pediu mais nenhuma dose de rum, nem de nada. Simplesmente ficou lá. Me olhando e sorrindo para mim quando os nossos olhares se cruzavam.
Me senti como uma adolescente.
E quando eu fechei portas aos clientes, ele continuou lá.
– Não precisa ficar, Killian. Vou só fazer a conta do dia e vou embora. – afirmei assim que parei a seu lado.
– Não, eu espero. Já é tarde e qualquer pessoa pode entrar aqui.
A sensação que eu tive foi tão forte que eu quase caí. As minhas pernas ficaram tão fracas e o meu coração tão rápido. Killian ia me proteger. Me senti tão quente por dentro.
– Obrigado. – disse a fraca voz.
– É um prazer fazer companhia a uma tão linda senhorita.
Fiquei tão corada que saí da sua frente praticamente correndo. Ou eu fazia as contas rapidamente ou ia começar a responder às suas insinuações e as coisas iam ficar mais quentes.
Preferi a primeira opção. Henry estava em casa me esperando, David tinha feito o favor de o levar.
Quando acabei tudo na lanchonete, sempre sob um olhar azul atento, peguei a minha mala e saímos em silêncio. Tranquei a porta e o encarei.
– Então acho que é um até amanhã. – sorriu.
– Sim. Obrigado por ter ficado comigo.
Não pensei bem nas palavras e a frase soou diferente. Ele tinha ficado comigo. E agora estava se aproximando de mim. Lentamente. Merda. Aqueles olhos eram tão expressivos e intensos…
– Há alguma coisa em você… eu não consigo entender o quê. – todo e qualquer poro da minha pele se arrepiou ao ouvi-lo. Ele queria me enlouquecer. – Mas eu gosto. Eu gosto de você, Emma. Muito.
Não pensei. Beijei Killian com tudo o que sentia. As minhas mãos rapidamente se enroscaram no seu cabelo e as minhas costas ficaram mais quentes e preenchidas com as suas. As nossas línguas se reencontraram e eu me senti tão bem. Tão bem.
Estávamos tão perto que nada podia interferir. O beijo foi tão calmo quanto o momento pedia. Nem eu nem ele queríamos outra coisa.
– E eu sei que você também gosta de mim. – falou contra os meus lábios. – E que me acha um deus sensual.
Dei uma risada alta. A forma de ele dizer aquilo foi tão engraçada. Parecia uma criança. Era tão idiota. E estava tão certo.
– Talvez, talvez. Quem sabe? – provoquei.
– Eu sei! – riu. – E não vou te roubar mais tempo. O meu pequeno companheiro está esperando em casa.
Por isso. Era por isso que ele estava tão certo sobre eu gostar tanto dele. Além de ser um homem que eu desejava e queria além da razão, era amigo do meu garoto. Gostava dele. Se preocupava.
– Sim. É um até amanhã. – me afastei dele.
– Até amanhã, senhorita. Bons sonhos.
E virou costas, seguindo o seu caminho.
Assim como eu. Com os pensamentos nas nuvens, fui para casa.
***
– Mamãe, mamãe!
Abri os olhos, assustada. Henry saltava na cama como se de um terramoto se tratasse.
– O que aconteceu Henry? – perguntei mais para dentro do que para fora.
– É hora de levantar! Vamos preparar as coisas, Killian vem hoje de tarde!
Escondi a cara no colchão. Estava com tanto sono e cansaço. Queria dormir o resto do dia, de preferência com Henry. Um sábado de mimo e carinho.
– Vamos mãe! – saiu da cama e correu para a sala.
Resmunguei alto. Apesar das minhas vontades, tinha que ser. Tinha que ir trabalhar a tarde e depois tinha Killian. Sim. Killian ia passar o maldito dia enfiado em minha casa. E depois íamos jantar os três. Como se fosse uma coisa normalíssima.
Saí da cama e fui ter com Henry que estava com a energia super carregada. Apesar do mau humor matinal, adorava ver o garoto tão animado.
– Te preparei o café da manhã! – exclamou sorrindo.
Esse pequeno pormenor fez o meu dia. Tomamos o café da manhã e pouco depois eu saí para a lanchonete.
A tarde passou rápido, voando. O trabalho me ajudou a distrair o pensamento de Henry e Killian em minha casa, jogando PlayStation. Dei por mim olhando uma xícara e imaginando os dois rindo, divertidos, cúmplices. Era uma sensação tão boa e ao mesmo tempo, estranha. Era tudo novo.
Tanto que eu sentia receio de voltar para casa e saber que eles iam estar lá. Me esperando. E que íamos jantar os três. Na verdade, eu estava apavorada. Tinha medo de confirmar de uma vez por todas o que eu sentia por Jones. Muito medo.
E quando chegou a hora, precisei respirar fundo antes de entrar no fusca e conduzir até casa. A viagem era tão rápida como um piscar de olhos. Estacionei o carro, arrumei o cabelo, peguei a mala e subi até à porta, com o coração quase a saltar pela boca. Não percebia o porquê de todo o nervosismo.
Pus a chave na fechadura e sem eu fazer nada a porta se abriu.
Eu devia adivinhar que do outro lado ia estar um Killian sorridente como uma criança.
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